Postado em Mar 9, 2008

JORNALISMO DE VANGUARDA NA CURRENT TV

Encontrei o Vanguard Journalism, programa da Current TV – uma emissora de televisão independente vencedora do Emmy Award criada por Al Gore. A Current é uma TV a cabo que transmite conteúdo produzido pelos usuários, e o modelo do Vanguard segue a mesma linha. É de uma qualidade impressionante.

É preciso, claro, estar dentro dos padrões de qualidade, de ética e de checagem exigida pela Current. Os vídeos enviados, se transmitidos pela rede a cabo, recebem pagamento. No Brasil, quem já copiou o modelo foi a editora Abril – inclusive, mais ou menos, o lay-out é parecido. Aqui chama FizTV.

Abaixo, o vídeo de apresentação, que me levou ao canal do Vanguard, publicado no Jornalistas da Web.

Postado em Mar 5, 2008

JUMPCUT – EDIÇÃO DE VÍDEO ONLINE

Fiz um teste aqui com um editor de vídeo online, o Jumpcut. Importei minhas fotos do Flickr e abri um programinha de edição em flash, que lembra o Windows Movie Maker pela simplicidade. Tem uns probleminhas, umas falhas aqui e acolá, mas dá pra brincar bastante. Veja abaixo o resultado:

O maior problema que encontrei: não consigo tirar esse vídeo do Jumpcut, para colocar num ipod, por exemplo. Tentei os programas que tiram vídeo do YouTube e até um downloader online que parece impressionante, mas no fim nada funcionou. Se alguém souber como faço isso, por favor.

Postado em Mar 4, 2008

CUBA NO FLICKR

Coloquei umas 40 fotos de Cuba, tiradas agora, em fevereiro, no Flickr. Estão todas em Creative Commons, para quem quiser usar (com fins não comerciais).

Aproveito para sugerir umas leituras interessantes, em meio a esse mar de Veja, digo, de lama, que é o nosso jornalismo:

Artigo de José Luis Fiori, no Le Monde

Um perfil de Fidel, na Caros Amigos

Postado em Mar 3, 2008

ELIZA, CHATTERBOTS E A ENTREVISTA INFINITA

É de 1966 o primeiro chatterbot – um robô capaz de manter uma conversa escrita com um ser humano. Naquela época, “Joseph Weizenbaum, um professor de ciência da computação do MIT, criou um programa de computador chamado ELIZA capaz de manter uma conversação respondendo, com palavras impressas, a sentenças digitadas. (…) A persona resultante, Eliza, parecia-se com um terapeuta que devolve as inquietações do paciente como um eco, sem interpretá-las”.

Quem fala sobre Eliza é Janet Murray, no livro Hamlet no Holodeck, para explicar as possibilidades narrativas do computador ao criar personagens virtuais. Eliza existe hoje na internet e qualquer um pode conversar com ela, apesar de não ser muito agradável – ela foi a primeira; é bastante limitada e sem graça.

Existem hoje, entretanto, dezenas de outros chatterbots na rede, alguns bastante impressionantes – para não dizer assustadores –, como Jabberwacky ou George, uma variação de Jabberwacky que aprendeu respostas conversando com usuários da internet. São experiências incríveis de inteligência artificial, ainda que nenhuma delas tenha passado no teste Touring. É um teste onde humanos conversam com humanos e máquinas, sem saber qual é qual, e devem apontar quem é humano e quem é o computador. Se errarem, o programa vence: é uma inteligência artificial capaz de enganar um humano.

Independente de estarmos perto ou longe de criarmos um programa que passe no teste Touring, já existem empresas que vendem inclusive a criação de “personalidades artificiais”. Você poderia, por exemplo, passar horas e horas, durante dias, semanas ou meses, conversando com um programa, que “aprenderia” com suas respostas. Depois desse tempo a sua própria personalidade está cadastrada nesse banco de dados. Quando alguém entrar nesse chat, seria como se estivesse conversando com você, quando na verdade está conversando com um banco de dados. Isso não é o futuro – isso já existe.

Imaginemos, portanto. Qual seria o uso possível para o jornalismo? Estava lendo a entrevista de Ignácio Ramonet com Fidel Castro, publicada em livro. Essa é apenas uma entre infinitas entrevistas possíveis. Mais que isso: quantas vezes uma entrevista não toma um rumo que você não esperava, no mau sentido? Por que o jornalista não continuou naquele assunto?

Uma figura como Fidel Castro, por exemplo, talvez fosse um ótimo exemplo, já que escreveu e falou tanto, sobre tantos assuntos, e construiu uma personalidade pública bastante conhecida, até. Colocássemos uma equipe cadastrando todas as respostas que Fidel já deu em entrevistas, sobre todos os assuntos – inclusive assuntos pessoais –, teríamos muito provavelmente uma ótima versão de Fidel em chatterbot.

Em vez de oferecer uma entrevista – e nada impede que essa entrevista não esteja lá –, cada um poderia fazer as perguntas que quisesse ao cubano. As repostas seriam respostas reais. Não se trata, aliás, de equipar uma máquina com um conjunto de frases. O psicanalista Kenneth Colby aperfeiçoou Eliza e criou PARRY, um cyberindivíduo que não apenas tinha respostas prontas, mas um modelo de vida interior. Ou seja, como diz Janet Murray: “Colby deu a sua criatura um sistema de crenças (…) e um modelo de estado de espírito incluindo raiva, medo e desconfiança. Ele instruiu Parry a construir um modelo de seu entrevistador, com base em cada uma das questões feitas, e a decidir se a intenção de seu interlocutor era malevolente, benevolente ou neutra.”

Acho que muita gente adoraria conversar com Fidel e com centenas de outros personagens históricos, mesmo que eles fossem apenas uma representação deles. Aliás, filosoficamente pensando: qual é o entrevistado que não é apenas uma representação de si mesmo?

Postado em Feb 15, 2008

HIPERDOCUMENTÁRIO

“Num hiperseriado bem concebido, todos os personagens menores seriam protagonistas potenciais de suas próprias histórias, proporcionando, assim, tramas alternativas dentro da malha maior da história”, diz Janet Murray, em Hamlet no Holodeck.

Ao ler isso, acho que encontrei o formato do próximo projeto de grande porte de jornalismo multimídia. Talvez devesse guardar a idéia, mas prefiro compartilhar.

Murray fala sobre o futuro da narrativa literária no ciberespaço, e eu li esse livro sob uma ótica do jornalismo. Na frase que destaquei, ela sugere que uma trama poderia contar a história do personagem principal dessa trama, mas não apenas. Cada coadjuvante poderia ser protagonista de outra história.

Tomemos o exemplo do Nação Palmares, que chamamos de documentário interativo. Se hoje eu fosse refazê-lo em condições ideais (que não existem, mas servem para exemplos hipotéticos), mudaria bastante coisa. tanto no roteiro principal quanto no formato. Poderia muito bem continuar sendo a história da luta dos quilombolas pela terra. Mas poderia ser a história de uma família, ou de algumas famílias, e cada vez que aparecesse uma pessoa, essa pessoa seria protagonista de um minidocumentário sobre sua própria vida e seus problemas, especialmente os problemas relacionados ao conflito principal – a luta pela terra.

Assim, a história do agricultor que não quer que suas terras cultiváveis sejam retomadas e devolvidas para os quilombolas poderia ser, para alguns, até mais interessante do que a história principal. E a compreensão do problema seria muito mais completa quando algumas histórias fossem vistas e contrapostas: o agricultor, a quilombola mãe de familía, o menino quilombola, o deputado.

Não é fácil. Pero tampoco es difícil.

Postado em Jan 23, 2008

1ª RODADA DA CIRANDA DE TEXTOS


Vários blogs irão publicar textos sobre jornalismo online nesta quarta-feira na primeira rodada da Ciranda e, a cada mês, um deles fará uma espécie de guia de leitura: um resumo de cada texto e um link para o endereço onde ele se encontra. É o modelo dos Blogs Carnivals, que por aqui estamos chamando de Ciranda de Textos.

Hoje o guia de leituras está aqui e será atualizado conforme os blogs forem publicando suas colunas sobre o tema. Boa leitura!
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Meio Digital
Pedro Penido
inaugurou a ciranda e publicou ontem mesmo um texto onde parte dessa idéia para falar de web 2.0. Ótimo começo, porque conta como surgiu a Ciranda – numa lista de e-mails, de maneira totalmente colaborativa e no melhor estilo do it yorself da rede – para então falar sobre a navegação na rede. “Não há porque tentar aprisionar a audiência. A grande jogada é abrir o conteúdo, oferecer caminhos e tentar se estabelecer como um vendedor de mapas, de linhas de leitura, de possibilidades de narrativas, ou, ao menos, mostrar os pontos-chave e deixar que cada um faça o caminho que quiser”. Exatamente o que faz esse guia de leitura dos Blogs Carnivals.

Mil idéias e ideais de todos
Flavia Garcia Reis, jornalista especializada em web e saúde, diz que “não dá pra fazer jornalismo online sem pensar em web 2.0, del.icio.us, technorati, via6, podcast, seo… Não que você precise usar todas essas ‘novidades’, mas é necessário saber que existem e para que servem. Além disso, é preciso exercitar o seu espírito marketeiro. Quem não se divulga não tem destaque”. Ela conta como começou no online (em 2001), e quanta coisa mudou desde então.

Freelancer – O profissional que rala
Ceila Santos fala sobre a participação dos leitores – ou melhor, como ela mesmo diz: colaboradores. “O papel do jornalista digital é se orientar pelos interlocutores que o rodeiam. E, para isso, é necessário, no mínimo, conhecer quem são seus interlocutores. Quem linka a sua notícia é um potencial colaborador para sua próxima reportagem. É ele quem lhe fortalece e também quem poderá lhe orientar para sua próxima pauta”.

Butuca Ligada
Raphael Perret trata da diferença entre blogs e veículos tradicionais do jornalismo, contando de onde vieram e de que forma estão se encontrando. “A pergunta atual não é como os jornais podem sobreviver diante do avanço dos blogs, mas como ambos poderão coexistir. Não vejo antagonismo entre as duas abordagens, mas sim intercâmbio e complementaridade”.

Libellus
Ana Brambilla dá quatro importantes dicas para a sobrevivência do jornalismo. Levar a informação até onde está o leitor é o mínimo que qualquer veículo precisa fazer. (Faço aqui uma comentário, lembrando aquele mantra: levar a notícia onde ele estiver, na hora em que quiser, na plataforma em que preferir). Domínio do texto, produção multimídia e a tão temida integração das redações também estão lá.

ius communicatio
Gabriela Zago discute o que é mais importante em termos de jornalismo online: ser o primeiro a falar sobre um assunto, ou tratar o assunto de forma diferente dos demais? Ela faz uma boa análise sobre o que poderia ser feito na rede e o que de fato se realiza nas coberturas em geral. Ela faz uma análise da cobertura da morte do ator australiano Heath Ledger, ocorrida ontem (22), e oferece uma grande coleção de links para sites brasileiros e internacionais que noticiaram o assunto de diferentes modos. Muitos optaram pelo mais simples, enquanto outros se preocuparam em utilizar recursos multimídia, apuração detalhada e infografias. Um breve exemplo do que poderia ser feito por aqui, se houvesse disposição.

Gêneros Jornalísticos
Lia Seixas faz uma ótima análise do caso Rue89. Quatro jornalistas franceses saídos do Libéracion e outros cinco colegas juntaram 20 mil euros para lançar o site Rue89 – “que ainda não fez um ano, mas já tem 1 milhão de visitantes únicos por mês”. Talvez pelo modo inovador como trabalha a informação, não separando cada formato em um bloco (leia o texto, veja o vídeo, ouça o áudio, como fazem os jornalões), mas publicando tudo junto, conforme a história “pede”.

Jornalismo & Internet
Marcos Palacios dá uma grande contribuição à Ciranda: reuniu num post a discussão feita por Mindy McAdams e Erik Ulken sobre a qualificação de um jornalista profissional. Ambos apontam para um profissional multimídia. Palacios diz que as universidades ainda pensam e agem com base em “modelos ‘feudais’, com o jornalismo ainda concebido fundamentalmente em termos de ‘suportes’ (jornalismo impresso, radiofônico, televisivo, empresarial, etc) solenemente ignorando os fenômenos de convergência, que saltam à vista”. A partir daí, conta o que está sendo feito para mudar isso e aponta alguns caminhos.

Jornalismo & Web 2.0 – Singular-idade
Emersom Satomi comenta que o design do New York Times pode estar virando padrão para sites de notícias. E faz um belo recolhido do que houve com o jornal nos últimos meses, apontando para um futuro hipotético… O Google compraria o NYT?!

NovasM, NMídias
Carlos d’Andréa, de Belo Horizonte, fala sobre Hiperlocalismo – e aproveita para criar, porque não existia, o artigo na wikipedia. Eu mesmo tinha dedicado pouca atenção ao tema, como ele mesmo diz, muito pouco discutido ou aplicado. E é especialmente interessante a análise que ele faz considerando o prefixo “hiper” como sinônimo de “expandido”. Aplicado ao jornalismo local, seria então “um localismo expandido, isto é, que não está preso aos limites da localidade. A discussão pública de interesse local poderia assim ultrapassar os limites geográficos, com um ex-morador de uma cidade, por exemplo, mostrando-se mais ativo nas discussões locais que um atual morador. Esta efetiva apropriação das discussões locais mediadas não eram possíveis na transmissão broadcast de rádio e TV.”

O Jornalismo Morreu
Jorge Rocha, aos 47 do segundo tempo, manda o post dele para a Ciranda. Critica o pensamento Pequenos Blogs, Grandes Negócios, e defende a formação de redes que esses novos meios facilitam. E cita o ótimo caso do Urgente!, convocando leitores e blogueiros do Norte Fluminense a participar do Dia do Abandono. Ótimo exemplo pra nós todos.

A vida como a vida quer
Samantha Shiraishi fala sobre fazer jornalismo online sem culpa ou preconceito – “uma metamorfose constante, um desafio diário. Tudo muda todo dia, a atualização que se exige é imensa e somos levados por uma cyberchase sem fim, com widgets, redes sociais, tags e novos modelos surgindo diariamente.”

Impressões://
Liliana Ribeiro diz que ainda há muito recurso a ser explorado pelo jornalismo digital. E que o bom, entre outras coisas, é que sendo uma experimentação de baixo custo, permite que comunicadores comuns encontrem quem lhes deseje apreciar.

Postado em Jan 22, 2008

CIRANDA DE TEXTOS SOBRE JORNALISMO ONLINE

Começa amanhã a versão brasileira do Carnival of Journalism. Vários blogs irão publicar textos sobre jornalismo online e, a cada mês, um deles fará uma espécie de guia de leitura: um resumo de cada texto e um link para o endereço onde ele se encontra. É o modelo dos Blogs Carnivals, que por aqui estou chamando de Ciranda de textos.

Amanhã, na primeira rodada da Ciranda, esse guia de leitura será hospedado aqui.

Até agora, são esses os blogueiros que devem participar (alguns ainda não informaram o endereço do blog):

André Deak – www.andredeak.com.br
Libellus – http://www.anabrambilla.com/blog – Ana Maria Brambilla
O Jornalismo Morreu – http://www.verbeat.org/blogs/exu – Jorge Rocha aka JR
Pedro Penido – www.meiodigital.wordpress.com
Bruno Rodrigues – http://bruno-rodrigues.blog.uol.com.br
ius communicatio – http://www.verbeat.org/blogs/gabrielazago – Gabriela Zago
Anderson Costa – www.andersoncosta.org/blog | www.velocidade.org
Carlos d’Andréa – novasm.blogspot.com
F5 em vc – www.raquelcamargo.blogspot.com – Raquel Camargo
Flavia Garcia – http://ideiasdetodos.blogspot.com/
Lia Seixas http://generos-jornalisticos.blogspot.com
Ceila Santos – http://ceilasantos.blogspot.com
Alexandre Carvalho – http://linguadetrapo.blogspot.com
Raphael Perret – http://butuca.blogspot.com

PS: Continua aberto a participações.

[UPDATE] essa era a lista dos participantes previstos. Para ver quais blogs realmente escreveram na primeira rodada, clique aqui.

Postado em Jan 19, 2008

ENTRE A FOTO E O VÍDEO: MULTIMÍDIA

Vinte dias. Vinte mil fotos. Uma só mensagem. O fotógrafo Lucas Oleniuk, do jornal Toronto Star, fala sobre aquecimento global num vídeo criado inteiramente com fotografias.

Impressionante (é bem pesado o arquivo, mas vale a pena esperar)

UPDATE: Só agora fui perceber que o arquivo tem 63.8Mb! É quase um insulto. Talvez funcione para os EUA, mas é maluquice querer atingir um público amplo hoje em dia com vídeos pesados assim. Podiam ter, pelo menos, feito numa tela menor. Está em 960×540, maior até do que os 720×540 da televisão normal. Um acinte.

Via MultimediaShooter

Postado em Jan 17, 2008

MULTIMIDIA DO LAS VEGAS SUN

Zach Wise, que deu entrevista para este blog há uns meses, reformulou a página do Las Vegas Sun. Vale a pena conferir, especialmente a página multimídia.

Postado em Jan 16, 2008

PÓLOS PARA ESTUDO DE CYBERJORNALISMO

O Brasil tem hoje sete pólos para o estudo dos cibermeios e do jornalismo digital, segundo o professor Marcos Palacios*. São eles:

ECA, da Universidade de São Paulo (USP)

Universidade de Brasília (UnB)

Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Universidade Tuiuti do Paraná

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Das 62 teses e dissertações apresentadas no Brasil entre 1998 e 2007, 31 vieram desses centros, segundo Palacios.

*Estou revisando meu bloco de notas de quando estive no encontro em Salvador sobre Cibermeios, em dezembro. Alguns posts – como esse – devem surgir daí.