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	<title>Andre Deak - Jornalismo Multimídia</title>
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		<title>ENTREVISTA: JAMIE KING, STEAL THIS FILM E VODO.NET</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 22:40:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONVERGÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[CulturaDigitalBR]]></category>
		<category><![CDATA[ENTREVISTAS]]></category>
		<category><![CDATA[JORNALISMO]]></category>

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		<description><![CDATA[O idealizador do documentário “Steal this Film” (”Roube este Filme”, em português) e criador da rede Vodo.net, Jamie King, defende a liberdade de compartilhamento livre na rede e ajuda produtores a usarem sistemas P2P para a distribuição de suas criações. Em “Steal this Film” ele descreve como funciona a cultura de distribuição de conteúdo peer-to-peer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O idealizador do documentário “<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Steal_This_Film">Steal this Film</a>” (”Roube este Filme”, em português) e criador da rede <a href="http://vodo.net/" target="_blank">Vodo.net</a>, Jamie King, defende a liberdade de compartilhamento livre na rede e ajuda produtores a usarem sistemas P2P para a distribuição de suas criações. Em “Steal this Film” ele descreve como funciona a cultura de distribuição de conteúdo peer-to-peer e mostra as consequências disso para os criadores de conteúdo, para cineastas e artistas em geral.</p>
<p>Convidado a contar a sua experiência na mesa de discussão sobre comunicação no Seminário Internacional do <a href="http://CULTURADIGITAL.BR" target="_blank">Fórum da Cultura Digital</a>, em novembro de 2009, Jamie falou um pouco mais sobre o seu trabalho nesta entrevista.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt; Depois do Steal This Film, o que está fazendo agora?</strong><br />
Recentemente, estive envolvido em um projeto para ajudar produtores de conteúdo a usar o compartilhamento de arquivos, usar grandes serviços de distribuição pirata para espalhar seu trabalho pelo mundo todo. Enfim, mostra como o peer-to-peer pode ser útil para todos os tipos de artistas a cineastas principiantes.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt; O projeto “Steal this Film” levou dois anos para ser realizado, certo?</strong><br />
Ele começou em 2006. Nós fizemos a Parte Um em 2006 e um outro grupo fez a Parte Dois em 2007. E a parte 2.5 foi lançada este ano (2009).</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt; O que emergiu deste projeto?</strong><br />
Uma das coisas excitantes sobre “Steal this Film” para nós foi que, <strong>sem ter uma infraestrutura tradicional de distribuição, fomos capazes de engajar uma audiência mundial</strong> e realmente fazer parte do debate crescente sobre o compartilhamento de arquivos e P2P. Este é um momento importante para apresentar um retrato do que significa o compartilhar arquivos, fazer download, compartilhar mídia. Especialmente fazer isso a partir do nosso ponto de vista, do produtor, pra quem isso é absolutamente normal. Eu queria fazer parte desta conversa, ter o direito de dizer como construir esse futuro em potencial.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt; Você disse que se se tivesse apelado para o processo tradicional de distribuição, não teria dinheiro para pagar pelo documentário. O modelo tradicional está falido?</strong><br />
Bem, não está quebrado para todo mundo. Quero dizer, as pessoas ainda vão ao cinema e, de fato, mais pessoas vão ao cinema no Reino Unido do que nunca.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt; Mas não para ver documentários&#8230;</strong><br />
Certo, mas só recentemente é que se vêem documentários nos cinemas. É muito raro um documentário estar nos cinema. Foi <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Harvey_Weinstein" target="_blank">Harvey Weinstein </a>quem inicialmente promoveu a ideia de que documentários deveriam também atrair grandes públicos [N.E – vale ler <a href="http://www.oesquema.com.br/urbe/2010/03/01/a-carta-de-harvey-weinstein-para-errol-morris.htm" target="_blank">a carta que Weinstein escreveu a Errol Morris</a>, documentarista que ajudou a popularizar o gênero]. Isso é muito recente, de todo modo. <strong>A pergunta é “seríamos capazes de fazer “Steal this Film” pelo sistema tradicional? Bem, diferentes filmes poderiam ser feitos. Há coisas que fizemos em “Steal this Film 1” que você não poderia fazer nesse sistema</strong>. Existem limites suaves, ou pouco visíveis, impostos aos cineastas, e depende do quão distante você está do modelo para notar se esses limites são mais ou menos importantes. Por exemplo: você não é livre para pegar partes de filmes de outras pessoas e adicionar um <em>voice over</em>, ou criar um ensaio usando imagens alheias sem a permissão explícita delas. E algumas pessoas vão dizer que esse é o jeito que deve ser. Nossa visão é outra: que somos cercados por imagens em todos os lugares onde vamos. Inclusive, acho que não vi outdoors em São Paulo&#8230;</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt;Há um ano já que não temos isso&#8230; É lei.</strong><br />
É bem perceptível. Mas em Londres ou em Berlim, ou em outros lugares, você é cercado constantemente por imagens concebidas para determinar o que você deve sentir, o que você deve desejar, como definir seu sucesso, como você deve ser. E você continua exposto, mesmo que não existam outdoors, pois elas estão no cinema, na TV, em todo lugar. Apesar delas estarem presentes em todos os momentos de nossas vidas, não temos permissão para usá-las. É como se elas fossem significativas para você de todas as maneiras, mas não são suas. E mantenha suas mãos longe! <strong>Então, fazer remix, reutilizar sem permissão, parece ser uma maneira de quebrar, ou melhor, alterar a lógica dessas imagens, temporariamente pelo menos</strong>. Enfim, essa é uma coisa que você definitivamente não poderia fazer na televisão, mas você pode fazer quando produz um filme desse jeito.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt;Nós falamos sobre propriedade, então vamos falar sobre direitos autorais. O filme é registrado em copyright. Por quê? Se você pretende uma distribuição para todos, por que tem um copyright?</strong><br />
É uma piada. Porque o filme se chama “Steal this Film” e se tivéssemos colocado uma licença livre, creative commons ou algo assim, as pessoas, tecnicamente, não poderiam mais roubá-lo, então o filme não poderia mais se chamar “Steal this Film”. Foi necessário ter um copyright, para que as pessoas pudessem quebrá-lo. Além disso, somos geeks, nos divertimos com o paradoxo de dizer para alguém roubar algo, mas não de verdade. Então foi por isso que não fizemos os projetos em licenças creative commons.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt;E você prefere creative commons ou copyleft?</strong><br />
Nós não usamos licença copyleft para conteúdo. Porque é mais difícil de reproduzi-lo. Os artistas [no Vodo.net] basicamente dizem que tipo de condições querem colocar no trabalho &#8211; e então geramos uma licença para cada um.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt;Mas há uma crítica que diz que o creative commons ainda está sob o guarda-chuva do copyright&#8230;</strong><br />
Sem dúvida.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt;Você não está desafiando o sistema, está se adaptando&#8230;</strong><br />
Bem, eu sou uma das pessoas que fazem essa crítica a favor de modificar o sistema de copyright. Mas nós o sustentamos. <strong>Nós vivemos em um tempo de contradições (risos). Com o Vodo.net, acho que provamos algo muito importante, sobre como usar as redes P2P nesses trabalhos, mostrando que a rede pode distribuir valor para os produtores. </strong>Isso indica para mim um certo tipo de pragmatismo. Você não pode fazer o que quiser, nem forçar seus pontos de vista sobre ninguém. No nosso caso isso significa que nós vivemos abertos para o “film maker”. Se um cineasta quiser restringir certos usos, tudo bem. Se você quiser colocar seu filme em domínio público, mais ou menos como “Steal this Film”, você também pode.</p>
<p>Nós tivemos uma discussão interna sobre o “Steal this Film” uma vez porque nós encontramos no blog de alguém do Festival Internacional de Cinema de Cingapura uma chamada para “Steal this Film 2”, eles iam exibir e não nos contaram. E ninguém tinha dito pra eles que podia. E eu disse para um dos caras envolvidos no filme “O que você acha disso?” e ele disse “é claro que alguém ia fazer isso”. É que eu pensei que eles, sendo um festival de filmes, deveriam conhecer melhor as regras. Eu iria legalmente impedí-los de exibir o “Steal This Film 2”? Talvez não, mas eles poderiam ter nos consultado, nos contado pelo menos, estaria tudo ok. <strong>Acho que mesmo tendo as posições mais radicais, deveriam existir maneiras de sinalizar para as outras pessoas que usos você permite para o seu material.</strong></p>
<p>Mas eu gosto de ficar fora do sistema de copyright. E gostaria de apenas sugerir usos para meu trabalho, pois eu acho que essa é a realidade da situação. Eu confio em fronteiras éticas e eu não quero restrições legais. E quanto mais a lei do copyright parece representar interesses que eu realmente discordo, menos quero me envolver com copyright.</p>
<p>Existem outros exemplos desse paradoxo. É realmente complicado responder a essa pergunta, não é porque estou tentando ser político, mas porque é uma pergunta muito complicada. Pegue Richard Stallman e o sistema GPL [N.E. Licença Pública Gnu], que sempre se apoiou no copyright, e agora está numa posição de apoiar o copyright e argumentar contra políticas do Partido Pirata porque ele precisa do copyright para dar suporte ao GPL. As pessoas pensam que ele é anti-copyright, mas na verdade ele defende. Então há vários paradoxos emergindo desta situação tecnológica. Eu acho que temos que olhar caso a caso.</p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt;Você acha que vai haver uma mudança radical?</strong><br />
Sem dúvida! Novas leis terão que ser feitas. Estamos radicalmente repensando as coisas. Eu posso te contar sobre as conversas que tenho tido, eu tenho certeza que você tem as mesmas. Na Europa ou nos EUA. Eu comecei o projeto Vodo.net, há um mês atrás veio à público. Eu tive, provavelmente, 250 e-mails de cineastas e nenhum deles disse “Essa é uma ideia estúpida. Você não faz ideia de como ganhar dinheiro”. E também não foi apenas uma pessoa que disse “Isso é maravilhoso. Gostaria de me envolver. Isso vai ajudar os cineastas”.</p>
<p>As pessoas sabem que este mundo que emergiu é imperfeito, o mundo da reprodução mecânica, da televisão, do rádio.<strong> E este mundo que está emergindo tem imensamente mais possibilidades para todos nós. E esta é questão: como realizar uma contribuição construtiva para este novo paradigma.</strong> Se eu fizer contribuições sólidas o bastante, práticas o bastante, nós não deveríamos ter nenhum problema em criar um novo regime legal, porque vamos descobrir novas maneiras de os cineastas ganharem dinheiro. Mas se fizermos apenas downloads dos filmes de Hollywood, sem criar nada novo, sem dúvida eles tentarão nos destruir. Mas se contribuirmos, construirmos algo novo&#8230; Acho que há muito mais pelo que lutar, e muito a ganhar.</p>
<p><img style="visibility:hidden;width:0px;height:0px;" border=0 width=0 height=0 src="http://counters.gigya.com/wildfire/IMP/CXNID=2000002.0NXC/bT*xJmx*PTEyNjgxNzQzOTI2NzYmcHQ9MTI2ODE3NDM5Njg4MSZwPTE5ODY4MSZkPTZsdDYyMnAzNXYmZz*yJm89NDRlN2VkNTE2/NjJhNDcxNGI4NTk3YjAzYzYzNGIxMzUmb2Y9MA==.gif" /><object name="kaltura_player_1268174391" id="kaltura_player_1268174391" type="application/x-shockwave-flash" allowScriptAccess="always" allowNetworking="all" allowFullScreen="true" height="364" width="410" data="http://www.culturadigital.br/kalturaCE/index.php/kwidget/wid/9cw14rc182/uiconf_id/530"><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="allowNetworking" value="all"/><param name="allowFullScreen" value="true"/><param name="bgcolor" value="#000000"/><param name="movie" value="http://www.culturadigital.br/kalturaCE/index.php/kwidget/wid/9cw14rc182/uiconf_id/530"/><param name="flashVars" value=""/><param name="wmode" value="opaque"/><a href="http://corp.kaltura.com">video platform</a><br />
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		<title>ENTREVISTA: JOSHUA GREEN E O VÍDEO ONLINE</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 13:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[JORNALISMO]]></category>

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		<description><![CDATA[Coordenador de pesquisas do Convergence Culture Consortium, centro de estudos fundado por Henry Jerkins e filiado ao Comparative Media Studies do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, Joshua Green lidera uma equipe dedicada a investigar as ramificações da convergência e da cultura participativa na produção de conteúdo, nas práticas de mercado e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Coordenador de pesquisas do <a id="m25-" title="Convergence Culture Consortium" href="http://www.convergenceculture.org/">Convergence Culture Consortium</a>, centro de estudos fundado por <a id="biix" title="Henry Jerkins" href="http://www.henryjenkins.org/">Henry Jerkins</a> e filiado ao <a href="http://www.convergenceculture.org/aboutc3/mitcms.php">Comparative Media Studies</a> do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, Joshua Green lidera uma equipe dedicada a investigar as ramificações da convergência e da cultura participativa na produção de conteúdo, nas práticas de mercado e na forma de entender as audiências das diversas mídias. Seu trabalho atual é sobre a <span><span style="background-color: #ffffff" title="research looks at changing understandings of what television 'is', the formation of the participatory audience, and television branding in the context of participatory culture">televisão e a formação de audiência interativa. É PhD em estudos de mídia </span></span>pela <a id="lmna" title="Queensland University of Technology da Austrália" href="http://www.qut.edu.au/">Queensland University of Technology da Austrália</a>, tendo publicado <span><span style="background-color: #ffffff" title="He has published work on participatory culture and the relationship between producers and consumers, television scheduling strategies, the history of Australian television, and the construction of the cultural public sphere.">trabalhos sobre televisão online, as relações entre produtores e consumidores, estratégias de programação de TV e a construção da esfera pública cultural.</span></span></p>
<p>Ao lado da pesquisadora australiana <a id="nm42" title="Jean Burgess" href="http://cci.edu.au/profile/jean-burgess">Jean Burgess</a> lançou em março de 2009 o livro &#8220;<span>YouTube &#8211; Online Video and Participatory Culture&#8221;, traduzido para o português como &#8220;<a id="ci2:" title="Youtube e a Revolução Digital" href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454">Youtube e a Revolução Digital</a>&#8220;</span> (Editora Aleph). O livro é um dos primeiros trabalhos dedicados a analisar o site como uma rede social e não apenas como plataforma de distribuição de conteúdo e parte da análise dos 4.300 vídeos mais acessados. O resultado é um mapeamento sobre como<span> ele é utilizado pela indústria da mídia, pelo público, por produtores amadores e por comunidades de interesses particulares, mostrando que o maior potencial do YouTube está na capacidade de criar relacionamentos e incentivar a criatividade popular. </span></p>
<p>Green é ainda afiliado ao <a href="http://www.cci.edu.au/">ARC Center of Excellence For Creative Industries and Innovation</a>, centro de inovação e tecnologia na Austrália, membro equipe da rede social experimental <a href="http://www.pbs.org/engage/">PBS Engage</a> e ministra palestras sobre cultura e convergência em eventos acadêmicos e empresariais pelo mundo.<br />
<strong><br />
Perfil no Twitter</strong>: <a id="f0yc" title="@JoshGreen" href="http://twitter.com/JoshGreen">@JoshGreen</a><br />
<strong>Blog: </strong><a id="lp6v" title="Weigh and Mass" href="http://weightandmass.wordpress.com/">Weigh and Mass</a></p>
<p>A entrevista transcrita abaixo foi gravada durante a passagem de Joshua pelo Brasil em outubro de 2009, quando participou do <a id="ab5o" title="New Brand Comunication" href="http://www.nbc09.com.br/">New Brand Comunicattion</a> e aproveitou para visitar a <a id="qxo1" title="Casa da Cultura Digital" href="http://www.casadaculturadigital.com.br/">Casa da Cultura Digital</a>, em São Paulo. Na ocasião, eu e o <a href="http://vjpixel.net/" target="_blank">VJ Pixel</a> fizemos essas perguntas para ele. <span id=":31n" dir="ltr">A entrevista faz parte do projeto de estudos sobre vídeo online que a FLi Multimídia está desenvolvendo para a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e o Ministério da Cultura.</span></p>
<p>&gt;&gt;&gt; <strong>O que é o vídeo online?</strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Bom, de maneira geral, estamos falando em vídeos que são disponibilizados online. É uma das coisas que muda de acordo com o contexto. O vídeo online pode ter a ver com esporte, com segurança, pode ter conteúdo de entretenimento, pode ser de notícias, pode ser pessoal, pode ser objetivo, pode ser interpessoal (como uma gravação de uma conversa), pode ser uma animação. Ou seja, vídeo online é, a princípio, um vídeo que está online.</p>
<p>Mas precisamos ser mais específicos quando falamos disso. Deveríamos pontuar melhor o tema, falar no &#8220;espaço de mercado do vídeo online&#8221;, ou na &#8220;cultura do vídeo online&#8221; &#8211; sempre especificando melhor o que queremos dizer. Vídeo online é um modo particular de oferecer  muitos tipos de conteúdo.</p>
<p>Algumas características são diferentes, de fato: se é visto em uma tela próxima, como a do computador, precisa ter uma dimensão específica. Na tela do computador as pessoas estão geralmente a meio metro de distância, enquanto na TV estão a uns 5 metros. <strong>Você assiste televisão de longe, mas você trabalha com o seu computador a no máximo meio metro de distância. Então, de cara, o vídeo online já deveria ter algumas características diferentes.<br />
</strong></p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt; Com o html5 (uma linguagem que permite rodar vídeos  no próprio navegador, </strong><strong>sem players instalados no computador</strong><strong>), algumas pessoas dizem que áudio e vídeo serão “cidadãos de primeira classe” na internet. O que você acha sobre isso?</strong><strong> </strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Isso está relacionado com a questão &#8220;o vídeo online vai matar a televisão?&#8221; Eu diria que não, para as pessoas sem conexão de Internet,  ou com conexão de linha discada. Também não para as pessoas que estão atrás de firewalls nacionais, ou para as que trabalham em corporações que restringem o acesso a Internet. E também não, claro, para quem não pode comprar um computador.</p>
<p><strong>Muitas das discussões sobre vídeo online envolvem questões sobre democracia digital, inclusão digital e direitos de acesso. Isso não significa que devemos parar de discutir esses temas. O vídeo online precisa ser incorporado como parte de um argumento mais amplo, em muitas instâncias, como a necessidade de conexão de Internet hoje para possibilitar a participação civil. </strong></p>
<p>Se não tivermos linhas telefônicas, água encanada, limpeza ou segurança, então, ter uma conexão de Internet está provavelmente bem abaixo na lista de prioridades. E, cada vez mais no mundo desenvolvido, pelo menos, no Ocidente, e certamente em muitos países de língua inglesa, o acesso a Internet é vitalmente importante para participação civil efetiva &#8211; mas isso também vale para fora desses espaços.</p>
<p>Vídeo online pode ser barato. Se você tem largura de banda e tem a tecnologia, isso pode ser barato. Não ocupa espectro, então você pode usar esse espectro para outros propósitos. E pela perspectiva de desenvolvimento, deve haver oportunidade nessa área para aumentar as taxas de conexão de Internet. Já que Internet provê telefonia e comunicação escrita, pode prover acesso a rádio e a vídeo.</p>
<p>&gt;&gt;&gt;<strong> Como você acha que a televisão e a distribuição vão ser impactadas com a inclusão online?</strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Temos diversas mudanças acontecendo. Numa visão ampla, isso nos permite reconceituar, nos força a reconsiderar o que é que estamos falando quando citamos a televisão. Televisão, em particular aquela produzida profissionalmente. Sim, existem vídeos ativistas e produção comunitária, mas se pensarmos em produções públicas e comerciais &#8211; que são as coisas que nós geralmente pensamos quando falamos de televisão -, trata-se de um universo de produtores profissionais. E cada vez mais isso já não é assim.</p>
<p>Se o vídeo online é visto como um substituto para a televisão em sua forma de broadcast, então, de repente, quando pensamos em &#8220;televisão&#8221; as formas em que ela é realizada se multiplicam. Porque, talvez, sentar-se e me assistir falando em frente à minha webcam seja televisão para as pessoas. Em especial quando temos a escolha de uma enorme gama de pessoas falando em frente a suas webcams. Então pode ser que não seja o formato &#8211; falar em frente à webcam -, mas sim o conteúdo, a perspectiva desta pessoa em particular.</p>
<p>Nós fizemos isso antes na televisão mainstream, já colocamos pessoas falando em frente a uma câmera, mas nunca tivemos muita escolha, porque temos limite de largura de banda e existem diretrizes de produção profissional. <strong>Se enxergarmos o vídeo online como um substituto ou um suplemento para a difusão da televisão, então aumentamos a possibilidade de produções. Isso é um primeiro ponto.</strong></p>
<p>Em segundo lugar,  isso altera o panorama geral da produção profissional. O mercado de propaganda, em particular nos EUA, vale muito menos hoje que o mercado de televisão. Custa mais caro fazer propaganda na TV do que na Internet. Isso está causando um sério impacto nos produtores profissionais, que, de repente, não têm mais a habilidade de alcançar audiências tão grandes, pois algumas pessoas estão assistindo filmes online, e não estão necessariamente fazendo tanto dinheiro &#8211; mesmo considerando as audiências grandes que alguns filmes tem.</p>
<p>Há uma grande crise nos EUA neste momento. E isso está obrigando que se mude a forma como as coisas são feitas. Eles estão mudando a forma de produção, fazendo programas mais baratos, produzindo coisas diferentes. Alguns estilos mais caros de produção estão sendo exibidos apenas para planos pagos. Então HBO, Showtime e similares, estão comprando e vendendo publicidade de formas diferentes, estão sonhando com novos tipos de publicidade.</p>
<p>Isso não está acabando com o mercado (eles vão dizer que está), mas está gerando respostas diferentes. Eu acho que para produtores nacionais, para sistemas nacionais de TV, para sistemas de broadcasting público ou sistemas que servem toda uma nação, o vídeo online aumenta o número de pessoas para quem eles podem falar, porque assim, <strong>de repente, você pode falar para todas pessoas que não têm televisão ou que não estão assistindo tv naquele determinado momento</strong>.</p>
<p>Isso aumenta o número de pessoas para quem você conseque falar se você é um broadcaster nacional. Mas o que isso também faz é começar a quebrar as barreiras nacionais. Este é um problema da BBC, porque o conteúdo que a BBC produz é pago pelo povo, então a população deveria ter permissão para acessá-lo. E aí a BBC coloca seu conteúdo online, e gasta um monte de dinheiro criptografando este conteúdo, para que apenas as pessoas no Reino Unido possam assisti-lo.</p>
<p>Nós temos múltiplos sistemas de TV, mas existe apenas uma Internet. <strong>Quando a BBC fecha seu conteúdo, isso leva a questionamentos por parte de algumas pessoas no Reino Unido sobre o porquê da BBC ter o direito de fazer isso com a cultura nacional que, no fundo, foi paga pelo povo britânico</strong>. Se a BBC irá tratar isso como um commodity em vez de cultura, eu acho que eu diria “isto é conteúdo, é o nosso conteúdo, nós somos donos disso”, e então certamente faria sentido que eles devessem respeitar a cadeia de produção. Se eles forem tratar como conteúdo, cultura, bem, quem pagou pelo conteúdo? Não é a pessoa que pagou pelo conteúdo, no fim das contas, que é o dono? E então não deveriam ser esses os responsáveis por decidir o que deve acontecer? Isso é sempre um problema na indústria cultural, pois ela cria simultaneamente commodities e cultura, e é essa uma dicotomia que produz todas as tensões que por fim tornam ela o que é.</p>
<p><strong>Então para os sistemas de televisão, o vídeo online modifica as fronteiras nacionais. Tantas coisas que você não irá ver no seu país porque vêm do Japão, da Austrália, de qualquer lugar de fora da sua região de broadcasting local. E aí você tem acesso a isso. Tudo está lá e você entra em contato. E às vezes você encontra conteúdo em lugares estranhos. Conteúdo se tornando popular em lugares estranhos muito longe de onde foi produzido e que de alguma forma pode repercutir ou morrer culturalmente. E isso é muito bom para populações que saíram do local de origem delas &#8211; que podem ver conteúdo de seu país em qualquer parte do mundo.</strong></p>
<p>Então se você está longe de casa, ou se não pode ir para casa por algum motivo, seja político ou financeiro, ou seja o que for, você pode manter alguma conexão com sua terra natal. De repente se está morando nos EUA, apesar de ter nascido na Austrália, e há alguns vestígios de cultura australiana que se pode assistir na Internet. Isso complica o panorama da TV de diversas formas, tanto culturalmente quanto politicamente e economicamente.</p>
<p>&gt;&gt;&gt; <strong>E qual o impacto na indústria do cinema?</strong></p>
<p><strong>Joshua: </strong>Eu não sei se Hollywood sentiu isto tão forte quanto a televisão. E eu vou falar principalmente sobre Hollywood como produção de filmes e usar o termo televisão como produções para TV profissional. E quando eu não estiver falando deles, eu vou especificar. Eu não tenho certeza se Hollywood sentiu isso mais forte que a televisão norte-americana, ou de maneira mais fácil. Em parte porque a televisão sempre gerou sua renda vendendo alguma outra coisa. O propósito dos sistemas comerciais de televisão é agregar pessoas em um grupo chamado &#8220;audiência&#8221;, e então vender esta audiência para alguém que queira passar uma mensagem para ela. Então a programação é um método para atrair todas essas pessoas e é este o produto que é vendido &#8211; a atenção dessas pessoas. E certamente, existem culturas de produção, empresas produzem programas e os vendem, vendem direitos de exibição em diversas regiões e vendem direitos de re-exibição, e todas essas coisas, certo?</p>
<p>Mas no fim das contas, em termos de produções de TV, parece que a grande coisa que é vendida é a atenção. A Internet desestabiliza esta relação, por que isso costumava ser vendido com base em pressupostos. Nós tínhamos uma estimativa razoável de quantas pessoas estavam assistindo televisão, tinhamos uma estimativa de quantos lares tinham uma TV sintonizada neste canal. E eles vendiam esta estimativa razoável. Mas quando assistimos pela Internet, é muito menos preciso [N.E.: em termos de classificação de público, não de quantidade].</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A Internet não está dizimando o mercado da televisão. O que acontece é que isso está nos mostrando a natureza imprecisa do modo como eles, na TV, costumam mensurar as coisas. E de repente, talvez teremos uma medida mais precisa e perceberemos que tem tantas pessoas assistindo um programa na Internet.</p>
<p>Cinema, por outro lado, é vendido há muito tempo como uma coisa única. Você compra uma entrada, vai e assiste o filme. Se você quiser assistir de novo, você compra outra entrada e assiste novamente. E então, com certeza, o desenvolvimento do protocolo BitTorrent, o crescimento de redes de compartilhamento P2P, a facilidade com que agora cada conteúdo pode ser publicado online e o desenvolvimento de serviços de vídeo sob demanda desafiaram Hollywood, mas eu não tenho certeza se é mais difícil para eles do que para a televisão. Porque, ao mesmo tempo, Hollywood, em particular, sempre viu as mudanças acontecendo.</p>
<p>E estamos falando de mudanças que ocorrem há 20, 30 anos. E aqui precisamos fazer uma pausa e dizer: não é como se essa coisa tivesse acontecido ontem. A televisão vem mudando desde o momento em que foi inventada. E tem havido pesquisa sobre essas novas tecnologias há muito tempo, sempre houve. A tecnologia é desenvolvida e as pessoas já estão falando de potenciais usos futuros. E você precisa ser cuidadoso com o quão rápido você se move, porque senão você investe seu dinheiro em algo que não é um sucesso pra valer. Mas não é como se isso tudo tivesse acontecido do dia pra noite. Todas essas empresas, algumas sendo as maiores e mais rentáveis empresas do mundo, tiverem bastante tempo pra pensar sobre isso. Bem, talvez eles digam, &#8220;estamos muito ocupados fazendo dinheiro para mudarmos nossas direções e olhar para tendências de longo prazo&#8221;, ou &#8220;ninguém estava nos falando&#8221;, ou &#8220;as coisas não saíram como achávamos que seria&#8221; ou, &#8220;seguimos a tendência errada&#8221;&#8230; Pessoalmente,  acho que não se gasta dinheiro para descobrir o que vem depois e não se compreende que a mudança não tem uma história.</p>
<p>Hollywood estava assustada com o videocassete! Eles acharam que o VCR iria acabar [com o mercado]. <a title="Jack Valenti" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jack_Valenti" target="_blank">Jack Valenti</a> (1921-2007), o diretor anterior da Motion Picture Association of America (MPAA), é famoso por ter dito em frente à suprema corte que o VCR é para Hollywood o que o estrangulador de Boston era para uma mulher sozinha à noite. E é tipo&#8230; &#8220;Bahhh, não mesmo!&#8221; porque quando o caso Betamax foi encerrado de uma forma que beneficiava os consumidores, acabou resultando em Hollywood foi fazendo um montão de dinheiro vendendo fitas de vídeo para o mercado caseiro.</p>
<p>Então eu acho que devemos ser cuidadosos e filtrar as coisas que eles dizem, para que tenha uma consciência histórica, mas que também reconheça que essas são empresas que passaram toda a vida tentando controlar o que no fundo são bens culturais e tentaram tratar bens culturais como se fossem commodities. E isso é difícil. É quase impossível. Porque bens culturais não são commodities. Você pode criar o melhor filme que você sempre quis fazer e isso não garante que as pessoas irão gostar dele. E ainda, se você é a pessoa que fez o melhor filme, talvez você não seja o único que foi responsável pelo sucesso do filme. Talvez o valor desta produção é a criação de dois grupos: as pessoas que fizeram o filme, e as pessoas que assistem o filme.</p>
<p>E por que (e isto soa como uma pergunta filosófica) são estas pessoas que fizeram o filme as únicas que se beneficiam do valor que se criou no filme? De todo modo, Hollywood vem baixando suas produções, estão declinando, fazendo filmes menores, com menores orçamentos, filmes conceituais, com filmes contendo adultos inteligentes como nunca antes os filmes tiveram. Grande parte de Hollywood está constantemente escolhendo blockbusters menores, a audiência adolescente de shopping, e gastando mais e mais dinheiro em espetáculos. Eu gosto de filmes de espetáculo, tanto quanto outras pessoas, mas, talvez, um dos problemas aqui tem a ver com a sustentabilidade dessas práticas de produção assim como a transformação se amplia na Internet.</p>
<p>&gt;&gt;&gt;<strong> Neste contexto do vídeo migrando de offline para online, qual o papel das pessoas que trabalham profissionalmente com vídeo?</strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Eu não tenho certeza se a produção de vídeo profissional está acabando. Em parte, porque existe um monte de pessoas muito boas que não fazem produção de vídeo profissionalmente, que não têm nenhum interesse em trabalhar na área de produção de vídeos. Só porque você tem as habilidades e você é bom nisso, não significa necessariamente que é isso que você vai fazer. Eu sou muito habilidoso em servir uma mesa, mas eu não acho que encontrei um segundo emprego. Porque não se trata necessariamente de algo profissionalmente desafiador trabalhar como um garçom. Mas eu entendo que existe muita preocupação de produtores profissionais em comunidades de vídeo, principalmente empresas de publicidade e companhias de televisão convidando usuários a criar conteúdo ou amadores a participar em processos de produção do vídeo. Eu entendo que há muita preocupação por aí. Mas penso que já está um pouco defasado, porque continuamos precisando de produção profissional, precisamos contratar pessoas cujo trabalho é produzir vídeos, produtores profissionais.</p>
<p>Isso quer dizer que se você não tem nenhum título profissional, então você não vai trabalhar na indústria. Talvez minha percepção esteja errada. Vimos muitos produtores [amadores] fazendo coisas mais interessantes&#8230; Tem um grupo de editores profissionais em Los Angeles, é uma associação, chamada StereoLight. E ele estão fazendo competições online todo ano, para que as pessoas <a href="http://www.youtube.com/watch?v=KmkVWuP_sO0" target="_blank">remixem um trailer de um filme para fazê-lo por um ponto de vista diferente</a>, e está ficando muito popular na Internet, muitas pessoas estão fazendo isso, muitos jovens editores estão fazendo. Para demonstrar seus conhecimentos como editores jovens, e assim trabalhar como editores profissionais. Então, não profissionais podem fazer melhor ou tão bom quanto, e frequentemente eles fazem melhor do que os que dizem ser profissionais. Mas isso não significa que todos os editores profissionais irão parar de exercer suas práticas. Talvez a gente veja inovação. Talvez produções de vídeo profissionais vão ter um pouco de medo e ficarão melhores em sua arte, avançando em diferentes conhecimentos &#8211; já que as pessoas comuns estão fazendo isso.</p>
<p>&gt;&gt;&gt; <strong>Qual é o papel do remix?</strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Eu acho que ampliamos a cultura do remix por dois motivos: um, penso que facilitar a capacidade de compartilhar vídeos era a última peça que faltava no quebra-cabeça para fazer o vídeo tangível, como parte de uma cultura com a qual as pessoas podem lidar. Consumidores têm tido acesso a câmeras há muito tempo, e em 1999 começaram a ter acesso a softwares de edição de vídeo. Nós vimos, no começo de 2000 – 2002, a popularização das tecnologias de gravação de CD e DVD, e mais computadores eram construídos e mais câmeras eram construídas. Então acompanhamos essa evolução, e acho que em 2004, 2005, quando vemos o surgimento dos sites de compartilhamento de vídeo, sinto foi a última peça no quebra-cabeça para distribuir e compartilhar de maneira fácil, para fazer do vídeo um artefato tangível que as pessoas possam mexer e remixar. A cultura do remix é algo muito significante no momento, muito popular.</p>
<p>O segundo ponto, há um professor chamado John Hardly que fala do fato de que estamos chegando numa época em que a maneira como o homem produz sentido do seu mundo ao redor é por meio de um processo de edição que gera novo significado. Então não é apenas sobre editar conteúdo para torná-lo mais conciso, mas é sobre desmontar as coisas e juntá-las novamente de formas diferentes.</p>
<p>E o melhor argumento disso é que estamos vivendo em uma era que tem tanta plenitude, tem tanto, que ninguém consegue ir além.  Sim, você pode saber muitas coisas, mas tem tanta coisa que está acontecendo que nós, como pessoas, como humanos, estamos ficando melhores em juntar as coisas, em editar, sabe? Você junta o seu RSS feed com seu computador, e você organiza um arranjo diferente das coisas.</p>
<p>Isso pode estar completamente desassociado, você tem um gadget de blogs alí, você tem webcomics, você tem notícias sobre música, você tem notícias do mundo de 2 ou 3 diferentes serviços, e tem fotos de gatinhos do site <a href="http://icanhascheezburger.com/" target="_blank">I can has cheezburger</a>, e você junta tudo e organiza tudo em um só lugar porque isso permite que você lide com as coisas que você precisa lidar. E crie sentidos para o mundo.</p>
<p>Dificilmente alguém iria discordar que aqui temos um processo de reedição. Então, acho que o remix surge porque o vídeo é tangível, e estamos nos movendo para uma era onde o entendimento é ampliado cada vez mais através da combinação de diferentes coisas, e o que talvez vemos é que a cultura do remix é parte dessas tendência pra viabilizar essa reedição.</p>
<p>Pode ser que antes você visse algum video sendo editado de forma similar a um wiki porque algum editor profissional estava fazendo isso para um show, ou em um exercício de escola, ou para o Oscar, ou qualquer coisa. Mas agora as pessoas estão fazendo isso em casa, pessoas que não sabem quais são as regras, que estão fazendo as regras gradualmente, pessoas que nunca foram instruídas sobre mover graus de <em>fade </em>antes de cortar, ou qualquer coisa do tipo. As pessoas estão aprendendo fazendo, descobrindo coisas novas, testando técnicas que viram fora dali, às vezes sem saber que estão testando novas técnicas; estão apenas fazendo coisas que parecem certas.</p>
<p>Então você tem remixes que são cortados em cada mínima batida da música. Sabe como? Porque tem uma batida da música que faz “tududududud&#8230;”, que é muito legal, e eles pensam: “eu adoro este efeito, então vou usá-lo o tempo todo”, e isso provavelmente vai fazer seu olhos sangrarem &#8211; do ritmo tão alucinante -, mas isso não importa, porque tem pessoas que gostam de ouvir o que eles fizeram. As pessoas estão se dando conta de como isso [o processo de edição] é legal. Como em todas as práticas culturais, agora a gente começa a gerar coisas novas, novas práticas, e algumas vezes descobrimos práticas antigas, e outras tropeçamos em coisas que nem sequer compreendemos o que era&#8230;</p>
<p>Um dos meus vídeos favoritos no Youtube poderia provavelmente ser definido com vídeo-arte. Essa é provavelmente a melhor maneira de pensar sobre ele, mas eu tenho certeza que as pessoas que estão fazendo não pensam que estão produzindo vídeo-arte. Não se consideram “artistas” e talvez não tenham visto muitos vídeos de arte. Eles apenas estão fazendo essa coisa que a cultura faz, juntaram um grupo deles, como uma comunidade, e estão editando estes vídeos. E isso é ótimo.</p>
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		<title>JORNALISMO E INTERATIVIDADE</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 18:43:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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No mínimo, é um resumão de links que julgo bacanas sobre jornalismo interativo. Tem algum pra recomendar?

Apresentei hoje isso na aula do curso de jornalismo online do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa é uma apresentação utilizando o software húngaro Prezi, que costumo utilizar em aulas por aí. Ela se modifica com o tempo, conforme vou tirando ou acrescentando conteúdos interessantes.</p>
<p>No mínimo, é um resumão de links que julgo bacanas sobre jornalismo interativo. Tem algum pra recomendar?</p>
<p><object id="prezi_smhmz559jakv" name="prezi_smhmz559jakv" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" width="650" height="500"><param name="movie" value="http://prezi.com/bin/preziloader.swf"/><param name="allowfullscreen" value="true"/><param name="allowscriptaccess" value="always"/><param name="bgcolor" value="#ffffff"/><param name="flashvars" value="prezi_id=smhmz559jakv&amp;lock_to_path=1&amp;color=ffffff&amp;autoplay=no"/><embed id="preziEmbed_smhmz559jakv" name="preziEmbed_smhmz559jakv" src="http://prezi.com/bin/preziloader.swf" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="650" height="500" bgcolor="#ffffff" flashvars="prezi_id=smhmz559jakv&amp;lock_to_path=1&amp;color=ffffff&amp;autoplay=no"></embed></object></p>
<p>Apresentei hoje isso na aula do curso de jornalismo online do Eugênio Bucci na USP. As outras aulas estão neste site aqui: <a href="www.jornalismodigital.org">www.jornalismodigital.org</a></p>
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		<title>CURSO JORNALISMO ONLINE &#8211; USP 2010</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 15:29:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Segunda-feira (dia 1) começa o curso de Jornalismo Online 2010 da turma de graduação da USP. O professor será o jornalista Eugênio Bucci, e eu farei a monitoria da turma. Isso inclui organizar as aulas para que estejam online o quanto antes. E já está de pé o blog www.jornalismodigital.org , que é onde o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segunda-feira (dia 1) começa o curso de Jornalismo Online 2010 da turma de graduação da USP. O professor será o jornalista Eugênio Bucci, e eu farei a monitoria da turma. Isso inclui organizar as aulas para que estejam online o quanto antes. E já está de pé o blog <a href="www.jornalismodigital.org" target="_blank">www.jornalismodigital.org</a> , que é onde o material será organizado.</p>
<p>O curso terá 15 aulas, que deverão ser gravadas e colocadas online. A ideia é também produzir textos a partir destas aulas, que depois poderão virar uma espécie de manual básico para jornalismo online. Nós (professores e alunos) tentaremos deixar tudo editado e online logo após o término das aulas, que ocorrem durante fevereiro.</p>
<p>Pela <a href="http://www.jornalismodigital.org/?p=5" target="_blank">programação</a>, dá pra ter uma ideia do que será o curso. Algumas coisas devem se modificar no decorrer do mês, mas no geral é isso aí.</p>
<p>Sugestões, dúvidas, mandem pra mim, ou comentem este post. Notícias sobre o desenrolar das aulas eu mando pelo twitter:<a href="http://www.twitter.com/andredeak" target="_blank"> @andredeak</a></p>
<p>4bs</p>
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		<title>HAITI.ORG.BR &#8211; JORNALISMO E SOLIDARIEDADE</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 20:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[A REDE]]></category>
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		<description><![CDATA[Um projeto que o jornalista Aloisio Milani desenvolvia faz tempo com a gente &#8211; um site sobre o Haiti &#8211; acabou nascendo às pressas por conta da catástrofe que se abateu sobre o país mais pobre das Américas.
É o Haiti.org.br.
O Aloisio é um dos maiores especialistas em Haiti do Brasil. Esteve lá várias vezes, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um projeto que o jornalista Aloisio Milani desenvolvia faz tempo com a gente &#8211; um site sobre o Haiti &#8211; acabou nascendo às pressas por conta da catástrofe que se abateu sobre o país mais pobre das Américas.</p>
<p>É o <a href="http://haiti.org.br" target="_blank">Haiti.org.br</a>.</p>
<p>O Aloisio é um dos maiores especialistas em Haiti do Brasil. Esteve lá várias vezes, e fez um raro e belo trabalho de reportagem, não <a href="http://haiti.org.br/2010/01/bon-bagay-haiti-historias-de-cite-soleil-2007/" target="_blank">uma</a>, mas <a href="http://www.google.com.br/search?q=aloisio+milani+haiti&amp;ie=utf-8&amp;oe=utf-8&amp;aq=t&amp;rls=org.mozilla:pt-BR:official&amp;client=firefox-a" target="_blank">muitas vezes</a>.</p>
<p>Na semana passada, o <a href="http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/" target="_blank">Rodrigo Savazoni</a> e ele subiram o site (um wordpress usando uma variação do template Mimbo). O Aloisio já tinha o conteúdo mais ou menos estruturado. Estamos fazendo ainda alguns ajustes, mas já está plenamente funcional.</p>
<p>Como disse o Rodrigo:</p>
<blockquote><p>Estamos lançando este fim de semana o projeto <a href="http://www.haiti.org.br/" target="_blank">http://www.haiti.org.br</a><br />
- Jornalismo, Direitos Humanos e Solidariedade</p>
<p>Conto com a visita e o apoio de tod@s nessa empreitada&#8230;</p>
<p>Nossa ideia é mostrar que informação qualificada também pode ajudar a<br />
salvar vidas.</p>
<p>Também é uma boa hora, com a tragédia haitiana, de constituirmos um<br />
veículo que mostre que essa tragédia não começou agora. Um veículo que<br />
seguirá existindo mesmo depois de o circo midiático se desmontar em<br />
Porto Príncipe.</p>
<p>A ideia é trabalhar com colaboração e auxílio, nas ações jornalísticas<br />
e nas ações de solidariedade.</p></blockquote>
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		<title>NEWSGAMES: ENTREVISTA COM FRED DI GIACOMO</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 01:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Conheci Fred Di Giacomo numa mesa que participamos juntos em Florianópolis, na Semana de Jornalismo Digital da UFSC (e que teve também a argentina Maria Arce). Fred é um dos principais caras que fazem os newsgames da Abril &#8211; pelo menos na Superinteressante, na Mundo Estranho e no núcleo Abril Jovem. Já escrevi algumas vezes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conheci <a href="http://freddigiacomo.blogspot.com/" target="_blank">Fred Di Giacomo</a> numa mesa que participamos juntos em Florianópolis, na Semana de Jornalismo Digital da UFSC (e que teve também a argentina <a href="http://www.andredeak.com.br/2009/10/21/argentina-vencedora-do-fnpi-entrevista-com-maria-arce-do-clarin/" target="_blank">Maria Arce</a>). Fred é um dos principais caras que fazem os newsgames da Abril &#8211; pelo menos na Superinteressante, na Mundo Estranho e no núcleo Abril Jovem. Já escrevi algumas vezes sobre os<a href="http://www.andredeak.com.br/?s=superinteressante" target="_blank"> newsgames da Super</a>, que produziu alguns dos melhores que já vi no Brasil.</p>
<p>Abaixo, umas perguntas que ele me respondeu por email.</p>
<p><strong>Como é que você foi parar na área de newsgames? Qual sua formação? E como, quando e por que a Abril resolveu começar a desenvolver newsgames?</strong></p>
<p>Eu sou formado em jornalismo pela Unesp &#8211; Bauru, mas sempre puxei para a área de multimídia. Meu estágio foi em Rádio e TV, e na faculdade eu desenvolvi vários projetos de audiovisual, além de fazer o site do meu fanzine na raça, usando Front Page e html basicão. Quando passei no Curso Abril (2006), caí num grupo que deveria desenvolver uma revista digital para a Capricho. De lá fui contratado para o site da Mundo Estranho, no qual criamos jogos, testes, vídeos e podcasts.</p>
<p>Quando voltei a trabalhar no Internet Núcleo Jovem (novembro/2008), o Rafael Kenski era o editor e estava começando a produzir newsgames. Ele nem conhecia esse termo. Achávamos que estávamos criando os &#8220;jogos jornalísticos&#8221;, com a experiência que o núcleo já tinha em infográficos online. Foi aí que eu me envolvi com esse formato e foi aí que a a Abril começou a desenvolvê-lo. Não foi uma iniciativa corporativa, foram iniciativas pessoais.</p>
<p><strong>Como é seu dia-a-dia?</strong></p>
<p>Hoje eu sou o editor da Internet Núcleo Jovem, então acumulo algumas funções mais burocráticas, além de tocar esses projetos especiais, como os newsgames. Eu chego no trabalho por volta de 11h e fico até umas 20h30. Coordeno uma equipe de mais 6 pessoas que cuidam dos sites da Mundo Estranho, Superinteressante, Guia do Estudante e Aventuras na História. Abro o dia me atualizando com as notícias, via Twitter, RSS e portais. Faço algumas reuniões. Temos reuniões de pautas semanais no Núcleo e também faço reuniões semanais com os editores das revistas. Geralmente tocamos uma produção multimídia por mês e atualizamos os sites diariamente com notícias, blogs, enquetes e um pouco de conteúdo ligado às edições impressas. Reuniões com TI, fornecedores, marketing e publicidade também fazem parte da rotina.</p>
<p><strong>As equipes dos newsgames da Abril costumam ser grandes &#8211; roteiro, apuração, programação, design&#8230; Com quantas pessoas trabalham normalmente? O que faz cada um?</strong></p>
<p>As equipes de newsgames incluem gente da nossa equipe fixa (que também toca todos os sites) trabalhando com  frilas. São no mínimo 5 pessoas por produção (editor, repórter, designer, programdor e ilustrador). Às vezes aproveitamos uma apuração que o repórter tenha feito para uma matéria da revista, em outras pagamos alguém pela apuração. O editor coordena a parte de texto do newsgame e muitas vezes também é responsável por desenvolver o roteiro e a mecânica do jogo. O designer cuida do layout e coordena o trabalho do ilustrador e do programador.</p>
<p><strong>O que você acha necessário que um jornalista saiba para trabalhar com newsgames? Quais os pré-requisitos?</strong><br />
É importante que o jornalista tenha alguma experiência como gamer, para ter referências de mecânicas e também de estética, de jogabilidade. Conhecimento de infográficos online e outras narrativas multimídias (vídeos, slide shows, etc) também são bem-vindas. E,claro, a pessoa precisa ser criativa.</p>
<p><strong>Games são entretenimento. Jornalismo trabalha com notícia. Como fica essa mistura? Não há risco de cair muito para o entretenimento e acabar esquecendo &#8220;qual é o lead&#8221; do game? Como vocês trabalham esta questão?</strong></p>
<p>Essa é uma das principais discusões que temos na equipe. Como aliar a diversão e a informação de uma forma equilibrada? Não existe uma fórmula, newsgames são uma linguagem nova. O Rafal Kenski tinha uma ideia legal sobre isso. Quando você estiver com a ideia do jogo pronta pergunte: &#8220;ele diverte? ele informa?&#8221;. Se cumprirmos essas duas missões, estamos no caminho certo. Sem informar, o newsgame é só game.</p>
<p><strong>Games, infografias interativas&#8230; Esse é um futuro para o jornalismo? Por onde vamos?</strong></p>
<p>Acho que o jornalismo tradicional sempre vai existir. Demora bastante pra produzir um newsgame, não dá pra noticiar a morte de um presidente só quando o infográfico ficar pronto. Mas esses serão os &#8220;cadernos especiais, as grandes reportagens do século XXI&#8221;. Acho que só estamos começando a explorar, de verdade,  as linguagens multimídia agora. Temos muito caminho para desbravar no universo do jornalismo online.</p>
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		<title>DOCUMENTÁRIOS PARA BAIXAR</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 02:58:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi-se (ou está indo) a época em que o barato dos estudantes de jornalismo era fazer um livro reportagem usando técnicas do new journalism. Agora, parece, a onda é o documentário. Quem sabe na década seguinte veremos as reportagens multimídia pegando no breu.
De qualquer forma, as faculdades parecem continuar formando apenas redatores, preparando, no máximo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi-se (ou está indo) a época em que o barato dos estudantes de jornalismo era fazer um livro reportagem usando técnicas do new journalism. Agora, parece, a onda é o documentário. Quem sabe na década seguinte veremos as reportagens multimídia pegando no breu.</p>
<p>De qualquer forma, as faculdades parecem continuar formando apenas redatores, preparando, no máximo, um jornalista cujo sonho é ser empregado num jornalão pra reclamar do editor vendido/carrasco/direitoso/todas as anteriores. Creiam, existe vida fora da grande imprensa.</p>
<p>Mas este post nem é pra falar isso.</p>
<p>Deu um boom de bons documentários ultimamente. Mas os clássicos também são muito bons. Andei perguntando por aí o que vale a pena ver. E baixar, aliás. O jornalista Felipe Lavignatti me mandou uma lista dele, a qual acrescentei algumas coisas, mais 3 filmes de uma <a href="http://www.pedrovalente.com/2007/07/02/documentarios-bons-pra-baixar/comment-page-1/" target="_blank">lista do Pedro Valente</a>.</p>
<blockquote><p>COMO FAÇO DOWNLOAD DOS DOCUMENTÁRIOS?<br />
O primeiro passo é saber o nome original do documentário. Procure no <a href="www.imdb.com/ " target="_blank">Internet Movie Database</a>. Depois, faça uma busca em sites de torrent, <a href="http://www.andredeak.com.br/2007/11/30/bons-documentarios-em-torrent/" target="_blank">como estes aqui</a>. A maioria deverá estar sem legenda &#8211; aí você busca separado, legendas pt-br (português do Brasil). Players como o <a href="http://superdownloads.uol.com.br/download/16/media-player-classic-(2k-xp)/" target="_blank">Classic</a> ou o <a href="http://www.videolan.org/vlc/" target="_blank">VLC</a> podem juntar, depois, as legendas com os vídeos.</p></blockquote>
<p><em>Abaixo, uma lista com algumas coisas sugeridas pelo Lavignatti:</em></p>
<p><strong>Crips And Bloods Made In America</strong><br />
(dirigido por um ex-skatista, Stacey Peralta). O cara praticamente inventou o skate na california nos anos 60. Estreou em filme contando a história da turma de skate dele. O doc gerou um filme ficção. Mas esse conta outra história, a das gangues de Los Angeles. Usa muito bem recurso gráfico pra mapas mostrando qual gangue domina que pedaço. É mais ou menos explicando o efeito Rodney King. Como se no Brasil fizessem um falando como os morros cariocas foram tomados pelo CV e pelo Terceiro Comando. <a href="http://thepiratebay.org/torrent/4925058/Crips_And_Bloods___Made_In_America_-_DvDRip_-_Godcanjudgeme" target="_blank">Aqui pelo Pirate Bay.</a></p>
<p><strong>Crumb </strong><br />
(sobre o Robert Crumb, tá na lista dos 1001 filmes daquele livro de mesmo nome. O Diretor é Terry Zwigoff , que, depois, passou pra ficção. O cara é bom)</p>
<p><strong>Gonzo The Life and Work of Dr Hunter S Thompson</strong><br />
Muito foda pra jornalista esse. Mostra como o cara era bom em reportagem. Mesmo se tratando de um filme sobre um suicida, tem final feliz. Feito pra HBO. <a href="http://thepiratebay.org/torrent/4348327/Gonzo.The.Life.and.Work.of.Dr.Hunter.S.Thompson.LIMITED.DOCU.DVD" target="_blank">Pirate Bay.</a></p>
<p><strong>häxan</strong><br />
Documentário sobre bruxaria. É sueco, mudo e feito em 1922. Sem saber direito o que é ficção ou doc, o diretor mescla as duas coisas. <a href="http://www.torrentz.com/2bbc4d75cac4bd4f2cc935722671ade7e8eb2dc5" target="_blank">Torrentz.</a></p>
<p><strong>Im Toten Winkel Hitler&#8217;s </strong><br />
&#8220;Eu fui a secretária de hitler&#8221;. Mal filmado pra porra. Mais de uma hora duma véia falando pra uma câmera, sem fotos, sem mudança de plano nem nada. Mas segura pela história da véia. Parece uma fita bruta de uma entrevista qualquer, só que a mulher não é uma qualquer, ela ficou no bunker até o bigodinho se matar.</p>
<p><strong>Jonathan Ross in Search of Steve Ditko </strong><br />
Um cara atrás do desenhista co-criador do Homem aranha. O cara é recluso, é o trabalho do repórter de achar. No fim ele acha, mas não filma. Interessante.</p>
<p><strong>Paradise Lost </strong><br />
História duns moleques acusados de assassinato, só que sem provas. Tudo porque eram metaleirinhos. Os diretores passaram a fazer sucesso depois desse doc/denúncia e dirigiram o documentário do Metallica (SOme Kind OF Monster), que é bem bom também.</p>
<p><strong>Roman.Polanski.Wanted.And.Desired</strong><br />
Parecido com docudrama. Conta a vida de bonvivant do polanski até ser acusado de estupro de menor. Mostra cenas de filmes dele para ilustrar a personalidade do diretor.</p>
<p><strong>Joe_Strummer:_The_Future_Is_Unwritten </strong><br />
(Sobre o líder do THe CLash). Sobre o filme, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Joe_Strummer:_The_Future_Is_Unwritten " target="_blank">tem mais aqui, na Wikipedia</a>.</p>
<p><strong>Standard.Operating.Procedure </strong><br />
Esse mostra o que foi crime e o que não foi em Abu Ghraib. [N.E.: É de um dos mais famosos documentarias americanos, Errol Morris. O livro também é muito foda, e tem tradução para o português]</p>
<p><strong>Stranded &#8211; The Andes Plane Crash</strong><br />
Docudrama sobre a queda do avião nos Andes, que originou o filme Vivos. Muito foda. Eu demorei alguns minutos pra perceber que era reencenado.</p>
<p><strong>The Bridge </strong><br />
Sobre os suicidas da Ponte Golden Gate. Esse é polêmico e faz pensar um pouco sobre o papel do jornalista. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Bridge_%282006_film%29" target="_blank">Leia isso.</a></p>
<p><em><a href="http://www.pedrovalente.com/2007/07/02/documentarios-bons-pra-baixar/comment-page-1/" target="_blank">Da lista de Pedro Valente:</a></em></p>
<p><strong>The Corporation</strong><br />
Uma aula de como a figura da “corporação” surgiu, passou a ser vista pela lei como uma pessoa com direitos e deveres e acabou causando mais mal do que bem pra sociedade. O filme mostra como o diagnóstico de um psicopata se encaixa direitinho com os traços de “personalidade” das grandes empresas. <a href="http://www.thecorporation.com/">Site oficial aqui</a> e <a href="http://www.isohunt.com/download/15391365/%22The+Corporation%22">torrent aqui</a>.</p>
<p><strong>Good Copy Bad Copy</strong><br />
Documentário sobre direitos autorais, música e filmes nos dias de hoje. Muito bom porque foge daquela visão fechada nos EUA e vai na Suécia falar com os caras do <a href="http://www.thepiratebay.com/">Pirate Bay</a>, na Nigéria pra mostrar a maior indústria cinematográfica do mundo – com produções de dar inveja ao Zé do Caixão – e vai a Belém do Pará pra investigar o movimento Tecno-brega, a pujante indústria do remix local e da “aparelhagem”. Além de falar com cabeções do assunto como o <a href="http://www.lessig.org/">Lessig</a>. <a href="http://www.goodcopybadcopy.net/download">Site oficial e download do torrent aqui</a>.</p>
<p><strong>Sicko</strong><br />
Esse é o filme novo do Michael Moore, que desce o pau na indústria dos planos de saúde dos EUA. Não é distribuído de propósito pela rede, mas teve um conveniente “vazamento” assim que rolou o boato de que seria proibido por ter uma parte filmada em Cuba ou outra desculpinha qualquer.  Ele  mostra ao redor do mundo como governos do Canadá, Reino Unido, França e Cuba cuidam da saúde,  expondo a vergonheira que é o sistema dos americanos. <a href="http://torrents.thepiratebay.org/3711348/Sicko.2007.DVDrip.3711348.TPB.torrent">Torrent aqui</a>.</p>
<p><strong>Zeitgeist</strong><br />
Pra quem gosta de teorias da conspiração esse é um prato cheio. Achei legal a explicação de que Jesus e todos os seus “clones” anteriores são na verdade alegorias para constelações e o Sol, equinócios e solstícios e tudo mais. Se for verdade o que eles dizem faz bastante sentido. Aí depois enfiam tudo que é conspiração no mesmo balaio e fica um troço meio chato. Vem o 11 de setembro, segunda guerra, o FED e tudo que você puder imaginar. Vale pela primeira meia hora. No Google Video via <a href="http://www.zeitgeistmovie.com/">site oficial</a>.</p>
<p><em>Meus acréscimos</em></p>
<p><strong>Steal this film I e II</strong><br />
Gostei muito, na linha do Good Copy, Bad Copy. E é um projeto interessante, sobretudo, de contravenção ao copyright. <a href="http://www.stealthisfilm.com/Part1/" target="_blank">Baixe aqui.</a></p>
<p><strong>PBS Frontline</strong><br />
É um programa fodidaço da rede pública de TV norte-americana, que ganhou todos os prêmios possíveis. Exemplo de bom jornalismo. <a href="http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/" target="_blank">Dá uma olhada aqui.</a></p>
<p><strong>Ashes and Snow</strong><br />
A melhor fotografia que já vi num documentário na vida. Esse é o <a href="http://www.ashesandsnow.org/" target="_blank">site oficial</a>, mas dá pra baixar o filme por aí.</p>
<p><strong>Thin Blue Line</strong><br />
Esse é do Errol Morris também, mas de 88. Docudrama, assisti em Cuba, num curso de roteiro / documentário. <a href="http://www.imdb.com/title/tt0096257/" target="_blank">Umas infos aqui.</a></p>
<p><strong>Gimme Shelter: The Rolling Stones. Uncut. Uncensored. Unsurpassed</strong><br />
Maysles Brothers (1970). Sobre a morte de um cara durante o show em que os Hells Angels fizeram a segurança.</p>
<p><strong>Salesman</strong> (1968)<br />
Também deles, mas é o filme mais legal que já vi de cinema verité. Também conhecido como Fly On The Wall &#8211; ou seja, grava tudo, como se a câmera não estivesse lá. Depois edita como ficção. Animal.</p>
<p><strong>Don&#8217;t Look Back</strong><br />
Filme de D.A. Pennebaker, sobre Bob Dylan. Também é muito, muito bom.</p>
<p><strong>Buena Vista Social Club<br />
</strong>Todo mundo já viu, ok. Win Wenders (1999). Mas precisava estar aí.</p>
<p><strong>O Equilibrista (Man on Wire)</strong><br />
<span style="text-decoration: line-through;">Ainda não vi, mas</span> um monte de gente já me disse que é muito bom. Oscar 2009. Olha, vi nas férias agora, gostei, mas como muita gente falou, fiquei com uma expectativa alta demais. Gostei mais de outros aí da lista de cima. UPDATE: Passado um dia, acho que é realmente um pusta filme. Fiquei aqui pesquisando sobre, achei entrevistas ótimas <a href="http://www.chud.com/articles/articles/15666/1/INTERVIEW-PHILLIPE-PETITE-amp-JAMES-MARSH-MAN-ON-WIRE/Page1.html" target="_blank">aqui </a>e <a href="http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/film/article4385356.ece" target="_blank">aqui.</a> Não é um filme só sobre a caminhada entre as torres, mas sobre determinação, poesia e loucura inconsequente. Uma ode a tudo isso, aliás.</p>
<p><em>Alexandre Praça me passou algumas anotações também, num caderninho que achei aqui em casa:</em></p>
<p><strong>Nick Broofield</strong><br />
Qualquer coisa do cara. <a href="http://www.nickbroomfield.com/home.html" target="_blank">Aqui tem o site dele.</a> Fez um doc sobre a morte dos rappers Tupac Shakur e Biggie Smalls.</p>
<p><strong>Chronique </strong><strong>d&#8217;un </strong><strong>été</strong><em> </em><br />
A experiência do Edgar Morrin no campo dos documentários. Tem um texto <a href="http://www.escrevercinema.com/Chronique_dun_ete.htm" target="_blank">sobre isso aqui</a>, e vários outros na rede.</p>
<p><strong>Night Mail<br />
</strong>Documentário de 1936 sobre Londres. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Night_Mail" target="_blank">Na wiki</a>.</p>
<p><strong>Dignidad de los Nadies<br />
</strong>Do Solanas<strong>, </strong>argentino<strong>.</strong></p>
<p>E você? Indica alguma coisa?</p>
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		<title>PARTIDO PIRATA: ENTREVISTA COM AMELIA ANDERSDOTTER</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 14:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ENTREVISTAS]]></category>
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		<description><![CDATA[Amelia Andersdotter é a mais jovem membro do Parlamento Europeu. Com 22 anos, eleita pelo Partido Pirata sueco, e empossada agora em dezembro, ela esteve no Brasil em novembro para o Seminário Internacional de Cultura Digital Brasileira, realizado em São Paulo.

Em paralelo à programação oficial, rodas de conversas entre os participantes foram organizadas e gravadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Amelia Andersdotter é a mais jovem membro do Parlamento Europeu. Com 22 anos, eleita pelo Partido Pirata sueco, e empossada agora em dezembro, ela esteve no Brasil em novembro para o <a href="http://culturadigital.br" target="_blank">Seminário Internacional de Cultura Digital Brasileira</a>, realizado em São Paulo.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: line-through;"><img class="aligncenter size-full wp-image-564" title="ameliaivojose" src="http://www.andredeak.com.br/wp-content/uploads/2009/12/ameliaivojose.jpg" alt="ameliaivojose" width="620" /></span></p>
<p>Em paralelo à programação oficial, rodas de conversas entre os participantes foram organizadas e gravadas para discutir os assuntos abordados no Seminário. Participei da <a href="http://culturadigital.br/seminariointernacional/2009/12/01/roda-de-conversa-jose-murilo-ivo-correa-e-amelia-andersdotter/" target="_blank">conversa entre a parlamentar pirata sueca, </a><a href="http://culturadigital.br/seminariointernacional/2009/12/01/roda-de-conversa-jose-murilo-ivo-correa-e-amelia-andersdotter/" target="_blank">o diretor de políticas públicas do Google, Ivo Corrêa, e </a><a href="http://culturadigital.br/seminariointernacional/2009/12/01/roda-de-conversa-jose-murilo-ivo-correa-e-amelia-andersdotter/" target="_blank">o gerente de Cultura Digital do Ministério da Cultura, José Murilo Jr. (da esq pra direita, na foto)</a>.</p>
<p>Abaixo, os principais trechos:</p>
<p><strong>Por que ser contra o copyright?</strong><br />
<strong>Andersdotter: </strong>É um modelo antigo e estou confiante que existem novos modelos. O <a href="www.creativecommons.org.br/" target="_blank">Creative Commons</a> (CC), por exemplo, está ficando mais forte. [O CC é um contrato que permite uma flexibilidade na utilização de obras protegidas por direitos autorais, sem infringir as leis de proteção à propriedade intelectual].</p>
<p>Os cinemas també estão indo muito bem, ficando mais fortes. Nós estamos rodeados de informação todos os dias. Uma cópia é só um produto, ninguém quer pagar por isso, mas o cinema é toda uma experiência que as pessoas estão dispostas a pagar. É um serviço. Vemos isso ocorrer com a música ao vivo, uma experiência única que as pessoas querem pagar, colocar tempo e esforço nisso. Acho que é por aí que os criadores culturais terão que ir, terão que ser mais criativos, encontrar novos modelos. E não é papel de um legislador exigir que as pessoas fiquem agarradas a um modelo que está vencido há pelo menos 10 anos.</p>
<p><strong>Ivo Corrêa: </strong>E é importante acrescentar algo. É um pequeno grupo de artistas que, hoje, pode viver vendendo cópias de livros ou CDs. A maioria dos artistas não vive de vender CDs. Deveríamos gastar energia e dinheiro em novos modelos. A Apple faz muito dinheiro vendendo música online de maneira criativa. Melhor tentar descobrir o novo do que tentar lutar para manter o antigo.</p>
<p><strong>Andersdotter:</strong> Muitas das políticas feitas hoje são feitas para manter o velho mercado. E as políticas públicas deveriam se focadas em permitir a participação e a colaboração das pessoas. Pensando bem, talvez, numa economia digital, sem copyright, nós não tenhamos mais um Paul McCartney dirigindo uma BMW. Talvez esse tipo de artista não possa existir mais. Eu ouço esse argumento sempre: onde estarão os Hitchcocks numa economia digital? Como eles irão surgir? Bom, nós não temos mais um Hitchcock desde os anos 60. Talvez não tenhamos que ter outro. Talvez o ambiente digital seja completamente diferente, e deva ser mesmo. E a política tem mesmo que pensar mais na política colaborativa em vez de defender os velhos mercados.</p>
<p>O Partido Pirata propõe mudanças substanciais nas leis de direito autoral. Mudanças no mercado de telecomunicações. Mais privacidade. Menos vigilância, nenhuma censura. Mais compartilhamento de informações, transparência, mesmo as que sejam controversas. Esses são problemas que vemos na Europa nos últimos anos: governos querendo vigiar cidadãos.</p>
<p><strong>Quem são seus eleitores?</strong><br />
<strong>Andersdotter:</strong> A maioria homens e jovens. Existem pessoas tanto de esquerda quanto de direita. Por que mais homens que mulheres? Bem, acho que esse debate é bastante dominado pelos homens, você não vê tantas mulheres discutindo copyright. E acho que o efeito multiplicador ocorre dentro dessas estruturas masculinas.</p>
<p><strong>Como o partido lida com as diferenças entre esquerda e direita?</strong><br />
<strong>Andersdotter:</strong> Temos bastante acordo sobre quais mudanças precisam ser feitas para uma sociedade da informação mais justa. Então há acordo sobre onde queremos chegar. Algumas vezes temos alguma discordância sobre como vamos traçar este caminho. Em geral a maioria das pessoas [do partido] é liberal. Então você tem a esquerda liberal junto com a direita liberal. A grande diferença, e o grande problema atual, é construir o mapa desta estrada para o objetivo final. Você vê a mesma coisa ocorrer com anarquistas, com socialistas, até mesmo com sindicalistas. Você olha a sociedade ideal deles e a visão é bastante similar. Mas eles têm soluções completamente distintas para chegar lá.</p>
<p><strong>E isso ocorre em todos os assuntos? Meio ambiente, trabalho&#8230;</strong><br />
<strong>Andersdotter:</strong> Não, não. Nós não discutimos esses assuntos. Estamos totalmente voltados para inovações nas políticas culturais criativas, em geral. Mas eu poderia perguntar a mesma coisa sobre o Brasil. Me disseram que vocês têm um governo que incentiva a participação social, mas o Senado, parece, não coopera muito a respeito disso&#8230; Como vocês lidam com isso?</p>
<p><strong>José Murilo Jr.: </strong>Me parece um problema de gerações. Aqui no Brasil os jovens não acreditam mais no governo. Eles preferem movimentos sociais em vez de criar um novo tipo de partido político. As pessoas me parecem mais felizes em fazer isso do que entrar nos velhos esquemas partidários. Por que vocês optaram por este caminho?</p>
<p><strong>Andersdotter: </strong>Apesar de todas as redes sociais que existem na sociedade civil, quase toda regulamentação é feita nos parlamentos. Ali é o campo de batalha, ainda. E tudo o que sai do Parlamento Europeu tem impacto no mundo todo. É uma batalha importante também, mudar as coisas de dentro. Movimentos sociais são ótimos. O parlamento é mais lento. Mas, provavelmente, também é bom, em algum nível.</p>
<p><strong>O modelo do Creative Commons é uma solução?</strong><br />
<strong> Andersdotter: </strong>Laurence Lessig [criador do CC] é um advogado. O que eu sempre observo em advogados é que eles não são contrários aos direitos de propriedade. É conveniente transformar o conhecimento em propriedade, porque facilita a criação de contratos mais amarrados, facilita a solução de conflitos. Se você quer ser radical sobre copyright, então você precisa defender o copyleft, não o CC [o copyleft é a oposição ao copyright. No copyleft, tudo é permitido]. Porque o copyleft é um modelo mais comunitário (dos “commons”). O sistema CC é mais uma maneira de flexibilizar o sistema atual de copyright.</p>
<p><strong>Ivo Corrêa: </strong>O Creative Commons tem um mérito: de informar os autores que eles podem decidir como sua obra será usada. O autor fica sabendo que tem uma escolha. O principal mérito, acho, é informar as pessoas que a lei não precisa determinar tudo. No Brasil, a maioria acha que não tem opção. Que é tudo copyright.</p>
<p><strong>Andersdotter: </strong>Existe uma falha nessa argumentação, que é a seguinte: consideremos que o Creative Commons mostra às pessoas que elas podem fazer uma escolha. Mas elas não deveriam ter essa escolha. Quando alguém decide criar informação, ou cultura, toda a produção deveria, automaticamente, ser livre. E, talvez, apenas em poucos casos, a escolha pudesse ser ao contrário: escolher proibir o acesso. Mas tudo, em geral, por definição, seria livre.</p>
<p><strong>Mas o sistema de Creative Commons garante, ao menos, que o autor seja reconhecido pela obra. Pode tudo, desde que citada a fonte. No copyleft não existe essa garantia.<br />
</strong><strong>Andersdotter: </strong>Na comunidade artística, me parece que existe uma integridade mínima de não se apropriar do trabalho do outro. Se você faz um filme, não acho que niguém pegaria seu filme e colocaria o nome dele em cima. Em primeiro lugar, seria vergonhoso. Segundo, você faria inimigos. Acho que isso seria autoregulado pela comunidade. Assim, me parece que o copyleft, basicamente, resolve tudo.</p>
<p><em>*Texto feito originalmente para o jornal Brasil de Fato.</em></p>
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		<title>PIRATARIA TAMBÉM É POLÍTICA</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 21:03:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos anos 80, quando alguém copiava uma fita de música ou gravava a novela das oito no video-cassete pra ver mais tarde, ninguém chamava isso de crime; hoje, ao emprestar um tocador de MP3 de um amigo e copiar suas músicas ou baixar da internet algum filme, você pode ser processado por algumas das maiores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos anos 80, quando alguém copiava uma fita de música ou gravava a novela das oito no video-cassete pra ver mais tarde, ninguém chamava isso de crime; hoje, ao emprestar um tocador de MP3 de um amigo e copiar suas músicas ou baixar da internet algum filme, você pode ser processado por algumas das maiores empresas do mundo. As leis são as mesmas, mas agora o cenário mudou:  gravadoras e distribuidoras estão em crise. E um dos culpados pela crise, segundo eles, pode ser facilmente identificado: é você.</p>
<p>Nos últimos anos, processar usuários de internet e fechar sites de compartilhamento de arquivos tem sido a estratégia das maiores empresas do mundo da música. Paradoxalmente, a criminalização da troca de arquivos online deu início a um movimento contrário: a luta pela alteração do atual sistema de propriedade intelectual e direito de cópia – o chamado copyright. Assim surge, na Suécia, em 2006, o Partido Pirata. De lá pra cá, a ideia se espalhou pelo mundo e partidos piratas começaram a se organizar em pelo menos 25 países. Entre eles, o Brasil.</p>
<p>“Eles criaram um fórum internacional, abriram tópicos por país, de gente interessada. No segundo semestre de 2006 um grupo começou a organizar o partido no Brasil. Eu participei desde o começo”, explica Jorge, membro do grupo de trabalho de Comunicação do Partido Pirata do Brasil, porta-voz de São Paulo, que prefere não usar o sobrenome. “No caso do Brasil, em 2007 e 2008 houve uma expansão, mas não foi tão grande. Em 2009 sim. Os partidos piratas crescem no mundo conforme cresce a repressão”, diz.</p>
<p>A repressão a que Jorge se refere foi o projeto de lei que ficou conhecido como Lei Azeredo, e foi chamado até mesmo de AI-5 digital, em referência à lei que instaurou a ditadura no Brasil. Proposto pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que alegou ser um projeto contra crimes cibernéticos, o texto foi atacado em diversas frentes e terminou praticamente enterrado quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em fevereiro, que vetaria a lei, se fosse aprovada no Congresso, por considerá-la  censura.</p>
<p>“O AI-5 digital ajudou o Partido Pirata crescer. Em janeiro fizemos o primeiro encontro presencial, no Campus Party, uma desconferência com umas 35 pessoas. Hoje temos cerca de 1.500 pessoas cadastradas e coletivos em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife. Estamos próximos da legalização. Mas concluímos que, mais importante que legalizar, é ter um estatuto colaborativo. A ideia não é ser uma filial do partido sueco, mas um partido com cara brasileira”, diz Jorge.</p>
<p>As diferenças entre o Brasil e a Suécia não são poucas. O Partido Pirata sueco nasce com apenas três pontos em sua plataforma política: alterar a lei do copyright para que todo o conhecimento e produção cultural possam ser copiados, se não forem usados para fins comerciais; abolir o sistema de patentes; e respeitar o direito à privacidade. No Brasil, além dessas bandeiras, existem várias outras. “Aqui, batemos muito na transparência”, diz o porta-voz do Partido Pirata do Brasil. “Lá, até o conteúdo dos emails dos parlamentares são públicos. Aqui, lutar pela transparência na política ainda é importante. A questão da inclusão digital, banda larga, também é muito importante. Banda larga não é um problema por lá. E o uso do software livre e formatos abertos na administração pública. Quebrar os monopólios. Essa é a diferença principal. O resto não é muito significativo.”</p>
<p>Segundo Jorge, o momento do partido agora é de estruturação da rede brasileira, organizar os coletivos locais em encontros presenciais, não apenas no mundo online. A legalização do partido será consequencia. Jorge não acha, também, que as alianças no Brasil seguirão as tendências suecas. “Lá são aliados do PV, aqui é difícil que isso aconteça. A gente bate forte na transparência, e os partidos tradicionais não defendem isso. Não queremos repetir as mesmas práticas dos partidos tradicionais.”</p>
<p><em>*texto produzido originalmente para o jornal <a href="http://www.brasildefato.com.br" target="_blank">Brasil de Fato</a>.</em></p>
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		<item>
		<title>MANY EYES: INFOGRAFIA DO ESTADÃO</title>
		<link>http://www.andredeak.com.br/2009/12/04/many-eyes-infografia-do-estadao/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Dec 2009 22:23:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Vale prestar atenção no que anda fazendo o Daniel Jelin, editor de especiais do Estadão. Depois de ter feito algumas das poucas experiências brasileiras com newsgames (ele fez o SuperTrunfo do Brasileirão), agora usou o software Many Eyes para apresentar infografias sobre assassinatos no Brasil.
O Many Eyes é um projeto da IBM, que aposta que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" src="http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/files/2009/12/tree.png" alt="" width="300" /></p>
<p>Vale prestar atenção no que anda fazendo o Daniel Jelin, editor de especiais do Estadão. Depois de ter feito algumas das poucas experiências brasileiras com newsgames (ele fez o <a href="http://www.estadao.com.br/especiais/desafio-de-craques,56928.htm" target="_blank">SuperTrunfo do Brasileirão</a>), agora usou o software Many Eyes para apresentar infografias sobre<a href="http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/2009/12/03/a-morte-nas-grandes-cidades/" target="_blank"> assassinatos no Brasil</a>.</p>
<p>O Many Eyes é um <a href="http://manyeyes.alphaworks.ibm.com/manyeyes/page/About.html" target="_blank">projeto da IBM</a>, que aposta que o que falta não são dados, mas visualização inteligente deles. Assim, fornece ferramentas para qualquer um montar gráficos interessantíssimos. (Uma crítica boa que vale ser feita ao software é que nada é livre, nem os gráficos são exportáveis, nem nada; tudo fica preso lá dentro. Mas é claro: é um projeto da IBM.)</p>
<p>Jelin uma vez me disse que poucos comentam isso, mas para ser jornalista multimídia, especialmente em trabalhos como esse, o chamado jornalismo de banco de dados, o sujeito tem que ser &#8220;pé-de-boi&#8221;. Ou seja: trabalhar bastante, preenchendo tabelas repetitivas, checando três vezes tudo de novo depois. Tem gente que não agüenta (&#8221;mas eu queria sair na rua e conhecer o mundo&#8221;. &#8220;senta aí moleque e termina essa tabela&#8221;).</p>
<p>Esse é um desses casos. O resultado é sensacional. Mas precisa de um pé-de-boi pra preencher os dados e gerar as planilhas&#8230;</p>
<p>Abaixo, o Daniel Jelin conta um pouco como fez a coisa:</p>
<blockquote><p>
o datasus é a base de um certo mapa da violência no brasil, que a gente representou lá mesmo no blog, com dados até 2006 (<a href="http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/2009/11/10/a-geografia-da-violencia/" target="_blank">http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/2009/11/10/a-geografia-da-violencia/</a>). um dia eu soube pelo jose roberto de toledo que a base havia sido atualizada com os dados de 2007. o próprio toledo me chamou a atenção para alguns pontos interessantes, como o fato de o rio de janeiro ter passado são paulo em número de homicídios. bom, fui ao datasus, comecei a gerar planilhas e mais planilhas e procurei o bruno paes manso. o bruno cobre e estuda violência tem 10 anos. é dele a ideia do blog, e foi ele que me convidou pra participar. a gente deu uma olhada na montanha de dados e nos decidimos pelas séries históricas. como a coisa tem evoluído nas grandes cidades? pensamos a princípio em trabalhar só com capitais ou só com as dez cidades mais violentas. é um recorte que a gente faria, tipicamente, se tivéssemos que produzir nós mesmos os gráficos, no flash, no illustrator, ou coisa parecida (dá uma trabalho danado mexer com montanhas de dados). mas não temos que inventar a roda, né? não, não temos. o manyeyes &#8211; é o que eu acho mais maravilhoso &#8211; permite que o jornalista faça um recorte, e o leitor, tantos quantos mais quiser. e tem ainda uma otura coisa, super sutil e interessante, que é preservar separadamente o conjunto de dados (&#8217;datasets&#8217;) e suas representações gráficas (&#8217;visualizations&#8217;). você sobe a base e pode testar à vontade, até chegar na &#8216;visualization&#8217; que mais lhe agradar. e ainda funciona como rede social! quer dizer&#8230;  quer mais o quê? eu quero mais é que eles continuem investindo na ferramenta e &#8211; isso é importante &#8211; que lancem logo uma versão em português.</p></blockquote>
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