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Um estalinista no Fórum
Social Mundial Por Rodrigo
Savazoni Michelo de Souza, 21 anos, moreno de cabelos pretos e longos, está em Porto Alegre há cinco dias. Veio de Salvador, capital da Bahia, para participar do Fórum Social Mundial e vender a sua produção artesanal: camisetas com estampas de líderes políticos, de intelectuais renomados, enfim, de revolucionários da tradição sinistra do século XX. Trouxe na mala 75 volumes. Entre eles, no entanto, 45 com o rosto de Josef Stalin (1879-1953). Desde que estendeu a sua obra, na rua principal da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, não teve mais sossego, mas ganhou notoriedade. - O problema, camarada, é que eles associam Stalin ao Hitler, e acham que eu não sei quem ele foi. Michelo sabe muito bem quem foi Stalin. Lê há dois anos, com parcimônia, sobre a vida do ditador soviético. Estudou tanto, e com tal esmero, que sente-se no direito de se auto-proclamar estalinista. - Eles dizem que Stalin foi um ditador, mas ditadores são eles, que chegam, me ofendem, e não param para trocar uma idéia, ouvir o que eu tenho a dizer. Eles, a quem Michelo se refere, são todos os freqüentadores do evento que não se conformam com a presença - ainda que virtual e imóvel - do truculento dirigente. O rapaz se diz respeitador das liberdades democráticas, do direito à opinião e de ir-e-vir. Por isso, não entende porque tanto ódio contra ele, que apenas está fazendo o seu trabalho e defendo suas idéias. - Em geral, são os trotskistas que nos atacam. Mas eu, quando estou com meus amigos, em Salvador, e vejo um trotskista na rua, respeito. Eles é que não me respeitam. As vendas estão boas As camisetas com o rosto de Stalin, por outro lado, estão tendo boa repercussão comercial. Das 45 que Michelo trouxe, dez já foram vendidas. E o camiseiro ainda acredita que esse número seria maior não fosse a repressão. - Vendi tantas do Stalin, quanto de Lenin, e de Marx e Engels. O rapaz começou a vender camisetas há menos de dois anos. Nas ruas da capital baiana, comercializa todo tipo de estampa. Do universo político, ele revela, o único que as pessoas habitualmente procuram é Che Guevara. Aos congressos estudantis, no entanto, vai munido de artilharia pesada: Stalin, Lenin, Che, Marx, Engels, e desenhos alusivos à revolução do proletariado e à derrocado do imperialismo. E foi em um desses congressos, conforme Michelo conta, que seu trabalho foi melhor recebido. - Lá no congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), que aconteceu em novembro do ano passado, em Uberlânia (Minas Gerais), a procura por camisetas do Stalin foi muito grande, bem maior do que a que está ocorrendo aqui no Fórum. |