Posted on Jan 15, 2009

ENTREVISTA: ANDRE DAHMER

André Dahmer (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1974) é um desenhista brasileiro. Autor das tirinhas dos Malvados, que normalmente não seguem uma linha cronológica, e têm como personagens dois seres indefinidos, que são costumeiramente comparados aos girassóis, tirando daí o apelido que têm, “As flores do mal”.

As tirinhas são uma crítica feroz aos costumes e prisões do dia-a-dia, sem pudores ou censura. Devido ao comportamento dos dois personagens, ficaram conhecidos como Malvadinho (o que mais sofre) e Malvadão (o dono de críticas muito ácidas). Seu sucesso já rendeu espaço no Jornal do Brasil e três livros.

Essa é apresentação que está na Wikipedia. Acrescentaria algo? Foi você que colocou lá?
Claro que não. Mesmo assim, faltaria dizer que publico em outros lugares (G1, Folha de São Paulo, Caros Amigos…) e que deixei de publicar no Jornal do Brasil, por exemplo. Mas não acho que eu mereça virar verbete, né?

Por que acha que seu trabalho vem se tornando mais conhecido?
Talvez porque os quadrinhos venham ganhando força novamente. São ciclos, de tempos em tempos os quadrinhos perdem e ganham público, perdem e ganham interesse dos jovens, da mídia.

Você já poderia ser sustentado apenas pelos Malvados? Dá para ganhar a vida fazendo apenas o que gosta?
Se a questão sempre passa simplesmente por ganhar e acumular dinheiro, basta alugar um apartamentinho e agenciar meninas para a prostituição. Ganhar dinheiro é mole, o problema é COMO ganhar dinheiro. Eu vivo bem com o que ganho em quadrinhos, não tenho do que reclamar. Por outro lado, tenho poucos gastos e poucos bens. São escolhas, acho. Formas de viver e usar o dinheiro. Não devemos viver PELO dinheiro. Nós devemos controlar o dinheiro, e não o contrário.

Você disse que é um cara pacato, e que se isso começar a mudar, largaria tudo para ter paz. Como é uma vida simples?
Eu não tenho exatamente uma vida pacata e simples, mas estou lutando para ter uma. Trabalhar menos, ter mais tempo livre, estar longe dos centros urbanos e de toda a paranóia que eles trazem. São projetos que podem demorar, mas vão sair do papel um dia.

Quais são as suas contradições?
Gostar das pessoas e de certos confortos das cidades, mas não saber viver em paz nelas.

Seus personagens são recheados de humor negro e críticas ácidas à sociedade. Você coloca freios em alguns quadrinhos em tempos do politicamente correto? Como sabe se as tiras estão “acima do tom”?
Não trabalho com freios, ao contrário. É que é preciso uma grande liberdade de raciocínio para fazer humor, sabe? Não há como pensar “ah, isso vai pegar mal” e fazer humor de qualidade ao mesmo tempo. Não é assim que funciona…

Alguém já disse que a piada fácil é feita sobre um desses eixos (ou todos juntos): preconceitos e estereótipos, escatologia e humilhação. Seus quadrinhos fogem disso mostrando o que há de pior na sociedade, mas sem entrar neste humor fácil. Às vezes, no fio dessa navalha. Que acha disso?
Eu tenho poucos anos de quadrinhos de humor, comecei há uns seis, sete anos. Não sou muito de explicar a mecânica do meu trabalho, do meu humor. Não sei explicar. Tenho pouco método de trabalho e minha cabeça é um caos. Não poderia dizer, com sinceridade, como eu faço e organizo meu trabalho. Trabalho sem regras, sem locais fixos, sem horário fixo, essas coisas…

João Kléber, que foi tirado do ar e depois demitido por uma ação na Justiça que alegava que seu humor era um atentado contra os direitos humanos, disparou: “Mas então não vai dar mais pra fazer piada de nada”. Você concorda? Por onde caminhar?
Não gosto do tipo de humor dele, mas acho que ele tem todo direito de fazê-lo.

Pela rede você disse que vende centenas de livros e camisetas por mês. Que ganha 64% do que vende, quando por um atravessador (a editora e a distribuidora) ganharia 4%. A rede é um caminho para ser livre?
Ser livre independe da questão financeira. Hoje até soa como heresia dizer uma coisa dessas, mas tenho certeza que as pessoas dão um valor maior ao dinheiro do que ele merece e vale. Essa relação que fazem entre liberdade e dinheiro é um erro muito grande, mas é um pensamento constante no tempo em que vivemos. Conheci muita gente abastada, são pessoas que quase sempre carecem muito de liberdade, de ar. Eu tinha infinitamente menos dinheiro que elas e no entanto, sentia-me infinitamente mais livre.

Existe uma blogosfera? Uma umbigosfera? Como você avalia os rumos da cultura digital para o artista?
Ando preocupado com bombas, não com blogs.

Pra terminar, a polêmica do Campus Party. Você escreveu um post, “Por trás da maquiagem“, onde critica o patrocínio da Telefônica, empresa recordista em reclamações no Procon. Na Folha Online disse que recusou um convite para participar da Campus Party 2009 e tampouco quis ir à primeira edição. “Esses eventos estão se tornando o paraíso de agências de marketing virais e de blogueiros sem qualquer conteúdo, gente que quer apenas fazer (pouco) dinheiro copiando e colando informações em seus blogs. Acho um meio de vida pobre, triste e poluidor”.

Você acha que nada de bom – idéias, projetos, pessoas – pode surgir num ambiente desses? Por quê?
Podem até surgir pessoas que enxergam mais longe, de maneira mais ampla, é verdade. Mas em linhas gerais, esses eventos só visam o marketing, o lucro e o acúmulo de capitais, sempre disfarçados por uma pretensa modernidade e juventude que eles nunca terão, pela natureza do que fazem e desejam.

Outras entrevistas com Dahmer:
Quadrinho Digital
Bigorna
Errata

Posted on Jan 14, 2009

GAZA-SDEROT: A VIDA APESAR DE TUDO

Este é a melhor reportagem multimídia sobre Gaza que vi até agora. Encontrei pela indicação da leitora Paula Góes, e é de fato muito bem feito. Abaixo, traduzi parte da apresentação dele:

Os palestinos de Gaza vivem com um temor latente: serem vítimas do “dano colateral” provocado por bombardeios e pelas incursões do exército israelense. Mas eles não são os únicos. A poucos quilômetros, os residentes de Sderot, em Israel, não sabem quando e onde cairá o próximo míssil do Movimento de Resistência Islâmico Hamas. (…)

Em meio à tragédia e violência, um projeto audiovisual da telivisão franco-alemã ARTE apresenta a história tal qual acontece em uma região onde a fronteira, mais do que física, é política e religiosa. Gaza-Sderot Life in Spite of Everything documenta em vídeo a sobrevivência de seis pessoas em Gaza e outras seis em Sderot.

Do dia 26 de outurbo a 23 de dezembro do ano passado – três dias antes da ofensiva de Israel – foram gravados 80 capítulos de vivênias. As cápsulas de 2 minutos de duração mostram realidades que, ainda que tenham diferenças fundamentais, coincidem pelo clamor de uma paz duradoura.

O trabalho é do Indigo Media Team, que ainda vai valer um post. Vou investigar melhor, mas me parece que são um tipo de MediaStorm mexicano. Será?

Posted on Aug 21, 2008

HACKERS NO MINISTÉRIO DA CULTURA – ENTREVISTA: JOSÉ MURILO JUNIOR

Não, não se trata de uma invasão da página do ministério – até porque, quando o caso é vandalismo, o nome não é hacker.

A palavra hacker, em sua tradução literal significa cortador. Esta tradução pode adquirir sentido se pensarmos em algo como cortar ou derrubar barreiras. Porém, o uso e entendimento mais comum (e, portanto, leigo) desta palavra traduzem uma associação entre hacker e pirata digital, vândalo, invasor e etc. De acordo com Pedro Rezende, professor de informática da Universidade de Brasília, hackear é esmiuçar, o que não pressupõe condição para piratear, vandalizar ou vender serviços criminosos.

Para tal conduta existem termos estritamente apropriados, como lamer ou cracker. Ainda de acordo com Rezende, hackers não podem ser considerados coletivamente como criminosos, já que muitos deles trabalham em colaboração com desenvolvedores de software, em uma ação que visa eliminar possíveis falhas de segurança nestas ferramentas. Os hackers são considerados também os principais responsáveis pelo desenvolvimento da internet e dos softwares livres (o Linux é uma criação hacker!).

Os hackers a quem me refiro trabalham no Ministério da Cultura. São os que desenvolveram um template de WordPress que transforma blog em portal – usado no site do MinC, inclusive. Chama-se Xemelê (porque é baseado em XML). Mas fizeram também o ChatCast, um chat que pode ser usado em conjunto com transmissão de vídeo ao vivo. E o Estúdio Livre, referência para programas livres de edição de áudio e vídeo.

Quem está no meio disso tudo é José Murilo, do blog Ecologia Digital. Ele acaba de publicar uma análise sobre Gilberto Gil como ministro – uma das melhores que já li – para o site OpenDemocracy, e a publicou na íntegra em seu Eco-Rama, outro blog que mantém (em inglês).

Me respondeu hoje umas perguntas por email, abaixo:

Vocês foram escolhidos como os 10 Mais pela revista WebDesign. Como foi isso, o que representa?
Nós aqui da GIE (Gerência de Informações Estratégicas DGE-SE / MinC) ficamos envaidecidos com este destaque entre as principais ‘agências web’ do país. Principalmente pelo fato de não sermos uma agência web… rsrs. A questão é: porque fomos escolhidos?

Gosto de mencionar sempre os princípios que fundamentam a nossa estratégia de implementação:

(1) a apropriação da tecnologia de publicação (open source) pela instituição, evitando que a comunicação institucional na web torne-se dependente (refém) de contratos de terceirização para sua implementação e constante evolução;
(2) simplificação do processo de publicação, visando ampla descentralização e autonomia no processo editorial web;
e (3) fomento ao uso da rede como ferramenta de comunicação interativa direta com usuários (através de comentários, formulários de feedback, blogs, chats, etc.), facilitando a emergência da cultura ‘read-write’ típica da web 2.0 nas instituições.

Por outro lado, o serviço público nos coloca em posição ideal para exercitar os conceitos ‘open source’ em escala total, o que deve surgir como o diferencial em relação às outras ‘agências web’. O lançamento da comunidade Xemelê no Portal do Software Público representa um maior engajamento do MinC no esforço conjunto do governo em impulsionar o mercado de software livre no país. Vejo este movimento também como uma contribuição da reflexão sobre Cultura Digital da gestão Gilberto Gil no sentido de sensibilizar as instituições públicas para o potencial da comunicação interativa na web, e sobre a oportunidade de inovação (revolução?) no relacionamento entre os serviços públicos e seus usuários — os cidadãos.

Acredito que o resultado deste mix de ‘conceitos web 2.0 + implementação open source’ realizado com alguma competência aparecendo dentro do governo é o que tem chamado a atenção da mídia espcializada.

Em algumas comunidades específicas o MinC obteve reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, mas a mídia em geral tratou apenas do ministro-artista, num movimento mais de cobertura da personalidade do que do homem político. A que se deve isso?
Na minha visão, o bloqueio do ‘mainstream media’ em relação ao MinC teve origem no episódio da Ancinav, como ilustrei no artigo.

A Cultura Hacker trazida por Gil está impregnada no MinC ou vai embora com ele?
Temos uma grande batalha pela frente, que é a institucionalização desta contribuição realizada pelo Gil ao Ministério da Cultura. De onde enxergo o Xemelê é um ação neste sentido, assim como o próximo edital para jogos eletrônicos, os projetos de digitalização de acervos em curso…

O objetivo maior é a institucionalização de um setor para a Cultura Digital no âmbito da Secretaria de Políticas Culturais, que após muito debate parece que finalmente vai acontecer (o MPOG não ia aceitar um setor de ‘Cultura Hacker’!) O plano é a realização de um grande debate nacional sobre a Cultura Digital, algo que chamamos agora de Fórum Brasil Digital. Como estamos em plena transição, fase de naturais rearranjos internos, espero poder falar sobre o tema de forma mais concreta em breve.

Qual deve ser o principal desafio da gestão Juca Ferreira?
Realizar concretamente as expectativas criadas pelo discurso hacker do ministro. Em uma palavra: implementação. Vamos lá!

Posted on Jul 15, 2008

ENTREVISTA: DANIEL FLORÊNCIO

Daniel Florêncio é mineiro, mora em Londres, filmmaker, documentarista, promo videomaker, music videomaker, faz animações, shows para TV, filmes para celular, experimentações com novas mídias e, nas horas vagas, denuncia a censura no Brasil.

Nas últimas semanas, foi alvo de críticas do governo mineiro por conta de sua vídeo reportagem Gagged in Brazil (Censurado no Brasil, numa tradução livre), que circulou o mundo primeiro pela Current TV, depois por toda a internet. O vídeo gerou fortes reações do governo de Aécio Neves e vídeos-resposta no YouTube, assinados pela Juventude PSDB-MG. O assunto rendeu ainda réplica do autor, tréplica da superintendência de imprensa de Minas Gerais e deve seguir quente.

Abaixo, a entrevista respondida por e-mail pelo Daniel:

Como você foi parar no mundo de filmes, documentários, vídeos pra celular…? Como virou produtor independente?
Então… Sou formado em Rádio e Televisão pela UFMG. No Brasil sempre trabalhei com TV, filmes publicitários, videoclipes, e quando vim pra Londres pra fazer meu Mestrado em Art and Media Practice, eu ia desenvolver um filme experimental com telefones celulares / webcam. Ia ser uma coisa brincando com os meios que acabou não acontecendo. Acabei desenvolvendo um projeto de um documentário que tinha a ver com o que estava se passando comigo quando mudei pra cá, tinha migrado para o Reino Unido, virei um imigrante, e esse projeto para o Mestrado culminou no “A Brazilian Immigrant”, que rodou os festivais por aqui, foi pra Raindance, etc e tal.. Foi assim que entrei no mundo dos documentários. Virei produtor independente tambem de uma hora pra outra. Estava terminando de editar uma producao pra BBC, o desenho “The Secret Show” e me ligaram da Current TV em Sao Francisco perguntando se eu não queria produzir conteúdo pra eles pro lançamento do canal no Reino Unido. Eu ia escolher os temas e os desenvolver em conjunto com um Commissioning Editor do canal. A liberdade que eles me deram era tamanha que acabei experimentando produzir com celular alguns dos pods que fiz para eles. O proprio “Gagged” tem imagens feitas com celular…

Você diz no seu site que continua produzindo para a Current TV. Como é essa relação?
Na verdade o site esta um pouco desatualizado… O último filme que produzi para a Current TV foi o “Young, British, Illegal”, sobre um inglês que mora ilegalmente no Brasil, que produzi na mesma época do “Gagged in Brazil”. Depois me ocupei com outros projetos e acabei nao produzindo mais nada… Mas minha relação com eles é bem bacana. Estou sempre em contato com a equipe de Londres e de São Francisco e fiz bons amigos lá dentro. Alguns ainda trabalham lá e outros estão envolvidos em outros projetos.

Você foi premiado com o Bronze Telly Awards 08 pelo vídeo The Battle for Rio. Conta um pouco disso.
Foi bem bacana e eu nem sabia que eu estava concorrendo. Certo dia chego no trabalho e recebo um email da minha Commissioning Editor da Current TV, a Lina Prestwood, me dando os parabéns pelo prêmio. A equipe da Current havia selecionado algumas peças produzidas pra eles e as inscreveram no prêmio por conta própria. Por sorte, a minha acabou sendo premiada.

Você esteve na FilMobile conference, encontrou muita gente que discute produção audiovisual pelo celular… Como anda esse mercado e quais as perspectivas? O futuro é um celular na mão e uma idéia na cabeça?
Estive envolvido com o FilMobile desde a primeira conferência. Max Schleser, o organizador do evento, era meu colega de mestrado com quem eu sempre conversava sobre o assunto. Ele acabou indo fazer um PHD sobre o assunto enquanto eu produzia meus filmes com câmeras de celular. Estou envolvido com ele e um outro amigo em outro projeto de mídias móveis. Nao sei se o futuro é um celular na mão e uma idéia na cabeca, mas certamente o fato de termos em nossas mãos uma mídia que é ao mesmo tempo produtora e receptora de conteudo está provocando mudanças em como nos relacionamos com o espaço físico e com o que acontece ao noso redor, bem como modificando as relações entre emissor/receptor que vemos na midia tradicional. É uma mídia revolucionária.

Bom, falemos do incômodo que causou ao governo mineiro… Como foi a produção do Gagged in Brazil? Ele foi produzido pensando na Current TV ou foi parar lá depois?
O filme foi produzido PARA a Current TV. Ele era um dos filmes que eu deveria produzir dentro do “pacote” do meu último contrato com eles. Por meses o enfoque e a linha do filme foi discutido com a Lina Prestwood, pois, apesar de o tema mídia ser do interesse do canal, eles pensavam: “porque diabos o público da Current iria querer saber sobre Aecio Neves, o governador de um estado brasileiro?”. Daí tivemos que sair um pouco de exemplos muito pontuais e partir pra um quadro mais geral da coisa. Uma perspectiva mais internacional, a relevância da TV Globo e o fato de que Aecio é cotado para ser candidato a presidente do Brasil em 2010.

Depois da coleta de material, entrevistas, pesquisa, etc, o filme ainda demorou bastante tempo pra ser montado, pois com todo o material que eu tinha foi dificil estruturar tudo dentro dos 7 minutos que o canal tinha me disponibilizado. O filme ia e voltava da Current, com sugestões da Lina e modificações do editor. Muito foi deixado de fora, e mesmo assim, o filme acabou ficando com 8 minutos. Depois disso o filme ainda demorou bastante tempo pra passar pelo departamento jurídico, pois dada a sensibilidade do tema, o canal queria ter certeza de que não haviam brechas legais para um processo ou algo do tipo.

Teu post “Mercenário” é uma boa resposta ou quer acrescentar algo?
Uma resposta oficial aos vídeos deles foi publicada no Observatório da Imprensa da semana passada, e a minha tréplica à réplica da Superintendencia de Imprensa do Governo de Minas vai sair lá essa semana.

Cinema, TV, celular ou web?
Todos. Mas um de cada vez.

Posted on Jul 7, 2008

ENTREVISTA: DANIELA RAMOS – PARTE 2

Leia a segunda parte da entrevista concedida pela professora Daniela Ramos, pesquisadora de ciberjornalismo:

Todos falam em novos modelos de financiamento. O conteúdo fechado, pago, já é coisa do século passado? Quais modelos interessantes você conhece?

Modelo interessante e que funciona hoje (e que pode não funcionar amanhã) pode o da Prisacom: vender serviços digitais – ringtones, por exemplo. Ninguém paga mais por notícia (estas de última hora), isso é certo. Talvez pague-se por informação exclusiva e especializadada (como na área econômica), mas isso é outra coisa – são informações produzidas com mais tempo, profundidade e exclusividade, para quem pague por isso.

Outra coisa que parece interessante é cobrar micro quantias, como no na Coréia do Sul: R$ 0,05 para que seu avatar seja X e não Y, R$ 0,04 para adicionar uma música exclusiva e assim por diante… Aquele portal famoso que integra todo mundo na Coréia do Sul funciona assim, CyWorld. Este parece um modelo sustentável. Outra coisa também que é na Coréia quase não existe mais indústria fonográfica, as pessoas pagam por música digital. Sim, elas pagam por isso! Não são só as empresas de comunicação que estão crise, convém lembrar, mas todas implicadas na circulação de bens culturais imateriais.

Não é minha especialidade modelos de negócio, mas o que vejo também é que todo mundo pensa que vai ganhar dinheiro tranportando um modelo de negócio de um meio para outro, e isso absolutamente não funciona – jornal em papel ainda vende, jornal na internet não. E não necessariamente a internet vai ser um meio de ganhar dinheiro com jornalismo…

A quantas anda o ensino de jornalismo e novas tecnologias? Primeiro muda a cultura do leitor, depois mudam as redações, e por fim as universidades, ou a ordem das mudanças é outra?

Parece ser esta a ordem, sim, mas ouso dizer que dentro da universidade ainda temos a liberdade de pensar e experimentar online antes das redações, que ainda são muito caretas e limitadas em termos de repensar a relação com a audiência. Mas o fato é que enquanto TV e Rádio nas Universidades tem estúdios e técnicos para o desenvolvimento de trabalho prático, os cursos de Online não têm. Parece que o professor precisa ser desde programador de Action Script e outras linguagens, designer, flasheiro, desenvolvedor, técnido de internet e…jornalista! Ou seja, é impossível ensinar Ciberjornalismo sem ter laboratórios adequados (que poucas Universiades ou Faculdades têm), com wi-fi ou sem internet na sala de aula e em laboratórios equipados todos com data show.

É preciso ter pelo menos um técnico programador/flasheiro para ajudar a desenvolver projetos mais interativos com os alunos, em conjunto com a orientação do professor.

Outra coisa é a produção que deveria envolver Rádio, TV e internet: poucos professores destas áreas se dispõem a tentar desenvolver algum projeto em conjunto. Cito a professora e jornalista Regina Soler, da área de Tele, da Faculdade Cásper Líbero, que tem uma visão pioneira no desenvolvimento de linguagem audiovisual para celular e internet como uma parceira; a professora Egle Spinelli, da Universidade Anhembi Morumbi, que também tenta integrar e fazer esta ponte. Mas na área de Rádio ainda não encontrei nenhum professor disposto a fazer algo em conjunto entre disciplinas, por exemplo. É muito difiícil pensar e ensinar jornalismo na internet como algo separado de todo o resto do curso! E essa é a visão que acaba predominando, infelizmente, entre professores e alunos.

Uma disciplina de online em um curso de 4 anos não dá conta. Ficamos parecendo baratas tontas – toda semana falamos de um assunto que aparentemente é “desconectado” de todo o resto (mas que no fundo têm relação com a rede). Essa é a principal crítica dos alunos da Cásper Líbero: o curso de Novas Tecnologias parece não ter uma “unidade temática”, porque tentamos dar conta de muitas áreas: planejamento e manutenção de sites, métrica, cultura digital, jornalismo participativo, weblogs, aula prática, linguagem multimídia, convergência, produção para celular… Precisamos ter uma disciplina a mais no currículo da área digital para focar mais e definir melhor áreas de interesse. Queremos dar conta de tudo que vemos, ouvimos, acompanhamos, estudamos, só que nós que trabalhamos e pesquisamos a área somos geeks malucos que acham que tudo está interconectado, acreditamos nisso, mas não é essa a visão/experiência que todos têm. Além disso é preciso integrar mais a prática com a teoria, pelo menos onde dou aula, na Cásper Líbero, isso é fundamental.

Qual o perfil do novo jornalista? Quem sai da universidade precisa saber o quê?

Fundamental é o novo jornalista não ter medo do seu público, como atualmemente parece que os jornalistas têm. O público comentou, criou blogs, fez fotos e …. que medo!!! Vamos perder a profissão! Só nós que cursamos Jornalismo podemos fazer fotos, escrever e noticiar?! Isso não é verdade. Precisamos conhecer e tratar o público como aliado e não como inimigo.

É claro que na próxima tragédia por negligência e descaso público no Brasil o passante que estiver com o celular vai fotografar o próximo acidente na construção do metrô, a próxima arquibancada que desaba na cabeça de torcedores, e assim por diante. O público sempre vai chegar antes do jornalista, mas o jornalista precisa ir e apurar – em pronfundidade! Dar repostas, fazer relações entre fatos, pensar.

Quem sai da Universidade precisa saber relacionar fatos, estabelecer conexões, pensar em profundidade. Em abril deste ano assisti a uma palestra do Professor José Luis Orihuela, do blog e-Cuaderno, no III Congreso Internacional de Ciberperiodismo – Madrid. Veja o que ele fala sobre isso, é bem interessante, ele fala em “competências do jornalista na era digital”:

Buscar, selecionar e misturar, otimizar e produzir informações novas, em áudio, vídeo, foto e texto, e de forma integrada;

Desenhar: saber explicar visualmente a organização da informação, bem como a arquitetura de um meio digital para distintas audiências e plataformas;

Expor e argumentar em público sobre suas idéias;

Refinar a informação, e aqui está um diferencial, pois este ponto determinará o valor da informação, e se as pessoas vão pagar por ela ou não;

Representar a informação de forma visual, pois é a forma mais eficaz de comunicação de nossas idéias com outras áreas de conhecimento, como programação e design;

Aprender a cooperar, pois o que acontece hoje é somente uma simulação. “Mande-nos” fotos, SMS… mas como se gestiona eficazmente a colaboração?

Mudar sempre, redefinir e repensar nossa identidade profissional muitas vezes na vida;

Empreender, pois o horizonte do estudante era conseguir um emprego, e agora há muito mais empreendedorismo do que antes; levar a sério a formação empresarial da nossa profissão;

Inovar, e passar sempre do discurso para a ação.

Competências essenciais:

Ler, no sentido amplo. Aprender a decodificar a informação a partir de ligações e links;

Pensar de forma nova os novos paradigmas;

Escrever, no sentido amplo também, em várias plataformas, texto, áudio, vídeo, textos flutuantes, hipertextos, escrita em cooperação;

Comunicar, a base da profissão, de forma eficaz e em diversas plataformas;

Aprender a aprender, de forma autônoma e independente, durante toda a vida. A formação do jornalista será sempre permanente.

Posted on Jul 6, 2008

ENTREVISTA: DANIELA RAMOS – PARTE 1

Daniela Osvald Ramos cursou Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e fez mestrado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, onde também cursa o doutorado. Agora está em Santiago de Compostela. Trabalha com internet desde 1995 e pesquisa linguagens digitais, weblogs e formatos de informação na web para o campo do Webjornalismo.

Comecei a me envolver com internet quando estudava Jornalismo na Universidadade Federal do Rio Grande do Sul. Todos podíamos ter uma conta de email e ir ao CPD da Universidade para acessá-lo, na época que imprimiam emails e deixavam num escaninho do usuário… Neste mesmo ano a Zero Hora tinha colocado no ar o site do ZH Informática. Quem fez isso foi o Caíque Severo, hoje no IG, que também era da Fabico/UFRGS. Então, deu uma luz: com todo mundo falando mal de impresso, rádio e TV, mercado saturado, poucas possibilidades de usar a criatividade, pensei em começar a entender mais de internet e HTML para conseguir um emprego nesta área nova que estava surgindo. E em junho de 1996 entrei na Zero Hora para atualizar o site do ZH Informática, que na época era todo “feito à mão”. HTMLSite, FTP, programação de códigos… Fazíamos só o site do caderno, eu e o Marco Ribeiro, ficavámos em horários diferentes. Em dezembro de 1996 nos chamaram e ampliaram a equipe para colocarmos no ar o jornal inteiro, o projeto ZH Digital. Aí chegou um programador de PERL que montou o software de publicação. A equipe, liderada pelo Luis Fernando Gracioli, definiu os templates do jornal inteiro e construímos os templates de código para o publicador. A partir de janeiro de 1997 o trabalho era colocar o jornal inteiro no publicador, todo dia, e atualizarmos o serviço de últimas notícias ZH Agora. E em julho de 1997 mudei para São Paulo para integrar o então núcleo de internet da Editora Abril, Abril Online, pós-BOL e pós fusão com o UOL, um núcleo que sobreviveu a tudo isso, do qual agora a Fabiana Zanni, que na época era editora, hoje é diretora de Mídia Digital da Editora Abril.

Aqui você lê alguns artigos dela , aqui está ela no Twitter, e abaixo uma entrevista que respondeu por email enquanto está na Espanha:

Jornalismo digital, jornalismo online, jornalismo multimídia, jornalismo em rede… Com qual termo você trabalha, e por quê?
Uso o termo Ciberjornalismo pois abarca todos estes outros termos, é um conceito mais amplo.

Pelas andanças no mundo e conversas que você vem tendo, dá para apontar quais as tendências para o jornalismo? Vídeo online? Participação do leitor? Tudo junto e mais outras coisas?

O video online é sim uma tendência para os sites de jornais. Mais uso e combinação de texto e vídeo, que chama-se de multimídia por justaposição, um conceito do Professor Ramón Salaverría, da Universidade de Navarra. Justapor mídias e não integrá-las é um caminho, mas também produzir multimídia por integração, como o Clarín.com faz e El Mundo e El País nos infográficos “interativos” (uso aspas pois são chamados assim, mas é uma interatividade técnica e não social).Só para citar dois meios, NY Times e vários americanos também fazem infografias animadas com informação de banco de dados.

A única tendência que parece acertada para o jornalismo é: o modo como ele tem sido feito até hoje precisa mudar.

A tendência é a mudança. Sem dúvida é necessário refletir sobre o papel do Jornalismo na sociedade atual. Para que serve? Como se continuar a remunerar jornalistas se as vendas caem tanto? Qual é o modelo de negócio que sustentará essa indústria? As pessoas ainda pagam – e pagarão – por notícias? Por que elas continuarão ou não a comprar hoje notícias impressas de ontem? As pessoas pagam para baixar ringtones para celular, mas não pagam uma assinatura de jornal online. Por que? O que muda então? Qual é o negócio de uma empresa de comunicação? Informação, mas que tipo de informação. Estou respondendo a tua pergunta com mais perguntas, mas vejo poucos jornalistas se perguntando por isso no Brasil.

Um dos pontos é também repensar a relação com a audiência. A audiência está mais presente do que nunca e isso não necessariamente é uma desvantagem, mas na hora em que a empresa de comunicação deixa de ser a única protagonista da comunicação, isso causa uma crise de papéis. É preciso redefinir o papel da empresa de comunicação neste novo cenário, e qual o lugar do jornalismo nela, e da relação que a redação terá com a audiência; obviamente não poderá mais ignorá-la e fingir que, uma vez publicada uma matéria, reportagem, notícia, o processo acaba aí. Pelo contrário: é aí que começa o processo todo. Mas até então, para os jornalistas, publicar era um ponto final no trabalho. Não é mais. Precisam dar conta do desencadeamento da conversa pública que é gerada a partir desta informação que eles mesmos publicaram… Isso não me parece ruim. Por que seria? Temos que repensar uma rotina jornalística, e isso é ótimo!

O jornalismo, e por isso está em crise, de uns tempos para cá virou “piloto automático”. Não se pensa para fazer jornalismo.

As empresas não pensam. Por exemplo, A Folha de S. Paulo acabou de lançar uma nova versão do Guia da Folha – oh! Agora sem as limitações do papel! Ótimo, mas ao que parece a equipe não entendeu que, por ser online, podem incluir, por exemplo, Literatura nas opções de lazer e cultura da cidade. Há vários saraus acontecendo em São Paulo, movimentos novos de poesia e literatura em geral, e uma das maiores empresas de comunicação do país não aproveita um novo projeto online para dar conta de mais este público – sim, público consumidor. E aí o que acontece? Este público vai se informar nos blogs referência sobre o assunto. E aí, por que eu preciso ver esse site se ele não me interessa, supondo que eu sou este público potencial não conteplado? Não vou ver, não vou dar audiência, não me interessa absolutamente.

E aliás, um projeto desses não contempla também – veja bem, não estou defendendo que não deva haver hierarquia e apuração profissional, é por isso que o Guia é uma referência – uma seção participativa (e moderada por jornalistas) na qual poderíamos ter mais acesso às experiência de outros que podem compartilhar informações efetivas. Por quê? Porque não pensa em Jornalismo no século XXI, mas pensam Jornalismo como no século XIX.

Como você define e como você vê a convergência de mídias no jornalismo?

A convergência é um tema complexo. Até agora pesquisas e estudos apontam quatro níveis de convergência:

  • Integrated production – Produção Integrada
  • Multiskilled professionals – Jornalista Polivalente
  • Multiplataform delivery – Entrega multiplataforma / sob demanda
  • Active audience – Audiência ativa

Isto está no artigo “Four dimensions of Journalistic Convergence: A preliminary approach to current media trends at Spain”, disponível online. São conceitos que nós, pesquisadores da área, estamos usando atualmente.

Há a questão das redações integradas (impresso que junta com Tv, rádio, internet – várias combinações), que é um tema e uma área de estudo; a questão da formação e da atuação do jornalista multimídia/polivalente, que é outra área de estudo; a entrega de conteúdos em várias plataformas, celular, internet, TV, impresso – outra conseqüência e demanda de uma produção de conteúdos multimídia; e a questão da audiência ativa, também está dentro desta área de pesquisa da convergência.

Além disso, Salaverría, já citado, já escreveu sobre as “quatro dimentões”: empresarial, tecnológico, profissional e comunicativo”. A referência está aqui.

A convergência entre mídias, que pode gerar novas linguagens digitais aplicáveis ao jornalismo, pode surgir a partir da integração de diferentes mídias em uma redação.

Um outro grande problema dos meios hoje é pensar em “media centric” e não na “audience centric”.

Uma empresa não pode mais pensar em produtos, mas em informação. A Folha não faz só jornal, ela produz informação. Mas pensam como se estivessem fazendo papel e não internet. Precisam pensar mais na audiência, ela que mantém os meios. Senão, bem se vê onde estamos: numa crise das empresas de comunicação que vendem menos em todo mundo. Por que será? Será porque não pensam nos seus consumidores?

Posted on May 15, 2008

ENTREVISTA: MARÍLIA BERGAMO

Durante a Mostra de Design Gráfico de Belo Horizonte, Marília Bergamo apresentou seu projeto de interface interativa hipermídia: uma mesa touchscreen, como aquela da Microsoft, mas que ela está fazendo em casa. A foto acima é dela. Marília é graduada em Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual (UNB, 2003), graduada em Ciência da Computação (PUC- Brasília, 2000), Master In Design / Digital Media (University of Western Sydney, 2004). Mestranda em Artes Visuais (UFMG) com pesquisa em arte computacional interativa. Atualmente, é professora do Centro Universitário UNA e freelancer da Cúmplice Comunicação e Design.

Como foi o processo de decidir construir em casa a mesa interativa?
Bom eu começei a me interessar por design de interação na Austrália durante o mestrado, onde presenciei algumas aulas sobre instalações de arte com uso do computador. Voltei para o Brasil decidida a fazer outro mestrado e construir uma instalação dentro desse conceito, mas que tivesse conexão com  pesquisa em Design. Começei estudando um conceito chamado Physical Computing de Tom Igoe e Dan O’Sullivan sobre como expandir o computador para entender melhor o resto do nosso corpo. Durante o tempo que estava estudando isso, eu recebi um e-mail de um colega comentando uma invenção revolucionária da microsof: Surface. Eu já tinha ouvido falar do mesmo conceito no livro de Tom Igoe e Dan O’Sullivan. Na mesma época tive acesso ao artigo do Jeff Han e descobri que tinham várias pessoas tentando refazer a mesa multi-toque. Percebi que era mais simples do que eu pensava, e achei que seria uma ótima opção para minha instalação.

Há quanto tempo você vem trabalhando nisso?
Um ano exatamente, quando peguei o artigo de Jeff Han foi em Abril de 2007.

E em quanto tempo fez funcionar o primeiro protótipo?
Dois meses, mas sem retroprojeção, usei um artigo da internet. Com retroprojeção levou 6 meses, porque eu conheci o Nuigroup uma comunidade mundial onde várias pessoas estão montando suas próprias mesas e dividindo experiências para aprimorar o processo. Resolvi modificar a tela e aumentar a superfície, antes de testar retroprojeção.

Dá pra contar alguns detalhes do processo? Onde achou equipamento, dificuldades, orçamento…
Bom, o link que eu coloquei na questão anterior dá umas dicas. Mas a verdade é que é bem trabalhoso montar, porque é um processo super artesanal. Logicamente, se você tiver alguém de eletrônica para trabalhar em parceria fica bem mais fácil do que aprender a montar o circuito sozinha. O mais importante são os detalhes. Por exemplo, o Infravermelho deve ficar dentro da tela, portanto se você colocar o led em um angulo específico (+/- 35 graus) mais raios ficam presos e mais sensível fica a tela. Outra solução é usar lixa mecânica na borda do acrílico para que o raio entre no acrílico mais fácil, e usar fita refletora para não permitir que o raio saia do acrílico. Um outro detalhe é a câmera, cameras muito baratinhas são problemáticas porque não capturam em uma velocidade de feedback razoável. O problema é que você tem que modificar a câmera, destruindo o seu filtro contra IR, e perde a garantia. Mas mesmo assim, eu resolvi comprar uma camera melhor e foi o que tornou a tela realmente viável. Todo o material pode ser comprado no Brasil, mas infelizmente nossos fornecedores não recebem materiais de melhor qualidade, então leds, cameras e filtros IR importados podem aprimorar a sensibilidade da tela.

No Brasil e no mundo há muita gente tentando montar essa interface?
No Brasil eu achei essa página na internet. Achei também essa reportagem no Terra. E fora do país tem o grupo NuiGroup, que tem gente do mundo inteiro fazendo.

Você disse na Mostra de Design de Belo Horizonte que uma grande diferença dessa interface é que ela é coletiva, não mais individual. Isso muda muito?Muda porque o processo de criar interfaces comerciais com computadores (não se inclui aqui instalações de arte) até hoje tem se baseado na idéia de uma única pessoa no controle das ações. Se você observar aquele vídeo Demo da Microsoft que mostra a mesa em uso, novamente o demostrador está apresentando uma única pessoa no comando. Não sei se as pessoas já perceberam em termos comerciais a mudança do paradigma. Em instalações esse conceito de coletivo não tem tanto impacto, porque já são obras de interação coletiva. Mas para o desenvolvimento de aplicativos tem um impacto enorme para quem desenvolve interface gráfica. Usabilidade, por exemplo, vai precisar rever uma série de heurísticas.

Como serão as interfaces do futuro?
Eu acredito que cada vez mais essas interfaces tendem a expandir a captação da interação humana de forma coletiva e também individual, não se limitando somente em capturar cliques, ou comandos básicos de som, mas gestos, presença, proximidade e etc.

Posted on Apr 16, 2008

ENTREVISTA: LUIZ IRIA

Luiz Iria é o cara. Ganhou tantos prêmios de infografia pela Abril que não dá pra contar. É ele quem dá o curso sobre o tema para os jornalistas recém-formados que entram na editora – invariavelmente encantando os novatos; muitas vezes também encantando os mais experientes. (Aqui tem um vídeo dele explicando o passo a passo da coisa toda).

Abaixo, uma breve entrevista por e-mail com ele:

Primeiro, como você foi parar na infografia? Como é seu dia a dia hoje?
Comecei na revista Superinteressante em 1995. Naquela época o então diretor de redação Eugênio Bucci estava começando a implantar a infografia na revista e trouxe vários profissionais da Espanha e Estados Unidos para ministrarem palestras e workshops. Foi nesse momento que me apaixonei pela infografia e decidi seguir carreira na área.

Hoje sou Editor do Núcleo de Infografia da Abril e meu trabalho é o de levar o know how que desenvolvi em mais de dez anos para todas as publicações da Abril que tiverem interesse em trabalhar com infográficos.

“Ler muitos quadrinhos, assistir muitos filmes, curso de desenho (mangá pode ser bacana) e ter formação em jornalismo pois a informação é prioridade no mundo da infografia e por fim estar sintonozado com o que está acontecendo no Mundo.”

Como foi o desenvolvimento da infografia na Abril? Flávio Dieguez dizia que no começo tinha que ficar convencendo os jornalistas de que infografia não era um desenhozinho pra reportagem ficar mais bonita. Ou que não bastava colocar uma figurinha na tabela para criar um infográfico. Ainda há preconceito e falta de entendimento do assunto entre os jornalistas?
No começo foi muito difícil convencer os jornalistas a aceitarem a linguagem pois o texto sempre foi visto como o mais importante na área editorial. Na infografia as legendas devem ser curtas e se integrarem as imagens. Para editores com mais de 20 anos de profissão era inconcebível escrever tão pouco pois tinha a sensação de que seu trabalho estava sendo desvalorizado.

Hoje em dia a aceitação da infografia é muito grande no editorial e vários jornalistas aderiram e defendem essa linguagem visual inovadora.

Saiu na rede um texto polêmico, do Javier Errea, “Por que a infografia vai salvar o jornalismo“, que você deve ter visto. Concorda?
Na minha opinião a infografia tem um diferêncial muito importante chamado tempo. Ela consegue condensar informações integrando texto e imagem fazendo com que a leitura seja rápida e dinâmica. Hoje tudo está muito acelerado e as pessoas não tem mais tempo de ficar lendo matérias longas principalmente jornais que a cada ano vem caindo o número de leitores.

Olhando por esse prisma concordo que a infografia terá um papel fundamental no futuro da informação seja qual for a mídia.

Algumas experiências de vídeo estão sendo feitas na Mundo Estranho – é você ali fazendo embaixadinha? – , mas ainda sem explorar muito as novas possibilidades da internet, como a interatividade no vídeo (hipervídeo), georeferenciamento, interatividade multi-linear ou mesmo fotografias panorâmicas. Por que os sites brasileiros não exploram essas possibilidades?
Sim. Sou eu. O grande problema com a internet no Brasil em relação a infográficos animados é o custo. Dá muito trabalho fazer uma animação, custa caro e o retorno financeiro é praticamente zero. Temos um borderô bem pequeno e fazemos milagres para conceber esses infos animados.

The New York Times, El Pais, El Mundo, Washington Post são exemplos de redações que investem em equipes enormes de infografia – a ponto da mais conhecida e trabalhada infografia sobre o acidente da TAM não ser brasileira. Nas redações brasileiras falta dinheiro ou falta visão? Quando e como isso vai mudar?
Esses jornais são de primeiro Mundo e com certeza eles tem algo muito precioso que não temos:dinheiro. Eles investem nos profissionais algo bem difícil no Brasil hoje em dia.

Para mim o que falta no nosso país são profissinais que se dediquem e estudem a infografia como algo vital para suas publicações.

O jornalismo começa a desenvolver interfaces baseadas em videogames – o newsgaming. O que acha disso? É a evolução máxima da infografia online?
Acho difícil afirmar pois a cada dia aparece algo novo que nos surpreende. Acho o newsgaming bem bacana mas de certa forma ele acompanha um padrão fixo. Acredito que futuramente irão aparecer novas fórmulas que vão nos deixar de queixo caído.

Que recomenda para quem quer aprender a trabalhar com infográficos?
Ler muitos quadrinhos, assistir muitos filmes, curso de desenho (mangá pode ser bacana) e ter formação em jornalismo pois a informação é prioridade no mundo da infografia e por fim estar sintonozado com o que está acontecendo no Mundo.

IRIA RECOMENDA: Remind me, de Royksopp, pra ter uma idéia do que dá pra fazer com infografia.

Posted on Apr 3, 2008

ENTREVISTA: MARINA MOTOMURA

Marina é editora-assistente da revista Mundo Estranho, umas das publicações que mais utiliza infografias na editora Abril e que levou prêmios por isso. Ela fala sobre o trabalho da equipe, a cultura da redação e dos jornalistas e, claro, infografia. Indicou dois endereços no Flickr, um onde salvou alguns dos infográficos feitos e/ou editados por ela, outro da editora de arte, com mais imagens.

Como é o seu trabalho na Mundo Estranho? Como foi parar aí e onde estava antes?
Sou editora-assistente da revista: edito textos dos repórteres, mas também escrevo alguns. Nossa rotina é semelhante à de qualquer revista mensal: temos reunião de pauta com os repórteres em uma semana, e, dependendo da complexidade da pauta, reunião de infográfico na semana seguinte. Na terceira semana, recebo os textos, e na quarta semana fechamos. Antes de ser contratada, eu já colaborava como freelancer para várias revistas da Abril, onde comecei através de contatos que eu tinha com amigos que vieram trabalhar aqui. Também já trabalhei na Folha, UOL e iG — mas não com infografia em nenhum deles.

Quantas pessoas trabalham com infografia na Mundo Estranho? Quem faz o quê?
Podemos dizer que todos da Mundo Estranho — os dois editores e o redator- chefe de texto, e as três pessoas da arte (2 designers e 1 editora de arte) — trabalham com infografia. Nas 76 páginas que temos, pelo menos umas 15 são infogradas todos os meses. O “quem faz o quê” não é muito fixo. Na reunião de pauta, participam também os designers. Isso é importante porque nem sempre os repórteres pensam visualmente a pauta. Esse “pensar visualmente” é pensar em como mostrar o assunto que está sendo abordado de maneira que o produto final seja realmente um infográfico, e não um penduricalho. Assim, na primeira reunião, os editores de texto orientam os repórteres sobre que aspectos devem ser aprofundados/melhorados na apuração, e os designers já começam a pensar que tipo de linguaguem (mais realista ou mais leve, por exemplo) deve seguir a ilustração da matéria. Na semana seguinte, na reunião de info, participam, além do repórter, do designer e do editor, também o ilustrador. O repórter geralmente traz referências visuais (pesquisadas em sites, livros, outras revistas…) sobre a pauta. Por exemplo, na edição de abril da ME que chega agora às bancas, editei uma pauta sobre aparelhos ortodônticos. Na reunião, o repórter trouxe fotos e até um videozinho que ele mesmo fez com sua câmera digital para ajudar a mostrar como eles funcionam. Outro repórter, que fez uma matéria sobre como funciona o chuveiro elétrico, desmontou o próprio chuveiro de casa e fotografou para ajudar a mostrá-lo por dentro.

(…) na edição de abril da ME que chega agora às bancas, editei uma pauta sobre aparelhos ortodônticos. Na reunião, o repórter trouxe fotos e até um videozinho que ele mesmo fez com sua câmera digital para ajudar a mostrar como eles funcionam. Outro repórter, que fez uma matéria sobre como funciona o chuveiro elétrico, desmontou o próprio chuveiro de casa e fotografou para ajudar a mostrá-lo por dentro.

As infografias são pensadas ao mesmo tempo para internet e para papel? Como se dá o processo de criação para as infografias interativas?
Isso varia de pauta para pauta. Temos uma seção no site de infográficos animados, que, na maioria, são criados especialmente para a web, nem chegam a ter versão impressa. Um exemplo recente é o info sobre o canal do Panamá. Mas há também adaptações do conteúdo impresso em um info interativo para o site, como houve na reportagem sobre as pessoas mais estranhas do mundo. Na revista, fizemos uma “ficha técnica” das pessoas estranhas, e explicamos, sob o ponto de vista científico, o que as fazia ser assim. No site, acrescentamos vídeos (do YouTube mesmo) que mostram que essas pessoas são reais, para quem ainda duvidava. A diferença dos infos pensados direto para o site é que eles geralmente são mais multimídia que os impressos adaptados. Nos infos do site, temos narração de um locutor, o que dispensa os bloquinhos de texto, por exemplo. Aqui, vale dizer que, além das 6 pessoas que citei que cuidam da revista, há mais três que cuidam do site: 1 de texto, 1 webdesigner e 1 webmaster. Mas ficamos todos na mesma redação, integrados.

Qual é o nível de interatividade pretendido com as infografias de vocês? E até onde poderíamos chegar?
Essa pergunta se refere aos infos do site, né? Humm, não sei se dá para cravar o “nível de interatividade”, mas seguimos no site o mesmo princípio dos infos da revista impressa: nada do que está ali no info, seja do texto (ou locução) ou da ilustração está ali por acaso. Cada pedaço da ilustração traz uma informação, que é complementada pelo texto. Cada vez que você clicar em algo, vai aparecer uma informação, e não um enfeitezinho. Acho que podemos dizer que nossos infos são bonitinhos, mas nunca ordinários.

Você disse que a integração texto-arte é uma das diretrizes da revista. Muitos jornalistas vêem a arte como ilustração, não como informação (e mesmo as fotografias em jornais muitas vezes são usadas assim). Pedidos como “coloca uma moeda de um real no fundo da tabela da inflação” são comuns ainda? Como você vê a utilização da arte no jornalismo hoje em dia, é bem feito no geral?
Eu já trabalhei em jornal, revista e internet, e posso dizer que aqui, na Mundo Estranho (e nem digo que isso aconteça nas revistas em geral), é onde eu vejo essa integração acontecer de fato. Mas tenho que confessar que somos um tanto quanto privilegiados: somos uma revista mensal, o que nos dá margem para trabalhar com um planejamento e com uma precisão (muitas vezes, até o texto final, a reportagem passa por 3 ou 4 versões) que seriam considerados luxo no jornalismo diário dos jornais e no jornalismo minuto-a-minuto da internet. Por outro lado, também é importante frisar que trabalhar com infografia não é apenas questão de tempo — o tempo extra ajuda, mas não é fundamental. O que falta ainda é uma cultura de o repórter pensar que a arte (ou a foto, ou qualquer outro elemento visual) não é a moedinha de 1 real na tabela de inflação — ela tem que informar também. Ok, os jornais e os portais de internet podem e devem colocar belas imagens em suas capas para capturar o olhar do leitor. Mas, no interior das matérias, a arte e as fotos têm quer ter relevância jornalística.

O que falta ainda é uma cultura de o repórter pensar que a arte (ou a foto, ou qualquer outro elemento visual) não é a moedinha de 1 real na tabela de inflação — ela tem que informar também. Ok, os jornais e os portais de internet podem e devem colocar belas imagens em suas capas para capturar o olhar do leitor. Mas, no interior das matérias, a arte e as fotos têm quer ter relevância jornalística.

E, correndo o risco de chover no molhado, temos que lembrar que, com a internet, informação é o que não falta – blogs, microblogs, twitters, podcasts, fóruns e comunidades de relacionamento estão aí para entupir o leitor/internauta de dados. O que falta é entregar a informação da melhor maneira para o leitor. Para o público da Mundo Estranho, formado por adolescentes, a maioria do sexo masculino, essa maneira ainda é o infográfico. Informação nosso leitor consegue em qualquer lugar — ele tem internet à vontade, tv a cabo, celular. Mas em poucos lugares ele consegue informação bem apurada, “mastigada”, dividida em pequenos blocos de textos, aliada a uma ilustração que também informa, e que não está apenas enfeitando a página. E, quando os nossos leitores postam em nossa comunidade no orkut que a ME é a única coisa que eles lêem, fora os livros da escola, ficamos orgulhosos. (Se quiser, leia o que nossa editora de arte, Alessandra Kalko, escreveu sobre isso ao blog Visualmente: http://visualmente.blogspot.com/2008/02/especial-infografia-vai-salvar-o.html)

O jornalista não tem, na faculdade, nenhum tipo de conhecimento sobre a infografia – já reconhecida como um gênero, tão importante quanto a fotografia ou a reportagem, por exemplo. Há espaço para aprender direto no mercado?
Infelizmente, na faculdade eu só tinha uma leve idéia do que era infografia. Quando caí no mercado, é claro que penei ao fazer meus primeiros infográficos para a Superinteressante ou para a Mundo Estranho. Logo eu, que sempre gostei tanto de escrever, tive que ver meus textos reduzidos a bloquinhos de 300 toques cada! Mas essa percepção que o picotamento do texto era para o mal durou pouquíssimo. Com textos menores, e divididos por blocos de informação, eu ganho mais leitores: quem quiser ler só 1 ou 2 blocos, já aprendeu alguma coisa ali, sem ter que ler um pesado textão de 3500 toques sem respiro. Nas revistas em que trabalhei, encontrei, sim, espaço para aprender a fazer infográficos. A maioria delas é formada por gente jovem, que gosta de ensinar. Também estamos sempre trocando e-mails com referências de trabalhos que achamos legais, vendo portfólios e, de vez em quando, rolam uns workshops de infografia na Abril — pena que a presença do pessoal de texto ainda é ínfima nesses eventos.

Infografias, como outras linguagens, também podem ser bastante subjetivas (uma infografia que fizemos mostrava como era composto o salário dos parlamentares: era basicamente um gráfico pizza, mas em vez de uma pizza era um cofrinho em forma de porquinho. Uma das leituras possíveis era a de que estávamos chamando os parlamentares de porcos…). Como alcançar a objetividade num infográfico?
Sinceramente, não sei se a objetividade é desejável no nosso caso — mesmo no jornalismo em geral, acho que esse mito está perdendo força. Isso não significa que a gente se afaste da realidade. Pelo contrário, tentamos ser sempre o mais fiéis possível ao assunto retratado, mas sem deixar o humor de lado — na ME, os trocadilhos e piadas são nosso feijão-com-arroz, nem tolhemos a veia artística dos ilustradores. Mas se a preocupação com a objetividade for excessiva, corremos o risco de cair na pasteurização dos gráficos de inflação com moedinha de 1 real. Vejo como desejável, sim, a informação correta, bem apurada, mas traduzida em uma linguagem leve, bem-humorada, embalada com um belo visual. É claro que isso não precisa ser padrão para todos os veículos – um jornal de economia como o Valor não precisa, nem deve, seguir essa fórmula. Mas é essa mistura que funciona, por enquanto, para a Mundo Estranho.

A infografia tem mais público, ou atrai público para o site e para a revista? Por quê?
Vou citar novamente o que a Alessandra Kalko disse ao Visualmente: “Em 2007, ano em que muitas revistas viram seus números de venda caírem, a Mundo Estranho apresentou algum crescimento nas vendas. Nossos leitores são jovens de 12 a 20 anos, imersos em sites de relacionamento, tv e games que são apaixonados pela revista. Muitos deles afirmam que a Mundo Estranho é o único meio impresso que lêem por vontade própria, quando não o único. (…) A infografia tem um apelo gráfico forte e sedutor com esse leitor jovem.” Além disso, o infográfico apresenta uma abordagem nova para assuntos aparentemente sem-graça e/ou batidos. Na edição de abril, para citar outro exemplo, fizemos um “dossiê” sobre males/benefícios dos videogames. Mas, em vez de atropelar o leitor com milhares de estatísticas e estudos acadêmicos, a matéria mostra um personagem passando por várias fases de um “game”, traduzindo no texto o que as várias pesquisas queriam dizer. No site, vale o mesmo raciocínio. Nem sempre saímos na frente pelo ineditismo da informação, mas ela é mais atrativa porque é bem contada.

Que técnicas é preciso saber para trabalhar com infografias?
Se você é designer, é claro que precisa dominar o Photoshop e os programas de diagramação. Mas, para a gente que é de texto, o mais importante é pensar como o texto vai ser editado: quais informações são importantes e quais são dispensáveis para o leitor entender o assunto? Como dividir o texto em blocos temáticos, que, sozinhos, façam sentido, independente do resto? Onde vai cada bloco? Que referências visuais eu preciso dar ao pessoal da arte? Enfim, mais que cortar o texto, o editor tem que pensar no produto final e, sempre, sempre, se colocar no lugar do leitor.

LEIA TAMBÉM: o post Por que a infografia salvará o jornalismo, com trechos de um artigo da editora da Mundo Estranho, Alessandra Kalko

Posted on Mar 10, 2008

ENTREVISTA: JUANTXO CRUZ

“O jornalista Juantxo Cruz, autor de megainfografias – conhecidas também como murais gráficos –, concedeu uma entrevista sobre infografia para o blog Cuatro Tipos. A imagem deste post é um exemplo de uma megainfografia. Feita por Juantxo, ela foi publicada em 10 páginas duplas de um suplemento do El Mundo. Graduado em Ciências da Informação, pela Universidade de Navarra, o jornalista é responsável pelo setor de infografia do periódico espanhol El Mundo.”

Tudo isso eu copiei do Marcos Palácios, que me apresentou Juantxo pelo GJol. Fui lá ler a entrevista, e realmente impressiona.

Agora ele se dedica a essas megainfografias, que saem aos domingos. Na primeira (abaixo), foram necessários sete infografistas e dois documentaristas.

Essa infografia mostra o corpo humano em tamanho natural. Alberto Cairo fez uma resenha sobre ele em seu site, e entrevistou vários dos infografistas envolvidos. Fizeram tudo em três semanas. Com bom resultado: “El gráfico ha tenido una repercusión amplia. Se han recibido comentarios escritos e incluso llamadas de queja cuando El Magazine se retrasó una semana en la publicación de una de las entregas por problemas de paginación. Una prueba de que la audiencia está ansiosa por encontrar propuestas novedosas y estimulantes y, según Juantxo, de “la confianza que se tiene en la Infografia en El Mundo”.

Juantxo dá algumas dicas valiosas na entrevista:

“Depois de terminar, mostrar os gráficos a todo mundo em volta. Os gráficos sempre têm defeitos, pelo menos os meus, mas tento que as falhas não cheguem até a rotativa.”

“O que mais me ajudou na formação foram as relações pessoais. Conhecer Jesús Zorrilla, Juan Antonio Giner, George RorickJeff GoertzenRon Coddington,  Gerardo Ametxazurra, Ricardo Martínez,  Mario Tascón e outras centenas de pensadores visuais incríveis”

Onde estudaria para ser infografista?
“Numa universidade não massificada em que pudesse estudar com tranquilidade a carreira de Ciências da Informação. Procuraria a prática de jornalismo diário o quanto antes. Se algum estudante estiver nessa situação, me envie um currículo. (juantxo.cruz@elmundo.es).