Posted on Apr 29, 2009

NEWSGAME: CONSUMER CONSEQUENCES

Consumer Consequences é um jogo da família dos chamados newsgames dos mais interessantes que já vi. Poderia ser chamado também de uma infografia de banco de dados, talvez. Apresentado de outra maneira, poderia ser, também, o que um dia foi uma grande reportagem. Mas quem sabe dê pra chamar de jornalismo video game.

Basicamente, o jogo é uma calculadora de impacto ambiental individual. Ou seja: você responde um questionário e, com base em uma apuração rigorosa, que está no banco de dados, o sistema calcula o quanto você faz mal ao planeta. Mais diretamente, aponta quantos planetas como a Terra seriam necessários se todos no mundo tivessem o mesmo padrão de vida que você leva.

Sabe-se, por exemplo, quantos metros quadrados são necessários para produzir X de alimentos; quantos acres são precisos para gerar X de energia elétrica não-renovável; quantos hectares são utilizados para  despejar tal quantidade de lixo.

Com base nisso, você insere seus dados no sistema e ele calcula: se todos fossem como você, precisaríamos de 4 planetas – ou 2, ou 5, ou 9, como alguns resultados apontam. (Talvez um apenas para morar em casas de 200 metros quadrados, outro para despejar lixo, outro para produzir alimentos – que são desperdiçados, aliás, e vão para o lixo e um para gerar energia. Isso o programa não diz, mas outros já disseram.)

Mais interessante: você compara seus resultados com a média do norte-americano e com todos os outros que responderam o quiz e informaram idade, profissão, faixa salarial (e quem ganha mais polui mais, aliás), sexo, etc.

O fato é que este método de apresentação de informação é muitíssimo mais eficaz do que um texto. Ou um vídeo-reportagem, ou um documentário, ou um programa de rádio. Aliás: o jogo foi produzido pela American Public Media,  uma organização não-lucrativa que opera rádios públicas nos EUA. De novo: rádios públicas. Que produzem um jogo online.

Alguns dizem que este pode ser o futuro do jornalismo científico. Acho que pode ser, independente de qualquer outra coisa, um belo modelo para apresentação de dados complexos de maneira interativa, leve e interessante. No mínimo.

PS: Alguém quer tentar realizar algo similar por aqui? Vamos?

MAIS: 

OJB sobre newsgames

Are newsrooms ready for games?

Tensões e oportunidades para jogos no jornalismo

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4 Comments

  • Eu topo!

    Muito interessante mesmo ver um trabalho assim ser produzido por uma rádio pública e numa perspectiva de jornalismo ambiental/científico. Acaba sendo mais que um jogo. É um infográfico interativo. Os textos estilo Capricho são coisa do passado!

    Por aqui, pensando em como seria bacana um projeto multimídia pra cobrir a gripe suína. Primeiro passo: apuração nos vilarejos onde a gripe surgiu. Vilarejos que já sofriam e denunciavam há tempos os criadouros nojentos e antiecológicos das transnacionais.

    abs,
    Juliana

  • Pedro Biondi says:

    Dei uma olhada! Bem interessante, André. Acho que um jogo consegue, mesmo, atrair mais pessoas, e mais perfis diferentes de pessoas, que uma reportagem.

    Isso mostra o timing que você teve quando idealizou um projeto nessa linha — com esse tema e baseado em interatividade…

    Engraçado: umas semanas atrás estava me perguntando se já havia uma calculadora de custos ambientais disponível na web. Imaginava algo que expusesse todos os possíveis efeitos negativos de uma determinada atividade. Por exemplo: vou comer uma pizza. Digito lá e vejo: a queima da madeira gera x de CO2; ela pode vir de desmatamento ilegal; o queijo vem da pecuária, que também gera gases etc etc. Um lanche geraria uma pegada menor? Seria possível bolar um indicador que desse conta dessas variáveis e permitisse comparações?

    O jogo adotou uma solução interessante, e mais macro, que já é bastante usada quando se fala do consumo dos americanos: quantos planetas seriam necessários se todo mundo (e todo o mundo) consumisse como eles.

    Isso é legal, por um lado, porque mostra o impacto de cada estilo de vida, mas talvez confunda as pessoas e esconda o peso das decisões cotidianas. Pelo que vi, o jogo tem conselhos para a redução dos impactos. Preciso olhar melhor lá.

    Te ocorrem possíveis adaptações?

    Abraço!

  • admin says:

    Oi Pedro, oi Ju, acho que dá pra pensar em mil adaptações para realizarmos por aqui. Acho que, com essa temática, é o caso inclusive de buscar financiamento.

    Pedro, nesse caso da pizza, ficamos eu e o Adriano conversando sobre um site onde você informa quantas pizzas pede em São Paulo por mês e ele te mostra quantos motoboys você provavelmente mata por ano.

    Claro que é uma generalização safada, mas algo assim – ações cotidianas versus impacto sócio-ambiental – tem vários componentes interessantes. Vamos pensando nisso. Logo logo vamos realizar algo assim.

  • [...] pessoas nascidas no mesmo ano que eu, com o mesmo nível de escolaridade, etc). Conheci pelo Andre Deak. Consumer consequences. Se meu estilo de vida fosse o modelo, precisaríamos de recursos de mais [...]