Archive for January, 2009

JOIN US – A ERA DA COLABORAÇÃO

// January 31st, 2009 // No Comments » // A REDE

Não tinha visto ainda essa série de 5 minidocumentários de 15 minutos cada sobre colaboração, transmitido pela IdealTV.

Gravada nos Estados Unidos pela The Information Company, a série de cinco episódios apresenta entrevistas inéditas com os líderes desta revolução tecnológica em Seattle, San Francisco e no Vale do Silício.
Entre eles o criador do GoogleDocs, Sam Schillace e o chefe de desenvolvimento da Wikipedia, Kul Wadhwa.

Abaixo, os links para os capítulos:

1) Sustentabilidade colaborativa

2) Linkedin

3) Craiglist e Prosper

4) Aplicações Colaborativas

5) Colaboração

ALGUMAS IMPRESSÕES: CAMPUS PARTY 2009

// January 24th, 2009 // 6 Comments » // A REDE

Um evento de tecnologia. Um espaço onde gente do mercado (publicitários, investidores, desenvolvedores e outros por aí) tenta fazer contatos e mapear possíveis “parcerias”. Uma competição barulhenta de video-games. Uma oficina de código para programadores. Um acampamento de férias da turminha do colegial classe média, misturado com um Acampamento da Juventude do Fórum Social Mundial. Uma lan-house gigante, com todo mundo no Orkut e no MSN ao mesmo tempo. Um oficina mecânica para computadores tunados. Um espaço para shows e para gente que cria música no PC. A turma do software livre. Lá no fundo, bem minoria mesmo – mas com destaque na imprensa, talvez porque aí esteja também a novidade -, um encontro de pensadores livres, de idéias progressistas e de gente que tenta construir redes éticas para mudar o mundo.

Depois de ter passado alguns dias no #CParty, a impressão principal foi essa: a de que, no fundo, é um encontro de fãs de tecnologia para computadores – seja software ou hardware -, e que são poucos ali os preocupados com os rumos dessas mesmas tecnologias. Corrijam-me se estiver errado.

Ouvi alguns dizerem que o Campus Party desse ano estava “mais voltado para o mercado, com as empresas tomando conta de tudo”, e menos “bicho-grilo geek”. Disseram que “a vibe do encontro estava diferente, mais pesada”. Ouvi chamarem de São Paulo Fashion Geek. Não estive em 2008, mas acredito. Lembro de alguns protestos bem humorados (essa história até se repetiu, mas já não era novidade). Dessa vez, fora o protesto contra o projeto do Azeredo (que também teve em 2008), soube de histórias bem deprimentes, como a expulsão de um grupo de música do palco, simplesmente porque não gostavam da música (atitude “nerdista”, meio nerd e meio nazista); e o roubo de notebooks, provavelmente incentivado por gente que fez um vídeo explicando como burlar a segurança.

Me parece também que, em geral, foram bons os encontros entre blogueiros, famosos ou não. Encontrar fisicamente aqueles que conheciam apenas virtualmente sempre é válido, fortalece laços criados na web. Desses encontros surgem projetos, idéias, amizades e outras redes. O contato pessoal ainda é imbatível na eficácia para troca de informações. Agora, quais informações? Essa é a questão.

Dahmer já dizia não acreditar em nenhuma revolução patrocinada por qualquer multinacional – ou algo mais ou menos assim. De fato, o Campus Party não me pareceu trazer nenhum grande avanço em nenhum sentido (comparando com as redes e as ações que se formam a partir do FSM ou do FISL, por exemplo). Talvez tenha gerado algumas idéias para alguém ganhar algum dinheiro, talvez alguns contatos que possam render emprego. E talvez, quem sabe,  lá num espaço qualquer, alguns dos encontros produzam conhecimento que sirva para melhorar o mundo um pouquinho. Sendo bem otimista.

INFOGRAFIA NYT: A POSSE DO OBAMA

// January 18th, 2009 // No Comments » // INFOGRAFIA, JORNALISMO

O New York Times fez um infográfico sobre a posse do Obama. Em relação a esses infográficos click-and-play, de narrativa linear, sem muita graça, até que esse é razoavel pela vista aérea. Este infográfico é um bom exemplo de infografias que poderiam ser usadas para a televisão e também para a internet. Na TV, bastaria retirar o texto (que se transforma num Voice Over) e soltar toda a animação de uma vez.

Na internet, basta colocar os cliques e algum texto mais detalhado. Uma equipe produz, assim, para TV e para internet, com pequenas alterações no formato.

Ou, olhando de outra maneira, acaba produzindo para a internet uma adaptação de uma narrativa linear de TV…

Via Caru

ENTREVISTA: ANDRE DAHMER

// January 15th, 2009 // 6 Comments » // ENTREVISTAS, JORNALISMO

André Dahmer (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1974) é um desenhista brasileiro. Autor das tirinhas dos Malvados, que normalmente não seguem uma linha cronológica, e têm como personagens dois seres indefinidos, que são costumeiramente comparados aos girassóis, tirando daí o apelido que têm, “As flores do mal”.

As tirinhas são uma crítica feroz aos costumes e prisões do dia-a-dia, sem pudores ou censura. Devido ao comportamento dos dois personagens, ficaram conhecidos como Malvadinho (o que mais sofre) e Malvadão (o dono de críticas muito ácidas). Seu sucesso já rendeu espaço no Jornal do Brasil e três livros.

Essa é apresentação que está na Wikipedia. Acrescentaria algo? Foi você que colocou lá?
Claro que não. Mesmo assim, faltaria dizer que publico em outros lugares (G1, Folha de São Paulo, Caros Amigos…) e que deixei de publicar no Jornal do Brasil, por exemplo. Mas não acho que eu mereça virar verbete, né?

Por que acha que seu trabalho vem se tornando mais conhecido?
Talvez porque os quadrinhos venham ganhando força novamente. São ciclos, de tempos em tempos os quadrinhos perdem e ganham público, perdem e ganham interesse dos jovens, da mídia.

Você já poderia ser sustentado apenas pelos Malvados? Dá para ganhar a vida fazendo apenas o que gosta?
Se a questão sempre passa simplesmente por ganhar e acumular dinheiro, basta alugar um apartamentinho e agenciar meninas para a prostituição. Ganhar dinheiro é mole, o problema é COMO ganhar dinheiro. Eu vivo bem com o que ganho em quadrinhos, não tenho do que reclamar. Por outro lado, tenho poucos gastos e poucos bens. São escolhas, acho. Formas de viver e usar o dinheiro. Não devemos viver PELO dinheiro. Nós devemos controlar o dinheiro, e não o contrário.

Você disse que é um cara pacato, e que se isso começar a mudar, largaria tudo para ter paz. Como é uma vida simples?
Eu não tenho exatamente uma vida pacata e simples, mas estou lutando para ter uma. Trabalhar menos, ter mais tempo livre, estar longe dos centros urbanos e de toda a paranóia que eles trazem. São projetos que podem demorar, mas vão sair do papel um dia.

Quais são as suas contradições?
Gostar das pessoas e de certos confortos das cidades, mas não saber viver em paz nelas.

Seus personagens são recheados de humor negro e críticas ácidas à sociedade. Você coloca freios em alguns quadrinhos em tempos do politicamente correto? Como sabe se as tiras estão “acima do tom”?
Não trabalho com freios, ao contrário. É que é preciso uma grande liberdade de raciocínio para fazer humor, sabe? Não há como pensar “ah, isso vai pegar mal” e fazer humor de qualidade ao mesmo tempo. Não é assim que funciona…

Alguém já disse que a piada fácil é feita sobre um desses eixos (ou todos juntos): preconceitos e estereótipos, escatologia e humilhação. Seus quadrinhos fogem disso mostrando o que há de pior na sociedade, mas sem entrar neste humor fácil. Às vezes, no fio dessa navalha. Que acha disso?
Eu tenho poucos anos de quadrinhos de humor, comecei há uns seis, sete anos. Não sou muito de explicar a mecânica do meu trabalho, do meu humor. Não sei explicar. Tenho pouco método de trabalho e minha cabeça é um caos. Não poderia dizer, com sinceridade, como eu faço e organizo meu trabalho. Trabalho sem regras, sem locais fixos, sem horário fixo, essas coisas…

João Kléber, que foi tirado do ar e depois demitido por uma ação na Justiça que alegava que seu humor era um atentado contra os direitos humanos, disparou: “Mas então não vai dar mais pra fazer piada de nada”. Você concorda? Por onde caminhar?
Não gosto do tipo de humor dele, mas acho que ele tem todo direito de fazê-lo.

Pela rede você disse que vende centenas de livros e camisetas por mês. Que ganha 64% do que vende, quando por um atravessador (a editora e a distribuidora) ganharia 4%. A rede é um caminho para ser livre?
Ser livre independe da questão financeira. Hoje até soa como heresia dizer uma coisa dessas, mas tenho certeza que as pessoas dão um valor maior ao dinheiro do que ele merece e vale. Essa relação que fazem entre liberdade e dinheiro é um erro muito grande, mas é um pensamento constante no tempo em que vivemos. Conheci muita gente abastada, são pessoas que quase sempre carecem muito de liberdade, de ar. Eu tinha infinitamente menos dinheiro que elas e no entanto, sentia-me infinitamente mais livre.

Existe uma blogosfera? Uma umbigosfera? Como você avalia os rumos da cultura digital para o artista?
Ando preocupado com bombas, não com blogs.

Pra terminar, a polêmica do Campus Party. Você escreveu um post, “Por trás da maquiagem“, onde critica o patrocínio da Telefônica, empresa recordista em reclamações no Procon. Na Folha Online disse que recusou um convite para participar da Campus Party 2009 e tampouco quis ir à primeira edição. “Esses eventos estão se tornando o paraíso de agências de marketing virais e de blogueiros sem qualquer conteúdo, gente que quer apenas fazer (pouco) dinheiro copiando e colando informações em seus blogs. Acho um meio de vida pobre, triste e poluidor”.

Você acha que nada de bom – idéias, projetos, pessoas – pode surgir num ambiente desses? Por quê?
Podem até surgir pessoas que enxergam mais longe, de maneira mais ampla, é verdade. Mas em linhas gerais, esses eventos só visam o marketing, o lucro e o acúmulo de capitais, sempre disfarçados por uma pretensa modernidade e juventude que eles nunca terão, pela natureza do que fazem e desejam.

Outras entrevistas com Dahmer:
Quadrinho Digital
Bigorna
Errata

GAZA-SDEROT: A VIDA APESAR DE TUDO

// January 14th, 2009 // 1 Comment » // CONVERGÊNCIA, ENTREVISTAS, INFOGRAFIA, JORNALISMO

Este é a melhor reportagem multimídia sobre Gaza que vi até agora. Encontrei pela indicação da leitora Paula Góes, e é de fato muito bem feito. Abaixo, traduzi parte da apresentação dele:

Os palestinos de Gaza vivem com um temor latente: serem vítimas do “dano colateral” provocado por bombardeios e pelas incursões do exército israelense. Mas eles não são os únicos. A poucos quilômetros, os residentes de Sderot, em Israel, não sabem quando e onde cairá o próximo míssil do Movimento de Resistência Islâmico Hamas. (…)

Em meio à tragédia e violência, um projeto audiovisual da telivisão franco-alemã ARTE apresenta a história tal qual acontece em uma região onde a fronteira, mais do que física, é política e religiosa. Gaza-Sderot Life in Spite of Everything documenta em vídeo a sobrevivência de seis pessoas em Gaza e outras seis em Sderot.

Do dia 26 de outurbo a 23 de dezembro do ano passado – três dias antes da ofensiva de Israel – foram gravados 80 capítulos de vivênias. As cápsulas de 2 minutos de duração mostram realidades que, ainda que tenham diferenças fundamentais, coincidem pelo clamor de uma paz duradoura.

O trabalho é do Indigo Media Team, que ainda vai valer um post. Vou investigar melhor, mas me parece que são um tipo de MediaStorm mexicano. Será?

GAZA MULTIMÍDIA

// January 11th, 2009 // 2 Comments » // INFOGRAFIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

O massacre de palestinos na Faixa de Gaza deveria ter disparado infografias de vários tipos, mas ainda não encontrei muitos exemplos. O Estadão produziu dois infográficos: este acima, que mostra um google maps com vários pontos (mesquitas, hospitais, mercados e bombardeios, entre várias outras coisas). Tem também algumas entrevistas (e a parte meio chata é o play automático, assim que a página carrega… Tão simpático quanto um pop-up).

A outra infografia do Estadão é uma cronologia dos últimos acontecimentos. Fiquei na dúvida, pois coloca o primeiro acontecimento como um ataque de Israel em 27 de dezembro. No dia 4 de novembro, no entando, Israel já tinha lançado um ataque (alegando ser uma resposta a ataques do Hamas). Quando realmente começa isso? 1947?

Há um da Al-Jazeera, War on  Gaza, onde se pode pontuar num mapa as informações recebidas.

Galerias de fotos existem algumas, como esta de uma fotógrafa da Time e esta da CBSNews.

O Guardian fez um especial chamado A week in Gaza, com vídeos bem interessantes.

A Folha de S. Paulo escreveu um daqueles textos explicativos, “Entenda o Conflito entre Israel e Hamas”, que bem poderia ser melhor explorado como uma infografia.

Alguém viu algo diferente ou interessante por aí?

UPDATE: A Paula Góes indicou o melhor de todos, até agora: Gaza-Sderot: A vida a pesar de tudo

O JORNALISMO CEGO E O ESTADO TERRORISTA

// January 5th, 2009 // 17 Comments » // JORNALISMO, MULTIMIDIA

  A faixa diz “somos Gaza”. Fará parte deste blog a partir dos últimos acontecimentos.

Acompanhar a cobertura jornalística (que se diz jornalística) nos últimos dias tem sido dolorido. O condicionamento cultural (ou má fé mesmo mal jornalismo mesmo) que alguns veículos demonstram é triste e revoltante. Salvam-se poucos articulistas e jornalistas. Por sorte, hoje, temos outros meios para nos informar sobre o que ocorre em Gaza.

O título abaixo, publicado hoje (5) na Folha de S. Paulo,  é o exemplo de toda a cobertura que vem sendo feita pela mídia nos últimos dias:

Israel intensifica bombardeio no norte de Gaza; Palestinos atacam creche

A leitura disso é: Israel nunca pretende ferir inocentes, enquanto os palestinos, terroristas, miram em crianças. Quando Israel acerta crianças, é efeito colateral. Quando o Hamas (e não os palestinos, genericamente) acerta creches, é um ataque deliberado (sem contar que ninguém morreu com a bomba que caiu na creche – não havia ninguém lá). Estou para ver uma manchete assim: “Israelenses matam crianças; Hamas contra-ataca com mísseis”. É o viés contrário (e tem os mesmos problemas, diga-se).

Este massacre (não se trata de uma guerra quando um dos exércitos mais poderosos do mundo ataca uma favela) é um exemplo do que pode ganhar o jornalismo quando ele olha para quem está contando – e vivendo – a história. Longe das redes broadcast das agências internacionais.

Aqui vão alguns exemplos do que está acontecendo por aí. Se o jornalismo não estivesse cego (ou morto, salve Jorge), estaria olhando pra cá neste momento.

UPDATE: Se for para ler um único texto, que seja este, de Robert Fisk, correspondente do Independent e melhor jornalista do mundo.

Os textos de Robert Fisk: não precisa de apresentações

Gaza Talk:  um blog com alguns dos melhores artigos e vídeos sobre o que realmente acontece

War on Gaza: infográfico participativo da Al-Jazeera

In Gaza: um blog debaixo do bombardeio israelense

From Gaza: outro blog, de uma “52-year-old woman who has lived in the Middle East since 1984″.

Al Jazeera: notícias que não saem na CNN

Palestina Ocupada: série de bons textos de Idelber Avelar

UPDATE: lista em atualização com links propostos nos comentários.