JOGOS, INTERATIVIDADE E JORNALISMO: NEWSGAMES
Você é um jornalista que investiga maquilladoras no México – fábricas que exploram trabalhadores, poluem o meio ambiente, normalmente vinculadas a multinacionais que procuram mão-de-obra barata. Irá entrevistar membros da comunidade, trabalhadores, sindicalistas, fiscais, visitar locais perigosos e juntar argumentos para a entrevista final: o dono da fábrica. Se tiver entrevistado as pessoas certas, e se tiver feito as perguntas certas, poderá usar os melhores argumentos na entrevista final e provocar respostas espontâneas que lhe darão, afinal, a prova do crime.
Este é o mote de Global Conflicts: Latin America. Jogo da empresa Serious Games, especializada nos chamados newsgames. Fez também Palestine, mas apenas o Latin America pode ser testado online.
Newsgames estão ficando mais complexos, mais interessantes e mais comuns. São difíceis de fazer, envolvem jogabilidade, design e jornalismo, campos que antes não se misturavam, mas que vão sendo engolidos pelas fronteiras cada vez mais líquidas do jornalismo (Bauman, Santaella).
A educação tenta utilizar “jogos educativos” há tempos, mas parece que é no jornalismo online que eles estão se desenvolvendo melhor. Quem conhecer casos interessantes, por favor comente.
Casos Made in Brazil
Nem todo jogo é um newsgame: há quem faça confusão, com produções bem estranhas em jornais por aí, como o PacMan Eleitoral (O Povo Online), abaixo:
Há também quem simplesmente copie boas idéias, inclusive no formato. A revista Veja reproduziu exatamente o modelo Candidate Match Game, do USA Today (abaixo):
Aqui o modelo original (foi atualizado para o segundo turno nos EUA):
A idéia do jogo é boa: inverte o foco, que normalmente está nos políticos, e faz perguntas ao usuário para indicar o candidato cujas respostas são mais próximas. Mas poderiam ser criadas versões mais criativas, sem utilizar a linguagem visual desenvolvida pelo USA Today. E não foi só a Veja: também o pessoal do portal UAI “reutilizou” o modelo norte-americano.
[E também vimos recentemente, no caso de especiais multimídia, a mesma linguagem usada pelo New York Times no 8 in a Million, servir de "inspiração" para a Revista Brasileiros.]Ou seja: as experiências que estão ocorrendo lá fora vão chegando ao Brasil, mas muitas vezes sem nenhuma “reciclagem”. Na semana que vem publico uma entrevista com quem está realmente criando newsgames brasileiros: Daniel Jelin, Editor de Especiais do Estadão.
MAIS:
Consumer Consequences














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