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Porto Alegre - A passeata
parou. No prédio público ocupado por moradores sem-teto,
tremulam bandeiras vermelhas. Numa sacada, um manifestante faz malabarismos:
cospe fogo, joga tochas para o ar. "Ocupar, resistir, pra morar",
gritam. O coro ganha força, espalha-se até mesmo entre
aqueles, tímidos, que
assistem da calçada o desfile de quem não acredita
na Alca. Só os argentinos, ocupados com suas panelas, não
acompanham. Continuam a cantar "que saiam todos", como
fazem em Buenos Aires. E eis que no meio do povo, surge o mosquito
da dengue, diretamente do Rio de Janeiro. Uma espécie diferente:
não voa, mede quase um metro, pesa três quilos. E está
na cabeça de José Antonio Conceição,
o saquinho. Mas o que a dengue tem a ver com a Alca?
Antes, quem é José?
José é carioca e desempregado. Trabalhava na Fundação
Nacional de Saúde. Entrou lá em 88, era um mata-mosquito.
"Ia nos lugares de difícil acesso, favelas, terrenos
baldios, combater o bicho." Foi demitido em 99. Junto com outros
5 mil. Obra de quem? "Nosso excelentíssimo ministro
José Serra resolveu municipalizar o serviço preventivo
de saúde. Mandou todo mundo embora e deixou as prefeituras
responsáveis pelo combate à dengue. Só não
passou os recursos necessários".
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Prédio público
ocupado em Porto Alegre durante o Fórum Social Mundial (foto:
André Deak)
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