Postado em Aug 14, 2009

O QUE É COMUNICAÇÃO DIGITAL?

Lançado o Fórum da Cultura Digital Brasileira, fizemos uma primeira reunião com alguns dos curadores dos grupos e definimos algumas metas.

Para quem não acompanhou, o fórum foi lançado oficialmente há pouco tempo, e é um espaço “público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.”

A proposta do grupo de Comunicação Digital, do qual sou o curador, é trabalharmos em três grandes eixos até novembro, quando ocorrerá o Fórum da Cultura Digital Brasileira na Cinemateca, em São Paulo (ainda sem data definida, provavelmente na segunda quinzena). São eles:

- delimitação do campo: o que é comunicação digital?
- diagnósticos: quais são os problemas? quais as perguntas que precisamos fazer?
- formulações e propostas: quais políticas públicas devem existir? que ações este grupo deveria tomar? quais pressões deveríamos fazer?

Criamos um blog, o ComDigital, para publicar textos referentes ao grupo e discutir essas questões para além do fórum nesta página.

Anote: http://www.culturadigital.br/comdigital

Antes de começarmos a debater os problemas e as possíveis soluções relacionadas à comunicação digital é interessante definirmos sobre o que exatamente estamos falando. Comunicação digital é simplesmente a comunicação que se realiza através de bits e bytes? É uma outra comunicação ou é a mesma comunicação mais rápida, mais poderosa? Qual é o campo da comunicação digital e seus aspectos mais relevantes?

O Ministério da Cultura, no documento que fundamente a criação deste Fórum, sustenta que fazem parte da discussão deste eixo:

- Preservação da língua portuguesa e o incentivo à produção de conteúdos no ambiente da cibercultura;
- Processos midiáticos e as implicações comunicacionais e culturais da convergência;
- Transformações nos processos educacionais e o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação nos espaços formais e informais de ensino;
- Acesso ao conhecimento científico;
- Padrões de disponibilização de bases de dados públicas, para permitir a sua apropriação e recombinação pela cidadania

Língua

O Fórum da Cultura Digital Brasileira pretende debater a produção, difusão e fruição de conteúdos digitais em língua portuguesa. Sem dúvida, o país necessita de uma política cultural que torne nossa sociedade não apenas consumidora, mas também produtora de conteúdo na Internet, partindo do princípio de que o upload é tão importante quanto o download.

De acordo com uma pesquisa desenvolvida por Edward T. O´Neill, Brian F. Lavoie e Rick Benett, do Web Characterization Project13, e citada no texto Programa de Conteúdos Digitais em Cultura e Língua Brasileira, assinado por Nelson Simões (Rede Nacional de Pesquisa) e Hélio Kuramoto (IBICT), a participação brasileira em sites na web era de 2%, em 1999, e, em 2002, o país já não aparecia nas estatísticas. O inglês dominava 55% da participação em 2002.

A mesma pesquisa, citada novamente no relatório apresentado por Simões e Kuramoto, aponta que os conteúdos em língua portuguesa representavam 2% em 1999, e 1% em 2002, tendo sido ultrapassados por conteúdos digitais em outras línguas como o coreano, o chinês e o holandês.

A pesquisa pode ser obtida no endereço: http://www.oclc.org/research/projects/archive/wcp/default.htm

É preciso considerar que de 2002 para cá o Brasil sofreu uma explosão de uso e assistiu ao processo de popularização do acesso à rede mundial de computadores. Porém, no mesmo período, a rede atingiu a marca de mais de 1,5 bilhão de usuários em todo o planeta., Portanto, é razoável considerar que, na ausência de uma política pública, a desproporção de conteúdos em língua portuguesa disponíveis na rede pode ter se mantido ao longo do tempo, ou até se aprofundado.

Dois seminários, com participação de vários setores governamentais e da sociedade, foram realizados pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI-Br) para debater esse problema, e algumas diretrizes já foram delineadas. Essa dimensão do debate sobre conteúdos em língua
portuguesa ganha ainda mais importância se considerarmos o anúncio do projeto do governo Lula de conectar todas as escolas públicas brasileiras até 2010.

Há, por outro lado, a necessidade de discutir a relação da cultura digital como o processo de globalização, onde os conteúdos convergem em trocas transnacionais, e são majoritariamente produzidos em língua inglesa. Uma verdadeira experiência de cultura digital envolve trocas transnacionais e o dialogo entre diferentes povos. O território do ciberespaço reunifica a humanidade e exige uma língua destinada à troca e ao intercâmbio.

Mídia

Os tradicionais meios de comunicação de massa têm sido profundamente atingidos pelo processo de digitalização. No Brasil, no entanto, diferentemente da maioria do mundo ocidental, o mercado de comunicação descreve trajetória ascendente. Ainda assim, a “competição” promovida pela digitalização e pela rede mundial de computadores demonstra que o modelo industrial estruturado na oferta de informação de um para
muitos não se sustentará a médio prazo.

Nesse contexto, uma nova mídia, forjada na participação dos cidadãos, está
surgindo. Do ponto de vista da cultura, é preciso recuperar o exemplo do Overmundo (http://www.overmundo.com.br), revista virtual colaborativa que reúne produções culturais e jornalísticas a qual se configura como um banco vivo da diversidade brasileira.
Também vale observar a explosão da blogosfera cultural, que se constitui em um novo e importante ator cultural.

Mapear esse novo circuito midiático, sua capilaridade e extensão, é um dos papéis do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Também é necessário formular políticas públicas voltadas para o fomento dessa nova atividade midiática, como já vem ocorrendo com o Prêmio de Mìdia Livre, atividade da Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura.

Convergência

A convergência tecnológica é um fenômeno cultural. Para Henri Jenkins (2008. p. 2728), professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology):

A circulação de conteúdos -por meio de diferentes sistemas midiáticos, sistemas administrativos de mídias concorrentes e fronteiras nacionais -depende fortemente da participação ativa dos consumidores. Meu argumento aqui será contra a idéia de que a convergência deve ser compreendida principalmente como um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro dos mesmos aparelhos. Em vez disso a convergência representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos. Este livro é sobre o trabalho -e as brincadeiras -que os espectadores realizam no novo sistema de mídia.

As pessoas anteriormente conhecidas como público (The People Formerly Known as The Audience), os novos produtores ativos de conhecimento e cultura, definem essa nova etapa da evolução dos meios de comunicação. São os cidadãos, antigamente sem acesso à voz no espaço público, que estão construindo uma nova cultura midiática na era digital, baseada na convergência tecnológica, mas principalmente de idéias.

A web é um meio de comunicação que permite o diálogo de muitos para muitos. O que estamos vivendo não é um processo de substituição de mídias, mas sim de complementariedade melhorada.

Uma vez que um meio se estabelece, ao satisfazer alguma demanda humana
essencial, ele continua a funcionar dentro de um sistema maior de opções de
comunicação. Desde que o som gravado se tornou uma possibilidade, continuamos a desenvolver novos e aprimorados meios de gravação e reprodução do som. Palavras impressas não eliminaram as palavras faladas. O cinema não eliminou o teatro. A televisão não eliminou o rádio. Cada antigo meio foi forçado a conviver com osmeios emergentes. É por isso que a convergência parece mais plausível como uma forma de entender os últimos dez anos de transformações dos meios de comunicação
do que o velho paradigma da revolução digital. (JENKINS, 2008, p. 39)

Neste campo, pretendemos debater a emergência de novas formas de cultura, como games, softwares, a produção para aparelhos móveis, fanfics, entre tantas outras expressões da cultura contemporânea que emergem com o processo de digitalização.

Mas e aí? É isso?

Estou fazendo um levantamento bibliográfico sobre o tema. Quem puder ajudar, manda.

Curadoria de Comunicação Digital
http://www.culturadigital.br/comdigital
Andre Deak
andredeak@gmail.com
@andredeak
http://www.andredeak.com.br

Postado em Jul 31, 2009

FÓRUM DA CULTURA DIGITAL LANÇADO NO FILE

Nesta sexta-feira (31), o ministro Juca Ferreira está no FILE – Festival Internacional de Linguagens Eletrônicas. De tarde ele conversa com blogueiros sobre o Fórum da Cultura Digital – agora aberto para inscrições (antes estávamos em fase beta, só com alguns convites).

Participe.

Postado em Jul 29, 2009

SEXTA-FEIRA: LANÇAMENTO DO FORUM DA CULTURA DIGITAL

Caros participantes da rede social da cultura digital,

É com muito prazer que anunciamos, após um mês de intensos testes, o lançamento oficial do Fórum da Cultura Digital Brasileira e da plataforma www.culturadigital.br. O evento de lançamento ocorre na próxima sexta-feira, em São Paulo, durante o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, o FILE.Como sabemos, esse é um processo político que pretende produzir, de forma colaborativa, uma política pública para o Brasil contemporâneo.O lançamento será uma roda de conversa do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, com blogueiros e produtores de mídias sociais. A partir das 15 horas, Juca, acompanhado do Secretário Executivo, Alfredo Manevy, do Secretário de Políticas Culturais, José Luis Herencia, e do Gerente de Cultura Digital, José Murilo Jr. debaterá a cultura digital e explicará o que o Ministério pretende com a realização desse processo.

A conversação será transmitida ao vivo no endereço http://www.culturadigital.br/aovivo.

O Fórum da Cultura Digital Brasileira é um chamamento que o Ministério da Cultura e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa estão fazendo à sociedade civil. O Fórum terá eventos presenciais e deve se encerrar em novembro, em um grande evento, com a participação aberta a cidadãos interessados em como as tecnologias podem contribuir para melhorar a nossa sociedade.

A partir desta quinta-feira, a plataforma será aberta a tod@s os usuários.

Ajudem-nos a divulgar essa ação.

Quem estiver em São Paulo, pinte por lá. E quem não estiver, participe do debate pela rede.

via Savazoni

Postado em Jul 13, 2009

FÓRUM DA CULTURA DIGITAL BRASILEIRA

Isto não é só um post. É um convite.

Está lançada (em fase beta ainda) a rede social da Cultura Digital Brasileira. A rede pretende integrar todos que, de alguma forma, estão ligados a esta esfera – pesquisadores, produtores, ativistas, gente que pensa e faz políticas públicas e quem mais quiser entrar. Deverá ser um espaço para discutir propostas, levantar problemas e questões que são importantes para o futuro desta revolução na qual todos os campos da cultura estão imersos neste momento.

Em novembro, sem data marcada ainda, um fórum será realizado para discutir, presencialmente, as principais discussões levantas pelos grupos. A rede nasce, portanto, como um espaço de articulação para, a partir de uma visão comum – ou de múltiplas visões, o que é mais provável – apresentarmos propostas para este fórum.

Poderíamos, por exemplo, tentar construir uma carta de princípios sobre liberdade na rede, sobre o direito à comunicação digital, que seria, aliás, um bom ponto de partida para as discussões da Conferência Nacional de Comunicação, no início de dezembro. Mas essa é só uma idéia – podemos muito mais.

Sem dúvida, esta rede tem um grande potencial de ser ouvida, tanto pela qualidade de seus membros quanto pela força de suas idéias. Já somos mais de 200. Mas isto não é só um post. É um convite.

Seja muito bem vindo.


Como a rede ainda não foi lançada oficialmente, os convites ainda são restritos. Como curador do grupo de Comunicação Digital, tenho alguns para distribuir – quem quiser entrar na rede me avise (andredeak@gmail.com). O evento de lançamento do Fórum será realizado no dia 31 de julho, em São Paulo, durante o File (Festival Internacional de Linguagens Eletrônicas), em uma entrevista coletiva para blogueiros.

Postado em Jul 5, 2009

CASA DA CULTURA DIGITAL: UTOPIAS REUNIDAS

Levou pelo menos seis meses para acontecer. Levou quase 10 anos. Pensando bem, a Casa de Cultura Digital é resultado de algumas décadas, um projeto que começa com a contracultura dos anos 60-70 e vem parar aqui, na cibercultura do século 21, na Barra Funda, em São Paulo.

Mas o que é a Casa da Cultura Digital? Cada um dos quase 30 utópicos que estão por ali terá sua explicação. Cada um que escuta certamente entende de um jeito diferente. Daria pra dizer que são cerca de 10 organizações ligadas de alguma forma à cultura digital que resolveram se juntar num mesmo espaço físico para trabalhar melhor – o que chamam de cluster por aí. Mas isso seria demasiado simplista. É muito mais.

A CCD é um espaço de troca, por onde circulam idéias, projetos, pessoas. São pessoas e organizações tentando encontrar um modo de convivência e de convergência que respeite as individualidades, as diferenças, as diversidades.  Pra quem acredita que o digital é algo mais do que uma mudança estética.

Ainda estamos construindo – el camino se hace al caminar. Sempre estivemos construindo, aliás. Ali faremos pesquisa, desenvolvimento, articulação de idéias e formação. Jornalismo multimídia. Redes. Plataformas. Sites. Utopias.

Fica o convite aos visitantes desta página para que nos conheçam, que passem ali para uma visita, um chope, uma idéia, um café, um projeto. E vamos que vamos.

Veja as fotos da Casa da Ccultura Digital

Outros relatos, outras definições:

Garapa: Casa da Cultura Digital

Estúdio Livre: O que é a Casa da Cultura Digital? (áudio)

UPDATE: Saimos no Link, do Estadão.

Postado em Jun 26, 2009

LULA, SALA 41B – DIRETO DO #FISL

Lula foi ao Fórum Internacional de Software Livre. É o primeiro presidente que vai num evento deste tipo, e que no Brasil ocorre há 10 anos em Porto Alegre. Em 2009, teve recorde de participantes (o número ainda não fechou, mas deve ultrapassar 8 mil pessoas). O clima entre os organizadores é só satisfação: uma cultura que começou marginal agora ganha reconhecimento com a presença maior do Estado. É claro que é preciso olhar o contexto. Lula vem acompanhado; ele e Dilma conhecem, depois do Obama, a força que as redes digitais podem desempenhar numa eleição.

Estou escrevendo este texto direto da sala 41B, onde os convidados, a imprensa e os penetras aguardam o discurso do Lula. Pelo Twitter, já sabemos que ele chegou e está lá fora. Este texto será atualizado constantemente.

Franklin Martins chega e vai direto conversar com os jornalistas. Diz que ele é “particularmente” contra o projeto do Azeredo. “Qualquer coisa que cerceie a liberdade me parece ruim”. Mas diz também que é só um projeto, não foi aprovado ainda, não é lei.

Via Twitter, impressões em tempo quase real de todos que estão no Fisl.

Os jornalistas perguntam o que ele acha do Blog da Petrobras, e Franklin elogia. Perguntam se o Blog do Lula será igual. “Aguardem e verão”.

Aqui tem um stream ao vivo, em vídeo, direto da sala 41B.

Começou, com Marcelo Branco elogiando o Richard Stallman, os ensinamentos libertários dele e o incentivo ao FISL. “Começou a era das sociedades em redes. Essa transformação não é apenas uma revolução tecnológica, mas a mudança de uma era. Empoderamento do indivíduo, que se relaciona diretamente com o público. A inovação não está mais dentro das organizações, está fora. Distribuída pela rede. Nosso país não deve nada a nenhum país nesse sentido. Somos os mais ativos nas redes sociais. E não é só quantidade. Temos qualidade. Somos das comunidades de SL as que mais colaboram.”

“Presidente, a internet livre, que é cria dos mesmos criadores do SL, está sob ataque. Iniciativas do governo francês, da Inlgaterra, e do Brasil. Um deputado bispo pirateou a lei francesa e apresentou no Congresso. Temos uma lei chamada de Cibercrimes, a Lei Azeredo, que institui a vigilância. Anuncia que é para combater a pedofilia – essa lei já foi aprovada, a Unesco deu um prêmio para o Brasil. É uma confusão tentar juntar a Lei Azeredo com Cibercrimes. Para invadir a privacidade de qualquer residência é preciso um mandato judicial. Não se pode arrombar portas para combater crimes. Há marcos que regulam a investigação. No caso do senador Azeredo isso não existe. Pedimos que caso a lei passe, ela seja vetada. (aplausos gerais)

A Dilma chega para falar e é aplaudida, recebe inclusive um coro de “Dilma! Dilma! Dilma!”. Lê o discurso preparado, elogiando o pessoal, “as redes colaborativas capazes de transcender todas as barreiras físicas”.

Economia de R$ 370 milhões  aos cofres públicos pelo uso do SL, diz Dilma. BB, Caixa e Exército, “só para citar alguns”, fazem uso dessa tecnologia. Dilma lê vários dados para contar como o Brasil avançou no uso do Software livre em escolas e instituições. Quem escreveu o discurso dela fez uma bela pesquisa, levantou muitos dados, e – apesar dela dar a entender que não entende várias das coisas que lê, como padrões digitais, nomes de programas livres, backhaul – faz uma bela defesa do Software Livre.

A Dilma diz que o Planalto vai lançar um blog, e que a maioria dos blogueiros são jovens importantes produtores e disseminadores de conteúdo. Continuaremos a fazer tudo que pudermos para incentivar isso. “Vocês estão de parabéns”, diz.

O Lula começa sem ler nada e fazendo piada – claro. “Na verdade, a Dilma falou pelo governo. Eu não preciso falar mais nada. E passar pelo corredor polonês que eu passei pra chegar aqui valeu por uns quatro discursos.”

#Fisl #sala41B #Lula “Quero cumprimentar especialmente o Sérgio Amadeu”…”Agora que o prato está feito, é muito fácil a gente comer. Mas não foi brincadeira. Lembro da primeira reunião, e eu não entendia nada. Graças a Deus prevaleceu o Software Livre neste país. Tínhamos que escolher: ou íamos pra cozinha preparar o prato nosso, com gosto brasileiro, ou iríamos comer o que a Microsoft queria vender pra gente. Prevaleceu simplesmente a idéia da liberdade. Queria contar porque prevaleceu isso. Vocês sabem que eu nunca fui comunista. Quando me perguntavam se eu era, eu dizia que eu era torneiro mecânico. Mas tenho extraordinários companheiros que participaram da luta armada.

Mas quando caiu o muro de Berlin eu fiquei feliz, porque a juventude ia construir coisas novas. O SL é um pouco isso. A possibilidade de fazer coisas novas, valorizar a individualidade das pessoas. Não tem nada mais que garanta a liberdade do que permitir a liberdade individual. Ainda mais no Brasil, onde há o povo de maior criatividade no século 21.

A internet é a primeira vez que os netos são mais sabidos que os avós. Antigamente, pelo fato de ser mais velho, você queria se impor em tudo. Agora não. É só colocar dois controles remoto e ninguém sabe mexer.

A imprensa não tem mais o poder que tinha anos atrás. A informação não é mais seletiva, em que os detentores dela podem dar golpe de Estado. Nós não sabemos onde vai parar. Um burocrata tem um manual. O manual só diz o que pode e o que não pode. Coisa nova é proibida. Tudo isso levou tempo para que o governo pudesse criar condições para chegar onde chegamos.

E, por fim, Lula joga a pá na cal no projeto Azeredo: “A lei [Azeredo] não visa corrigir o que estiver errado. Essa lei é censura. Isso é interesse policialesco, para saber o que as pessoas estão fazendo. Isso não é possível”.

Postado em Jun 25, 2009

FOTOS DO #FISL NO FLICKR

José Murilo Jr. fala de MPB (Música Para Baixar) durante o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre. Junho de 2009. Ao fundo, Everton, do CGiBR, e os músicos Gog e Leoni

Estou publicando fotos do FISL, liberadas em Creative Commons 2.5, no Flickr.

Postado em Jun 25, 2009

BLOG DO LULA #FISL

O FISL teve uma mesa para discutir e apresentar a proposta do governo para o que vem sendo conhecido como o Blog do Lula. Primeiro, o anúncio é que não é o Blog do Lula. É o Blog do Planalto.

Já existe um piloto, desenvolvido pela Secom. Mas deverão existir pelo menos três versões, e a final será escolhida pelo público.

Nelson Breve: “Lula deu 182 entrevistas em 2008. Nesse ano já foram mais de 140, antes do fim do semestre. Só em entrevistas, já falou mais de 36 horas em 2009. A comunicação do governo tem muito a ver com o presidente. E ele estará também no blog – vamos experimentar o que funciona mais, o que funciona menos. Mas ele não terá tempo, certamente, só para se comunicar. Tem reuniões, viagens, etc.”

Nelson Breve, que está à frente da iniciativa, explica que é uma ação de Estado. Toda política da Secom é uma política de Estado, diz Nelson Breve. “Acho muito difícil que exista retrocesso [em outro governo], porque estamos pensando nisso como comunicação de qualquer governo. Não sei se o próximo presidente irá querer usar isso, vai depender muito da forma como ele queira atuar. Nada impede que o próximo queira fechar o blog. Mas nós pensamos em políticas de Estado”.”Sobre o conteúdo, não sei bem o que iremos encontrar. O Obama foi para o governo e tem um blog que é o que chamam de blog corporativo. Não é o blog do Obama. Queremos conhecer outras experiências de Estado, mas vamos com cautela. Buscaremos uma linguagem com a qual o público da internet está familiarizado. Veja bem: nosso press-release é muito bom. Tem informação útil para a imprensa. O blog terá informação útil para quem usa blog. Nossa comunicação será centrada em credibilidade – tudo que colocarmos lá precisa ser verdade. Se colocarmos algo falso, teremos que arcar com a responsabilidade disso.”

Daniel Pádua também está na equipe (e no twitter @dpadua). “Não podemos frustar as expectativas de nenhuma extremidade: nem do governo, nem do público da internet. Estamos numa estrada que nunca foi trilhada antes no governo. Vamos com cuidado. Blog não é necessariamente primeira pessoa, nem sempre tem comentários. Foi criado em 1999, e é nada mais do que um sistema de publicação. Tumblr é um blog só de imagens. Não tem primeira pessoa. Da mesma maneira, existem blogs em primeira, terceira, todas as pessoas que quiser. Acho o uso do termo legítimo, mesmo que façamos uma comunicação menos pessoal.”

Vai ter comentários? Vão responder? Vai ter orkut?

Breve: Em princípio, não vamos abrir para comentários. Não sabemos quantas pessoas vão comentar, pode ser que se torne algo lido só por jornalistas, ou pode virar um sucesso de conexões. Vamos experimentar. Toda minha defesa dele dentro do governo foi o que a Casa Branca está fazendo. E a Casa Branca não tem comentários. Pode ser que a gente abra, mas vamos ver se a minha equipe poderá dar conta, se poderá dar respostas na velocidade que a internet demanda. Conforme nos sentirmos mais seguros, vamos caminhar melhor. O Twitter, por exemplo, poderá ser, primeiro, uma ferramenta de disseminação do blog. Mas não de outras formas. Não vou ter mais gente além da equipe que já tenho, para fazer a conexão com as mídias sociais. Se for um sucesso, talvez eu consiga aumentar a equipe, mas por enquanto não. O Orkut não é prioridade, mas talvez entremos.

@DPadua: O Fale com o Presidente tem 5 mil mensagens por dia. Vários comentários de blogs são muito bons, e demandam interatividade. A equipe entende que internet é interatividade, mas isso precisa ser construído. Vamos trabalhar com trackback, com enquetes, com outros mecanismos.

Postado em Jun 25, 2009

BLOG DA PETROBRAS #FISL

Pedro Doria foi chamado para falar sobre o Blog da Petrobras no Fisl – a Petrobras também, mas não apareceram. O assunto vem rendendo conversas de botequim e taquicardias em redações de jornal. Para quem não sabe, resumidamente, a empresa resolveu fazer um blog onde publica as perguntas que recebe dos jornalistas por email e também as respostas que envia para todas as questões, desde que surgiu a CPI da Petrobras. Causou furor.

Os jornalistas que atacam o blog usam principalmente o argumento de que o blog “fura” o veículo, uma vez que dá informações sobre a reportagem que está sendo investigada antes dela ser publicada. Doria segue essa linha e disse que, se o blog publicasse sempre, antes do jornalista, os indícios da apuração, revelando o curso da investigação, então os jornalistas terminariam parando de perguntar para a Petrobras. Sinceramente, chamar entrevista por email com a assessoria de imprensa de investigação é uma piada. Se este é o nível de investigação que temos, é melhor não perguntar nada mesmo.

Marcelo Branco, um dos coordenadores do Fisl, que propôs o debate e estava acompanhando da platéia, apimentou: “A Globo disse que a pergunta é uma propriedade intelectual da Globo” [o que acabou sendo ridicularizado como sendo a criação da "pergunta em off"]. Outro sujeito da platéia disse que pesquisou e em nenhum lugar uma lista de perguntas pode ser considerado “propriedade intelectual”. Doria respondeu que não sabia nada sobre isso e encerrou o debate (que, antes, tinha descambado para o fim do diploma, blogs x jornalistas, etc etc etc etc etc).

Sobre o blog da Petrobras há outra crítica, mais pontual, que diz que não se pode chamar de blog, já que é mais uma ferramenta de divulgação do que uma troca de informações com a rede. Blog seria uma ferramenta mais completa (e o Blog do Lula, inclusive, não deverá ser chamado de blog, já que não deverá ter espaço para comentários – a moderação disso seria impossível). Particularmente, acho que o blog é simplesmente o nome da ferramenta, como telefone – o uso que se faz independe do formato blog. Mas essa é quase uma discussão semântica.

O que deixa os jornalistas bastante arrepiados é notar que, agora, as fontes deles podem se insurgir contra eles próprios. Ou melhor: o jornalista não é mais o único “pedágio” entre a informação e o público. As fontes podem entrar em contato direto com o público para, inclusive, reclamar do jornalista que o entrevistou. Um dos posts da Petrobras é, por exemplo, “O Globo requenta novamente seu factóide“.

Muitos discutiam sobre fazer algo similar, levar ao público um pouco da – porca – apuração jornalística e, sob o viés do entrevistado, como é feita a “investigação nas redações”. A Petrobras fez um pouco disso. Ainda não é o melhor que poderia ser feito, mas já é bastante. Muito mais do que qualquer outra fonte fez.

Postado em Jun 25, 2009

MÚSICA PARA BAIXAR #FISL10

O direito de quem produz ou o direito de quem consome? Mais: são excludentes?

Vários músicos que estão no FISL, no debate sobre MPB – Música Para Baixar – contaram casos escabrosos sobre o ECAD.  O Teatro Mágico, por exemplo, contou que foi multado por tocar, em público, música do… Teatro Mágico. Outros artistas contaram casos idênticos. A Rádio Favela, presente também, disse que precisam pagar o “jabá” para o ECAD para tocar música.

Interessante é uma advogada do ECAD estava na platéia e entrou no debate. “Vocês culpam muito o ECAD, mas o modelo que existe é a legislação atual. O ECAD é apenas o mandatário das associações. Apenas cumpre a lei”. Outra: “Vocês falam em multa, mas é retribuição autoral atribuída em lei”. A platéia riu. “O sistema funciona de acordo com a lei, não de acordo com nossa vontade. Não critiquem os funcionários do ECAD, critiquem a lei”.

Sobre isso, lembro de um texto do Proudhon, A Propriedade é um Roubo. Por ali, se não me engano, em algum canto ele diz que os cobradores de impostos, se não concordam com a legalidade do imposto, deviam pedir demissão e recusar-se a obedecer um Estado. Gandhi também dizia, aliás, que não se devem obedecer as leis injustas – e veja onde esse pensamento levou a Índia.

E o FISL segue quente, mesmo com 10 graus C lá fora.