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A revista Superinteressante volta com outro jogo que acompanha as reportagens de capa. Desta vez, para explicar a máfia mundial, você é um policial infiltrado que age como traficante, e o jogo explica quais regiões do mundo traficam o quê – ou quem (escravos, mulheres).

Os chamados newsgames ainda estão em desenvolvimento, são poucas as revistas ou jornais que os utilizam. Mas fazem parte do pequeno grupo o New York Times, por exemplo, que experimenta usar recursos do entretenimento para passar informações jornalísticas.

Newsgames não funcionam muito para as notícias chamadas quentes, que tem um tempo de vida curto, já que o tempo de desenvolvimento precisa ser longo – ou o jogo não fica bem feito. Aí acerta a Superinteressante, que oferece jogos com informação real, apurada por jornalistas, mas sobre assuntos mais frios – o funcionamento da máfia mundial, no caso.

Os jogos ainda estão em estágios mais simples, seguindo mais ou menos a evolução que os videogames tiveram ao longo das décadas anteriores. Não é simples criar jogos envolventes, e a escolha inicial parece ser trabalhar mais com o conceito do que propriamente com a “jogabilidade”. Tanto o NYT quanto a Super contam histórias relativamente longas – o que podemos chamar de reportagem – como pano de fundo para um jogo simples.

Penso se não seria o caso de traballhar com jogos mais complexos, senão nos gráficos – o que é difícil e de caro desenvolvimento -, nas possibilidades narrativas. Mas ou menos como ocorria nos primórdios do videogame, como em Fuga de Alcatraz (do MSX!) .

Janet Murray conta, no ótimo livro Hamlet no Holodeck, como a história (plot) importa mais que o gráfico.

Ou seja: No modo como foi construído, o jogo da Máfia faz com que, talvez, a maioria dos jorgadores decore que é um bom negócio para mafiosos comprar escravos na África para vendê-los na Itália, ou comprar remédios falsos na China para vender na África (descontando também algumas generalizações bem pouco jornalísticas – a África é bem grande…). Além desse conhecimento e alguma matemática, pode-se chegar ao final do jogo.

Melhor seria, talvez, um jogo onde fosse necessário aprender como trabalha a máfia, da mesma forma como era necessário aprender a construir sua fuga de Alcatraz – passo a passo, num processo demorado, mas que será lembrado mesmo décadas depois.

Mesmo no modelo do jogo anterior da Super (CSI – Ciência contra o crime, que mostra como funcionam métodos de investigação), as opções eram mais abertas, e havia um grau maior de dificuldade que obrigava os jogadores a compartilharem experiências no fórum. Isso também é uma vantagem do anterior em relação ao Jogo da Máfia. (A dificuldade neste último resume-se a um número limitado de viagens para conseguir dinheiro. A solução é matemática, sem forçar o entendimento da máfia em si).

Newsgames não são simples. Neste caso, mobilizou uma equipe de seis pessoas. (Edição: Fred di Giacomo, Rafael Kenski, André Sirangelo e Alexandre Versignassi. Reportagem: Maurício Horta. Desenvolvimento e design: Douglas Kawazu). Parabéns para todos e espero que outros jogos venham por aí.

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