Postado em Sep 9, 2008

ALBERTO CAIRO E INFOGRAFIA NO NUPEJOC

Seguindo as trilhas do Nupejoc, encotrei uma bela entrevista com Alberto Cairo, infografista que dispensa apresentações. Copio alguns trechos, até para de repente usar no meu projeto de mestrado, mas a íntegra está aqui:

N – O que você acha fundamental para a formação de um bom infografista?
C – É importante que você saiba pensar como jornalista, que saiba um pouco de estatística, um pouco de cartografi a, um pouco de design gráfi co, um pouco de animação para a infografi a online, mas o mais importante é saber ser jornalista e pensar visualmente.

N – Há quem afi rme que, vem virtude da competição do impresso com os novos veículos, o que pode “salvar” o jornal do desaparecimento é a infografia. O que você pensa sobre isso?
C – Acho que não. Os leitores vão ser mantidos pela qualidade do conteúdo não porque você começa a usar um jeito diferente de contar histórias. O grande problema dos jornais impressos, não minha opinião, é que eles estão fazendo o mesmo que os jornais online, no dia seguinte em que aconteceu o acidente em Madri, eles dizem “Caiu um avião em Madri”, eu já sei isso, eu quero que me conte o por que. O que acontece é que o jornalista em geral é uma pessoa muito preguiçosa. Ele simplesmente funciona com o piloto automático, se caiu um avião ele pensa: o título é “Caiu um avião”. Este não é o título do impresso, é o título do online, o título do jornal no dia seguinte é “O avião caiu porque…”. O impresso tem que aprofundar. Eu vejo uma complementaridade entre impresso e online, isso reforça a marca do jornal. A infografia não vai ajudar, ajudará no mesmo sentido que pode ajudar um bom texto.

(…)

N – Como você avalia o mercado de infografi a no Brasil?
C – Os profissionais são ótimos, mas o Brasil tem um problema comum a de qualquer outro país que é a falta de comunicação entre os departamentos de arte e infografias com as redações. Falta um pouco a figura de jornalistas que sejam pontes, que sejam tradutores e façam uma conexão entre os departamentos. Isso é o que eu entendo por um jornalista multimídia, não um jornalista que saiba fazer tudo, áudio, vídeo, texto, mas tenha um conhecimento básico de diversas áreas e se especialize em uma.

(…)

N – É essencial para o jornalista saber infografi a e saber pensar infograficamente?
C – É básico para o jornalista saber o que é infografi a e pra que ela serve. Ele não precisa saber fazer infografia.

NÚCLEO DE PESQUISA EM LINGUAGENS DO JORNALISMO CIENTÍFICO (Nupejoc). O infografista como criador de conteúdo. Disponível em http://www.nupejoc.cce.ufsc.br/paginas/produ/entrevista_cairo.pdf. Último acesso em 09/09/2008.

Postado em Sep 9, 2008

WANDERLUST: INFOGRÁFICO SOBRE ROTAS FAMOSAS

A viagem de Jack Kerouac narrada no On The Road, a antiga rota da seda, o expresso do Oriente, a tentativa frustrada de Amelia Earhart de dar a volta ao mundo num avião, a caçada de Moby Dick e algumas outras rotas famosas são apresentadas nessa infografia.

É bem interessante, mas poderia ser mais completo, com vídeos, entrevistas, mais fotos, etc. Em geral, as rotas têm duas ou três fotos, com uma breve explicação sobre elas. De qualquer forma, é um bom trabalho e vale gastar uns minutos aí.

Em tempo: Wanderlust é uma palavra alemã, usada na língua inglesa com o significado de “vontade de viajar, explorar o mundo”.

Postado em Sep 2, 2008

INFOGRAFIA DO CLARÍN SOBRE PRÉ-SAL

Taí, gostei da apresentação. No mais, são “só” três vídeos, bem apresentados. Os três vídeos, diga-se, muito bons – coisa que não se vê nem na TV,  quanto mais num jornal. Sobre a busca por petróleo por aqui, eles perguntam: por que o Brasil pode e a Argentina não?

Sobre jornalismo multimídia, vídeos dessa qualidade feitos em jornais de papel, eu pergunto: Por que a Argentina pode e o Brasil não?

Via http://twitter.com/fehlauer

Postado em Sep 1, 2008

INFOGRAFIA INTERATIVA NO NEW YORK TIMES

Há um bom tempo vi no New York Times uma infografia interativa, de banco de dados, que mostrava graficamente a variação das ações na bolsa de valores. Você podia escolher o setor que queria ver (bancos, empresas de energia elétrica, telefonia, etc.), escolher a variação das ações no tempo (variação no dia, na semana, no ano), e tinha total clareza da movimentação do mercado. Nunca mais achei aquilo no site do NYT. (aliás, se alguém souber o link, me mande, por favor).

Navegando no Núcleo de Pesquisa em Linguagens do Jornalismo Científico vi uma infografia deles com uma arquitetura bastante similar. Trata da variação das medalhas olímpicas por país, no mundo, durante os anos. É um pouco mais criativo (a disposição dos continentes), mas tem menos recursos que aquele que eu tinha visto. E tem aquele detalhe irritante dos EUA terem mudado a contagem de medalhas, pra não perder o lugar pra China.

Mesmo assim, é um ótimo exemplo de infográfico interativo. E gosto muito do lay-out clássico que o New York Times imprime nos seus desenhos.

Postado em Aug 31, 2008

POEMAS AOS DOMINGOS

by D.H.Lawrence

- What is he?
- A man, of course.
- Yes, but what does he do?
- He lives and is a man.
- But he must work. He must have a job of some sort.
- Why?
- Because he is obviously not one of the leisured classes.
- I don’t know. He has lots of leisure and he makes quite beautiful Chairs.
- There you are, then! He’s a cabinet maker.
- No, he is not.
- Anyhow, he is a carpenter and joiner.
- Not at all.
- But you said so!
- What did I say?
- That he made chairs and was a joiner and carpenter.
- I said he made chairs but I did not say he was a carpenter.
- All right then, he’s just an amateur.
- Perhaps! Would you say a thrush is a professional flautist or just an amateur?
- I’d say it was just a bird.
- And I say he is just a man.

Postado em Aug 28, 2008

INFOGRAFIA COM FOCO NO CIDADÃO 2

Eis que algumas boas idéias de fora vão sendo copiadas no Brasil em termos de infografias. Explico: há quase um ano publiquei um post sobre o newsgame do USA Today, Candidate Match Game.

Em vez de mostrar o que pensam todos os pré-candidatos às eleições dos EUA sobre diversos assuntos, como aquecimento global, impostos, casamento homossexual, guerra no Iraque e saúde, o infográfico faz perguntas ao usuário sobre o que ELE acha desses assuntos. Aí, monta uma tabela mostrando quais candidatos têm opiniões mais próximas com as do usuário. Você pode depois observar cada opinião separadamente, e dar maior peso a um assunto ou a outro. Deve ter dado um bom trabalho, mas é infinitamente melhor do que fazer um tabelão com as opiniões de cada um.

Era esse aqui:

Mostrei isso no curso que dei em Belo Horizonte para o pessoal dos Diários Associados, e eles acharam tão legal que resolveram fazer também. O resultado foi esse:

Troquei uns emails com Benny Cohen, o jornalista que tocou o projeto multimídia lá nos Diários Associados. Leia o que ele conta:

Quando vc nos mostrou o game, durante o curso, fiquei remoendo, “temos de fazer, temos de fazer”. E não é que deu certo?

Bom, foram envolvidas várias pessoas. Da área técnica, 5: um webdesigner, dois programadores e dois produtores. Do Jornalismo, envolvemos 4 pessoas: além de mim, mais 3 jornalistas do Portal. E várias outras também contribuiram. Por exemplo, pedi a vários jornalistas da TV Alterosa, do Portal Uai e do Estado de Minas que mandassem sugestões de perguntas. Fiquei com mais de 50 na mão, fiz uma seleção, cheguei a 16 e, no fim, a turma fechou nas 11 finais.

Aí, pegamos as perguntas e mandamos pros candidatos, com as opções de resposta e a recomendação de que mandassem as justificativas para as respostas em até 500 toques. Não dava pra fazer a mesma pesquisa de arquivo que o USA Today fez pq não teríamos estrutura par isso, aí repassamos a obrigação do posicionamento diante das questões pros próprios candidatos e deu tudo certo.

O tempo foi até curto, eu imaginei que iria levar bem mais, no fim, consumiu 4 semanas. Agora, queremos fazer pro segundo turno, pq acho que aqui vai rolar.

Juliana Nunes, amiga jornalista, questionou um ponto importante: a escolha das questões não pode gerar um direcionamento para algum candidato?

A resposta é que sim, pode. Assim como uma reportagem em texto pode, um vídeo pode. Uma infografia enfrenta os mesmos problemas de objetividade que todo o jornalismo enfrenta. Mas poderia ser diferente?

Leia outros posts sobre isso:

Tiago Dória: Newsgame nas eleições municipais do Brasil

Game nas eleições gera debate em blog

Postado em Aug 27, 2008

COISA DO PASSADO

Ainda está quente o debate sobre repórter multimídia: terá que receber ele também um salário multimídia?

Já são duas as histórias de um passado nem tão distante que escutei e que acho bastante apropriadas. Dessa vez, a época era de greves no ABC paulista. Dentro do jornal O Globo surgiu uma idéia inovadora: e se os repórteres ficassem com pagers (não existia celular – céus, quando foi isso?). Pra quem nasceu recentemente, pager era um aparelhinho que surgiu antes do celular. No começo, você deixava uma mensagem numa central, o fulano recebia um alerta, ligava pra central e pegava o recado. Depois começou a funcionar com transmissão de texto, tipo um SMS de celular – mas isso já era o começo dos anos 90, se não me engano.

A idéia era que os repórteres ficassem sempre com um pager, para receber alertas da redação, ou algo assim. Nunca aconteceu: os sindicatos alegaram que se o repórter tivesse um beeper, teria que receber horas extras, porque estaria trabalhando 24 horas.

A outra história é parecida. Eduardo Tessler conta: “Trabalhei no primeiro jornal computadorizado do Brasil, o Diário Catarinense, e lá existia essa mesma discussão: para usar o computador tenho que ganhar mais. O sindicato dizia que o cara era jornalista, e não analista de sistemas. Se fosse para aprender a usar o computador, teria que ganhar mais. Mas esse debate passa.”

Tirar foto pelo celular, gravar uma entrevista, editar uma foto online, fazer um vídeo no celular, editar e colocar na internet, montar um blog, um site, usar recursos de web colaborativa e social serão tarefas tão simples daqui a alguns poucos anos que o debate sobre o jornalista multimídia será ou obsoleto ou muito mais qualificado. Ou não?

Postado em Aug 24, 2008

INFOGRÁFICO: REGISTROS DE UM TORNADO

printscreen of image

Interessante isso: um mapa com fotos e vídeos georeferenciados feitos pelas pessoas que estavam na área: câmeras de segurança, celulares, tudo. Ao mesmo tempo, você vê a foto antes de depois do tornado, e outros layers liga/desliga (áreas mais devastadas, etc).

Nada demais, né? Nenhuma grande aventura inovadora em termos tecnológicos, mas um infográfico multimídia bem competente. Dá para ter noção exata do que pode causar um tornado.

Peguei a dica pelo twitter, via @agranado

Postado em Aug 21, 2008

VEREADOR DIGITAL

É que o povo não ama essa cidade de verdade [São Paulo]. Senão tirava eles [os vereadores atuais] na porrada. Ou na bala.

A frase é de Ivan, o Terrível, candidato a vereador de São Paulo (abaixo tem um vídeo dele), cujo político favorito é Osama Bin Laden. O Estado de S. Paulo colocou todos eles no estúdio da redação do jornal e fez um vídeo de 3 minutos com cada um. Nem todos os vídeos estão no ar ainda, mas logo teremos online o maior acervo de vereadores já feito.

A coleção dos depoimentos dos vereadores é um documento do nosso tempo – como dizia Marcos Faerman, fazer jornalismo é produzir justamente isso. É um retrato da qualidade dos nossos candidatos. Pode ser até engraçado vê-los falando por 5 ou 10 segundos, mas é triste, e às vezes assustador vê-los numa entrevista, dizendo o realmente pensam, sem ler o teleprompter.

O Estadão inova também ao licenciar tudo em Creative Commons, permitindo a livre reprodução do material. E faz algo ainda mais ousado nesses tempos em que fazer jornalismo ou expressar opiniões na internet é proibido: ao oferecer o código embedd, permitindo colar nos sites o vídeo de cada vereador, permite que as pessoas façam campanha para seus candidatos – como já aconteceu, aqui, no blog NaRua. Isso poderia ser chamado de incitação ao crime? Certamente algum juiz poderia entender assim…

Vale a pena assistir até o final:

Postado em Aug 21, 2008

HACKERS NO MINISTÉRIO DA CULTURA – ENTREVISTA: JOSÉ MURILO JUNIOR

Não, não se trata de uma invasão da página do ministério – até porque, quando o caso é vandalismo, o nome não é hacker.

A palavra hacker, em sua tradução literal significa cortador. Esta tradução pode adquirir sentido se pensarmos em algo como cortar ou derrubar barreiras. Porém, o uso e entendimento mais comum (e, portanto, leigo) desta palavra traduzem uma associação entre hacker e pirata digital, vândalo, invasor e etc. De acordo com Pedro Rezende, professor de informática da Universidade de Brasília, hackear é esmiuçar, o que não pressupõe condição para piratear, vandalizar ou vender serviços criminosos.

Para tal conduta existem termos estritamente apropriados, como lamer ou cracker. Ainda de acordo com Rezende, hackers não podem ser considerados coletivamente como criminosos, já que muitos deles trabalham em colaboração com desenvolvedores de software, em uma ação que visa eliminar possíveis falhas de segurança nestas ferramentas. Os hackers são considerados também os principais responsáveis pelo desenvolvimento da internet e dos softwares livres (o Linux é uma criação hacker!).

Os hackers a quem me refiro trabalham no Ministério da Cultura. São os que desenvolveram um template de WordPress que transforma blog em portal – usado no site do MinC, inclusive. Chama-se Xemelê (porque é baseado em XML). Mas fizeram também o ChatCast, um chat que pode ser usado em conjunto com transmissão de vídeo ao vivo. E o Estúdio Livre, referência para programas livres de edição de áudio e vídeo.

Quem está no meio disso tudo é José Murilo, do blog Ecologia Digital. Ele acaba de publicar uma análise sobre Gilberto Gil como ministro – uma das melhores que já li – para o site OpenDemocracy, e a publicou na íntegra em seu Eco-Rama, outro blog que mantém (em inglês).

Me respondeu hoje umas perguntas por email, abaixo:

Vocês foram escolhidos como os 10 Mais pela revista WebDesign. Como foi isso, o que representa?
Nós aqui da GIE (Gerência de Informações Estratégicas DGE-SE / MinC) ficamos envaidecidos com este destaque entre as principais ‘agências web’ do país. Principalmente pelo fato de não sermos uma agência web… rsrs. A questão é: porque fomos escolhidos?

Gosto de mencionar sempre os princípios que fundamentam a nossa estratégia de implementação:

(1) a apropriação da tecnologia de publicação (open source) pela instituição, evitando que a comunicação institucional na web torne-se dependente (refém) de contratos de terceirização para sua implementação e constante evolução;
(2) simplificação do processo de publicação, visando ampla descentralização e autonomia no processo editorial web;
e (3) fomento ao uso da rede como ferramenta de comunicação interativa direta com usuários (através de comentários, formulários de feedback, blogs, chats, etc.), facilitando a emergência da cultura ‘read-write’ típica da web 2.0 nas instituições.

Por outro lado, o serviço público nos coloca em posição ideal para exercitar os conceitos ‘open source’ em escala total, o que deve surgir como o diferencial em relação às outras ‘agências web’. O lançamento da comunidade Xemelê no Portal do Software Público representa um maior engajamento do MinC no esforço conjunto do governo em impulsionar o mercado de software livre no país. Vejo este movimento também como uma contribuição da reflexão sobre Cultura Digital da gestão Gilberto Gil no sentido de sensibilizar as instituições públicas para o potencial da comunicação interativa na web, e sobre a oportunidade de inovação (revolução?) no relacionamento entre os serviços públicos e seus usuários — os cidadãos.

Acredito que o resultado deste mix de ‘conceitos web 2.0 + implementação open source’ realizado com alguma competência aparecendo dentro do governo é o que tem chamado a atenção da mídia espcializada.

Em algumas comunidades específicas o MinC obteve reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, mas a mídia em geral tratou apenas do ministro-artista, num movimento mais de cobertura da personalidade do que do homem político. A que se deve isso?
Na minha visão, o bloqueio do ‘mainstream media’ em relação ao MinC teve origem no episódio da Ancinav, como ilustrei no artigo.

A Cultura Hacker trazida por Gil está impregnada no MinC ou vai embora com ele?
Temos uma grande batalha pela frente, que é a institucionalização desta contribuição realizada pelo Gil ao Ministério da Cultura. De onde enxergo o Xemelê é um ação neste sentido, assim como o próximo edital para jogos eletrônicos, os projetos de digitalização de acervos em curso…

O objetivo maior é a institucionalização de um setor para a Cultura Digital no âmbito da Secretaria de Políticas Culturais, que após muito debate parece que finalmente vai acontecer (o MPOG não ia aceitar um setor de ‘Cultura Hacker’!) O plano é a realização de um grande debate nacional sobre a Cultura Digital, algo que chamamos agora de Fórum Brasil Digital. Como estamos em plena transição, fase de naturais rearranjos internos, espero poder falar sobre o tema de forma mais concreta em breve.

Qual deve ser o principal desafio da gestão Juca Ferreira?
Realizar concretamente as expectativas criadas pelo discurso hacker do ministro. Em uma palavra: implementação. Vamos lá!