#FAIL FSP ONLINE SEGUE ONDA ULTRAPASSADA

A Folha de S. Paulo lançou uma versão online do jornal impresso. É mais um passo na história de trombadas e retrocessos que a empresa vem dando a caminho da integração.
A opção do jornal foi pelo modelo de Flip Page, em flash. É aquele efeito de virar a página, como se fosse o jornal de papel. Muitas revistas também usam isso, como mostra o site da empresa que desenvolveu pra Folha, a Digital Pages.
Já ouvi de algumas pessoas que desenvolvem projetos na web que muitos clientes ainda gostam deste visual. Principalmente os mais velhos, que se sentem confortáveis, que reconhecem na nova mídia aquela outra com a qual estavam acostumados. Algumas versões do flip page fazem até o barulho do papel virando. Se tivesse cheiro de jornal e manchasse o dedo, talvez gostassem ainda mais. Mas para esse público, creio que o ideal talvez fosse que o jornal na web, um dia, pudesse ser, na verdade… impresso.
Exagero. Existem algumas vantagens em relação ao impresso. O Flip Page Effect, conforme a Wikipedia:
Flip page refers to the effect of flipping through the pages of a digital document as if it was a physical document. A flip page application is often made in Adobe Flash and requires the Adobe Flash Player to run in a browser window. The benefit of having a flip page document is that it affords the user experience of reading an actual copy of a physical document or magazine. The technology is commonly used by traditional publishers that want to create (and spread) a digital version of their physical document/paper/magazine.
The illusion of having a tangible document on your computer is supposedly more powerful with the flip page function since it mimics the natural way of browsing through a physical document, yet at the same time allows the user to use the traditional electronic benefits like searching through a document, jumping to a certain page, links to external websites etc.
Entendo essas vantagens, mas ainda assim é possível criar outro lay-out, específico para a internet, mais interativo e com mais usabilidade do que a simples reprodução das páginas impressas.
A internet é algo novo (nem tão novo assim, mas cada dia está mais rápida e chegando mais longe, pra mais gente). Tentar repetir na rede “a sensação” de uma outra mídia me parece bastante equivocado, a não ser que a estratégia seja, unicamente, dialogar com o público mais velho do jornal.
No início, as novas mídias sempre tentam repetir as antigas, até por não saberem lidar com o novo. O rádio levou tempo para encontrar uma maneira de narrar que não fosse a monotonia da leitura de um texto ao vivo. Muitas estrelas do cinema mudo fracassaram quando chegou o áudio, sem saber como interpretar com palavras. O mundo audiovisual levou décadas para encontrar uma linguagem adequada – e segue se reinventando.
Com a internet não será diferente – busca-se a fusão de todas as linguagens anteriores, com a introdução de uma interatividade nunca vista.
O Flip Page surgiu em 2002. Não pegou. Não veio para ficar. Não é uma “puta idéia”.
Ou alguém aí acha que é?










Gente que faz post que eu faria.
hahahah
“searching through a document” e “links to external websites” é uma puta de uma mentira, porque o flip nada mais faz do que pegar uma imagem e importar pro flash.
Eu usei isso quando fizemos o trabalho de uma fotonovela. Não indexa nada, é imagem. Igual no http://www.metronews.com.br, que usa a mesma tecnologia, mas é ainda pior que a Folha, porque o site deles se resume a isso. Triste.
Concordo plenamente com você. Ninguém sabe o que é internet, como usar, o que come. E, sabe, todo mundo esquece que é só uma rede de pessoas buscando informação. Só isso.
Se eu quiser um jornal, compro na banca. #fikdik
Cara, discordo totalmente. Teho 26 anos e espero que isso não seja velho pra vc, mas gostei da versão do jornal flip page quando vi hoje. A idéia principal é reproduzir totalmente o conteudo do jornal impresso, com fotos, diagramação, etc… A versão on line da Folha sempre foi ruim por perder muita coisa, principalmente as imagens…
e veja seu equívoco, a versão flip page é jo jornal Folha que é impresso. Se vc quer ver uma mídia on line veja apenas o Folha on line que exatmente isso que vc quer. São coisas diferentes.
Maurício, legal você escrever que gostou – serve para eu reavaliar minhas opiniões, porque achava que o Flip Page tinha zero de aprovação entre os mais joves (incluídos os de 26
Aliás, eu já passei da curva.
Mesmo assim, acho que quem quer jornal impresso, compra impresso; quem quer online, acessa na internet. O jornal impresso na internet me parece como ler um livro no rádio – simplesmente não dá para transpor uma mídia para outra.
Até entendo que sirva para a questão do acervo, centimetragem, verificar onde foram as publicidades, etc. Se o custo de fazer isso é quase zero (a versão Flip), até acho válido.
Mas a internet, o jornalismo online, é outra coisa; e manter duas redações, uma para o online, outra para o impresso, concorrentes ainda por cima, como a folha faz, é loucura. Pra dizer o mínimo.
4bs.
Acho que flip page na web tem uma usabilidade péssima.
É muito legal para ver, para revistas de design com páginas cheias de imagens vazadas. O problema é ler… O tamanho das colunas nunca “cabe” na tela, e ficar movendo de um lado para o outro acaba se tornando mais confuso (e lento) do que deveria.
Olha o site da Folha, a interface até que ficou bacaninha, clicando nas colunas. Mas na minha tela (wide), ele distorceu para a horizontal, o que eu achei um tanto tosco também. O anúncio do Itaú também achei um tanto invasivo demais, mas isso pode ser frescura minha.
Acho interessante para quem quer ver assim. Mas acho primordial oferecer o texto como texto, sempre. Até porque, em 2009, ignorar acessibilidade, é algo impensável. Caramba, e os cegos?
Salve André.
O Flip é um recurso, há quem goste. Eu acho que serve, depende do propósito.
A revista que fazemos na ABM é publicada online é em flip o recurso atende a necessidade e o indexamento de conteúdo funciona bem. É possível procurar um texto e ele será apresentado como imagem.
O meu público é mais velho, pré geração x. Eles gostam, ficam maravilhados!
Existe uma experiência bem legal de uma revista que anima as páginas, é a Flush. Nela um anúncio pode piscar, uma imagem pode se transforma em slide show, um infográfico pode ganhar vida. Claro que isso pode acontecer fora desse formato.
Os dois exemplos:
Revista Metalurgia e Materiais
http://revistamm.cviewer.com/amm/cViewer/edicao.asp?ed=597
Revita Lush
http://www.revistalush.com.br/14/mag.html
Acho que o enfoque é mercadológico. Trabalhei por cinco anos no Estado de Minas e sei que o público que ainda assina o jornal ou compra na banca são adultos e idosos. Jovens, e são poucos, já o leem pela inernet.
Não sei como é a distribuição por faixa etária dos leitores da Folha, mas penso que eles não querem afugentar e sim fidelizar para, aos poucos, incorporar as potencialidades do novo suporte.
Dessa forma, podem conciliar aqueles que são leitores e os que ainda vão se tornar.
André, discordo de você. Sou publicitário, consultor de marketing digital, leitor da folha a mais de 5 anos e estou dentro da faixa jovem, 24 anos. Eu acho que o Maurício ai em cima tem uma opinião parecida comigo. Eu gostei de a Folha ter lançado uma versão fidedigna do jornal, pois eu já conheço bem o Produto (Jornal Folha de S. Paulo) e não tenho muito tempo e não gosto de folhear aquelas páginas gigantescas… Adorei a idéia pois consigo ler as notícias sem segurar aquele trambolhão que é o jornal impresso. No entanto achei as fontes um pouco pequenas, e acredito que poderiam ter opções de formatos maiores para melhorar a acessibilidade, viso que o trabalho do jornal é simplesmente “ripar” um arquivo .pdf fechado do jornal que foi para a gráfica. Eu sou um dos maiores entusiastas da web 2.0 mas acho que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Quando você quer transpor um produto de um meio para outro não deve descaracterizá-lo. Ainda mais um projeto gráfico e diagramação peculiares que já possuem afinidade com o público-alvo. Para isso existe a Folha online (essa sim, muito pobrezinha). Portanto, discordo do seu ponto de vista, mas a democracia é isso, pessoas que pensam diferente dialogando para chegar em um lugar melhor. Abraço!
Gente, obrigado pelos comentários. Estou sinceramente reavaliando o que eu achava.
Depois de lançar este post, conversei sobre isso com outras pessoas e acho que o modelo tem uma função ainda, há espaço para isso. Acho também que cada vez menos terá essa função, mas talvez seja um modelo de transição. Uma espécie de .pdf com animação da página virando e alguns menus que facilitam a busca e navegação, pra quem simplesmente quer o jornal impresso como o conhece, mas num ambiente novo.
Mas não sou mesmo o público alvo disso.
Outro ponto interessante de colocar aqui é a sobrevivência do jornalismo impresso.
Cada vez mais existe uma cobrança para que se mantenham políticas sustentáveis sobre o meio ambiente e transpor o jornal impresso, como forma de papel, na rede, é uma forma de aderir à causa. Não me espantarei se num futuro não muito longínquo os jornais tradicionais pegarem essa ideia no ar e estimularem seu público a ler a versão na rede.
E de que forma podem cativá-los? Ora, digitalizando as páginas do jornal impresso que todos estão acostumados a ler.
Essa é uma forma de impedir que o jornalismo impresso morra. Pode morrer em sua forma, mas sua linguagem, seu visual, suas especificidades, serão mantidas on-line, o que sai mais barato p/ a empresa jornalística e p/ o meio ambiente.
E, como um jovem rapaz de 21 anos, gostei da ideia dos jornais se adaptarem conforme o conteúdo do impresso p/ a rede, SIM. Só concordo que a Folha deve melhorar o print do conteúdo impresso.
Ah, tem um site, o Library Pressdisplay, que disponibiliza jornais de mais de 50 países do globo. A Folha de lá é bem mais ‘legível’ que a experiência que expõe no site.
Abraço!
[...] 7, 2009 · Deixe um comentário O jornalista André Deak fez, há algum tempo, uma crítica bastante pontual ao sistema Flip Page, adotado recentemente pela Folha de S.Paulo para exibir sua edição na web _e [...]