Sobre homens e máquinas
// April 10th, 2009 // JORNALISMO

Acabo de realizar minha primeira compra no Mercado Livre. Foi esta Remington aí, apaixonante.
Recentemente ouvi uma história interessante – especialmente para nós, últimos migrantes digitais.
Uma escola organizou uma feira de antiguidades e pediu para os alunos caçarem nas casas dos pais ou avós alguns objetos antigos. Na exposição havia, é claro, uma máquina de escrever.
A maioria das crianças nunca sequer havia visto uma. As que já tinham explicavam o que era aquilo, umas pras outras:
“É como um computador que só tem o word.”
Faz tempo eu pensava em comprar uma Remington, mas agora – alguns meses antes de virar pai pela primeira vez -, achei que era a hora, nem sei bem porque. Alguma nostalgia, talvez. Um símbolo de qualquer coisa, um desejo inconsciente que algum psicanalista vai me explicar depois, certamente. Ou foi só gastança desenfreada mesmo.
A Remington, sobretudo, tem uma história curiosíssima. Vendiam armas também (e note a ironia da vida: fabricavam armas e máquinas de escrever). Essa marca foi aquela usada por vários grandes escritores como Mark Twain, Hemingway e dezenas de outros – já que foi a primeira máquina inventada. Mas não apenas isso. Pode-se dizer, também, que um dos primeiros computadores foi um Remington.
A linha da empresa chamada Univac (UNIVersal Automatic Computer I) foi, durante algum tempo, sinônimo de computador. Poucos sabem, mas foi o primeiro computador comercial vendido nos EUA. Ou seja: é incrível a pesquisa que a gente faz pra justificar uma compra sem necessidade.
E aliás, pensando bem na história toda, olhaí: até que aquela descrição das crianças não é tão distante assim da realidade.
PS: E sabem o que mais? Ela ainda funciona.
*Publicado originalmente em Trezentos




