VILÉM FLUSSER: O MUNDO CODIFICADO

FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia da comunicação. São Paul: Cosac Naif, 2007.

Mais uma leitura crítica, entre as tantas que estou fazendo para o mestrado. Comentários de quem já leu são sempre bem-vindos.

Flusser é leitura obrigatória em diversos cursos de design, mas o jornalismo não costuma citá-lo. Muitos defendem que é ainda pouco reconhecido – já que teria, mesmo antes do surgimento da internet, falado sobre mundos interconectados pela tecnologia. Um paper (ver final) diz que Celo Lafer resume assim sua influência: “os ventos do seu espírito são invisíveis, mas ainda assim o que eles fazem é manifesto e de alguma maneira sentimos a sua proximidade”. Interessante que Arlindo Machado e Lúcia Santaella – pensadores da cibercultura – são admiradores declarados da obra de Flusser.

Vilém Flusser é daqueles autores que, se lermos a cada 5 ou 10 anos, leremos de maneira diferente (alguns dirão que todos os livros são assim, mas não é verdade. Alguns livros simplesmente envelhecem – outros ganham novos significados).

Destaco alguns pontos que, como jornalista interessado na comunicação multimídia, chamaram minha atenção:

Flusser desenvolve um pensamento de que a partir do momento em que seja possível ao leitor manipular sequencias de imagens e sobrepor outras – e isso já é possível -, o filme será totalmente “reversível”.

A epistemologia ocidental é baseada na premissa cartesiana de que pensar significa seguir a linha escrita, e isso não dá crédito à fotografia como uma maneira de pensar. (…) [Um espectador de TV num futuro próximo] poderá filmar seu programa e outro na sequencia, inclusive filmar a si mesmo, e passar o resultado na tela da TV. Isso significa que o programa terá o começo, meio e fim que o espectador quiser, e ele poderá desempenhar o papel que quiser.

(…) Embora ele atue na história e seja determinado por ela, já na está interessado na história em si, mas na possibilidade de combinar várias histórias. Isso significa que a história não é mais um drama, mas um jogo.

Mais adiante, Flusser usa a imagem dos fractais para explicar que

“somente a partir de cálculos, e não mais circunstâncias, é que a estética pura (o prazer no jogo com formas puras) pode se desdobrar; somente assim é que o Homo faber pode se desprender do Homo ludens.”

Ando lendo diversos textos que fazem uma interlocução da comunicação com a matemática (fractais), com a física (quântica), com a biologia (sistemas de classificação) e com a educação (teorias dos jogos). Mais adiante comento mais sobre isso.

Fiquem com um exemplo de fractal (Mandelbrot) para visualizar o que é arte feita por cálculos.

MAIS:
A Comunicologia segundo Vilém Flusser (paper do Intercom)

Flusser sobre fotografia

Fotoplus – difusão da obra de Flusser

Flusser Studies

Flusser e video-games

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This entry was posted on Thursday, April 23rd, 2009 and is filed under Destaques, Off Topic. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

2 Responses to “VILÉM FLUSSER: O MUNDO CODIFICADO”

  1. Alessandra on April 23rd, 2009 at 21:22

    muito boa dica!
    falando em fractais, matemática e formas, veja que interessante! http://www.theiff.org/gallery/index.html#

  2. André de Oliveira - Coletivo Catarse on April 24th, 2009 at 20:49

    André, meu velho!

    Já li o Mundo Codificado e, no momento, estou mergulhado em outro do Flusser que é faca na bota: O Universo das Imagens Técnicas – elogio da superficialidade. Esse seu último livro, pequenininho, condensa as idéias do Filosofia da caixa preta e avoluma a escala da abstração, do universo em expansão da zerodimensionalidade. Um jóia rara. Também estou tentando buscar aproximações e subversões do Universo das Imagens Técnicas que dialoguem com o último livro do Slavoj Zizek, A Visão em Paralaxe, que igualmente propõem um novo tipo de olhar sobre as imagens técnicas, claro que muito mais denso que o Flusser [principalmete pelo grau de cultura que o leitor necessita para capturar a corrente que é o pensamento de Zizek, mas igualmente desafiador e estimulante para nós, os jornalistas realmente interessados em novas imagens coletivas e novas emoções que brotem de um jornalismo plural e enraizado na multiplicidade do estilo e na crença da reportagem engajada.

    Abraço, querido. Pra toda a rapaziada aí de S. Paulo.

    André

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