Archive for March, 2009

INFOGRAFIA NYT: HOW DO YOU FEEL ABOUT THE CRISIS?

// March 31st, 2009 // No Comments » // INFOGRAFIA

Como você se sente em relação à crise é o mote deste infográfico do New York Times. As pessoas digitam palavras e ele gera uma nuvem, ao estilo Tag Cloud.

Achei curioso por alguns motivos:

- É de fato interativo (o campo de palavras é aberto, com algumas sugestões, o que facilita a formação da nuvem. Mas ao mesmo tempo vicia a formação da nuvem. Seria este um modelo de folksonomia híbrida?)

-  É uma Tag Cloud viva, em movimento e com cores. Interessante. Me lembrou um projeto do Rodrigo Savazoni que já está pronto mas ainda não foi ao ar.

No mais, daria para chamar de jornalismo? Eu, particularmente, acho que está mais no campo do entretenimento… A amostragem dos que respondem não pode servir como pesquisa séria. É quase um fala-povo online.

Mas que ficou bonito, ficou.

MAKING OF: CRÔNICA DE UMA CATÁSTROFE AMBIENTAL

// March 21st, 2009 // 18 Comments » // CONVERGÊNCIA, Destaques, INFOGRAFIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Saiu em março de 2009 a edição da Revista Fórum com a reportagem Crônica de uma catástrofe ambiental. Realizada por mim e por Paulo Fehlauer, foi apresentada tanto na revista impressa quanto na internet, em um site especial feito por nós (com participação especial de Rodrigo Savazoni, dando ideias de edição e de layout).

A ideia do projeto surgiu a partir de um convite de Renato Rovai, editor da Fórum. Inicialmente, seria apenas uma investigação comum, com entrega do material em texto. Mas numa reunião entre o Rovai, nós três (Savazoni, Fehlauer e eu) e Anselmo Massad, editor do site da Fórum, decidimos que poderíamos aproveitar para testar um novo modelo de apresentação de reportagens, mais completo. Como diz Rovai no editorial da edição 72 da revista:

Neste mês estamos lançando uma nova fórmula de grandes reportagens. Ela é uma ação multimídia que pode ser conferida na matéria sobre o caso da catástrofe ambiental no Rio Paraíba do Sul (aliás, assunto ignorado pela mídia tradicional) . A reportagem ficaria incompleta se publicada apenas no papel, inclusive por conta dos custos e das limitações do meio. Ao mesmo tempo, poderia ficar menos visível se apenas divulgada em nosso site. A utilização dos dois meios de forma complementar visa a construir uma nova opção para este tipo de reportagem. E o leitor poderá conferir aqui [na revista impressa] e na página eletrônica o que achou da solução.

Paulo Fehlauer foi quem realizou a programação do site – na verdade, uma adaptação de um template do Wordpress, com vários plugins instalados. Ele conta:

Para contar essa história, resolvemos utilizar de todos os recursos e formatos que tínhamos à mão, o que resultou no site-reportagem cuja primeira página pode ser vista na imagem acima. Trata-se de um cruzamento de texto, fotos, áudio, vídeo, mapas que só é possível na web. Quer mais? Exceto pelos softwares de edição de vídeo e imagem, todo o trabalho foi feito com ferramentas gratuitas disponíveis para quem quiser/souber mixá-las: Wordpress + plugins, Blip.tv, Umapper, entre outras.

JORNALISMO DE CÓDIGO ABERTO

Outra novidade desta experiência é a página de Journalismo de Código Aberto. Quase todo o conteúdo da apuração (áudio, fotos, vídeos, transcrição das entrevistas) está disponível. Isso permite mais transparência, já que todos podem checar a edição a partir das íntegras. Mas também permite que outras edições sejam feitas e que a reportagem possa continuar, mesmo que através de outras mãos.

A questão do “open source journalism” gera uma discussão interessante. Seria possível, inclusive, gravar toda a navegação online realizada durante a apuração, mostrando todo o caminho e o raciocínio que levou à edição final apresentada. Apresentar as anotações feitas no bloco de notas. Mas talvez não seja possível capturar e oferecer toda a subjetividade que envolve a apuração (”não confio no que ele está dizendo, me pareceu que aí tem algo estranho”). Subjetividade essa que, afinal, também é parte do processo de captura da realidade pelo filtro do repórter, e que acaba presente na edição.

Decidimos, por exemplo, não colocar a íntegra de duas entrevistas que realizamos, mas que não foram utilizadas em nenhuma parte. A de um barqueiro, que disse coisas contraditórias (disse, por exemplo, que saíram 5 caminhões de 20 toneladas cheios de peixes mortos. Depois disse que foram 80 toneladas de peixes mortos. Como o áudio da gravação ficou ruim, pois acabamos não usando). E não usamos, também, a fala do deputado André do PV, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, que não nos pareceu acrescentar nada. Estes vídeos, mesmo de má qualidade (técnica ou de conteúdo) deveriam estar disponíveis, de acordo com os preceitos do open source journalism? Não sei.

(Tendo a crer que sim. Transparência total. No entanto, é um trabalho – converter o vídeo, editar fotos, upload, trasncrição – que pode gerar apenas ruído, uma vez que o conteúdo é considerado de baixa qualidade. Mas, sendo radical no pensamento do open source, quem define o que é de qualidade, portanto, não é apenas o jornalista, mas o leitor…)

TEMPO DE PRODUÇÃO

Ficamos uma semana no estado do Rio de Janeiro, em Barra Mansa, Resende, Volta Redonda, Niterói e na capital. Dois jornalistas, munidos de gravador digital, câmera digital, uma câmera de vídeo mini-DV e dois notebooks com internet 3G. Na volta, fiz um relatório com a transcrição de todas as entrevistas e produzi um texto base, que seria depois lapidado na reportagem. Fizemos algumas conversas sobre como seria o layout do site da reportagem, e decidimos que seria mais parecido com a paginação de uma revista (o abre em página dupla, e a reportagem apresentada depois). O abre cumpre a função de introdução, e poderia ser em flash, se tivéssemos tempo e recursos pra isso.

Sendo multimídia, discutimos se apresentaríamos o conteúdo dividido por mídia ou por assunto. Isso se traduz em, por exemplo, colocar no menu uma divisão como “vídeos, fotos, áudios e texto”, ou por temas. Optamos pela segunda opção – o formato é secundário em relação à história. A história é o mais importante, e ela deve ser apresentada da melhor forma. A únicas divisões que existem, portanto, são “A História” e “Os Envolvidos“. Na página principal, os boxes da revista foram transformados em posts (e a própria reportagem impressa virou uma série de posts). Cada personagem ganhou uma página específica, com fotos, transcrição da entrevista, áudio e vídeo na íntegra.

A reportagem toda poderia ter sido totalmente realizada em três semanas, inclusive com a edição do site, mas levou um pouco mais porque estávamos trabalhando em projetos paralelos no meio disso. Fomos para o Rio no final de janeiro, e só agora, quase 60 dias depois, pequenos detalhes foram resolvidos.

O FUTURO

Acreditamos que esse modelo de apresentação de reportagem pode ser reutilizado muitas vezes, sem muita dificuldade e sem muito custo de produção. Nos EUA e na Espanha – e mesmo em países vizinhos como Argentina e Colômbia – esse modelo de apresentação já é bastante utilizado. No Brasil, creio que é a primeira vez que acontece.

Não falo de uma apresentação onde a soma das linguagens ocorra, porque isso é normal (há vários sites e portais que apresentam o modelo “veja o vídeo, oução o áudio, leia o texto”).  Mas de uma apresentação da soma dessas linguagens de uma maneira mais trabalhada, cuidadosa. Não um empilhamento de formatos, mas uma oferta de maneira mais organizada. Esperamos que esse trabalho cumpra esse papel. Mas esperamos mostrar também que, ainda que com poucos recursos e pouco tempo, uma reportagem multimídia é perfeitamente possível.

Por que então os jornais, as revistas, os portais e mesmo os sites brasileiros não fazem isso? Com a palavra, você.

ATUALIZAÇÃO: O Fehlauer também escreveu um Making Of

REPÓRTER DO FUTURO: INSCRIÇÕES ATÉ DIA 27

// March 19th, 2009 // No Comments » // JORNALISMO

Boa dica para estudantes de jornalismo que querem ser jornalistas.

Estão abertas as inscrições para o módulo Descobrir a Amazônia – Descobrir-se Repórter, do Projeto Repórter Futuro. O curso acontecerá nas manhãs de sábado de maio (9, 16, 23 e 30), no auditório do Instituto de Estudos Avançados (IEA), que fica na Cidade Universitária, no térreo do edifício da Antiga Reitoria. Os estudantes de jornalismo interessados em participar do curso têm até o dia 27 de março, sexta-feira, às 14 horas, para fazer sua pré-inscrição no módulo.

O Repórter do Futuro é uma experiência prática de reportagem e os alunos tem a chance de entrevistar grandes figuras da política brasileira. Edições anteriores do trabalho dos alunos podem ser vistas neste site.

O curso ainda funciona num esquema de “reembolsa”:

Isso significa que o estudante aprovado confirma sua inscrição entregando um cheque no valor de um salário mínimo, pós-datado para 20 de junho: dia da entrega do Certificado de Conclusão do Curso – emitido pelas entidades parceiras do Projeto Repórter do Futuro -, avaliação do curso e divulgação dos nomes dos 10 alunos que viajarão.

O cheque não será depositado e será devolvido ao aluno que cumprir as três condições abaixo relacionadas.

1 – Comparecer, pontualmente, aos quatro encontros do curso (Conferências de Imprensa/Entrevista Coletiva) e ao dia de avaliação.
2 – Produzir um texto sobre cada uma das Conferências/Entrevistas e enviá-lo à Coordenação Pedagógica, via email – reporterdofuturo@obore.com, até às 12 horas da terça-feira seguinte.
3 – Publicar, até o dia 19 de junho, matéria relacionada ao tema do módulo, em qualquer veículo de comunicação que tenha editor responsável.

Ou seja, o curso é de graça para quem realmente o faz.

Recomendo enfaticamente. Afinal, jornalista multimídia, antes de ser multimídia, precisa ser jornalista.

Mais informações, aqui.

PENSADORES DO CIBERESPAÇO – TEXTOS

// March 11th, 2009 // 3 Comments » // A REDE, CONVERGÊNCIA, Destaques, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Comecei o curso de mestrado na USP, no programa de Ciências da Comunicação, área Interfaces Sociais da Comunicação. Como havia adiantado, este blog vai ser usado, também, para compartilhar os textos e as experiências de lá.

A professora Beth Saad ofereceu uma série de textos para leitura durante a disciplina “A informação eletrônica em questão: pensadores do ciberespaço”.

É um conjunto referencial sobre as mais recentes discussões sobre informação digital. Estão divididos em três eixos, abaixo. Está tudo em .pdf

Bom proveito.

Eixo 1 – O “status filosófico”da sociedade em rede e das TICs

Lee Siegel. Against the Machine: being human at the age of electronic mob. New York: Spiegel & Grau, 2008.
(Neste caso, o texto não está disponível online, mas há um vídeo do Siegel – 1 hora)

Theo Röle. Power, reason, closure: critical perspectives on new media theory.

Stephen Mcelhinney. Exposing the interests: deconding the promise of the global knowledge society.

Vários. New media and the permanent crisis of aura.

Mark Deuze. The media logic of media work. (páginas 22-40)

Mark Deuze. Collaboration, participation and the media.

Jan Fernback. Beyond the diluted community concept: a symbolic interactionist perspective on online social relations.

Eixo 2 – O impacto da convergência

Stefana Broadbent e Valerie Bauwens. Understanding Convergence. Interactions, jan-fev 2000, p. 23-27.

Ramón Salaverría e José Alberto García Avilés. La convergencia tecnológica en los medios de comunicación: retos para el periodismo. Tripodos, número 23, Barcelona, 2008.

Mark Deuze. Converge culture in the creative industries.

Pablo Boczkowski e José Ferris. Multiple media, convergent processes and divergent products: organizational innovation in digital media production at a european firm.

Mark Deuze. Participation, remediation, bricolage: considering principal components of a digital culture.

Eixo 3 -  Redes sociais, mobilidade, mídia locativa

Fritjof Capra. Uma nova concepção da vida.

Nick Couldry. Actor network theory and media: do they connect and on what terms?

Kathleen Olson. Cyberspace as place and the limits of metaphor.

Stine Gotved. Time and space in cyber social reality.

Kingsley Dennis. Time in the age of complexity.

Raquel Recuero. Memes em weblogs: proposta de taxonomia.

Akshay Java el allii. Why we Twitter: understanding microblogging.

Adrian Mackenzie. Wi-fi and the cultural inversion of infrastructure.

Extras

Pablo B. Books to think with

Vários. Mobile technology