ARGENTINA VENCEDORA DO FNPI: ENTREVISTA COM MARIA ARCE, DO CLARÍN
Conheci Maria Arce, a jornalista argentina do Clarín, vencedora do Prêmio da Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano 2009 em Santa Catarina, por conta da VIII Semana de Jornalismo da UFSC.
Eles venceram na categoria internet com o especial Ruta 66. Percorreram o trajeto de 4 mil km nos EUA entrevistando pessoas sobre as eleições norte-americanas, e reportando dia-a-dia. Maria Arce foi a produtora, fez entrevistas, gravou vídeos e tirou fotos durante o trajeto.
Abaixo, uma breve entrevista com ela.
Como foi o processo de pauta? Como surgiu a ideia?
A ideia foi de Paula Lugones, em 2004, enquanto cobria as eleições nos EUA. Ela visitou vários estados, mas não havia conexão entre eles (noticiosA). Ela procurou algo que os unisse. Aí ocorreu a ela cobrir as eleições de 2008 pela rota 66. Mas em 2004 a internet era jovem ainda e ela não havia pensado o projeto para web. No começo de 2008 fizemos uma reunião para ver como poderíamos realizar uma cobertura multimídia. Me dei conta de que a forma tradicional de especiais multimídia do Clarín.com não era viável [apurar e, depois de algumas semanas de edição e programação, publicar]. Não podíamos viajar, gravar e voltar para processar tudo. Então surgiu o maior desafio de todos: um multimídia em tempo real, feito do exterior. Foi o primeiro na história da Argentina e, até onde sabemos, de toda América Latina pelo menos.
E a execução? Um mês na estrada, literalmente? Como foi?
Paula Lugones e eu estivemos na rota 66 por 40 dias. Mandávamos material todos os dias. Trabalhamos até 20 horas por dia em alguns dias. O material enviado podia ser notas, vídeos, galerias de fotos, áudios ou posts. do nosso blog. Tudo editado nos Estados Unidos.
Quantas pessoas fizeram o especial? O que fez cada uma?
Basicamente o trabalho todo fizemos eu e Paula. Paula se dedicou a escrever as notas publicadas na edição impressa do Clarín, que depois iam ao Clarín.com. A equipe do Clarin.com em Buenos Aires – umas 15 pessoas alternadamente – publicava na home nosso material. Uma outra fez a infografia animada e outras cinco fizeram a plataforma em flash do especial.
Tem ideia do investimento, em dinheiro, feito pelo Clarín? O Clarín é um dos poucos jornais na América Latina que faz investimentos em multimídia. Por quê?
Clarín.com sempre quis estar na vanguarda e isso significa apostar no multimídia. Sempre fez isso. Clarin.com sempre busca novos formatos narrativos, experimentamos, arriscamos e provamos, assim, que é possível fazer jornalismo digital. O custo da cobertura poderíamos dizer que foi de uns US$ 25 mil aproximadamente, entre passagens, hospedagem, custos gerais, etc.
Que equipamento levou? O que levaria se fosse fazer a viagem hoje?
Viajei com uma maleta cheia, laptop, câmera de video HD, tripé, máquina fotográfica, Ipod, 120 cassettes, fones de ouvido, 3 celulares (um da Argentina, um dos EUA e um capaz de transmitir vídeos ao vivo, 3G), um modem 3G. Transformadores, cabos USB, carregadores para cada um dos equipamentos, e adaptadores para carregar baterias no carro. Duas baterías para a câmera de vídeo.
Hoje eu levaria um netbook, uma câmera flip e uma de fotos. Sem cabos, carregadores, nada. Um quinto do equipamento, e tudo caberia no meu bolso.
O que um jornalista precisa saber para realizar isso? Qual a formação necessária?
Saber editar vídeos e fotos, ter um blog, produzir e gravar. Pensando sempre em qual formato é melhor para cada conteúdo. Não adianta publicar fotos por publicar. As imagens têm sua razão. Todo formato é assim. Isto é ser um verdadeiro jornalista multimídia: ter a capacidade de pensar uma cobertura em todos os formatos.










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