JORNALISMO NA INTERNET: CURSO DA REVISTA CULT

Estive nos dois dias do curso da Revista Cult sobre jornalismo na internet. Publico aqui alguns destaques das apresentações:

Marco Chiaretti, editor-chefe do Estadão Online.
Chiaretti, que trabalha com jornalismo online há 15 anos (ele estava lá) fez uma exposição clara sobre o desenvolvimento do setor.

Resumindo bastante: segundo ele, o jornalismo online começa com um pensamento simples dos donos dos veículos: se estamos ganhando 1 distribuindo as notícias em mídias tradicionais, talvez possamos ganhar 1.2 distribuindo também online, mas sem gastar 0.2 para isso. Basta “otimizar” e “integrar”.

Tempos depois, o custo de operação do online aumentou (agora todos precisam ter vídeos, infografias, etc), enquanto a publicidade não transferiu ainda para a rede os investimentos que faz nos meios tradicionais. Estaríamos num momento de transição, em que, finalmente, teremos o jornal funcionando prioritariamente no online. Citou o Die Zeit alemão, jornal semanal, como exemplo do que poderá se tornar o jornal impresso.

Chiaretti prevê ainda que a reportagem – item mais caro do jornalismo – deve diminuir cada vez mais dentro das redações, o que já ocorre, aliás.

Sobre jornalistas multimídia, disse que é impossível que alguém faça tudo ao mesmo tempo – cada formato tem sua particularidade. Contou uma história interessante: quando Lourival Santanna foi à Amazônia e entrevistou “o último brasileiro“, voltou com uma reportagem multimídia: vídeo e texto. Pra nunca mais. Teve que entrevistar duas vezes o personagem, uma para o texto, outra para o vídeo, já que o formato do vídeo exige outro enfoque.

Lígia Braslauskas, editora da redação da Folha Online
A Folha Online tem cerca de 40 jornalistas, e todos eles têm existe uma câmera portátil Flip que é usada rotativamente pelos repórteres. [update: talvez eu tenha entendido errado o que disse a editora, quando disse que todos usam uma; me disseram depois que não é que existe uma para cada, e sim que sim que todos usam uma única].

A redação online da Folha praticamente concorre com a redação “de papel”. Como o conteúdo da Folha-papel é pago, via UOL, a redação online pode usar apenas 30% do conteúdo feito pela redação-papel. O resto vem de agências e dos 40 jornalistas que ficam na Barão de Limeira, num andar separado da outra redação – mas em breve juntos fisicamente, numa reforma que a Folha colocará em andamento.

Entre muitas histórias, contou como foi o começo do vídeo no online, bastante mambembe: a câmera ficava apoiada em cadeiras, e o teleprompter era um cara segurando um monitor no alto, enquanto apertava a barra de rolagem.

Segundo ela, a Folha Online se mantém com anúncios há 4 anos, independente já do faturamento do jornal.

Rodrigo Flores, gerente geral de notícias do UOL
Antes, o UOL News era a equipe de vídeo, e o Notícias fazia texto. As equipes foram fundidas, as coberturas unificadas, sem redundância: um único repórter sai com máquina de foto, faz texto e grava entrevistas. Há um wiki, na intranet, para discussão de pautas.

Segundo Rodrigo Flores, o jornalista multimídia precisa ser alguém que:

- pense em diversos formatos (é a pauta que determina a forma do conteúdo)

- tenha conhecimentos técnicos diferentes e se assuma como profissional multimídia

- jornalista com cabeça de editor (já que terá que optar, na rua, pela melhor forma de capturar a história)

Segundo Flores, o UOL cresceu 50% no primeiro semestre de 2009, com 2 milhões de assinantes, com lucro líquido há 5 anos. 40% da audiência do UOL vem da home.

Endrigo Chiri, editor do B.CoolT e ex-editor online da revista Trip
“Quanto mais polivante, mais interessante” o jornalista, diz. Algumas histórias são melhores em áudio, outras em vídeo, outras em texto. “Se você souber um pouco de tudo, melhor. O mercado pede isso. Mas sempre vão existir especialistas”.

Ele conta que na Trip prepararam workshops de vídeo, e o interesse foi de 100% dos jornalistas. “O mercado procura um jornalista mais completo”.

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This entry was posted on Sunday, June 7th, 2009 and is filed under CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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