Desde o início no jornalismo, trabalhei com maior ênfase no texto, reportagem escrita. Conheço algumas das ferramentas para aproximar um texto da objetividade – assim como, também, reconhecer quando se usam pequenos artifícios justamente para parecer objetivo para, no fundo, engambelar o leitor ou pelo menos dar aquela forçadinha para o lado que o autor (ou o editor) pende. Tem muito disso.
Recentemente entrei na era da infografia digital, multimídia. Nesse terreno, que muito herda da fotografia, ainda trabalho no campo do subjetivo, muitas vezes. No entanto, não trabalhamos com jornalismo subjetivo por aqui – ou não deveríamos. Sem querer, às vezes, ainda acontece.
Exemplo: a infografia sobre o PAC (Programa de Aceleração de Crescimento), ficou visualmente bonita. Entretanto, trata-se de um gráfico pizza simples, mas, em vez de um círculo, há uma moeda de um real, divida. Na verdade, à primeira vista, parece uma moeda de um real quebrada em várias partes. Ou seja: o Real, quebrado. Sem querer, a infografia traz uma mensagem negativa embutida, totalmente subjetiva. O gráfico pizza clássico é mais objetivo, mas muito menos “saboroso” de ler. Assim como um texto em pirâmide invertida é muito mais chato que o jornalismo literário. Mas é muito mais objetivo. Ou não?

Quero escrever depois mais demoradamente sobre isso, mas por hora valem esses comentários e lembretes.