MANY EYES: INFOGRAFIA DO ESTADÃO

// December 4th, 2009 // JORNALISMO

Vale prestar atenção no que anda fazendo o Daniel Jelin, editor de especiais do Estadão. Depois de ter feito algumas das poucas experiências brasileiras com newsgames (ele fez o SuperTrunfo do Brasileirão), agora usou o software Many Eyes para apresentar infografias sobre assassinatos no Brasil.

O Many Eyes é um projeto da IBM, que aposta que o que falta não são dados, mas visualização inteligente deles. Assim, fornece ferramentas para qualquer um montar gráficos interessantíssimos. (Uma crítica boa que vale ser feita ao software é que nada é livre, nem os gráficos são exportáveis, nem nada; tudo fica preso lá dentro. Mas é claro: é um projeto da IBM.)

Jelin uma vez me disse que poucos comentam isso, mas para ser jornalista multimídia, especialmente em trabalhos como esse, o chamado jornalismo de banco de dados, o sujeito tem que ser “pé-de-boi”. Ou seja: trabalhar bastante, preenchendo tabelas repetitivas, checando três vezes tudo de novo depois. Tem gente que não agüenta (”mas eu queria sair na rua e conhecer o mundo”. “senta aí moleque e termina essa tabela”).

Esse é um desses casos. O resultado é sensacional. Mas precisa de um pé-de-boi pra preencher os dados e gerar as planilhas…

Abaixo, o Daniel Jelin conta um pouco como fez a coisa:

o datasus é a base de um certo mapa da violência no brasil, que a gente representou lá mesmo no blog, com dados até 2006 (http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/2009/11/10/a-geografia-da-violencia/). um dia eu soube pelo jose roberto de toledo que a base havia sido atualizada com os dados de 2007. o próprio toledo me chamou a atenção para alguns pontos interessantes, como o fato de o rio de janeiro ter passado são paulo em número de homicídios. bom, fui ao datasus, comecei a gerar planilhas e mais planilhas e procurei o bruno paes manso. o bruno cobre e estuda violência tem 10 anos. é dele a ideia do blog, e foi ele que me convidou pra participar. a gente deu uma olhada na montanha de dados e nos decidimos pelas séries históricas. como a coisa tem evoluído nas grandes cidades? pensamos a princípio em trabalhar só com capitais ou só com as dez cidades mais violentas. é um recorte que a gente faria, tipicamente, se tivéssemos que produzir nós mesmos os gráficos, no flash, no illustrator, ou coisa parecida (dá uma trabalho danado mexer com montanhas de dados). mas não temos que inventar a roda, né? não, não temos. o manyeyes – é o que eu acho mais maravilhoso – permite que o jornalista faça um recorte, e o leitor, tantos quantos mais quiser. e tem ainda uma otura coisa, super sutil e interessante, que é preservar separadamente o conjunto de dados (’datasets’) e suas representações gráficas (’visualizations’). você sobe a base e pode testar à vontade, até chegar na ‘visualization’ que mais lhe agradar. e ainda funciona como rede social! quer dizer…  quer mais o quê? eu quero mais é que eles continuem investindo na ferramenta e – isso é importante – que lancem logo uma versão em português.

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4 Responses to “MANY EYES: INFOGRAFIA DO ESTADÃO”

  1. Oi Andre,

    Adorei o seu post sobre a materia que saiu no Estadão com os infográficos do Many Eyes. So’ queria fazer uma observação: todas as visualizações feitas no Many Eyes são exportáveis sim. Abaixo de cada uma delas existe um botão que diz “share this” que permite a exportação para qualquer site (da mesma maneira que você exporta um vídeo do youtube, você tambem pode exportar uma visualização dinâmica do Many Eyes). O pessoal tem usado muito essa feature: desde jornais como o NY Times e o Washington Post ate’ blogueiros e crianças.

    um abraço,
    - Fernanda

  2. Andre Deak says:

    Oi Fernanda,

    Antes de mais nada, parabéns pelo seu trabalho no Many Eyes. Vi sua apresentação no TEDxSP, realmente incrível. (Pra quem não viu, outra das funcionalidades do Many Eyes, que a Fernanda demonstrou lá: as relações e contextos dentro de um texto, no caso, o roteiro da novela Viver a Vida, com foco na personagem Isabel – uma chata, pelo que o gráfico mostra, já que ela “provoca”, “esconde”, “implica”, entre outros verbos que pratica. Vale dar uma olhada:

    http://manyeyes.alphaworks.ibm.com/manyeyes/visualizations/viver-a-vida-6

    Acho inclusive que a gente podia fazer uma entrevista tua aqui no blog, que tal?

    Sobre o exportar, eu estava querendo dizer exportar mesmo, tipo fazer download, até porque existe toda uma discussão sobre produção de conhecimento que fica “presa” dentro de sites proprietários, como o YouTube mesmo. Se o YouTube (ou a IBM) decidirem que a partir de hoje, o que está lá dentro não será mais visto, não há como recuperar o trabalho. Ou, pior, se o YouTube acabar (o que não deve ocorrer, tampouco a IBM, mas o futuro é sempre incerto), toda aquela produção pode se perder.

    O que o Many Eyes permite é “embedar” em blogs e sites, que é legal, ok, como o YouTube faz. Mas ainda assim fica lá no servidor deles – legal mesmo ia ser ver, inlcusive, o código aberto das infos, inclusive para poder criar novas interatividades.

    No mais, o Many Eyes é realmente incrível, uma ferramenta valiosa não só para estudantes, jornalistas, mas todos aqueles interessados em transformar dados brutos em conhecimento, contexto, visualização.

  3. Com certeza, seria maravilhoso poder contar com ferramentas abertas. Nesse sentido, a gente ja’ tem acesso a alguns toolkits criados especialmente para a criação de visualizações e infográficos: processing, prefuse, flare e, mais recentemente, protovis.

    Será um prazer fazer uma entrevista.

  4. Fernanda, uma brasileira – é muito orgulho pra nós, brasileiros.
    É com enorme satisfação que vejo a materialização de uma filosofia inteligente e revolucionária de organização de dados e de geração de informação visual. Sempre pensei como você, em essência, pela minha preocupação constante em conseguir sempre uma melhor forma de transmitir qualquer tipo de informação. Mas depois do que eu acabo de ver, cheguei a atingir um "satori" por alguns instantes, e você se tornou minha "gurua". Acabo de escrever um livro de Marketing Emocional (ainda em avaliação por Editoras) bastante ousado, para tentar explicar os mecanismos psicológicos e físicos que levam ao SUCESSO. No desenvolvimento dessa minha proposta, sob a forma de palestras ou consultoria, o Many Eyes passará a ser uma ferramenta estratégica, pois me permitirá validar a solução-algoritmo que criei e seus elementos periféricos. Estou à tua disposição para filosofarmos mais aplicações do Many Eyes ou qualquer assunto que você queira abordar.

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