Posted on Feb 2, 2010

JORNALISMO E INTERATIVIDADE

Essa é uma apresentação utilizando o software húngaro Prezi, que costumo utilizar em aulas por aí. Ela se modifica com o tempo, conforme vou tirando ou acrescentando conteúdos interessantes.

No mínimo, é um resumão de links que julgo bacanas sobre jornalismo interativo. Tem algum pra recomendar?

Apresentei hoje isso na aula do curso de jornalismo online do Eugênio Bucci na USP. As outras aulas estão neste site aqui: www.jornalismodigital.org

Posted on Jan 31, 2010

CURSO JORNALISMO ONLINE – USP 2010

Segunda-feira (dia 1) começa o curso de Jornalismo Online 2010 da turma de graduação da USP. O professor será o jornalista Eugênio Bucci, e eu farei a monitoria da turma. Isso inclui organizar as aulas para que estejam online o quanto antes. E já está de pé o blog www.jornalismodigital.org , que é onde o material será organizado.

O curso terá 15 aulas, que deverão ser gravadas e colocadas online. A ideia é também produzir textos a partir destas aulas, que depois poderão virar uma espécie de manual básico para jornalismo online. Nós (professores e alunos) tentaremos deixar tudo editado e online logo após o término das aulas, que ocorrem durante fevereiro.

Pela programação, dá pra ter uma ideia do que será o curso. Algumas coisas devem se modificar no decorrer do mês, mas no geral é isso aí.

Sugestões, dúvidas, mandem pra mim, ou comentem este post. Notícias sobre o desenrolar das aulas eu mando pelo twitter: @andredeak

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Posted on Dec 26, 2009

NEWSGAMES: ENTREVISTA COM FRED DI GIACOMO

Conheci Fred Di Giacomo numa mesa que participamos juntos em Florianópolis, na Semana de Jornalismo Digital da UFSC (e que teve também a argentina Maria Arce). Fred é um dos principais caras que fazem os newsgames da Abril – pelo menos na Superinteressante, na Mundo Estranho e no núcleo Abril Jovem. Já escrevi algumas vezes sobre os newsgames da Super, que produziu alguns dos melhores que já vi no Brasil.

Abaixo, umas perguntas que ele me respondeu por email.

Como é que você foi parar na área de newsgames? Qual sua formação? E como, quando e por que a Abril resolveu começar a desenvolver newsgames?

Eu sou formado em jornalismo pela Unesp – Bauru, mas sempre puxei para a área de multimídia. Meu estágio foi em Rádio e TV, e na faculdade eu desenvolvi vários projetos de audiovisual, além de fazer o site do meu fanzine na raça, usando Front Page e html basicão. Quando passei no Curso Abril (2006), caí num grupo que deveria desenvolver uma revista digital para a Capricho. De lá fui contratado para o site da Mundo Estranho, no qual criamos jogos, testes, vídeos e podcasts.

Quando voltei a trabalhar no Internet Núcleo Jovem (novembro/2008), o Rafael Kenski era o editor e estava começando a produzir newsgames. Ele nem conhecia esse termo. Achávamos que estávamos criando os “jogos jornalísticos”, com a experiência que o núcleo já tinha em infográficos online. Foi aí que eu me envolvi com esse formato e foi aí que a a Abril começou a desenvolvê-lo. Não foi uma iniciativa corporativa, foram iniciativas pessoais.

Como é seu dia-a-dia?

Hoje eu sou o editor da Internet Núcleo Jovem, então acumulo algumas funções mais burocráticas, além de tocar esses projetos especiais, como os newsgames. Eu chego no trabalho por volta de 11h e fico até umas 20h30. Coordeno uma equipe de mais 6 pessoas que cuidam dos sites da Mundo Estranho, Superinteressante, Guia do Estudante e Aventuras na História. Abro o dia me atualizando com as notícias, via Twitter, RSS e portais. Faço algumas reuniões. Temos reuniões de pautas semanais no Núcleo e também faço reuniões semanais com os editores das revistas. Geralmente tocamos uma produção multimídia por mês e atualizamos os sites diariamente com notícias, blogs, enquetes e um pouco de conteúdo ligado às edições impressas. Reuniões com TI, fornecedores, marketing e publicidade também fazem parte da rotina.

As equipes dos newsgames da Abril costumam ser grandes – roteiro, apuração, programação, design… Com quantas pessoas trabalham normalmente? O que faz cada um?

As equipes de newsgames incluem gente da nossa equipe fixa (que também toca todos os sites) trabalhando com  frilas. São no mínimo 5 pessoas por produção (editor, repórter, designer, programdor e ilustrador). Às vezes aproveitamos uma apuração que o repórter tenha feito para uma matéria da revista, em outras pagamos alguém pela apuração. O editor coordena a parte de texto do newsgame e muitas vezes também é responsável por desenvolver o roteiro e a mecânica do jogo. O designer cuida do layout e coordena o trabalho do ilustrador e do programador.

O que você acha necessário que um jornalista saiba para trabalhar com newsgames? Quais os pré-requisitos?
É importante que o jornalista tenha alguma experiência como gamer, para ter referências de mecânicas e também de estética, de jogabilidade. Conhecimento de infográficos online e outras narrativas multimídias (vídeos, slide shows, etc) também são bem-vindas. E,claro, a pessoa precisa ser criativa.

Games são entretenimento. Jornalismo trabalha com notícia. Como fica essa mistura? Não há risco de cair muito para o entretenimento e acabar esquecendo “qual é o lead” do game? Como vocês trabalham esta questão?

Essa é uma das principais discusões que temos na equipe. Como aliar a diversão e a informação de uma forma equilibrada? Não existe uma fórmula, newsgames são uma linguagem nova. O Rafal Kenski tinha uma ideia legal sobre isso. Quando você estiver com a ideia do jogo pronta pergunte: “ele diverte? ele informa?”. Se cumprirmos essas duas missões, estamos no caminho certo. Sem informar, o newsgame é só game.

Games, infografias interativas… Esse é um futuro para o jornalismo? Por onde vamos?

Acho que o jornalismo tradicional sempre vai existir. Demora bastante pra produzir um newsgame, não dá pra noticiar a morte de um presidente só quando o infográfico ficar pronto. Mas esses serão os “cadernos especiais, as grandes reportagens do século XXI”. Acho que só estamos começando a explorar, de verdade,  as linguagens multimídia agora. Temos muito caminho para desbravar no universo do jornalismo online.

Posted on Dec 15, 2009

DOCUMENTÁRIOS PARA BAIXAR

Foi-se (ou está indo) a época em que o barato dos estudantes de jornalismo era fazer um livro reportagem usando técnicas do new journalism. Agora, parece, a onda é o documentário. Quem sabe na década seguinte veremos as reportagens multimídia pegando no breu.

De qualquer forma, as faculdades parecem continuar formando apenas redatores, preparando, no máximo, um jornalista cujo sonho é ser empregado num jornalão pra reclamar do editor vendido/carrasco/direitoso/todas as anteriores. Creiam, existe vida fora da grande imprensa.

Mas este post nem é pra falar isso.

Deu um boom de bons documentários ultimamente. Mas os clássicos também são muito bons. Andei perguntando por aí o que vale a pena ver. E baixar, aliás. O jornalista Felipe Lavignatti me mandou uma lista dele, a qual acrescentei algumas coisas, mais 3 filmes de uma lista do Pedro Valente.

COMO FAÇO DOWNLOAD DOS DOCUMENTÁRIOS?
O primeiro passo é saber o nome original do documentário. Procure no Internet Movie Database. Depois, faça uma busca em sites de torrent, como estes aqui. A maioria deverá estar sem legenda – aí você busca separado, legendas pt-br (português do Brasil). Players como o Classic ou o VLC podem juntar, depois, as legendas com os vídeos.

Abaixo, uma lista com algumas coisas sugeridas pelo Lavignatti:

Crips And Bloods Made In America
(dirigido por um ex-skatista, Stacey Peralta). O cara praticamente inventou o skate na california nos anos 60. Estreou em filme contando a história da turma de skate dele. O doc gerou um filme ficção. Mas esse conta outra história, a das gangues de Los Angeles. Usa muito bem recurso gráfico pra mapas mostrando qual gangue domina que pedaço. É mais ou menos explicando o efeito Rodney King. Como se no Brasil fizessem um falando como os morros cariocas foram tomados pelo CV e pelo Terceiro Comando. Aqui pelo Pirate Bay.

Crumb
(sobre o Robert Crumb, tá na lista dos 1001 filmes daquele livro de mesmo nome. O Diretor é Terry Zwigoff , que, depois, passou pra ficção. O cara é bom)

Gonzo The Life and Work of Dr Hunter S Thompson
Muito foda pra jornalista esse. Mostra como o cara era bom em reportagem. Mesmo se tratando de um filme sobre um suicida, tem final feliz. Feito pra HBO. Pirate Bay.

häxan
Documentário sobre bruxaria. É sueco, mudo e feito em 1922. Sem saber direito o que é ficção ou doc, o diretor mescla as duas coisas. Torrentz.

Im Toten Winkel Hitler’s
“Eu fui a secretária de hitler”. Mal filmado pra porra. Mais de uma hora duma véia falando pra uma câmera, sem fotos, sem mudança de plano nem nada. Mas segura pela história da véia. Parece uma fita bruta de uma entrevista qualquer, só que a mulher não é uma qualquer, ela ficou no bunker até o bigodinho se matar.

Jonathan Ross in Search of Steve Ditko
Um cara atrás do desenhista co-criador do Homem aranha. O cara é recluso, é o trabalho do repórter de achar. No fim ele acha, mas não filma. Interessante.

Paradise Lost
História duns moleques acusados de assassinato, só que sem provas. Tudo porque eram metaleirinhos. Os diretores passaram a fazer sucesso depois desse doc/denúncia e dirigiram o documentário do Metallica (SOme Kind OF Monster), que é bem bom também.

Roman.Polanski.Wanted.And.Desired
Parecido com docudrama. Conta a vida de bonvivant do polanski até ser acusado de estupro de menor. Mostra cenas de filmes dele para ilustrar a personalidade do diretor.

Joe_Strummer:_The_Future_Is_Unwritten
(Sobre o líder do THe CLash). Sobre o filme, tem mais aqui, na Wikipedia.

Standard.Operating.Procedure
Esse mostra o que foi crime e o que não foi em Abu Ghraib. [N.E.: É de um dos mais famosos documentarias americanos, Errol Morris. O livro também é muito foda, e tem tradução para o português]

Stranded – The Andes Plane Crash
Docudrama sobre a queda do avião nos Andes, que originou o filme Vivos. Muito foda. Eu demorei alguns minutos pra perceber que era reencenado.

The Bridge
Sobre os suicidas da Ponte Golden Gate. Esse é polêmico e faz pensar um pouco sobre o papel do jornalista. Leia isso.

Da lista de Pedro Valente:

The Corporation
Uma aula de como a figura da “corporação” surgiu, passou a ser vista pela lei como uma pessoa com direitos e deveres e acabou causando mais mal do que bem pra sociedade. O filme mostra como o diagnóstico de um psicopata se encaixa direitinho com os traços de “personalidade” das grandes empresas. Site oficial aqui e torrent aqui.

Good Copy Bad Copy
Documentário sobre direitos autorais, música e filmes nos dias de hoje. Muito bom porque foge daquela visão fechada nos EUA e vai na Suécia falar com os caras do Pirate Bay, na Nigéria pra mostrar a maior indústria cinematográfica do mundo – com produções de dar inveja ao Zé do Caixão – e vai a Belém do Pará pra investigar o movimento Tecno-brega, a pujante indústria do remix local e da “aparelhagem”. Além de falar com cabeções do assunto como o Lessig. Site oficial e download do torrent aqui.

Sicko
Esse é o filme novo do Michael Moore, que desce o pau na indústria dos planos de saúde dos EUA. Não é distribuído de propósito pela rede, mas teve um conveniente “vazamento” assim que rolou o boato de que seria proibido por ter uma parte filmada em Cuba ou outra desculpinha qualquer.  Ele  mostra ao redor do mundo como governos do Canadá, Reino Unido, França e Cuba cuidam da saúde,  expondo a vergonheira que é o sistema dos americanos. Torrent aqui.

Zeitgeist
Pra quem gosta de teorias da conspiração esse é um prato cheio. Achei legal a explicação de que Jesus e todos os seus “clones” anteriores são na verdade alegorias para constelações e o Sol, equinócios e solstícios e tudo mais. Se for verdade o que eles dizem faz bastante sentido. Aí depois enfiam tudo que é conspiração no mesmo balaio e fica um troço meio chato. Vem o 11 de setembro, segunda guerra, o FED e tudo que você puder imaginar. Vale pela primeira meia hora. No Google Video via site oficial.

Meus acréscimos

Steal this film I e II
Gostei muito, na linha do Good Copy, Bad Copy. E é um projeto interessante, sobretudo, de contravenção ao copyright. Baixe aqui.

PBS Frontline
É um programa fodidaço da rede pública de TV norte-americana, que ganhou todos os prêmios possíveis. Exemplo de bom jornalismo. Dá uma olhada aqui.

Ashes and Snow
A melhor fotografia que já vi num documentário na vida. Esse é o site oficial, mas dá pra baixar o filme por aí.

Thin Blue Line
Esse é do Errol Morris também, mas de 88. Docudrama, assisti em Cuba, num curso de roteiro / documentário. Umas infos aqui.

Gimme Shelter: The Rolling Stones. Uncut. Uncensored. Unsurpassed
Maysles Brothers (1970). Sobre a morte de um cara durante o show em que os Hells Angels fizeram a segurança.

Salesman (1968)
Também deles, mas é o filme mais legal que já vi de cinema verité. Também conhecido como Fly On The Wall – ou seja, grava tudo, como se a câmera não estivesse lá. Depois edita como ficção. Animal.

Don’t Look Back
Filme de D.A. Pennebaker, sobre Bob Dylan. Também é muito, muito bom.

Buena Vista Social Club
Todo mundo já viu, ok. Win Wenders (1999). Mas precisava estar aí.

O Equilibrista (Man on Wire)
Ainda não vi, mas um monte de gente já me disse que é muito bom. Oscar 2009. Olha, vi nas férias agora, gostei, mas como muita gente falou, fiquei com uma expectativa alta demais. Gostei mais de outros aí da lista de cima. UPDATE: Passado um dia, acho que é realmente um pusta filme. Fiquei aqui pesquisando sobre, achei entrevistas ótimas aqui e aqui. Não é um filme só sobre a caminhada entre as torres, mas sobre determinação, poesia e loucura inconsequente. Uma ode a tudo isso, aliás.

Alexandre Praça me passou algumas anotações também, num caderninho que achei aqui em casa:

Nick Broofield
Qualquer coisa do cara. Aqui tem o site dele. Fez um doc sobre a morte dos rappers Tupac Shakur e Biggie Smalls.

Chronique d’un été
A experiência do Edgar Morrin no campo dos documentários. Tem um texto sobre isso aqui, e vários outros na rede.

Night Mail
Documentário de 1936 sobre Londres. Na wiki.

Dignidad de los Nadies
Do Solanas, argentino.

E você? Indica alguma coisa?