Postado em Aug 21, 2007

ENTREVISTA: EDUARDO TESSLER

Eduardo Tessler é representante no Brasil da Innovation Media Consulting. A empresa norte-americana trabalha com consultorias em redações jornalísticas, e Tessler, especialmente, participou de alguns projetos de redações integradas (na Grécia, por exemplo). Abaixo, uma breve entrevista sobre o jornalismo multimídia integrado.

Qual redação está realizando a integração de mídias no Brasil?
Tessler:
No Brasil, praticamente ninguém. O Globo tem alguma interação entre jornal e online. O Estadão mudou o site recentemente, mas as redações continuam separadas. As empresas que poderiam ser inovadoras, como a RBS, são extremamente conservadoras. A RBS anunciou que irá criar outra redação para um outro produto [em vez de integrar as existentes].

Eles montam um site para ver o que acontece. Fazem um pacote de anúncios, do tipo: ganhe publicidade no site se comprar na TV… Não é assim que vão chegar nos patamares americanos. O Washington Post já tem mais de 20% da receita vindo do site. Do New Yorkt Times, mais de 30% da receita vem do site (mas eles tem muitos subprodutos, busca em arquivo, etc.)

Qual o grande erro desses caras? Enxergar multimidia como muitas mídias. Só que é complementar. Por exemplo: Começa a nota no site, dizendo que a informação termina no áudio. Dar a mesma notícia em vídeo e texto não tem o menor valor. Alguns jornais americanos fazem algo brilhante. Um deles, o Roanoke Times fez matérias de capa, não factuais, com complemento de vídeo no site. E tem slide show com as grandes imagens.

Há diferenças de linguagens na produção?
Tessler: A linguagem da internet não é vídeo de TV, é vídeo web, o que tem algumas diferenças. Há uma experiência ótima do Washington Post, filmes com fundo branco, em 2 minutos. Isso tudo prova que o jornalismo está vivo.

E a produção do repórter?
Tessler: Temos que matar a idéia do jornalista que sai com câmera, faz tudo. Não é cobrir a coletiva do Lula com mil aparelhos e fazer tudo igual como se fossem três repórteres (TV, rádio e texto). Não vamos também mandar um repórter de rádio para fazer vídeo. Tem que apostar na complementaridade, aí sim.

E fora do Brasil?
Tessler: The Daily Telegraph é careta e conservador, o jornal mais à direita da Inglaterra, e fez uma superredação. No NYT, os correspondentes já fazem correspondencia multimídia (o correspondente de Paris, por exemplo, faz muito isso. O enviado ao Iraque também fez). The Wall Street Journal acaba de unificar as redações, na linha do web-first.

Como foi a integração do Daily Telegraph?
Tessler: A maior estratégia é o maestro multimídia. É fundamental uma mini-estrutura, cujo maestro tenha na cabeça o que é essa complementaridade. Alguém com conhecimento básico de todas as mídias. E uma pessoa respaldada. A direção tem que acreditar. E tem que ser respeitado pelos colegas das redações. Esse comanda um grupo de duas, três pessoas, ligadas a uns cinco jovens. E eles contaminam as redações.

É preciso de um grupo de pauta, que se reune na véspera, para discutir a cobertura multimidia cinco estrelas – não é toda matéria que será multimídia. Não adianta querer que tudo vire multimídia, não dá. E tudo é auto-referenciado: a TV anuncia as fotos no site, o site anuncia as imagens da TV, etc.

Para encerrar, questão polêmica: jornalista multimídia tem que ter salário multimídia?
Tessler: Acho que não, o jornalista que não é multimídia está fora do mercado. O leitor é multimídia. Como eu quero ser monomídia? O melhor jornalista ganha mais, isso sim. Bônus sim, pelo compromentimento coletivo com a produção.

Tem um exemplo interessante sobre isso. Trabalhei no primeiro jornal computadorizado do Brasil, o Diário Catarinense, e lá existia essa mesma discussão: para usar o computador tenho que ganhar mais. O sindicato dizia que o cara era jornalista, e não analista de sistemas. Se fosse para aprender a usar o computador, teria que ganhar mais. Mas esse debate passa.

Postado em Aug 8, 2007

LONGE DA CASINHA DE BONECA

Julliana de Melo é vencedora do prêmio internet da Fundación para un Nuevo Periodismo Iberoamericano . Ela conta como é o trabalho dos especiais no JC OnLine, e como fizeram, especificamente, o multimídia LONGE DA CASINHA DE BONECA


Quantos são vocês no JC OnLine?
Um editor chefe, 2 editores assistentes, 4 repórteres, 3 estagiários, 2 web designers e 2 para o blog (Jamildo Melo, o blogueiro do site, e o assistente dele, Sílvio Burle). Os editores cuidam da home page, repassam pautas, mas também fazem matérias…. E editam, claro.

Como surgem os especiais?
As últimas notícias são o carro chefe. Os especiais também, mas não dá para tirar uma pessoa por um mês para isso, a equipe é pequena. Os especiais levam um ou dois meses (o casinha levou dois meses).

Então, uma vez por ano, fazemos uma reunião de conteúdo e design. E selecionamos alguns temas para fazer especiais. Aí, durante uma semana, alguem fica fora da pauta para fazer a reportagem, e fica ainda outra semana fora para bater o texto.

Como foi no caso do especial premiado?
Eu produzi e escrevi. Outra pessoa editou o português, passou o pente fino. A gente trabalha muito próximo ao web designer, pensamos juntos a navegação, como vamos apresentar o conteúdo. Depois de alguns anos, temos uma sintonia boa. Quem fica na produção monta o esqueleto do especial. As seções, como vai ser trabalhado.

Mas cada um interfere no outro (jornalista e designer). Passei para ele que iam ser cinco seções, ainda não tinha nome o especial. Eu pensei que cada seção fosse o ambiente da casa, o que acabou acontecendo. Ou seja, eu interferi no design.

O oposto também aconteceu. Eu estava fazendo a matéria sobre o desgaste físico, o designer sugeriu uma entrevista com um fisiologista, para dizer quanto gasta de calorias…. Achei bom, acabou entrando. Mas cada um é soberano na sua área. Se ele achar ruim minha sugestão, ele decide; e eu a mesma coisa.

Teve mais alguém que participou?
Algumas colaborações na parte final, na edição de vídeo. Eu não dominava, então tive ajuda. Montei o roteiro do vídeo, mas não sabia operacionalizar. Usava o Windows Movie Maker. Agora ganhamos o Adobe Premiere, acho até que o prêmio ajudou.

Todo mundo é treinado para tudo? Fazem vídeo, áudio, texto?
Aprendemos por conta própria. O Adobe, por exemplo. Chegou o software, o outro editor assistente está estudando por conta própria. Daí ele vai repassar os conhecimentos. No final, a idéia é que todo mundo saiba.

Como fizeram os vídeos?
Na época, fazíamos com câmera de turista. Essas fotográficas que também filmam. Agora temos câmera profissional. No caso do flagrante, pedimos emprestada a câmera da TV Jornal para filmar à distância, não tinha como fazer com câmera doméstica.

Os especiais tem bom índice de acesso?
Primeiro em acesso vem esportes, depois violência (a editoria local), e especiais. Os blogs também estão com bom acesso.

Vocês não usam muito flash. Por quê?
O uso excessivo de flash é condenado, nem todo mundo tem acesso, pode ficar pesado. Então a gente usa, mas não exagera. Na ata do prêmio eles falam do uso excessivo de tecnologias. Nossos especiais são a maioria em HTML.

Abaixo, trecho da ata de premiação da FNPI que cita as razões que deram o prêmio a Julliana.

Este trabajo se destaca por el excelente planteamiento del tema. Además de ofrecer una buena descripción del fenómeno, se sumerge en las distintas esferas de un problema -el trabajo doméstico infantil- para abordarlo desde lo social, lo económico, y lo psicológico. Ofrece enlaces útiles a documentos legislativos, estadísticas, piezas de denuncias que destacan el valor periodístico y la profundidad del tema.

Finalmente, después de revisar los 15 trabajos periodísticos, el jurado resalta lo siguiente:

  1. La mayoría de las piezas no cuenta con enlaces externos que permitan revisar información relacionada con el tema o con las fuentes.
  2. Se sugiere utilizar los recursos digitales más sofisticados solo cuando dan aportes narrativos y concretos al trabajo.
  3. Los trabajos deben publicarse de manera que, independientemente de las distintas plataformas tecnológicas, sean navegables para todos los usuarios.
  4. Los trabajos deben tener etiquetas especiales para ser ubicados desde buscadores automáticos como Google y Yahoo.
  5. Muchas de las historias presentadas se quedaron en la reconstrucción de hechos del pasado, remitiéndose a documentos históricos y de archivo, y olvidaron la actualidad.Hacen un llamado para que se presenten al Premio historias actuales y seguimientos noticiosos que requieran un gran trabajo de reportería.

Postado em May 27, 2007

ENTREVISTA: ALBERTO CAIRO

O especialista do El Mundo em infografia dá entrevista sobre livro que deverá sair em 2008, para a Online Journalism Review

Alguns trechos:

“Infographics have been crucial throughout the history of journalism to explain things that could not have been told otherwise. It is obvious that there is not better way to display large sets of data than with a good statistical chart, or to provide geographical context to a story than with a map. In my book I explain that, on an abstract level, an information graphic is an aid to thinking and understanding. This is not a new idea, of course. A good infographic makes patterns arise, discovers trends, condenses enormous amounts of information in a very small space.”

Q: What are the most common mistakes multimedia journalists make when creating animated infographics? How can they avoid them?

A: The first and gravest mistake that individuals make believing that infographics are a branch of graphic design or that they have anything to do with illustration.

Infographics, like any other form of journalism storytelling rely on solid, accurate content. It is great if you can create cool 3-D animations and great interactive scenes, but if your content is weak, the presentation will be weak. There are not good infographics without good reporting.

As a second mistake is the fact that many people think that online infographics can be created just by “translating” print pieces to the Web. Unfortunately, this is what is happening in many newsrooms worldwide. That’s the wrong approach because what you usually end with is with a still picture with a bunch of roll-over buttons. In order to create a great multimedia infographics piece, you have to think about it from the very beginning, on the planning process, rather than consider it a subsidiary element that depends on the content generated by the print side. Print and online use different languages that share the same root grammar. They are dialects.