
Vale prestar atenção no que anda fazendo o Daniel Jelin, editor de especiais do Estadão. Depois de ter feito algumas das poucas experiências brasileiras com newsgames (ele fez o SuperTrunfo do Brasileirão), agora usou o software Many Eyes para apresentar infografias sobre assassinatos no Brasil.
O Many Eyes é um projeto da IBM, que aposta que o que falta não são dados, mas visualização inteligente deles. Assim, fornece ferramentas para qualquer um montar gráficos interessantíssimos. (Uma crítica boa que vale ser feita ao software é que nada é livre, nem os gráficos são exportáveis, nem nada; tudo fica preso lá dentro. Mas é claro: é um projeto da IBM.)
Jelin uma vez me disse que poucos comentam isso, mas para ser jornalista multimídia, especialmente em trabalhos como esse, o chamado jornalismo de banco de dados, o sujeito tem que ser “pé-de-boi”. Ou seja: trabalhar bastante, preenchendo tabelas repetitivas, checando três vezes tudo de novo depois. Tem gente que não agüenta (“mas eu queria sair na rua e conhecer o mundo”. “senta aí moleque e termina essa tabela”).
Esse é um desses casos. O resultado é sensacional. Mas precisa de um pé-de-boi pra preencher os dados e gerar as planilhas…
Abaixo, o Daniel Jelin conta um pouco como fez a coisa:
o datasus é a base de um certo mapa da violência no brasil, que a gente representou lá mesmo no blog, com dados até 2006 (http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/2009/11/10/a-geografia-da-violencia/). um dia eu soube pelo jose roberto de toledo que a base havia sido atualizada com os dados de 2007. o próprio toledo me chamou a atenção para alguns pontos interessantes, como o fato de o rio de janeiro ter passado são paulo em número de homicídios. bom, fui ao datasus, comecei a gerar planilhas e mais planilhas e procurei o bruno paes manso. o bruno cobre e estuda violência tem 10 anos. é dele a ideia do blog, e foi ele que me convidou pra participar. a gente deu uma olhada na montanha de dados e nos decidimos pelas séries históricas. como a coisa tem evoluído nas grandes cidades? pensamos a princípio em trabalhar só com capitais ou só com as dez cidades mais violentas. é um recorte que a gente faria, tipicamente, se tivéssemos que produzir nós mesmos os gráficos, no flash, no illustrator, ou coisa parecida (dá uma trabalho danado mexer com montanhas de dados). mas não temos que inventar a roda, né? não, não temos. o manyeyes – é o que eu acho mais maravilhoso – permite que o jornalista faça um recorte, e o leitor, tantos quantos mais quiser. e tem ainda uma otura coisa, super sutil e interessante, que é preservar separadamente o conjunto de dados (‘datasets’) e suas representações gráficas (‘visualizations’). você sobe a base e pode testar à vontade, até chegar na ‘visualization’ que mais lhe agradar. e ainda funciona como rede social! quer dizer… quer mais o quê? eu quero mais é que eles continuem investindo na ferramenta e – isso é importante – que lancem logo uma versão em português.



