Archive for A REDE

JORNALISMO DIGITAL.ORG E O FIM DESTE BLOG COMO VOCÊ O CONHECE

// May 27th, 2010 // 2 Comments » // A REDE

Caro leitor e amigos,

Vão-se aí uns bons anos desde que comecei este blog – lá pelos idos de março de 2007. Fazer este blog tem sido uma ótima experiência e foi uma decisão muito acertada. O blog me colocou em contato com pessoas que, como eu, estavam começando a experimentar o jornalismo online em suas redações, mas também me inseriu em outra rede, a acadêmica, que tem alguns ótimos estudos sobre as experiências das narrativas multimídia. Por conta do blog várias coisas boas aconteceram, inclusive várias grandes amizades que surgiram aqui na rede.

Quando comecei não sabia direito o que seria este espaço, e por isso comecei ele no endereço www.andredeak.com.br. Ou seja: todos os assuntos poderiam ser tratados, tudo cabia. Tanto é que cheguei a publicar algumas crônicas, alguns comentários aleatórios sobre a vida, coisas assim meio sem lé com cré. Mas o blog acabou evoluindo para discussões sobre jornalismo online, sem tanto espaço para esses devaneios da vida.

No começo deste ano tomei uma decisão que foi montar outro espaço, o www.jornalismodigital.org, para servir de base das aulas que venho dando por aí. Um lugar para colocar referências. Mas a coisa evoluiu para ser um espaço, justamente, de discussões sobre jornalismo online, em geral, conflitando um pouco com o que eu já fazia aqui.

Finalmente migrei todo o conteúdo deste blog pra lá, e começo, a partir de agora, a fazer as discussões sobre esse assunto apenas por lá. E não deverá mais ser uma tarefa solitária, já que o Rodrigo Savazoni, a Lia Rangel, o Felipe Lavignatti, o Lucas Pretti e a Gabi Agustini também deverão escrever. Mais qualidade, portanto, para este trabalho e para essas discussões.

Este blog aqui ficará sendo um lugar que reúne meus passos pela rede, mas também um lugar para eu escrever minhas literatices de vez em quando.

Obrigadíssimo a todos que me acompanharam por aqui durante estes anos, e faço o convite para que continuem, agora, a discutir os rumos do jornalismo no www.jornalismodigital.org

Grande abraço,

@andredeak

JORNALISMO E INTERATIVIDADE

// February 2nd, 2010 // 3 Comments » // A REDE, CONVERGÊNCIA, INFOGRAFIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Essa é uma apresentação utilizando o software húngaro Prezi, que costumo utilizar em aulas por aí. Ela se modifica com o tempo, conforme vou tirando ou acrescentando conteúdos interessantes.

No mínimo, é um resumão de links que julgo bacanas sobre jornalismo interativo. Tem algum pra recomendar?

Apresentei hoje isso na aula do curso de jornalismo online do Eugênio Bucci na USP. As outras aulas estão neste site aqui: www.jornalismodigital.org

HAITI.ORG.BR – JORNALISMO E SOLIDARIEDADE

// January 17th, 2010 // 1 Comment » // A REDE, JORNALISMO

Um projeto que o jornalista Aloisio Milani desenvolvia faz tempo com a gente – um site sobre o Haiti – acabou nascendo às pressas por conta da catástrofe que se abateu sobre o país mais pobre das Américas.

É o Haiti.org.br.

O Aloisio é um dos maiores especialistas em Haiti do Brasil. Esteve lá várias vezes, e fez um raro e belo trabalho de reportagem, não uma, mas muitas vezes.

Na semana passada, o Rodrigo Savazoni e ele subiram o site (um wordpress usando uma variação do template Mimbo). O Aloisio já tinha o conteúdo mais ou menos estruturado. Estamos fazendo ainda alguns ajustes, mas já está plenamente funcional.

Como disse o Rodrigo:

Estamos lançando este fim de semana o projeto http://www.haiti.org.br
- Jornalismo, Direitos Humanos e Solidariedade

Conto com a visita e o apoio de tod@s nessa empreitada…

Nossa ideia é mostrar que informação qualificada também pode ajudar a
salvar vidas.

Também é uma boa hora, com a tragédia haitiana, de constituirmos um
veículo que mostre que essa tragédia não começou agora. Um veículo que
seguirá existindo mesmo depois de o circo midiático se desmontar em
Porto Príncipe.

A ideia é trabalhar com colaboração e auxílio, nas ações jornalísticas
e nas ações de solidariedade.

CONVITE – FÓRUM DA CULTURA DIGITAL BRASILEIRA

// November 13th, 2009 // No Comments » // A REDE, CONVERGÊNCIA, CulturaDigitalBR

Como coordenador do eixo de comunicação digital do Fórum, faço aqui o convite a todos os interessados: na semana que vem, de 18 a 21, acontece em São Paulo, na Cinemateca, um seminário internacional para discutir in loco as políticas públicas propostas durante os últimos meses na plataforma www.culturadigital.br .

Reproduzo, abaixo, o release que está sendo distribuído para os veículos de comunicação em geral. Qualquer dúvida, os contatos estão no final do post.

Espero você lá.

Fórum colaborativo inova para criar política pública de cultura digital

Evento internacional em São Paulo, entre os dias 18 e 21 de novembro, vai apresentar e discutir o acúmulo de debates abertos via internet para produzir as diretrizes de uma política pública de cultura digital para o Brasil

As novas tecnologias transformam a cultura e a democracia. Então, é necessário que os realizadores de cultura e os agentes políticos debatam o que fazer com esses novos meios de criar, informar e conversar, que expandem e potencializam as relações entre as pessoas. Foi para ocupar esse espaço que o Fórum da Cultura Digital Brasileira foi criado. Trata-se de um processo que reúne, em uma rede social pública e livre, gente que atua no governo, na sociedade, no mercado, na academia, para pensar o país.

Essa iniciativa pioneira, resultado de uma aliança entre o Ministério da Cultura, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a sociedade civil organizada, destaca-se por usar as novas tecnologias para ampliar a participação da sociedade na construção de políticas públicas democráticas, valorizando os processos, complexos, do mundo contemporâneo. O Fórum Digital, como vem sendo chamado por alguns de seus participantes, foi lançado extra-oficialmente no fim de junho, durante o Festival Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, pela ministra Dilma Roussef.

No final de julho, em uma coletiva inédita apenas para blogueiros e gestores de Mídias Sociais, realizada durante o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), a coordenação executiva do projeto, capitaneada pelo Ministro da Cultura, Juca Ferreira, lançou o processo oficialmente. Desde então, cerca de 2.300 internautas aderiram a uma rede social que discute novas regras e formas de incentivar o conteúdo digital brasileiro.

Para consolidar o que foi produzido até agora e colocar as pessoas em contato presencial, será realizado entre os dias 18 e 21 de novembro o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

Os participantes vão acompanhar mesas de debate com pesquisadores, ativistas, representantes do governo, convidados internacionais, além de atividades culturais e oficinas – a programação completa do evento estará em breve no endereço www.culturadigital.br. Além disso, os integrantes da rede social também poderão propor atividades auto-gestionadas, em espaços abertos para isso. Uma lona de circo está sendo levantada para ser ocupada pelo futuro.

O seminário também será transmitido pela internet no endereço www.culturadigital.br.

Os debates do Fórum de Cultura Digital Brasileira estão divididos em cinco eixos temáticos: memória, comunicação, arte, infraestrutura e economia. Cada um deles conta com um curador, responsável por estimular os debates e sistematizar as contribuições e diretrizes apontadas pelos participantes.

Na rede culturadigital.br, o cidadão pode se cadastrar, criar o seu perfil e articular grupos, postar conteúdos, além de interagir com pessoas que pensam a cultura digital. Em três meses de funcionamento, o fórum já conta com mais de 2.300 participantes, 143 grupos de debate, 233 blogs, 711 posts, 649 seguidores no twitter e mais de 45 mil visitantes.

PROGRAMAÇÃO:

1ª Dia – 18/11 – 4ª feira
9h/17h
Credenciamento/ inscrição

13h/14h
Intervenção artística – tendas do hall

14h/17h
Plenária de Memória – Sala Petrobrás
Seminário de Infraestrutura – Sala BNDES
Palestrantes:
José Luiz Ribeiro Filho (Diretor de Serviços e Soluções da RNP)
Sérgio Amadeu da Silveira (Sociólogo e professor da Faculdade Casper Libero)
Franklin Coelho (Universidade Federal Fluminense e Projeto Piraí Digital) Antônio Carlos dos Santos Silva, o TC (Casa de Cultura Tainã)
Convidado do Governo (a confirmar)
Moderador: Diogo Moyses (Curador do eixo infraestrutura do Fórum da Cultura Digital Brasileira)

Ações auto-gestionadas – tendas do hall

19h/21h
Ato Inaugural e coquetel com Ministro da Cultura, Juca Ferreira, e outros ministros


2ª Dia – 19/11 – 5ª feira
9h/12h
Plenária de Comunicação – Sala Petrobrás
Seminário de Memória – Sala BNDES
Palestrantes:
Angela Bettencourt (Fundação Biblioteca Nacional)
Pedro Puntoni ou Edson Gomi (Brasiliana- projeto de acervo digital da USP)
Dalton Martins (Coordenador de tecnologia social do Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária Weblab)
Geber Ramalho (Games, interfaces e acervos – UFPE)
Jomar Silva (Padrões e protocolos – ODF Alliance)
Moderador: José Murilo Jr. (Gerente de Cultura Digital do Ministério da Cultura)

Ações auto gestionadas – tendas do hall

13h/14h
Intervenção artística – tendas do hall

14h/17h
Plenária de Economia da Cultura Digital – Sala Petrobrás
Seminário de Arte – Sala BNDES
Palestrantes:
Patrícia Canetti (Artista digital, criadora do Canal Contemporâneo)
Bia Medeiros (Professora de arte digital da UnB, coordenadora do Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos)
Pau Alsina (pesquisadora da Universidade Aberta da Catalunã, na Espanha)
Laymert Garcia dos Santos (Sociólogo da UNICAMP)
André Vallias (Poeta e produtor de mídia interativa)
Moderador: Cicero Inácio da Silva (curador de arte digital do Fórum da Cultura Digital Brasileira)

Ações auto gestionadas – tendas do hall

a partir das 18h
Ação musical/ cinema – lona de circo externa

3º Dia – 20/11 – 6ª feira
9h/12h
Plenária de Infraestrutura – Sala Petrobrás
Seminário de Comunicação – Sala BNDES
Palestrantes:

Jean Burgess (pesquisadora da Universidade de Queensland, na Austrália, e co-autora do livro “Youtube a Revolução Digital)
Ivana Bentes (professora da UFRJ)
Alex Primo (professor da UFRGS)
Anápuaká Muniz (Web Brasil Indígena)
Jamie King (Steal This Film)

Moderador: André Deak (
curador do eixo comunicação do Fórum da Cultura Digital Brasileira)

Ações auto gestionadas – tendas do hall

13h/14h
Intervenção artística – tendas do hall

14h/17h
Plenária de Arte – Sala Petrobrás
Seminário de Economia da Cultura Digital – Sala BNDES
Palestrantes:

Daniel Granados
(Producciones Doradas, de Barcelona)
Pablo Capilé (Circuito Fora do Eixo)
Ladislaw Dowbor (Economista e professor da PUC-SP)
Ronaldo Lemos
(Professor de direito da FGV-Rio)
Juliana Nolasco (Coordenação de Economia da Cultura – MinC)

Moderador:
Oona Castro (curadora do eixo economia do Fórum da Cultura Digital Brasileira)
Ações auto gestionadas – tendas do hall

a partir das 21h
Ação musical – lona de circo externa

4º Dia – 21/11 – Sábado
9h/12h
Transmissão da sala BNDES na Sala Petrobrás
Contexto Internacional da Cultura Digital – Sala BNDES
Palestrantes:

Raquel Rennó (pesquisadora de arte digital e integrante da Associaçao Cultural de Projetos em Cultura Digital ZZZinc, de Barcelona)
David Sasaki (diretor do Rising Voices)

Ivo Corrêa (Responsável pelas políticas públicas e governamentais da Google Brasil)
Alfredo Manevy (Secretário executivo do Ministério da Cultura)
Amelia Andersdotter (membro do Partido Pirata Sueco)
Moderador: Álvaro Malaguti (Gerente de projetos da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa- RNP)
Transmissão da sala BNDES nas tendas do hall

12h/14h
Encerramento

14h/17h
Cerimônia de encerramento – Sala BNDES
Entrega do resultado do trabalho realizado ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira
Atividades culturais – lona de circo externa

SERVIÇO:
Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital
Data:
18/11 a 21/11
Local:
Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino)

Credenciamento de imprensa será feito previamente pelo e-mail forumculturadigital@gmail.com. Quem não conseguir mandar os dados antes, poderá se credenciar nos dias do evento. Mande seu nome, e-mail, contato telefônico e veículo.

Contato:
Christiane Peres (Fórum da Cultura Digital) – 11 7547-0289 – forumculturadigital@gmail.com / melo.christiane@gmail.com
Marcelo Lucena (Ministério da Cultura) – 61 2024-2401 – marcelo.silva@cultura.gov.br

VÍDEO-ENTREVISTA: BLOGUEIRA CUBANA YOANI SANCHEZ

// November 9th, 2009 // 2 Comments » // A REDE, ENTREVISTAS, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Estive em Cuba em 2008, e entrevistei a blogueira Yoani Sánchez. Finalmente publico o vídeo resultante do encontro, filmado na casa dela pelo Alexandre Praça, que estava comigo. Fiz na época um post sobre essa visita.

Yoani Sanchez – interview from andre deak on Vimeo.

Recentemente, Yoani foi agredida e presa durante um curto período de tempo. Publicou um post sobre isso no blog Generación Y: La culpa de la víctima.

Na época em que conversei com ela, ainda não era a personalidade internacionalmente premiada, símbolo de tantas coisas que se tornou através de seu blog. Hoje é lida por milhões de pessoas todos os meses. Cada post tem milhares de comentários, e é traduzido para várias línguas. E agora ela também tem twitter (publica por telefone, quando não consegue estar online). E continua publicando seus posts a partir de estruturas precárias – a internet na ilha é bastante limitada, tanto por causa do bloqueio econômico, quanto pelo racionamento de banda que o governo determinou: médicos, universidades, governo, algumas empresas e turistas, basicamente, são os que têm acesso. O resto da população utiliza uma intranet que é feita apenas dos sites que tem domínio .cu – como se só pudéssemos acessar sites .br

Queria ter publicado o vídeo com um post mais demorado, analítico, mas faço uma atualização depois. Alguma coisa já publiquei na série de posts Diários de Havana, quando estive lá. Depois escrevo mais.

PS: Um livro com suas postagens foi publicado também estes dias – De Cuba com Carinho. Ainda não consegui ler todo ele, mas já acompanhava seus posts. Leitura bastante interessante sobre o dia a dia de Yoani, e da ilha. E é ótima a análise feita no posfácio pelo Demétrio Magnoli.

TODOS A POSTOS: SENADO PREPARA ATAQUE À INTERNET

// September 3rd, 2009 // 11 Comments » // A REDE, CulturaDigitalBR

munchmini

É difícil crer que ainda possamos nos surpreender com as lambanças do Congresso, especialmente do Senado, que talvez pudesse simplesmente deixar de existir sem causar nenhum prejuízo (muito pelo contrário). Mas as recentes declarações sobre o Projeto de Lei Eleitoral que será votado são de dar arrepios.

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), autor do projeto de censura à internet que ficou conhecido como Lei Azeredo, demonstra o total desconhecimento da rede. Segundo o entendimento dele, a internet é ao mesmo tempo televisão e rádio, e por isso deveria obedecer as regras destes meios – leia-se: espaço idêntico para todos os políticos em época de campanha.

“Na hora em que a internet se assemelha a um jornal, foi colocada a mesma regra. Quando se assemelha a rádio e televisão, como é o caso de debates ao vivo, aí o entendimento foi o de que deve ter as mesmas regras da TV. A internet é uma confluência de vários meios de comunicação”. FSP, 2/9/09

O senador tem a mesma visão distorcida da realidade que o juiz Hermann, que tornou pública sua opinião neste debate no Terra Magazine. Na ocasião escrevi uma resposta ao juiz, que cabe perfeitamente ao senador:

O primeiro erro da argumentação é que rádios e televisões são concessões públicas, portanto, espaços públicos que são cedidos para grupos de comunicação. Sendo um espaço público, não pode ser usado para beneficiar candidato A ou B, obviamente. Mesmo assim, ninguém se lembra da Justiça entrar em ação na famosa edição do debate entre Lula e Collor, na rede Globo.

A limitação do espaço foi ampliada para os jornais, veículos de comunicação privados, de empresas privadas, que por vezes anunciam claramente a intenção e o apoio dos donos a determinados candidatos – o que é bastante salutar, diga-se, para neutralizar um possível noticiário enviesado. Dá até para entender que o Estado sinta-se obrigado a controlar o que dizem veículos de comunicação privados, já que há uma histórica importância do jornal impresso, um peso político que carregam, e a dificuldade de pessoas comuns em lançarem seus próprios veículos impressos com alcance nacional apoiando seus candidatos. Dá para entender, mas acho errado mesmo assim.

O que não faz nenhum sentido é ampliar para a internet essa limitação. A internet não é uma concessão pública. Todas as pessoas podem, gratuitamente, lançarem veículos de alcance mundial. O argumento de que o poder econômico levaria a desvantagens entre candidatos é equivocado; aliás, é justamente o contrário: candidatos com baixo poder econômico, com apoio da população, poderiam ter até maior exposição do que os que comprassem espaço na rede. Dinheiro não compra simpatia. Pelo menos na internet há disposição para manifestações se espalharem como fogo em rastilho de pólvora. Vide que já são mais de 100 mil assinaturas na rede contra o projeto de lei do senador Azeredo. [152 mil hoje]

Mas políticos não entendem a rede. E, como diz Marco Chiaretti, o pouco que entendem, não gostam. Não dá para controlar, não dá para evitar que a rede fale mal. Não dá para censurar, como o filho do Sarney faz com o Estadão, como a Justiça brasileira permite, endossa, apoia. Justiça que chegou a tirar o YouTube do ar, se alguém não lembra.

Não é TV, nem rádio. Não é uma concessão. São milhões de usuários (no Brasil serão mais de 70 milhões ano que vem, no atual ritmo de crescimento) enviando mensagens a milhões de usuários. Quase todos, diga-se, eleitores.

“É proibido isso e aquilo na web em época eleitoral.” Ok, e aí? Vamos colocar um sargento da Rota no ombro de cada usuário do Twitter, de cada blogueiro, de cada autor de comentário, de cada emitente de uma mensagem, um e-mail, um sms? Multar todo mundo? Fingir que não viu? Nos EUA, a turma de Obama usou a web a seu favor. Deu no que deu.

Mas nem é só isso. A proposta que o Congresso irá votar e muitos políticos querem ver aprovada tenta impedir o remix. Como diz Sérgio Amadeu:

Internet é um arranjo comunicacional distribuído. Nela, qualquer pessoa que esteja conectada e que tenha o mínimo de formação pode criar um blog e integrar uma rede social. Infelizmente, é exatamente esta qualidade que alguns Deputados e Senadores querem bloquear nas eleições de 2010.

O pior é tentar impedir que a blogosfera exerça seu direito político de criticar os candidatos e de usar da arte e do humor para comunicar uma mensagem contrária a algum político. Numa das versões desse projeto de reforma eleitoral estava proibido “a trucagem”, “montagem” e “qualquer efeito realizado em áudio e vídeo que degradar ou ridicularizar candidato, partido ou coligação”.

O que é ridicularizar? O que é “trucagem”, um termo usado nos anos 1940 e 1950 para falar das técnicas de fotográficas analógicas? Eles estão querendo dizer que está proibida a “remixagem”, a recombinação?

Sinto muito, ridícula é a tentativa inconstitucional de impedir a crítica, restringir formatos e estilos de narrativas. Uma coisa é a calúnia, a injúria e a difamação. Isto já é proibido. Outra coisa é uma sátira, uma crítica teatralizada e bem humorada, isto não pode ser impedido.

Isso proibiria, muito provavelmente, este remix que eu fiz com o Lula cantando Raul Seixas – se o Lula fosse candidato, claro. Mas já circulam pela rede dezenas de remixes com possíveis candidatos. Serão tirados do ar? Ou vão desligar a internet no Brasil?

Às armas, meus amigos. Às nossas armas. A rede já se mostrou capaz de reverter processos. Poderá novamente ser um instrumento de organização em nome da liberdade. Ou o ano de 2010 poderá se mostrar um retrocesso no desenvolvimento da comunicação digital brasileira.

#comfaz?

1.As pessoas precisam saber que o Congresso pode aprovar um golpe contra a liberdade de expressão na rede. Avise uma pessoa, que avisará outra, e outra. O poder das multidões não pode ser desprezado.

2. Vamos levar esta discussão para dentro do governo. O Fórum de Cultura Digital Brasileira é um espaço livre criado recentemente para gerar políticas públicas a partir da rede. O eixo de Comunicação Digital (o qual coordeno) já debate uma carta de liberdade na rede. Certamente teremos aí um documento de pressão para apresentar ao governo, mais adiante.

3. Você usa o Twitter? Alguns políticos também Por que não manda uns @s? De repente até é possível reverter algumas opiniões irreversíveis.

4. Pratica alguma religião?

Boa noite e boa sorte.

UPDATE: Lula veta restrição à web pra eleições

E com mais detalhes, aqui [republico um trecho]:

Esse veto foi sugerido pela Secretaria de Comunicação Social, com a justificativa de que a internet é um ambiente de livre manifestação do pensamento. Além disso, a internet não é uma concessão pública, como são as emissoras de rádio e TV.

O QUE É COMUNICAÇÃO DIGITAL?

// August 14th, 2009 // 1 Comment » // A REDE, CulturaDigitalBR

Lançado o Fórum da Cultura Digital Brasileira, fizemos uma primeira reunião com alguns dos curadores dos grupos e definimos algumas metas.

Para quem não acompanhou, o fórum foi lançado oficialmente há pouco tempo, e é um espaço “público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.”

A proposta do grupo de Comunicação Digital, do qual sou o curador, é trabalharmos em três grandes eixos até novembro, quando ocorrerá o Fórum da Cultura Digital Brasileira na Cinemateca, em São Paulo (ainda sem data definida, provavelmente na segunda quinzena). São eles:

- delimitação do campo: o que é comunicação digital?
- diagnósticos: quais são os problemas? quais as perguntas que precisamos fazer?
- formulações e propostas: quais políticas públicas devem existir? que ações este grupo deveria tomar? quais pressões deveríamos fazer?

Criamos um blog, o ComDigital, para publicar textos referentes ao grupo e discutir essas questões para além do fórum nesta página.

Anote: http://www.culturadigital.br/comdigital

Antes de começarmos a debater os problemas e as possíveis soluções relacionadas à comunicação digital é interessante definirmos sobre o que exatamente estamos falando. Comunicação digital é simplesmente a comunicação que se realiza através de bits e bytes? É uma outra comunicação ou é a mesma comunicação mais rápida, mais poderosa? Qual é o campo da comunicação digital e seus aspectos mais relevantes?

O Ministério da Cultura, no documento que fundamente a criação deste Fórum, sustenta que fazem parte da discussão deste eixo:

- Preservação da língua portuguesa e o incentivo à produção de conteúdos no ambiente da cibercultura;
- Processos midiáticos e as implicações comunicacionais e culturais da convergência;
- Transformações nos processos educacionais e o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação nos espaços formais e informais de ensino;
- Acesso ao conhecimento científico;
- Padrões de disponibilização de bases de dados públicas, para permitir a sua apropriação e recombinação pela cidadania

Língua

O Fórum da Cultura Digital Brasileira pretende debater a produção, difusão e fruição de conteúdos digitais em língua portuguesa. Sem dúvida, o país necessita de uma política cultural que torne nossa sociedade não apenas consumidora, mas também produtora de conteúdo na Internet, partindo do princípio de que o upload é tão importante quanto o download.

De acordo com uma pesquisa desenvolvida por Edward T. O´Neill, Brian F. Lavoie e Rick Benett, do Web Characterization Project13, e citada no texto Programa de Conteúdos Digitais em Cultura e Língua Brasileira, assinado por Nelson Simões (Rede Nacional de Pesquisa) e Hélio Kuramoto (IBICT), a participação brasileira em sites na web era de 2%, em 1999, e, em 2002, o país já não aparecia nas estatísticas. O inglês dominava 55% da participação em 2002.

A mesma pesquisa, citada novamente no relatório apresentado por Simões e Kuramoto, aponta que os conteúdos em língua portuguesa representavam 2% em 1999, e 1% em 2002, tendo sido ultrapassados por conteúdos digitais em outras línguas como o coreano, o chinês e o holandês.

A pesquisa pode ser obtida no endereço: http://www.oclc.org/research/projects/archive/wcp/default.htm

É preciso considerar que de 2002 para cá o Brasil sofreu uma explosão de uso e assistiu ao processo de popularização do acesso à rede mundial de computadores. Porém, no mesmo período, a rede atingiu a marca de mais de 1,5 bilhão de usuários em todo o planeta., Portanto, é razoável considerar que, na ausência de uma política pública, a desproporção de conteúdos em língua portuguesa disponíveis na rede pode ter se mantido ao longo do tempo, ou até se aprofundado.

Dois seminários, com participação de vários setores governamentais e da sociedade, foram realizados pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI-Br) para debater esse problema, e algumas diretrizes já foram delineadas. Essa dimensão do debate sobre conteúdos em língua
portuguesa ganha ainda mais importância se considerarmos o anúncio do projeto do governo Lula de conectar todas as escolas públicas brasileiras até 2010.

Há, por outro lado, a necessidade de discutir a relação da cultura digital como o processo de globalização, onde os conteúdos convergem em trocas transnacionais, e são majoritariamente produzidos em língua inglesa. Uma verdadeira experiência de cultura digital envolve trocas transnacionais e o dialogo entre diferentes povos. O território do ciberespaço reunifica a humanidade e exige uma língua destinada à troca e ao intercâmbio.

Mídia

Os tradicionais meios de comunicação de massa têm sido profundamente atingidos pelo processo de digitalização. No Brasil, no entanto, diferentemente da maioria do mundo ocidental, o mercado de comunicação descreve trajetória ascendente. Ainda assim, a “competição” promovida pela digitalização e pela rede mundial de computadores demonstra que o modelo industrial estruturado na oferta de informação de um para
muitos não se sustentará a médio prazo.

Nesse contexto, uma nova mídia, forjada na participação dos cidadãos, está
surgindo. Do ponto de vista da cultura, é preciso recuperar o exemplo do Overmundo (http://www.overmundo.com.br), revista virtual colaborativa que reúne produções culturais e jornalísticas a qual se configura como um banco vivo da diversidade brasileira.
Também vale observar a explosão da blogosfera cultural, que se constitui em um novo e importante ator cultural.

Mapear esse novo circuito midiático, sua capilaridade e extensão, é um dos papéis do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Também é necessário formular políticas públicas voltadas para o fomento dessa nova atividade midiática, como já vem ocorrendo com o Prêmio de Mìdia Livre, atividade da Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura.

Convergência

A convergência tecnológica é um fenômeno cultural. Para Henri Jenkins (2008. p. 2728), professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology):

A circulação de conteúdos -por meio de diferentes sistemas midiáticos, sistemas administrativos de mídias concorrentes e fronteiras nacionais -depende fortemente da participação ativa dos consumidores. Meu argumento aqui será contra a idéia de que a convergência deve ser compreendida principalmente como um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro dos mesmos aparelhos. Em vez disso a convergência representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos. Este livro é sobre o trabalho -e as brincadeiras -que os espectadores realizam no novo sistema de mídia.

As pessoas anteriormente conhecidas como público (The People Formerly Known as The Audience), os novos produtores ativos de conhecimento e cultura, definem essa nova etapa da evolução dos meios de comunicação. São os cidadãos, antigamente sem acesso à voz no espaço público, que estão construindo uma nova cultura midiática na era digital, baseada na convergência tecnológica, mas principalmente de idéias.

A web é um meio de comunicação que permite o diálogo de muitos para muitos. O que estamos vivendo não é um processo de substituição de mídias, mas sim de complementariedade melhorada.

Uma vez que um meio se estabelece, ao satisfazer alguma demanda humana
essencial, ele continua a funcionar dentro de um sistema maior de opções de
comunicação. Desde que o som gravado se tornou uma possibilidade, continuamos a desenvolver novos e aprimorados meios de gravação e reprodução do som. Palavras impressas não eliminaram as palavras faladas. O cinema não eliminou o teatro. A televisão não eliminou o rádio. Cada antigo meio foi forçado a conviver com osmeios emergentes. É por isso que a convergência parece mais plausível como uma forma de entender os últimos dez anos de transformações dos meios de comunicação
do que o velho paradigma da revolução digital. (JENKINS, 2008, p. 39)

Neste campo, pretendemos debater a emergência de novas formas de cultura, como games, softwares, a produção para aparelhos móveis, fanfics, entre tantas outras expressões da cultura contemporânea que emergem com o processo de digitalização.

Mas e aí? É isso?

Estou fazendo um levantamento bibliográfico sobre o tema. Quem puder ajudar, manda.

Curadoria de Comunicação Digital
http://www.culturadigital.br/comdigital
Andre Deak
andredeak@gmail.com
@andredeak
http://www.andredeak.com.br

MÚSICA PARA BAIXAR #FISL10

// June 25th, 2009 // No Comments » // A REDE, CONVERGÊNCIA, CulturaDigitalBR

O direito de quem produz ou o direito de quem consome? Mais: são excludentes?

Vários músicos que estão no FISL, no debate sobre MPB – Música Para Baixar – contaram casos escabrosos sobre o ECAD.  O Teatro Mágico, por exemplo, contou que foi multado por tocar, em público, música do… Teatro Mágico. Outros artistas contaram casos idênticos. A Rádio Favela, presente também, disse que precisam pagar o “jabá” para o ECAD para tocar música.

Interessante é uma advogada do ECAD estava na platéia e entrou no debate. “Vocês culpam muito o ECAD, mas o modelo que existe é a legislação atual. O ECAD é apenas o mandatário das associações. Apenas cumpre a lei”. Outra: “Vocês falam em multa, mas é retribuição autoral atribuída em lei”. A platéia riu. “O sistema funciona de acordo com a lei, não de acordo com nossa vontade. Não critiquem os funcionários do ECAD, critiquem a lei”.

Sobre isso, lembro de um texto do Proudhon, A Propriedade é um Roubo. Por ali, se não me engano, em algum canto ele diz que os cobradores de impostos, se não concordam com a legalidade do imposto, deviam pedir demissão e recusar-se a obedecer um Estado. Gandhi também dizia, aliás, que não se devem obedecer as leis injustas – e veja onde esse pensamento levou a Índia.

E o FISL segue quente, mesmo com 10 graus C lá fora.

PENSADORES DO CIBERESPAÇO – TEXTOS

// March 11th, 2009 // 3 Comments » // A REDE, CONVERGÊNCIA, Destaques, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Comecei o curso de mestrado na USP, no programa de Ciências da Comunicação, área Interfaces Sociais da Comunicação. Como havia adiantado, este blog vai ser usado, também, para compartilhar os textos e as experiências de lá.

A professora Beth Saad ofereceu uma série de textos para leitura durante a disciplina “A informação eletrônica em questão: pensadores do ciberespaço”.

É um conjunto referencial sobre as mais recentes discussões sobre informação digital. Estão divididos em três eixos, abaixo. Está tudo em .pdf

Bom proveito.

Eixo 1 – O “status filosófico”da sociedade em rede e das TICs

Lee Siegel. Against the Machine: being human at the age of electronic mob. New York: Spiegel & Grau, 2008.
(Neste caso, o texto não está disponível online, mas há um vídeo do Siegel – 1 hora)

Theo Röle. Power, reason, closure: critical perspectives on new media theory.

Stephen Mcelhinney. Exposing the interests: deconding the promise of the global knowledge society.

Vários. New media and the permanent crisis of aura.

Mark Deuze. The media logic of media work. (páginas 22-40)

Mark Deuze. Collaboration, participation and the media.

Jan Fernback. Beyond the diluted community concept: a symbolic interactionist perspective on online social relations.

Eixo 2 – O impacto da convergência

Stefana Broadbent e Valerie Bauwens. Understanding Convergence. Interactions, jan-fev 2000, p. 23-27.

Ramón Salaverría e José Alberto García Avilés. La convergencia tecnológica en los medios de comunicación: retos para el periodismo. Tripodos, número 23, Barcelona, 2008.

Mark Deuze. Converge culture in the creative industries.

Pablo Boczkowski e José Ferris. Multiple media, convergent processes and divergent products: organizational innovation in digital media production at a european firm.

Mark Deuze. Participation, remediation, bricolage: considering principal components of a digital culture.

Eixo 3 -  Redes sociais, mobilidade, mídia locativa

Fritjof Capra. Uma nova concepção da vida.

Nick Couldry. Actor network theory and media: do they connect and on what terms?

Kathleen Olson. Cyberspace as place and the limits of metaphor.

Stine Gotved. Time and space in cyber social reality.

Kingsley Dennis. Time in the age of complexity.

Raquel Recuero. Memes em weblogs: proposta de taxonomia.

Akshay Java el allii. Why we Twitter: understanding microblogging.

Adrian Mackenzie. Wi-fi and the cultural inversion of infrastructure.

Extras

Pablo B. Books to think with

Vários. Mobile technology

JOIN US – A ERA DA COLABORAÇÃO

// January 31st, 2009 // No Comments » // A REDE

Não tinha visto ainda essa série de 5 minidocumentários de 15 minutos cada sobre colaboração, transmitido pela IdealTV.

Gravada nos Estados Unidos pela The Information Company, a série de cinco episódios apresenta entrevistas inéditas com os líderes desta revolução tecnológica em Seattle, San Francisco e no Vale do Silício.
Entre eles o criador do GoogleDocs, Sam Schillace e o chefe de desenvolvimento da Wikipedia, Kul Wadhwa.

Abaixo, os links para os capítulos:

1) Sustentabilidade colaborativa

2) Linkedin

3) Craiglist e Prosper

4) Aplicações Colaborativas

5) Colaboração