Posted on Jun 7, 2009

JORNALISMO NA INTERNET: CURSO DA REVISTA CULT

Estive nos dois dias do curso da Revista Cult sobre jornalismo na internet. Publico aqui alguns destaques das apresentações:

Marco Chiaretti, editor-chefe do Estadão Online.
Chiaretti, que trabalha com jornalismo online há 15 anos (ele estava lá) fez uma exposição clara sobre o desenvolvimento do setor.

Resumindo bastante: segundo ele, o jornalismo online começa com um pensamento simples dos donos dos veículos: se estamos ganhando 1 distribuindo as notícias em mídias tradicionais, talvez possamos ganhar 1.2 distribuindo também online, mas sem gastar 0.2 para isso. Basta “otimizar” e “integrar”.

Tempos depois, o custo de operação do online aumentou (agora todos precisam ter vídeos, infografias, etc), enquanto a publicidade não transferiu ainda para a rede os investimentos que faz nos meios tradicionais. Estaríamos num momento de transição, em que, finalmente, teremos o jornal funcionando prioritariamente no online. Citou o Die Zeit alemão, jornal semanal, como exemplo do que poderá se tornar o jornal impresso.

Chiaretti prevê ainda que a reportagem – item mais caro do jornalismo – deve diminuir cada vez mais dentro das redações, o que já ocorre, aliás.

Sobre jornalistas multimídia, disse que é impossível que alguém faça tudo ao mesmo tempo – cada formato tem sua particularidade. Contou uma história interessante: quando Lourival Santanna foi à Amazônia e entrevistou “o último brasileiro“, voltou com uma reportagem multimídia: vídeo e texto. Pra nunca mais. Teve que entrevistar duas vezes o personagem, uma para o texto, outra para o vídeo, já que o formato do vídeo exige outro enfoque.

Lígia Braslauskas, editora da redação da Folha Online
A Folha Online tem cerca de 40 jornalistas, e todos eles têm existe uma câmera portátil Flip que é usada rotativamente pelos repórteres. [update: talvez eu tenha entendido errado o que disse a editora, quando disse que todos usam uma; me disseram depois que não é que existe uma para cada, e sim que sim que todos usam uma única].

A redação online da Folha praticamente concorre com a redação “de papel”. Como o conteúdo da Folha-papel é pago, via UOL, a redação online pode usar apenas 30% do conteúdo feito pela redação-papel. O resto vem de agências e dos 40 jornalistas que ficam na Barão de Limeira, num andar separado da outra redação – mas em breve juntos fisicamente, numa reforma que a Folha colocará em andamento.

Entre muitas histórias, contou como foi o começo do vídeo no online, bastante mambembe: a câmera ficava apoiada em cadeiras, e o teleprompter era um cara segurando um monitor no alto, enquanto apertava a barra de rolagem.

Segundo ela, a Folha Online se mantém com anúncios há 4 anos, independente já do faturamento do jornal.

Rodrigo Flores, gerente geral de notícias do UOL
Antes, o UOL News era a equipe de vídeo, e o Notícias fazia texto. As equipes foram fundidas, as coberturas unificadas, sem redundância: um único repórter sai com máquina de foto, faz texto e grava entrevistas. Há um wiki, na intranet, para discussão de pautas.

Segundo Rodrigo Flores, o jornalista multimídia precisa ser alguém que:

- pense em diversos formatos (é a pauta que determina a forma do conteúdo)

- tenha conhecimentos técnicos diferentes e se assuma como profissional multimídia

- jornalista com cabeça de editor (já que terá que optar, na rua, pela melhor forma de capturar a história)

Segundo Flores, o UOL cresceu 50% no primeiro semestre de 2009, com 2 milhões de assinantes, com lucro líquido há 5 anos. 40% da audiência do UOL vem da home.

Endrigo Chiri, editor do B.CoolT e ex-editor online da revista Trip
“Quanto mais polivante, mais interessante” o jornalista, diz. Algumas histórias são melhores em áudio, outras em vídeo, outras em texto. “Se você souber um pouco de tudo, melhor. O mercado pede isso. Mas sempre vão existir especialistas”.

Ele conta que na Trip prepararam workshops de vídeo, e o interesse foi de 100% dos jornalistas. “O mercado procura um jornalista mais completo”.

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