BLOG DA PETROBRAS #FISL
// June 25th, 2009 // CulturaDigitalBR
Pedro Doria foi chamado para falar sobre o Blog da Petrobras no Fisl – a Petrobras também, mas não apareceram. O assunto vem rendendo conversas de botequim e taquicardias em redações de jornal. Para quem não sabe, resumidamente, a empresa resolveu fazer um blog onde publica as perguntas que recebe dos jornalistas por email e também as respostas que envia para todas as questões, desde que surgiu a CPI da Petrobras. Causou furor.
Os jornalistas que atacam o blog usam principalmente o argumento de que o blog “fura” o veículo, uma vez que dá informações sobre a reportagem que está sendo investigada antes dela ser publicada. Doria segue essa linha e disse que, se o blog publicasse sempre, antes do jornalista, os indícios da apuração, revelando o curso da investigação, então os jornalistas terminariam parando de perguntar para a Petrobras. Sinceramente, chamar entrevista por email com a assessoria de imprensa de investigação é uma piada. Se este é o nível de investigação que temos, é melhor não perguntar nada mesmo.
Marcelo Branco, um dos coordenadores do Fisl, que propôs o debate e estava acompanhando da platéia, apimentou: “A Globo disse que a pergunta é uma propriedade intelectual da Globo” [o que acabou sendo ridicularizado como sendo a criação da "pergunta em off"]. Outro sujeito da platéia disse que pesquisou e em nenhum lugar uma lista de perguntas pode ser considerado “propriedade intelectual”. Doria respondeu que não sabia nada sobre isso e encerrou o debate (que, antes, tinha descambado para o fim do diploma, blogs x jornalistas, etc etc etc etc etc).
Sobre o blog da Petrobras há outra crítica, mais pontual, que diz que não se pode chamar de blog, já que é mais uma ferramenta de divulgação do que uma troca de informações com a rede. Blog seria uma ferramenta mais completa (e o Blog do Lula, inclusive, não deverá ser chamado de blog, já que não deverá ter espaço para comentários – a moderação disso seria impossível). Particularmente, acho que o blog é simplesmente o nome da ferramenta, como telefone – o uso que se faz independe do formato blog. Mas essa é quase uma discussão semântica.
O que deixa os jornalistas bastante arrepiados é notar que, agora, as fontes deles podem se insurgir contra eles próprios. Ou melhor: o jornalista não é mais o único “pedágio” entre a informação e o público. As fontes podem entrar em contato direto com o público para, inclusive, reclamar do jornalista que o entrevistou. Um dos posts da Petrobras é, por exemplo, “O Globo requenta novamente seu factóide“.
Muitos discutiam sobre fazer algo similar, levar ao público um pouco da – porca – apuração jornalística e, sob o viés do entrevistado, como é feita a “investigação nas redações”. A Petrobras fez um pouco disso. Ainda não é o melhor que poderia ser feito, mas já é bastante. Muito mais do que qualquer outra fonte fez.





Eu acho absolutamente contundente a iniciativa de fazer um blog sobre uma das maiores empresas do nosso país.
Isso é democracia; se os jornalistas acham que podem ter exclusividade de suas perguntas ‘de propriedade intelectual’, não estão do lado da democracia e do compromisso com o público. Acham que estão no direito de serem reprodutores de uma realidade mesclada com ideologia.
E a Petrobras pode pegar os pelegos que insistem em fazer na curva
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André de Schuch d´Olyveira
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