mnmlist: JORNALISMO MULTIMÍDIA, ONLINE, 2.0, JORNALISMO DIGITAL ETC

Professores, alunos e jornalistas espalhados pelas redações ainda estão longe de um consenso sobre o jornalismo multimídia, a começar pela definição do termo. Percebi isso mais claramente em Brasília, quando participei do II Encontro de Professores de Jornalismo DF-GO-TO, mas isso acontece sempre que presencio ou participo de uma discussão sobre o tema. Vale a pena destrinchar um pouco o assunto, a começar dizendo do que não se trata o jornalismo multimídia.

Em primeiro lugar cabe dizer que jornalismo multimídia não é sinônimo daquele modelo de jornalista-faz-tudo, homem-orquestra, backpack-journalist e outros nomes que são usados para definir o jornalista que realiza uma reportagem e tira fotos, filma, grava o áudio, escreve o texto e ainda produz um blog e um podcast com o que não foi usado – e faz três pautas por dia. Substituir uma equipe por um único jornalista não dá certo. Isso já foi testado em vários países e já foi abandonado. Há pelo menos um par de anos essa discussão está extinta: esse modelo não funciona, não será usado, produz jornalismo de má qualidade, superficial, descontextualizado. No Brasil, há quem ainda aposte nesse sistema, mas apenas por uma das duas razões abaixo:

1. cegueira;
2. faz questão de produzir jornalismo de má qualidade, superficial e descontextualizado.

Jornalismo multimídia também não é necessariamente sinônimo de jornalismo em tempo real. Muitos jornalistas, novos e velhos, professores e estudantes, ainda têm a mania de utilizar o termo como sinônimo, ou em frases como “o jornalismo multimídia nunca terá crédito porque prefere a velocidade do que a qualidade”. Aliás, o jornalismo em tempo real nem começou com a internet, mas com o rádio – e também muita gente usa “jornalismo em tempo real” para se referir unicamente à internet. Mas esse é outro problema.

Jornalismo multimídia também não é sinônimo de exploração. Pode ser, mas não necessariamente é. Não dá para ser contra o jornalismo multimídia, pura e simplesmente. Fazer isso seria o mesmo que, há alguns anos, ser contra o computador. O jornalismo feito e distribuído para várias plataformas ao mesmo tempo (várias mídias) chegou para ficar, não adianta espernear. A briga precisa ser sobre COMO será feito esse tipo de jornalismo, e não SE ele será feito.

Ninguém será obrigado a trabalhar para todas as mídias, a saber produzir e editar para TV e rádio e também escrever um texto para o jornal impresso (ou pelo menos não deveria, mas sei de lugares que estão obrigando. Mas esse também é outro problema). As pessoas seguirão tendo capacidades específicas, sempre haverá o especialista em suas áreas. Mas, a partir de agora, cada vez mais haverá gente, dentro e fora das redações, capacitada para fazer um pouco de tudo isso.

O que assusta os sindicatos e jornalistas é que se um repórter é capaz de tirar um foto, o patrão o obrigará a fazer isso e demitirá o fotógrafo. Isso pode, é claro, acontecer. Mas vejamos:

1. Se o fotógrafo é incapaz de tirar uma foto melhor do que um repórter que não é fotógrafo (ou um cidadão comum), talvez realmente ele não seja necessário;

2. Se o fotógrafo for bom e mesmo assim o dono do veículo optar por colocar uma foto amadora para economizar, perderá qualidade. Se qualidade não faz diferença para o consumidor, então realmente estamos perdidos e o problema é bem maior

3. Seja lá como for a qualidade do fotógrafo, ele poderá aprender a filmar, por exemplo, e encontrar outros espaços na redação multimídia.

Esses quadros são todos reais e exemplos do que já acontecem nas redações por aí.

Mas afinal, um jornalista multimídia, portanto, seria o quê? Se é capaz de trabalhar com mais de uma mídia, me parece que já podemos considerar esse jornalista de um profissional multimídia. O nível de qualidade técnica em cada mídia – e na integração delas – será definido de acordo com quem usa o termo. Para alguns, pode ser simplesmente quem trabalha com rádio e texto para impresso. Para outros, pode ser o cara que sabe usar flash, HTML, entende de vídeo, edita no Audacity, filma e tem um blog. Mas há um vasto campo cinza entre os dois casos, e todos eles poderiam ser chamados de jornalistas multimídia.

As definições são várias, mas talvez valha a pena esse esboço, abaixo, para tentar arregimentar umas tipologias. Quem puder dar algum auxílio para melhorar essas definições, por favor se manifeste.

Jornalismo multimídia: se utiliza mais de uma mídia (vídeo, áudio, texto, foto), é multimídia. Multi (várias) + Mídia. Vale ver a definição da palavra multimídia na Wikipedia

Jornalismo online: é o jornalismo feito na internet, em rede, mas o Meira da Rocha tem várias boas definições acadêmicas.

Jornalismo digital: qualquer jornalismo que não utilize mais meios analógicos é jornalismo digital, seja vídeo, áudio ou texto

Jornalismo 2.0: o termo 2.0 surgiu associado à web 2.0, com vários significados, mas que acabou virando mais ou menos sinônimo de “jornalismo de redes sociais”. Jornalismo 2.0 pode ser associado portanto ao jornalismo que utiliza essas redes de alguma maneira, normalmente de modo colaborativo

Jornalismo colaborativo (ou participativo): veja acima e abaixo.

Jornalismo cidadão (citizen journalism): jornalismo produzido por pessoas que não são jornalistas profissionais, que não trabalham com isso no dia-a-dia. Associado ao jornalismo colaborativo ou participativo. Veja a definição da Wikipedia

Jornalismo cívico (civic journalism, ou public journalism às vezes): O jornalismo cívico é um jornalismo engajado com a comunidade, que tenta transformar o veículo num fórum de discussão daquele grupo. Tem parentesco próximo com o jornalismo comunitário. Veja a definição da Wikipedia

Jornalismo comunitário: jornalismo feito para a comunidade, pela comunidade. Há quem diga que é um, há quem diga que é o outro, e quem sustente que se não for os dois juntos não é. Veja a definição da Wikipedia

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