Archive for November, 2008

HOME WITHIN – 3 MINUTE WONDERS

// November 30th, 2008 // 1 Comment » // Off Topic

Estou de mudança novamente. Não de site, nem de endereço virtual, mas de endereço real: saio de Campinas, onde estive nos últimos seis meses, e volto para São Paulo, tocar mil projetos. E a casa em Brasília, onde morei antes, durante uns 4 anos, e de maneira intermitente nos últimos seis meses, também fica pra trás em dezembro. Mas seguimos em frente.

Achei esses dias esse vídeo sobre “our collective search for self trough our understandig of the notion of home, como definem os criadores, da produtora Light Surgeons.

Vale parar 3 minutos para ver, ouvir e pensar.

NEWSCAMP NO SÁBADO COM INTERAÇÃO ONLINE

// November 27th, 2008 // No Comments » // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Ainda sobram 20 inscrições (gratuitas) para o último Newscamp do ano, que vai acontecer neste sábado (29) em São Paulo, no Gafanhoto. Mas o que é o Newscamp?

Newscamp é uma desconferência, um encontro de jornalistas interessados em cultura digital e de interessados em cultura digital com jornalistas.

Neste sábado a programação prevista é:

Newscamp – Narrativas Interativas
10 horas – Aloísio MilaniBon Bagay Haiti - Relato de uma Experiência
11h15 – Leo Caobelli – Coletivo Garapa – Relato de Experiências

12h30 – Almoço

14h – Desconferência – Narrativas Digitais – jornalismo e interfaces
MCs Multimídia – André Deak, Paulo Fehlauer e Rodrigo Savazoni – Gambiarra.org
Debatedores:
Daniel Jelin (Editor de Especiais do Portal do Estadão) – São Paulo
Iuri Rubim (Jornalista Multimídia – títular do blog das Ruas) – Salvador
Julliana de Mello (Jornalista Multimídia – JC Online) – Pernambuco
Emerson Luis (Jornalista Multimídia – EBC – Empresa Brasil de Comunicação) – Brasília
André de Oliveira e Jefferson Pinheiro (Coletivo Catarse) – Rio Grande do Sul

17 horas – DEXibição Virtual
Apresentação de trabalhos dos debatedores e dos participantes da desconferência
Traga o seu link!

Encontro de velhos e novos amigos, muito bate-papo interessante, projetos para 2009 e para ontem. Tudo ao mesmo tempo. Nos vemos por lá.

PS: Haverá transmissão ao vivo com interação, neste link aguarde que o link será divulgado em breve.

CURSO DE EDIÇÃO PARA JORNALISMO MULTIMÍDIA

// November 24th, 2008 // 11 Comments » // CONVERGÊNCIA, Destaques, INFOGRAFIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Durante o mês de novembro apresentei no Comunique-se um curso sobre edição para jornalismo multimídia, a convite do xará André Rosa (vulgo Marmota). Antes de mim, os alunos tiveram palestras com gente bacana: Ana Brambilla, sobre jornalismo colaborativo, o Interney (digo, o Edney), sobre SEO, o próprio Marmota, sobre edição de site, além de outras figuras.

O curso termina na próxima quarta-feira (26), mas resolvi publicar já tudo o que estou mostrando por lá, inclusive pra ter chance de modificar algo. Esses links todos já foram compartilhados com a classe via google.docs e já têm alguma colaboração dos alunos. Este post está aberto às suas colaborações também – basta indicar nos comments.

Essa coleção de links é também uma atualização do curso que dei em Belo Horizonte para os Diários Associados. Costumo usar pouco o powerpoint em aulas e apresentações, mostrando muito mais a rede, navegando nos sites ao vivo. Bem, aí está. Sugiro enfaticamente que você tire um tempo para navegar neles, caso já não conheça todos. Bom proveito.

DIA 1.
Esses links são sobre a evolução da narrativa online e a nova estética, especialmente no uso das fotografias, quando o vídeo era pesado demais, e no uso dos vídeos, mais fechados, closes do rosto, já que a tela era muito pequena 240 x 320, também porque tela grande era pesada demais. Costumo separar dois casos, um brasileiro e um estrangeiro, para mostrar essa estética que a internet trouxe. Começo sempre mostrando isso, principalmente, porque acho legal.

- Bon Bagay Haiti (Agência Brasil, depois de MediaStorm)
- Air Sick (Toronto Star)

Mas o que é, afinal, uma reportagem multimídia (termo que está ficando tão desgastado quanto globalização e sustentabilidade)?

Um pouco de teoria:
- Conceito de multimídia (Janet Murray, Ted Nelson, Raquel Longhi, Bia Ribas)
- Interatividade e infografias simples e complexas (Alberto Cairo, Tattiana Teixeira)
- Exemplos de soma x fusão de mídias (Lucia Santaella)

Exemplos da narrativa jornalística no cyberespaço no site www.interactivenarratives.org, mantido pelo editor do The New York Times, Andrew De Vigal e mantido pela Online News Association (ONA).

A publicidade também traz novidades em relação a narrativas multilineares, interativas. Normalmente, inclusive, é o setor que primeiro explora essas possibilidades (talvez junto com as artes, mas nesse caso, com menos recursos), que só depois se sedimentam para outros campos. Abaixo, alguns exemplos:

http://www.extreme-studio2cine.fr/
http://www.volvocars.com/intl/campaigns/Misc/VolvoOceanRace/Pages/Rush.aspx
http://www.ikea.com/ms/en_US/rooms_ideas/tcb/index.html

http://moodstream.gettyimages.com

Jornalismo de banco de dados / mashups
http://www.agenciabrasil.gov.br/mapas/2007/08/08/a-estrutura-do-pan/view

Exemplo hours concours: Hans Rosling e o Trendalyzer

SAIBA MAIS:
http://www.smackerel.net/index.html
(History of Interactive Media)

DIA 2.
Roteiros Multimídia
Como a interatividade e o hibridismo das mídias podem ser utilizados para contar uma história

- Nação Palmares

- History of Stuff

Jornalismo video-game  e Newsgames / Newsgaming

O jogo da imigração do NYT

http://www.persuasivegames.com/games/game.aspx?game=nyt_immigration

http://www.bogost.com/blog/points_of_entry.shtml

Superinteressante e a Ciência contra o Crime:
http://super.abril.com.br/jogos/crime/index.shtml

Video Game Revolution
http://www.pbs.org/kcts/videogamerevolution/history/index.html

- interatividade na TV aberta
Caso TV Cultura – o uso combinado de web 2.0, interatividade e um programa de TV com sinal aberto
http://www.radarcultura.com.br/node/26023
http://www.radarcultura.com.br/rodaviva/

Caso Current TV – o Twitter mixado com as imagens da TV
http://www.andredeak.com.br/2008/10/08/hack-the-debate-na-current-tv/

Dia 3.
Programas e sites úteis para edição multimídia

Para ler:
TEXTO / BLOGS (em pdf)
Conquiste a Rede – Blogs
Conquiste a Rede – Jornalismo cidadão

Para instalar:
Firefox
Br.Office

Blog:
wordpress

Redação colaborativa:
http://www.wikidot.com/

Twitter e as possibilidades para o jornalismo
Compartilhamento de documento no Google.docs
Assinatura de RSS

Ferramenta colaborativa para criação de projetos:
http://www.mindmeister.com/

FOTO
Flickr
Photobucket
http://www.sxc.hu [fotos royalties free para uso não comercial]
http://www.picnik.com/ [editor de fotos online]
http://www.reduzfoto.com.br/[redutor de fotos online, mas apenas de tamanho]

- Para reduzir o peso de uma foto: Picasa picasa.google.com.br/

- idéias de mashups diversos em software livre [programa que busca fotos no flickr a partir de cores determinadas pelo usuário]: http://labs.ideeinc.com/multicolr

Photoshop online, gratuito: https://www.photoshop.com/express/landing.html

Panoramas for dummies like me
http://www.andredeak.com.br/2008/10/09/panoramas-for-dummies/

http://www.andredeak.com.br/2007/09/22/panoramas/

Programa para costurar as fotos: http://hugin.sourceforge.net/

Dia 4 e 5.
VIDEOS E AUDIOS
O que há de mais avançado em busca e indexação?
http://www.videosurf.com/
www.TED.com

Para ler:
Flogs e Vlogs (pdf)
Formatos: entenda o que é mp3, mp4, .flv, .wmv, .3gp, etc.
http://wnews.uol.com.br/site/noticias/materia_especial.php?id_secao=17&id_conteudo=545
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquivos_de_v%C3%ADdeo

Instalar para edição de áudio: Audacity
download em http://audacity.sourceforge.net/
lame.dll em http://lame.sourceforge.net

Músicas royalties free:
http://www.jamendo.com/en/

podcast online:
http://podomatic.com/

Como fazer um podcast?
http://radio.about.com/od/podcastin1/a/aa030805a.htm
Podcast (para ler, em .pdf)
http://pcworld.uol.com.br/dicas/2008/04/09/o-que-e-como-criar-editar-hospedar-e-publicar-um-podcast/

VIDEO
Edição de vídeo online
http://www.jumpcut.com/

streaming (via celular, inclusive):
http://www.ustream.tv/
coveritlive
http://qik.com/

CONVERSORES & UTILIDADES
http://www.andredeak.com.br/2008/04/23/ferramentas-multimidia-online/

Transferência de arquivos:
http://www.filefactory.com
http://www.rapidshare.com/

Redução de endereços da web (especialmente útil para o Twitter):
http://tinyurl.com/

Imprimir qualquer coisa em pdf
http://baixaki.ig.com.br/download/PrimoPDF.htm

Conversores de formatos:
Super (converte tudo para tudo)
Jodix (tudo para mp4)
Switch Sound File Converter (áudios)
youtube downloader (tirar vídeos do YouTube em .flv)
Não testado: http://sproutbuilder.com/(flash builder)

Proxies:
http://proxy.org/cgi_proxies.shtml

TAREFAS PARA AULAS
Cadastro e uso de diversos recursos da web 2.0

- Montar um blog em Wordpress
- Montar um banco de fotos no Flickr
- Trabalhar com o Twitter durante as aulas
- Montar uma página de agregador de RSS (NetVibes ou Google Reader)
- Realizar um vídeo com aparelho móvel ou web cam
- Fazer um download do YouTube, editar e republicar (Cultura do Remix)

E aí? Alguém indica mais alguns links úteis?

GAGGED IS BACK

// November 17th, 2008 // 1 Comment » // JORNALISMO

Publico abaixo um email que recebi de Daniel Florêncio, que falou a este blog anteriormente sobre os ataques que vem sofrendo desde que realizou o vídeo Gagged in Brazil, sobre a censura de Aécio Neves aos jornais de Minas Gerais. Mais uma batalha ganha pelo Daniel:

Os paragrafos a seguir relatam a tentativa do PSDB de Minas Gerais em tentar retirar do ar na Current TV , empresa para quem prestei serviços por um ano quando participei de seu lançamento no Reino Unido, um filme crítico a política de comunicação do Governo Aécio Neves, produzido por mim e que vinha sendo veiculado no canal.

A Current TV é um canal de TV por assinatura e portal de Internet presentes nos EUA, Reino Unido e Itália, e foi criado pelo ex-vice-presidente norte-americano e Premio Nobel da Paz, Al Gore e pelo empresário Joel Hyat.

O filme http://current.com/items/88952525/gagged_in_brazil.htm

Em junho de 2007 estive no Brasil produzindo o filme “Gagged in Brazil“, um dos meus útimos trabalhos produzidos para meu contrato com o canal. O filme trata da falta de liberdade de imprensa, e das relações entre a mídia no Brasil e especialmente em Minas Gerais com o Governo Aécio Neves.

Na semana do dia 31 de agosto de 2007 contactei o Governo de Minas Gerais, TV Globo e Jornal Estado de Minas a fim de lhes dar espaço para rebater as afirmações feitas por jornalistas em meu filme. TV Globo e Governo de Minas responderam ao meu pedido. O Governo de Minas através de seu assessor Luiz Neto me enviou o seguinte texto, cujo trecho em negrito entrou na edição final do filme:

From: Luiz Neto <————@governo.mg.gov.br>
Date: Fri, Aug 31, 2007 at 8:08 PM
Subject: assessoria Aécio Neves
To: darth@danielflorencio.com

Caro Daniel,

Conforme combinado, segue resposta à sua demanda.
Resposta ao senhor Daniel Florêncio

O relacionamento entre veículos de comunicação e os governos federal, estaduais e municipais tem sido constantemente alvo de questionamentos no Brasil. São questionamentos legítimos quando partem de uma análise criteriosa dos fatos. A gravidade da acusação requer uma pesquisa independente e objetiva dos conteúdos jornalísticos publicados pelos veículos de imprensa acusados. As afirmativas feitas contra o Governo de Minas são baseadas exclusivamente em posicionamentos isolados, sendo, muitos deles, de natureza claramente político-partidária, e não como resultado de pesquisa. Uma análise dos conteúdos dos noticiários demonstrará, por exemplo, não existir distinção entre a cobertura realizada pelos veículos de comunicação mineiros das ações do Governo do Estado e da Prefeitura de Belo Horizonte, os dois principais pólos administrativos de Minas e que estão sob gestão de governantes de partidos adversários. Tal acusação sem amparo na realidade expõe, na verdade, uma visão ofensiva aos jornalistas mineiros – aqueles que trabalham nos órgãos governamentais e os que atuam nas redações – ao sugerir que têm conduta diferente da praticada pelos demais profissionais de imprensa brasileiros.
Assessoria de Imprensa do Governador Aécio Neves

—————————————————————

Daniel continua:

O filme entrou no ar na Current TV no Reino Unido no dia 27 de Maio de 2008, e uma semana antes, nos EUA. Após uma semana no ar, o filme foi legendado em portuguës e postado no YouTube, o que se viu a partir daí foi uma profusão de links e referências ao filme, com mais de 2000 entradas no Google, quase 100.000 visitantes na versão do YouTube, além de quase 6000 visitantes na versão original do filme no site da Current TV.

http://www.youtube.com/watch?v=R4oKrj1R91g

A resposta do PSDB

Pouco menos de um mês após a estréia de “Gagged”, o PSDB de Minas se encarregou de colocar no ar também no YouTube, diversas versões de um vídeo-resposta produzido por eles, rebatendo as afirmações apresentadas em meu filme.

http://br.youtube.com/watch?v=Gf091OBzxrM&watch_response

E na segunda-feira dia 22 de Setembro, o filme “Gagged in Brazil” foi retirado do ar e do site Current.com. Blogs que haviam linkado o vídeo do site da Current TV não mais exibiam o vídeo, e ao pesquisar por “Gagged in Brazil” no search engine do site já não mais o trazia como resultado. No dia seguinte, terça feira dia 23, Lina Prestwood, minha commissioning editor na Current TV entrou em contato via telefone esclarecendo o ocorrido.

Segundo ela, na semana anterior, os executivos seniors do canal nos EUA receberam cartas com severas considerações e críticas sérias em relação ao filme. As cartas foram enviadas pelo PSDB de Minas Gerais. O PSDB afirmava que meu filme tinha caráter político-partidário, que não representava a realidade do acontecido no estado e questionava minha conduta ética na produção do filme. Junto as cartas foram enviadas também cópias da versão em inglês do vídeo produzido pelo PSDB e postado no YouTube.

O filme foi então retirado do ar e a pedido do Presidente de Programação da TV, David Newman, e uma investigação sobre meus procedimentos jornalísticos foi iniciada pelo Gerente de Jornalismo da emissora, Andrew Fitzgerald.

Durante mais de uma semana, elaborei relatórios, dossiês, contactei minhas fontes no Brasil, e escancarei meus procedimentos para Andrew Fitzgerald, que queria checar quais eram minhas bases para as afirmações no filme, meus procedimentos, fontes, e se as acusações que o PSDB fizera nas cartas enviadas aos executivos do canal procediam.

A resposta veio no dia 22 de Outubro, quando após analizar minhas informações e as acusações do PSDB, Andrew me envia um email onde comunica que o filme havia voltado para a programação do canal.

From: Andrew Fitzgerald <————-@currentmedia.com>
Date: 22 October 2008 03:17:08 BST
To: Daniel Florencio <danielflorencio@gmail.com>
Cc: Lina Prestwood <—————-@current.com>
Subject: Gagged in Brazil back online

Hey Daniel
I’m happy to inform you that “Gagged in Brazil” is back live on the website and will be back in rotation on the US and UK networks within the next few days.

Thanks again for all your cooperation in sorting this out.

Andrew

Em alguns lugares (especialmente na rede), parece que o jornalismo ainda é possível.

JORNALISMO E VIDEO GAME

// November 9th, 2008 // No Comments » // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

A Superinteressante tem uma área dedicada a jogos, ligada diretamente às reportagens que realiza. Em outubro publicou uma capa chamada Ciência contra o Crime, e no site publicou um jogo onde você é o investigador.

O jogo é bem feito, sem grandes recursos multimídia, mas alguma interatividade estilo clique-aqui e clique-ali que leva a descobrir as pistas. Montou junto um eficiente fórum de discussão, onde os leitores compartilham as pistas e as conclusões.

Trabalho muito bem feito para o que se propõe, realizado por uma equipe de várias pessoas:

História: André Sirangelo, Leandro Narloch, Tarso Araújo / Roteiro: André Sirangelo / Design: Fabiane Zambon, Júlia Blumenschein, Julia Cabral, Marco Moreira / Programação: CPC Informática / Fotos: Dulla, Marco Moreira / Efeitos especiais: Kapel Furman / Produção: Claudia Campos Ator: Rui Longo / Agradecimentos: Daniel Schneider, Fabricio Leotti, Julio Ponce, Leandro Cavalcante, Nina Weingrill, Pedro Barrera

Newsgames estão se tornando cada vez mais comuns, e cada vez melhores. Se jornalismo continua sendo uma maneira de contar histórias, em tempos de interatividade, os videogames têm muito a ensinar sobre isso. As novas narrativas talvez passem justamente por aí.

Fica uma questão: Um newsgame com as evidências reais de um crime, como o caso Nardoni, por exemplo, seria melhor que uma reportagem para fazer entender as conclusões que condenaram o casal? As evidências são públicas? A defesa dos advogados poderia ser ouvida, como se fôssemos os jurados?

É mais fácil, por enquanto, realizar jogos de ficção, mas certamente veremos jogos mais realistas em breve. O que levará a novos patamares as discussões de objetividade e de ética no jornalismo.

PS: Recebi essa dica de um estudante da USP, durante uma palestra que fui dar por lá a convite do Rodrigo Savazoni e do Eugênio Bucci.

DISCUSSÃO COM GARAPA

// November 4th, 2008 // 1 Comment » // JORNALISMO

Os amigos do Garapa.org, grupo independente de jornalismo multimídia, produzem, entre outras coisas, vídeos que vão ao ar na MTV Pública. São vinhetinhas de 1 minuto pra fazer pensar. Esse vídeo acima surgiu quando eles viram um anúncio em inglês da Diesel no jornal, o que contraria normas do Código do Consumidor. Gerou essa boa discussão nos comments deles lá, que republico abaixo:

E qual o problema? se cada um tem sua própria relação de poder aquisitivo? se uma pessoa que ganha apenas 1 sal. não teria condições de comprar uma calça de 600 reais, e se alguém que ganha 20 vezes mais (ou vem mais) pode?
e se a pessoa, mesmo não ganhando tudo isso, quiser comprar?

Qual o problema? Cada um gasta da maneira que quiser, certo? E se a campanha está em inglês? qual o problema, se o público dirigido é específico? Acho pior, taaanto pior, essa forma de convencimento ao consumismo VELADO utilizado pela própria emissora em questão (MTV) Porque não falam disso? celulares, bonequinhos, quitutes, venda de estilos, e rigor de comportamento, para crianças que absorvem de tudo? Ora, ora…

e a resposta do autor:

O problema, ao meu ver, é claro. Enquanto criarmos a glamourização exacerbada de qualquer bem de consumo se sobrepondo a melhoria de condições básicas para um coletivo inteiro, estamos sim criando um grupo de marginalizados. Essa marginalização, aliada ao poder de persuasão da publicidade, criam os desejos de consumo em quem tem e também em quem não tem – o que vc mesmo citou: poder aquisitivo. Assim, querendo mas não tendo, rouba-se.

Não me lembro de qual sociólogo é a frase, mas parece que já saiu até em sorte do orkut: A sociedade prepara o crime, o criminoso apenas o pratica.

Quanto a publicidade em inglês, você foi categórico, ela é excludente. Excluir, ao invés de incluir é uma política de valorização capital. Quanto mais se reduz o grupo de consumo, mais algo se valoriza monetariamente – é o princípio de oferta e procura que regulamente mercados há anos. Mercados estes que estão quebrando, como podes ver em outro especial recém adicionado por nós.

Mas mais importante que a crise na bolsa é a crise moral que leva alguém a defender que o preço de uma peça de roupa é apenas uma etiqueta, um valor… ele é mais do que isso, meu caro Fabio, é a síntese de nossa sociedade criando seus próprios algozes – pensando antes em excluir do que em incluir – empurrar do que abraçar.

São escolhas, e como todas elas, têm suas consequências.
Cabe apenas lembrá-las no meio da Rebouças com um 38 encostado na nuca.

obs: e não esqueça também de que a maioria desses oásis de consumo exclusivos são produzidos em países sem leis trabalhistas definidas, onde uma criança é responsável pelo lindo adorno dos teus tênis.

50 PESSOAS, UMA QUESTÃO

// November 3rd, 2008 // 1 Comment » // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA


Fifty People, One Question: New Orleans from Benjamin Reece on Vimeo.

O que você gostaria que acontecesse até o final do dia?

Grande exemplo de video-jornalismo para a internet. Ou para a TV.

De jornalismo, afinal. Ou poesia.

JORNALISMO E ENTRETENIMENTO

// November 3rd, 2008 // 1 Comment » // CONVERGÊNCIA, INFOGRAFIA, JORNALISMO

Depois do newsgame, ou infografia, ou quiz, inventado pelo USAToday, no ano passado, para as eleições dos EUA, vários outros portais e sites fizeram coisas semelhantes, em que o usuário diz o que pensa e o site apresenta o candidato com o pensamento mais similar ao dele.

Aí, recentemente, o G1 colocou no ar este quiz, bem parecido com os newsgames criados anteriormente, mas com uma diferença irritante: é completamente inútil.

Está alocado dentro de notícias/mundo, dando a entender que houve alguma pesquisa, que tem algum conteúdo jornalístico, apuração, etc. Entre perguntas sérias, como sobre a guerra do Iraque (algo como a favor ou contra), misturam-se “você preferia viajar para qual desses Estados (Illinois/Alabama)”; “você teria (ou tem) animais de estimação em casa?”e outras pertinentes questões que vão levá-lo a descobrir qual candidato norte-americano é mais parecido com você.

A interatividade ainda será bastante discutida (espero) em relação ao contrabando de entretenimento que ela permite inserir no jornalismo. Para não falar no contrabando de publicidade.

PROJETO PUBLICO.ORG

// November 2nd, 2008 // No Comments » // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Aí está. Essa turma extremamente qualificada que eu tenho orgulho de freqüentar colocou o projeto Publico.Org entre as propostas para financiamento do Knights News Challenge, da Knight Foundation. O Publico.org é nossa aposta num modelo justo e inovador para produzir jornalismo cidadão.

Quem puder, cadastre-se lá no site e vote no projeto. O financiamento não está diretamente relacionado aos votos, mas assim ele ganha visibilidade.

Abaixo, a descrição que enviamos ao Knight Challenge:

Describe your project:
Publico.org é uma experiência jornalística de protagonismo jovem na periferia de São Paulo.

O projeto consiste em uma plataforma de publicação de conteúdos distribuída que vincula o processo do newsmaking aos princípios da economia solidária, constituindo-se como uma rede social de produção de informação de interesse público articulando estudantes, profissionais, blogueiros e ativistas da sociedade civil organizada.

O objetivo principal é construir, por meio da participação dos integrantes da rede social, uma abordagem dos principais problemas da periferia de São Paulo a partir da visão de seus cidadãos, com foco explícito nas dinâmicas que tocam os indivíduos no cotidiano.

O processo de produção da notícia do Publico.org considera dois aspectos como primordiais: a) o acesso e uso de uma plataforma tecnológica de publicação de conteúdos; b) a quantificação e qualificação de bens informacionais para buscar formas diferenciadas de valoração e recompensa dos processos produtivos.

Editorialmente, o Publico.org buscara se concentrar em assuntos concretos e objetivos, que geram mobilização e necessitam de respostas práticas dos poderes públicos.

Para realizar seus objetivos, o Publico.org pretende agir em comunidades geográficas excluídas do mapa informacional brasileiro por meio de estímulos à produção de informação nessas comunidades (a partir da associação com ONGs e grupos sociais que já executam trabalhos de conscientização midiática nesses locais), mas também oferecendo um conjunto de informações (porque produzidas por esses atores) que tratem dos temas a partir da perspectiva desses cidadãos que no início do século 21 ainda vivem em situações de pobreza incompatíveis com o nível de desenvolvimento planetário.

How will your project improve the way news and information are delivered to geographic communities?
Centro financeiro do Brasil, São Paulo é um exemplo da concentração de propriedade na mídia brasileira. As regiões periféricas nunca tiveram veículos de grande inserção, muito embora tenham um histórico de trabalhos alternativos voltados para as questões da comunidade. Neste momento, dois processos precisam ser levados em consideração: a constituição de uma rede de rádios comunitárias, com outorga do Ministério das Comunicações, e a conformação de uma rede de lan-houses (centros pagos de acesso coletivo à internet) e projetos de inclusão digital, que são redações jornalísticas em potencial.

O Publico.org pretende promover a publicação de conteúdos pelos moradores da periferia paulistana, bem como construir uma mecânica replicável e sustentável para a produção de informação em pequenos grupos e comunidades articuladas e descentralizadas que venha a inverter a lógica atual da produção jornalística centrada nas grandes empresas de comunicação.

Para atingir o público excluído digitalmente, cujo acesso à rede mundial de computadores é inexistente ou restrito, o projeto vai estimular a distribuição dos conteúdos por meios de outras plataformas, como rádios comunitárias, jornais murais, rádios poste, entre outros sistemas alternativos, aproveitando a malha de informação já existente.

How is your idea innovative? (new or different from what already exists)
O projeto Publico.org tem como objetivo tecnológico construir um software de publicação de informação colaborativa, a partir de experiências livres já existentes, cujo diferencial será o módulo Moitará – nome dado à troca de produtos realizada no Kuarup, festa indígena em homenagem aos mortos que ocorre no Parque do Xingu, na Amazônia – que associa ao processo de newsmaking os princípios da economia solidária. Isto é, que permite a materialização online de formas alternativas de valoração e recompensa dos processos produtivos que não apenas o monetário.

Esse modelo, que funciona com razoável sucesso na produção de bens tangíveis torna-se mais complexo quando o trazemos para a cena dos bens imateriais, sobretudo numa conjuntura de fim da escassez artificial. A proposta é construir uma plataforma inteligente que permita quantificar e qualificar esses bens através de mecanismos como mediação social, permitindo a identificação e atribuição de valor aos mesmos pela própria comunidade.

O Moitará funciona como um “Quantificador da Dádiva” e será desenvolvido como parte de CMS de publicação de notícias para pequenas comunidades, mas também como uma interface modular e uma API pública que permita sua inclusão em outros sistemas de produção e distribuição de notícias. O sistema também permitirá a construção de uma rede de atores associados que irão desempenhar diferentes papéis na dinâmica da troca de bens e serviços entre os membros da rede.

What experience do you or your organization have to successfully develop this project?
Nossa organização é composta por profissionais de comunicação e mídias sociais que estão à frente de várias experiências de sucesso na mídia eletrônica brasileira. A força desse grupo reside na multiplicidade de expertises e capacidade de realização profissional já comprovadas em suas trajetórias pessoais.

São eles: Rodrigo Savazoni (Editor de Novos Produtos na área de Conteúdo Digital de O Estado de S. Paulo e ex-Editor Chefe da agência pública de notícias Agência Brasil), André Deak (Editor Multimídia da Agência Brasil e Coordenador de Comunicação da CPFL Cultura), Pedro Markun (Editor do Jornal de Debates e Consultor em Mídias Sociais), Paulo Fehlauer (Criador do Coletivo Multimídia Garapa.org, que realiza trabalhos para a Folha de S. Paulo e MTV), Ceila Santos (Coordenadora do NewsCamp e criadora da rede social Desabafo de Mãe), Carla Schwingel (PhD in Cyberjournalism – UFBA, especialista em desenvolvimento de plataformas web para a produção de jornalismo), Francesco Cardi (experiência internacional em desenvolvimento de projetos).

BOUNCE RATE

// November 1st, 2008 // 11 Comments » // A REDE

Bounce rate é o termo de análise de tráfego em site que significa a taxa (em %) de pessoas que foram embora do site antes mesmo de terminar de carregar a primeira página. Os sites que conheço – e este, inclusive – têm bounce rates entre 50 e 70%. Ou seja: a maioria dos visitantes vai embora antes de carregar a primeira página.

O especialista em análise do Google Avinash Kaushik diz:

“É realmente difícil ter uma taxa de rejeição (a tradução de bounce rate por taxa de rejeição é minha, ok?) menor que 20%, qualquer coisa maior que 35% é bom prestar atenção, e 50% (ou mais) é preocupante.”

No caso de páginas de notícias, onde o sujeito encontra o quer talvez nos primeiros segundos e vai embora antes da página toda carregar, talvez  essa taxa cause distorções. Também nos casos em que a pessoa coloca o site como página inicial. Mas no geral é um dado significativo.

Este post surge de uma conversa breve que tive com o Pedro Markun: os sites vivem anunciando que têm não-sei-quantos milhares de pageviews, ou de usuários únicos, mas suspeito que com uma taxa de rejeição grande, caia pela metade esse valor.

Sei lá porque entrei nisso de falar de bounce rate.