Postado em Feb 6, 2009

MULTIMÍDIA NYT: ONE IN 8 MILLION

Lá vem de novo o New York Times com um dos grandes trabalhos multimídia que já vi por aí. Este se chama One in 8 Million e é algo no estilo do que fez  o Washington Post com o On Being.  Na verdade, dá pra chamar de um On Being melhorado.

São basicamente depoimentos e fotografias de pessoas comuns. Nada demais, não fosse a apresentação multimídia espetacular.

Ainda vamos fazer um desses no Brasil.

Postado em Jan 24, 2009

ALGUMAS IMPRESSÕES: CAMPUS PARTY 2009

Um evento de tecnologia. Um espaço onde gente do mercado (publicitários, investidores, desenvolvedores e outros por aí) tenta fazer contatos e mapear possíveis “parcerias”. Uma competição barulhenta de video-games. Uma oficina de código para programadores. Um acampamento de férias da turminha do colegial classe média, misturado com um Acampamento da Juventude do Fórum Social Mundial. Uma lan-house gigante, com todo mundo no Orkut e no MSN ao mesmo tempo. Um oficina mecânica para computadores tunados. Um espaço para shows e para gente que cria música no PC. A turma do software livre. Lá no fundo, bem minoria mesmo – mas com destaque na imprensa, talvez porque aí esteja também a novidade -, um encontro de pensadores livres, de idéias progressistas e de gente que tenta construir redes éticas para mudar o mundo.

Depois de ter passado alguns dias no #CParty, a impressão principal foi essa: a de que, no fundo, é um encontro de fãs de tecnologia para computadores – seja software ou hardware -, e que são poucos ali os preocupados com os rumos dessas mesmas tecnologias. Corrijam-me se estiver errado.

Ouvi alguns dizerem que o Campus Party desse ano estava “mais voltado para o mercado, com as empresas tomando conta de tudo”, e menos “bicho-grilo geek”. Disseram que “a vibe do encontro estava diferente, mais pesada”. Ouvi chamarem de São Paulo Fashion Geek. Não estive em 2008, mas acredito. Lembro de alguns protestos bem humorados (essa história até se repetiu, mas já não era novidade). Dessa vez, fora o protesto contra o projeto do Azeredo (que também teve em 2008), soube de histórias bem deprimentes, como a expulsão de um grupo de música do palco, simplesmente porque não gostavam da música (atitude “nerdista”, meio nerd e meio nazista); e o roubo de notebooks, provavelmente incentivado por gente que fez um vídeo explicando como burlar a segurança.

Me parece também que, em geral, foram bons os encontros entre blogueiros, famosos ou não. Encontrar fisicamente aqueles que conheciam apenas virtualmente sempre é válido, fortalece laços criados na web. Desses encontros surgem projetos, idéias, amizades e outras redes. O contato pessoal ainda é imbatível na eficácia para troca de informações. Agora, quais informações? Essa é a questão.

Dahmer já dizia não acreditar em nenhuma revolução patrocinada por qualquer multinacional – ou algo mais ou menos assim. De fato, o Campus Party não me pareceu trazer nenhum grande avanço em nenhum sentido (comparando com as redes e as ações que se formam a partir do FSM ou do FISL, por exemplo). Talvez tenha gerado algumas idéias para alguém ganhar algum dinheiro, talvez alguns contatos que possam render emprego. E talvez, quem sabe,  lá num espaço qualquer, alguns dos encontros produzam conhecimento que sirva para melhorar o mundo um pouquinho. Sendo bem otimista.

Postado em Jan 5, 2009

O JORNALISMO CEGO E O ESTADO TERRORISTA

  A faixa diz “somos Gaza”. Fará parte deste blog a partir dos últimos acontecimentos.

Acompanhar a cobertura jornalística (que se diz jornalística) nos últimos dias tem sido dolorido. O condicionamento cultural (ou má fé mesmo mal jornalismo mesmo) que alguns veículos demonstram é triste e revoltante. Salvam-se poucos articulistas e jornalistas. Por sorte, hoje, temos outros meios para nos informar sobre o que ocorre em Gaza.

O título abaixo, publicado hoje (5) na Folha de S. Paulo,  é o exemplo de toda a cobertura que vem sendo feita pela mídia nos últimos dias:

Israel intensifica bombardeio no norte de Gaza; Palestinos atacam creche

A leitura disso é: Israel nunca pretende ferir inocentes, enquanto os palestinos, terroristas, miram em crianças. Quando Israel acerta crianças, é efeito colateral. Quando o Hamas (e não os palestinos, genericamente) acerta creches, é um ataque deliberado (sem contar que ninguém morreu com a bomba que caiu na creche – não havia ninguém lá). Estou para ver uma manchete assim: “Israelenses matam crianças; Hamas contra-ataca com mísseis”. É o viés contrário (e tem os mesmos problemas, diga-se).

Este massacre (não se trata de uma guerra quando um dos exércitos mais poderosos do mundo ataca uma favela) é um exemplo do que pode ganhar o jornalismo quando ele olha para quem está contando – e vivendo – a história. Longe das redes broadcast das agências internacionais.

Aqui vão alguns exemplos do que está acontecendo por aí. Se o jornalismo não estivesse cego (ou morto, salve Jorge), estaria olhando pra cá neste momento.

UPDATE: Se for para ler um único texto, que seja este, de Robert Fisk, correspondente do Independent e melhor jornalista do mundo.

Os textos de Robert Fisk: não precisa de apresentações

Gaza Talk:  um blog com alguns dos melhores artigos e vídeos sobre o que realmente acontece

War on Gaza: infográfico participativo da Al-Jazeera

In Gaza: um blog debaixo do bombardeio israelense

From Gaza: outro blog, de uma “52-year-old woman who has lived in the Middle East since 1984″.

Al Jazeera: notícias que não saem na CNN

Palestina Ocupada: série de bons textos de Idelber Avelar

UPDATE: lista em atualização com links propostos nos comentários.