VILÉM FLUSSER: O MUNDO CODIFICADO

// April 23rd, 2009 // Destaques, Off Topic

FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia da comunicação. São Paul: Cosac Naif, 2007.

Mais uma leitura crítica, entre as tantas que estou fazendo para o mestrado. Comentários de quem já leu são sempre bem-vindos.

Flusser é leitura obrigatória em diversos cursos de design, mas o jornalismo não costuma citá-lo. Muitos defendem que é ainda pouco reconhecido – já que teria, mesmo antes do surgimento da internet, falado sobre mundos interconectados pela tecnologia. Um paper (ver final) diz que Celo Lafer resume assim sua influência: “os ventos do seu espírito são invisíveis, mas ainda assim o que eles fazem é manifesto e de alguma maneira sentimos a sua proximidade”. Interessante que Arlindo Machado e Lúcia Santaella – pensadores da cibercultura – são admiradores declarados da obra de Flusser.

Vilém Flusser é daqueles autores que, se lermos a cada 5 ou 10 anos, leremos de maneira diferente (alguns dirão que todos os livros são assim, mas não é verdade. Alguns livros simplesmente envelhecem – outros ganham novos significados).

Destaco alguns pontos que, como jornalista interessado na comunicação multimídia, chamaram minha atenção:

Flusser desenvolve um pensamento de que a partir do momento em que seja possível ao leitor manipular sequencias de imagens e sobrepor outras – e isso já é possível -, o filme será totalmente “reversível”.

A epistemologia ocidental é baseada na premissa cartesiana de que pensar significa seguir a linha escrita, e isso não dá crédito à fotografia como uma maneira de pensar. (…) [Um espectador de TV num futuro próximo] poderá filmar seu programa e outro na sequencia, inclusive filmar a si mesmo, e passar o resultado na tela da TV. Isso significa que o programa terá o começo, meio e fim que o espectador quiser, e ele poderá desempenhar o papel que quiser.

(…) Embora ele atue na história e seja determinado por ela, já na está interessado na história em si, mas na possibilidade de combinar várias histórias. Isso significa que a história não é mais um drama, mas um jogo.

Mais adiante, Flusser usa a imagem dos fractais para explicar que

“somente a partir de cálculos, e não mais circunstâncias, é que a estética pura (o prazer no jogo com formas puras) pode se desdobrar; somente assim é que o Homo faber pode se desprender do Homo ludens.”

Ando lendo diversos textos que fazem uma interlocução da comunicação com a matemática (fractais), com a física (quântica), com a biologia (sistemas de classificação) e com a educação (teorias dos jogos). Mais adiante comento mais sobre isso.

Fiquem com um exemplo de fractal (Mandelbrot) para visualizar o que é arte feita por cálculos.

MAIS:
A Comunicologia segundo Vilém Flusser (paper do Intercom)

Flusser sobre fotografia

Fotoplus – difusão da obra de Flusser

Flusser Studies

Flusser e video-games

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4 Responses to “VILÉM FLUSSER: O MUNDO CODIFICADO”

  1. Alessandra says:

    muito boa dica!
    falando em fractais, matemática e formas, veja que interessante! http://www.theiff.org/gallery/index.html#

  2. André, meu velho!

    Já li o Mundo Codificado e, no momento, estou mergulhado em outro do Flusser que é faca na bota: O Universo das Imagens Técnicas – elogio da superficialidade. Esse seu último livro, pequenininho, condensa as idéias do Filosofia da caixa preta e avoluma a escala da abstração, do universo em expansão da zerodimensionalidade. Um jóia rara. Também estou tentando buscar aproximações e subversões do Universo das Imagens Técnicas que dialoguem com o último livro do Slavoj Zizek, A Visão em Paralaxe, que igualmente propõem um novo tipo de olhar sobre as imagens técnicas, claro que muito mais denso que o Flusser [principalmete pelo grau de cultura que o leitor necessita para capturar a corrente que é o pensamento de Zizek, mas igualmente desafiador e estimulante para nós, os jornalistas realmente interessados em novas imagens coletivas e novas emoções que brotem de um jornalismo plural e enraizado na multiplicidade do estilo e na crença da reportagem engajada.

    Abraço, querido. Pra toda a rapaziada aí de S. Paulo.

    André

  3. marcelo says:

    Andre, estou desenvolvendo um projeto de pesquisa para o mestrado e gostaria de saber do seu ponto de vista qual o maior problema do design no mundo contemporâneo?

  4. Ana Paula says:

    André, preciso localizar o livro O mundo codificado para compra pois é do nosso interesse inserir no nosso acervo.

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