Posted on Oct 30, 2008

GREVE DE JORNALISTAS NA EBC

[UPDATE] Greve suspensa após prorrogação do acordo coletivo

Acabo de conversar com um dos jornalistas em greve da Empresa Brasil de Comunicação. Parece que hoje (30) os funcionários poderão decidir negociar com a empresa separadamente o acordo coletivo de final de ano, que garante o reajuste inflacionário e alguns ganhos salariais, e o plano de cargos e salários, que serve para determinar, entre outras coisas, critérios para as promoções e descrição de atividades, inclusive dos jornalistas multimídia.

Os jornalistas decidiram a greve porque não tiveram nenhum retorno positivo da empresa. Dizem que ontem, por volta das 22h, a empresa publicou, na intranet, um plano de cargos e salários que deveria balizar as promoções e as tarefas dos funcionários nos próximos anos. Mas queria aprovar isso junto com as discussões salariais, que precisam ser definidas até amanhã (31). “Apresentaram hoje [o plano], temos três dias para negociar isso [dois, na verdade], um plano que vai durar anos. Esse plano precisa ser discutido por uma comissão dos empregados, uma comissão da empresa, outra da Fenaj, não dá pra discutir em três dias. Apresentaram ontem de noite, às 10 da noite. Havia uma promessa da Tereza [Cruvinel, presidente da EBC] de discutir o plano. Mas isso não vai acontecer”.

Segundo o jornalista, essa primeira greve em décadas acabou saindo por vários motivos e não é controlada pelos sindicatos dos radialistas e dos jornalistas. Ambos sindicatos fizeram discursos para terminar com a greve, do alto do caminhão de som, e tomaram vaias dos funcionários.

“Juntou tudo – a raiva do multimídia [sobreposição de tarefas, como gravar para o rádio e escrever para a agência online ao mesmo tempo, sem ganhar adicional por isso], a raiva da presidência ter dado aumento para os temporários [a medida provisória que criou a EBC permitiu contratar funcionários sem concurso por um prazo de dois anos. Os novos contratados ganham cerca de R$ 5 mil para realizar as mesmas tarefas que os funcionários antigos fazem, mas ganhando pouco mais de R$ 2 mil], e raiva da falta de critérios editoriais.”

O resultado da greve teve pouco impacto na TV Brasil, que funciona principalmente na estrutura do Rio de Janeiro. Dizem que a Rádio Nacional veiculou quase apenas música e que os estagiários da Agência Brasil estão trabalhando mais que nunca, no lugar dos grevistas. Matérias de gaveta foram ao ar no programa A Voz do Brasil e na Agência Brasil, que publicou uma nota informando que a programação da EBC está normal, apesar da paralisação.

“A Rádio Nacional está tocando música o dia inteiro. A Voz do Brasil foi apresentada por um dos chefes da empresa, só com matéria de gaveta. A TV Brasil não parou, porque a operação está no Rio. E como a maioria dos funcionários é de temporários, há o medo de entrar em greve e ser demitido.”

Mais notícias no decorrer do período.

Deu nos blogs:
Noblat – Greve na EBC é abafada, mas ameaça continuar
Jamildo – TV Lula faz sua primeira greve

Posted on Oct 24, 2008

CONVITE

“Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão” – Artigo XIX

Na próxima segunda-feira, dia 27 de outubro, duas premiações especiais acontecerão no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA: a entrega do 30º Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e do Troféu Especial de Imprensa ONU/60 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos/Prêmios Vladimir Herzog. As cerimônias acontecem a partir das 19 horas, no auditório do teatro.

(na foto: Ivo Herzog e o criador do Troféu Especial, Elifas Andreato, com o “Vlado Vitorioso” nas mãos)

O Troféu Especial será entregue a cinco jornalistas que foram escolhidos entre os ganhadores das 29 edições do Vladimir Herzog. Seus nomes – Caco Barcellos, Henfil (in memoriam), José Hamilton Ribeiro, Ricardo Kotscho e Zuenir Ventura – foram divulgados no dia 7 de outubro, numa pequena cerimônia realizada no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Na ocasião, Ivan de Souza receberá a homenagem (in memoriam) pelo pai, o cartunista Henfil.

O prêmio é uma iniciativa do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC-Rio) e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). Do total de 553 jornalistas que já ganharam o Prêmio Vladimir Herzog, 437 foram localizados e 326 votaram em até cinco jornalistas de sua livre escolha. No resultado da votação, 365 comunicadores receberam pelo menos um voto.

TUCA
Rua Monte Alegre 1024
Perdizes
São Paulo, SP

PS: Vamos estar lá eu, Rodrigo Savazoni, Aloisio Milani, Juliana Nunes, Jefferson e Andre do Catarse e mais uma penca de gente para receber o prêmio Herzog na categoria internet, pelo documentário interativo Nação Palmares. Depois vai ter bebemoração, certamente. Apareça.

Saiba Mais: OBORÉ – Projetos Especiais em Comunicações e Artes.

Posted on Oct 21, 2008

JORNALISMO MULTIMÍDIA, ONLINE, 2.0, JORNALISMO DIGITAL ETC

Professores, alunos e jornalistas espalhados pelas redações ainda estão longe de um consenso sobre o jornalismo multimídia, a começar pela definição do termo. Percebi isso mais claramente em Brasília, quando participei do II Encontro de Professores de Jornalismo DF-GO-TO, mas isso acontece sempre que presencio ou participo de uma discussão sobre o tema. Vale a pena destrinchar um pouco o assunto, a começar dizendo do que não se trata o jornalismo multimídia.

Em primeiro lugar cabe dizer que jornalismo multimídia não é sinônimo daquele modelo de jornalista-faz-tudo, homem-orquestra, backpack-journalist e outros nomes que são usados para definir o jornalista que realiza uma reportagem e tira fotos, filma, grava o áudio, escreve o texto e ainda produz um blog e um podcast com o que não foi usado – e faz três pautas por dia. Substituir uma equipe por um único jornalista não dá certo. Isso já foi testado em vários países e já foi abandonado. Há pelo menos um par de anos essa discussão está extinta: esse modelo não funciona, não será usado, produz jornalismo de má qualidade, superficial, descontextualizado. No Brasil, há quem ainda aposte nesse sistema, mas apenas por uma das duas razões abaixo:

1. cegueira;
2. faz questão de produzir jornalismo de má qualidade, superficial e descontextualizado.

Jornalismo multimídia também não é necessariamente sinônimo de jornalismo em tempo real. Muitos jornalistas, novos e velhos, professores e estudantes, ainda têm a mania de utilizar o termo como sinônimo, ou em frases como “o jornalismo multimídia nunca terá crédito porque prefere a velocidade do que a qualidade”. Aliás, o jornalismo em tempo real nem começou com a internet, mas com o rádio – e também muita gente usa “jornalismo em tempo real” para se referir unicamente à internet. Mas esse é outro problema.

Jornalismo multimídia também não é sinônimo de exploração. Pode ser, mas não necessariamente é. Não dá para ser contra o jornalismo multimídia, pura e simplesmente. Fazer isso seria o mesmo que, há alguns anos, ser contra o computador. O jornalismo feito e distribuído para várias plataformas ao mesmo tempo (várias mídias) chegou para ficar, não adianta espernear. A briga precisa ser sobre COMO será feito esse tipo de jornalismo, e não SE ele será feito.

Ninguém será obrigado a trabalhar para todas as mídias, a saber produzir e editar para TV e rádio e também escrever um texto para o jornal impresso (ou pelo menos não deveria, mas sei de lugares que estão obrigando. Mas esse também é outro problema). As pessoas seguirão tendo capacidades específicas, sempre haverá o especialista em suas áreas. Mas, a partir de agora, cada vez mais haverá gente, dentro e fora das redações, capacitada para fazer um pouco de tudo isso.

O que assusta os sindicatos e jornalistas é que se um repórter é capaz de tirar um foto, o patrão o obrigará a fazer isso e demitirá o fotógrafo. Isso pode, é claro, acontecer. Mas vejamos:

1. Se o fotógrafo é incapaz de tirar uma foto melhor do que um repórter que não é fotógrafo (ou um cidadão comum), talvez realmente ele não seja necessário;

2. Se o fotógrafo for bom e mesmo assim o dono do veículo optar por colocar uma foto amadora para economizar, perderá qualidade. Se qualidade não faz diferença para o consumidor, então realmente estamos perdidos e o problema é bem maior

3. Seja lá como for a qualidade do fotógrafo, ele poderá aprender a filmar, por exemplo, e encontrar outros espaços na redação multimídia.

Esses quadros são todos reais e exemplos do que já acontecem nas redações por aí.

Mas afinal, um jornalista multimídia, portanto, seria o quê? Se é capaz de trabalhar com mais de uma mídia, me parece que já podemos considerar esse jornalista de um profissional multimídia. O nível de qualidade técnica em cada mídia – e na integração delas – será definido de acordo com quem usa o termo. Para alguns, pode ser simplesmente quem trabalha com rádio e texto para impresso. Para outros, pode ser o cara que sabe usar flash, HTML, entende de vídeo, edita no Audacity, filma e tem um blog. Mas há um vasto campo cinza entre os dois casos, e todos eles poderiam ser chamados de jornalistas multimídia.

As definições são várias, mas talvez valha a pena esse esboço, abaixo, para tentar arregimentar umas tipologias. Quem puder dar algum auxílio para melhorar essas definições, por favor se manifeste.

Jornalismo multimídia: se utiliza mais de uma mídia (vídeo, áudio, texto, foto), é multimídia. Multi (várias) + Mídia. Vale ver a definição da palavra multimídia na Wikipedia

Jornalismo online: é o jornalismo feito na internet, em rede, mas o Meira da Rocha tem várias boas definições acadêmicas.

Jornalismo digital: qualquer jornalismo que não utilize mais meios analógicos é jornalismo digital, seja vídeo, áudio ou texto

Jornalismo 2.0: o termo 2.0 surgiu associado à web 2.0, com vários significados, mas que acabou virando mais ou menos sinônimo de “jornalismo de redes sociais”. Jornalismo 2.0 pode ser associado portanto ao jornalismo que utiliza essas redes de alguma maneira, normalmente de modo colaborativo

Jornalismo colaborativo (ou participativo): veja acima e abaixo.

Jornalismo cidadão (citizen journalism): jornalismo produzido por pessoas que não são jornalistas profissionais, que não trabalham com isso no dia-a-dia. Associado ao jornalismo colaborativo ou participativo. Veja a definição da Wikipedia

Jornalismo cívico (civic journalism, ou public journalism às vezes): O jornalismo cívico é um jornalismo engajado com a comunidade, que tenta transformar o veículo num fórum de discussão daquele grupo. Tem parentesco próximo com o jornalismo comunitário. Veja a definição da Wikipedia

Jornalismo comunitário: jornalismo feito para a comunidade, pela comunidade. Há quem diga que é um, há quem diga que é o outro, e quem sustente que se não for os dois juntos não é. Veja a definição da Wikipedia

Posted on Oct 16, 2008

NAÇÃO PALMARES LEVA O VLADIMIR HERZOG

 

Parabéns para todo mundo!

Essa é a equipe que realizou o Nação Palmares, documentário interativo que ganhou o prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria internet. Trabalho árduo, esforço de integração de mídias, experimentações tecnológicas. Maior orgulho. Resultado não só do trabalho do pessoal aí embaixo, mas de todo mundo que trabalhou em nome do jornalismo público na Radiobrás.

André Deak
Juliana Nunes
Rodrigo Savazoni
Spensy Pimentel
André de Oliveira
Jefferson Pinheiro
Fausto José
Yasodara Cordova
Mario Marco
Robson Moura
Valter Campanato
Wilson Dias
José Cruz
Marcello Casal Jr.

MAIS:
Aqui, o link para o documentário interativo, na Agência Brasil
E aqui o making of, num post que escrevi no ano passado
E o belo texto A Genealogia do Nação Palmares, do Savazoni, que conta o início, o fim e o meio do processo

Posted on Oct 9, 2008

PANORAMAS FOR DUMMIES

Fiz meus dois primeiros panoramas – aquelas fotos de 360° –, sem ter lido muito a respeito, sem nenhuma habilidade tecnológica, sem tripé e sem prestar muita atenção em luz e enquadramento. Ficou um lixo, claro. Mas me diverti bastante, e o resultado ficou até apresentável (desde que o público alvo seja a mãe). Seguem algumas dicas se você for tentar algo assim.

O primeiro panorama que fiz foi no Pelourinho, em Salvador (acima). Tinha um monte de gente em movimento e eu, que sou de São Paulo, fiz umas 10 ou 15 fotos em uns 30 segundos porque estava com receio de ficar com cara de turistão com máquina fotográfica dando sopa (aliás, a máquina é uma Minolta de filme de rolo, já que eu não tenho uma digital e meu celular é um Nokia 100, que saiu de linha há uns vários anos e não tira foto, nem tem tela colorida, nem acessa a internet – mas tem lanterna).

Não é à toa que todos dizem pra usar um tripé para panorâmicas. Basicamente, o maior problema é tirar algumas fotos mais pra cima e outras mais para baixo. No final, para não ficar umas faixas pretas horríveis, você tem que cortar muito da área fotografada. Sem tripé, portanto, além de ter que prestar atenção nos pontos comuns horizontais – que é o que o programa vai usar para juntar as fotos –, é importante também prestar atenção na altura. Tirar fotos na horizontal também ajuda, para ter uma área maior de navegação.

O outro panorama foi feito no Farol de Barra Grande (acima). Aluguei uma moto na paradisíaca praia baiana de Barra Grande e fui explorar o local. Aproveitei para tentar o segundo panorama, agora com mais calma. Levei, acho, um ou dois minutos – ok, nem tanta calma -, para fazer todas as fotos, umas 15. Ainda tive problemas com a ondulação, mas menos que no Pelourinho. Lá no farol, com o sol à pino, o problema foi mesmo a luz. Algumas fotos ficaram mais claras que outras. Isso só porque provavelmente não coloquei no automático. Mas pelo menos lembrei de tirar a tampa da lente.

Tentei usar dois programas para fazer os panoramas. O Panorama Maker – esse é para dummies mesmo – e o Photoshop CS3. Todos esses que estão aqui são os do PM, porque a memória do meu lap-top Acer 512 RAM não foi o bastante. Consegui ir até certo ponto, depois de ter desligado tudo, mas não deu. O CS3, óbvio, é muito melhor. A diferença é como comparar o PaintBrush e o Photoshop. Pra quem não quer nada mais que se divertir, o PM até que serve. O programa é totalmente intuitivo. É só sair clicando.

O que faltou, até hoje, foi achar um programa gratuito para converter o .jpg gerado em um .mov e jogar na rede, para ser acessado pelo QuickTime. O amigo Paulo Fehlauer indicou dois programas (um é o hugin, que faz as costuras das imagens, e outro, que converte para .mov, é o PTMAC), mas o segundo só serve para MAC. Se souber de algum para windows que faça o .mov, avise que eu jogo as imagens com interatividade.

SAIBA MAIS: Tem um manualzinho bacana para vários programas que o UOL preparou, algo tipo Como Fazer Panoramas. No final, decidi duas coisas: preciso de uma máquina digital, e quero um tripé de natal.

E aqui um post meu sobre o trabalho de gente profissional.

Posted on Oct 8, 2008

HACK THE DEBATE NA CURRENT TV

A Current TV fez uma associação com o Twitter e integrou a ferramenta de microblogging com o debate da CNN entre Obama e McCain. O resultado, como alguém disse, é uma pesquisa qualitativa em tempo real muito eficiente.

O post anterior foi justamente sobre a cobertura experimental que o Roda Viva, da TV Cultura, vem fazendo. A Current TV integrou os tweets com uma transmissão online. Interessante será colocar os tweets na transmissão de broadcast, se o delay não atrapalhar demais os comentários em tempo real.

É mais uma ferramenta, mais um teste, bem interessante (especialmente as palavras “explodindo”, um efeito bem interessante, mas nada demais). Mas enquanto o modelo for apenas criar mais um canal para que as pessoas recebam mais informações sem interferir nos rumos do conteúdo, estaremos ainda presos aos modelos do século passado.

Posted on Oct 6, 2008

NOTAS SOBRE A COBERTURA EXPERIMENTAL RODA VIVA

Há umas duas semanas o Roda Viva começou a experimentar novos canais online, com a transmissão de mais duas câmeras: uma livre, que filma os bastidores, e outra que fica fixa, sobre as mãos de Caruso, mostrando ele desenhar. Além dessas, há a transmissão da  TV, que também fica disponível online.

A área de transmissão experimental do Roda Viva tem ainda um chat, pelo Cover it Live, e um agregador do Twitter, que reúne todos os tweets com a chamada #rodaviva. É bastante informação, e é quase impossível acompanhar tudo ao mesmo tempo. Mas é maravilhoso ter essa opção.

Mas se fosse apenas um recurso de mão única seria uma repetição de velhos modelos de broadcast. Não é isso. A grande sacada é que a jornalista Lia Rangel, que organizou essa integração com o online, aproveita os intervalos comerciais e continua transmitindo pela câmera dos  Bastidores. Mais: aproveita os intervalos para levar até o entrevistado as perguntas que chegam via chat e via twitter. Tudo ao vivo.

A integração que vem sendo testada, nesse modelo, é a única que vi assim no mundo. Conhecia outros modelos, outras tentativas, como a cobertura eleitoral da Current TV, integrações com Twitter, mas nada deste porte, na TV aberta, ainda por cima.

Há algumas melhorias, mas nada que se sobreponha à essa grande iniciativa de integração. Colocar texto ao lado de texto, ou seja, o chat ao lado do Twitter, para facilitar a leitura; permitir a transmissão de áudio apenas, para quem tem conexão mais lenta; melhorar tecnicamente a captação da câmera dos bastidores; coisas pequenas, perto do avanço que estamos vendo.

Ainda é cedo, talvez, para tentar, mas será bem possível em breve transmitir ao vivo TODAS as câmeras do estúdio, permitindo que, de casa, o usuário possa ver o corte que bem entender – ou todos juntos. E instalar mais uma meia dúzia de câmeras filmando a equipe, a entrada do prédio, o cafezinho antes de começar o programa, o desmanche do estúdio ao final. O Making Of de cada programa de TV, ao vivo, para quem quiser.

E o caminho inverso: imaginem um Roda Viva onde ao lado de cada entrevistador real há uma tela – várias telas – com a cara de cada usuário que está assistindo, sendo filmado pela webcam de seu próprio computador. Em vez de meia dúzia de entrevistadores, um mosaico com dezenas ou centenas deles.

A audiência não está apenas deixando de ser passiva. Ela está entrando dentro do próprio set de gravação.

Posted on Oct 6, 2008

PUBLICIDADE E INTERATIVIDADE

volvo game

O hipervídeo está evoluindo. Conforme a velocidade da rede vai aumentando, as experimentações possíveis vão também se tornando mais comuns.

A Volvo apresenta um comercial online, exclusivo para a rede, que é quase um videogame.  O roteiro é simples: uma equipe precisa resgatar pessoas que estão num barco durante uma tempestade. Você pode controlar algumas ações dos quatro personagens que fazem parte da equipe. Mas o mais interessante é que você escolhe o ponto de vista que quer acompanhar. Tem que escolher um dos quatro – a qualquer tempo pode mudar para acompanhar outra pessoa, e escolher algumas das atitudes dela. O objetivo é fazer as escolhas corretas com cada personagem, no tempo certo.

É disso que se trata usar a fusão das linguagens, a interatividade, para contar histórias. Não é um vídeo, não é um comercial. É internet.

Vi pelo GJol

Posted on Oct 1, 2008

GREVE MULTIMÍDIA INTERROMPIDA

Acaba de chegar mais um comunicado:

Paralisação do acúmulo de função na ABr/Rádio Nacional é interrompida temporariamente.

Após reunião dos funcionários da Agência Brasil e da Rádio Nacional com a diretora de Jornalismo da EBC, Helena Chagas, os funcionários que haviam paralisado na manhã desta terça-feira (30) o acúmulo de funções, popularmente conhecido por cobertura multimídia, optaram pela interrupção temporária da paralisação.

Ao decidirem pela interrupção temporária, os empregados entenderam que esta posição visa facilitar o diálogo com a direção da empresa, mas que a mobilização continua, e destacaram que o momento de eleições é importante para o exercício da cidadania, e, portanto, uma paralisação durante o pleito não atingiria somente a empresa, mas o cidadão, que é o detentor do direito à comunicação e que sustenta financeiramente esta empresa.

Na reunião posterior de avaliação, os funcionários referendaram a Comissão de Funcionários como representante legítima para atuar nas negociações, tendo em vista que foram ELEITOS para defender os interesses de todos os funcionários da EBC, independente em qual das diretorias os integrantes da comissão estão atualmente lotados. Os funcionários foram claros ao afirmarem que são eles que escolhem como querem ser representados, independente da posição dos diretores da EBC que disseram que a negociação deveria ser feita por um outro grupo de funcionários.

Os funcionários se sentiram coagidos diante da pressão da direção, com a ordem expressa de punição com advertências formais a todos os que aderissem ao movimento, conforme garantiu a diretora Helena Chagas ao chefe de reportagem da ABr, Aécio Amado, que perguntou se estava autorizado a cometer essa arbitrariedade se a paralisação continuasse.

Ficou estabelecido que, conforme solicitado pela Direção, no prazo máximo de uma semana a Comissão formatará as propostas dos funcionários para a reestruturação do trabalho multimídia e buscará pareceres dos sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas sobre a legalidade do atual acúmulo de função. Uma dessas propostas, levantadas na reunião, é a retomada da criação da Central de Reportagem, projeto da antiga diretoria que foi abortado no início deste ano.

Da mesma forma, os funcionários definiram o prazo de uma semana após a entrega das sugestões para que a Direção apresente suas contra-propostas quanto as reivindicações. Após o retorno da Direção, os funcionários realizarão imediatamente uma nova assembléia para definição de uma posição quanto a retomada ou não da paralisação e os próximos passos da mobilização.

Também foi consenso, e este é o parecer da Comissão, que a discussão pela reestruturação da cobertura multimídia e as necessárias adequações salariais – estas últimas descartadas de maneira “irreversível” pela diretora de Jornalismo, Helena Chagas – não é nova e, portanto, a mobilização pela paralisação não deve ser desacreditada e nem a maneira como ela foi apresentada.

Também foi consenso, e este é o parecer da Comissão, que há pelo menos três anos existe a discussão pela reestruturação da chamada cobertura multimídia, com os devidos critérios, infra-estrutura, capacitação e das justas adequações salariais para aqueles profissionais que produzem informação para mais de um veículo da EBC.

A mobilização, portanto, continua, e desta vez os encaminhamentos serão protocolados à diretora-presidente da EBC, Tereza Cruvinel, à diretora de Jornalismo, Helena Chagas e ao superintendente de Rádio, Orlando Guilhon.

A Comissão de Funcionários informa ainda que está aberta a participar ativamente de outras reivindicações dos demais setores da empresa, sejam eles de funcionários das áreas meio ou fim, e que considera um exemplo a mobilização organizada pelos repórteres e editores da Agência Brasil e Rádios, mobilização esta que começa a dar resultados.

Nossa linha direta é comissao.ebc@gmail.com, e os representantes dos funcionários também podem ser procurados pessoalmente.

Brasília, 30 de setembro de 2008

Posted on Oct 1, 2008

DIGITAL AGE 2.0 – O MERCADO DISCUTE A REDE

Estive na manhã desta quarta-feira (01) no Digital Age 2.0, convidado como blogueiro. Vi a palestra do Laurence Lessig, um dos criadores do Creative Commons. Ainda não consegui tempo para subir o áudio da palestra dele online, o que devo tentar fazer até amanhã. Mas eles oferecem os downloads dos PDFs aqui.

A palestra do Lessig, como alguém disse na cobertura via Twitter que está sendo feita, foi um upgrade de outras que ele fez em outras partes do mundo e já estão na rede, inclusive (veja aqui uma no TED, e aqui outra no Open Source Cinema Project). Lessig defende que o copyright como o conhecemos hoje seja totalmente modificado, já que atrapalham o desenvolvimento da criatividade. Elogiou, inclusive, o ex-ministro Gilberto Gil como artista fundamental na luta para modificar o direito autoral.

Lessig apresentou uma série de vídeos para dar alguns exemplos do que ele estava falando – a cultura do remix. Como esses, abaixo:

Endless Love

Crank Day Superman

Crank Dat Soulja Boy Bambi 2

Crank Dat Bob Sponja

O caso, como ele colocou, é que os jovens estão fazendo remixes, e é impossível impedir que sejam criativos. O caminho adotado até agora tem sido o de torná-los criminosos. Teremos toda uma geração de criminosos, portanto, que irão mudar a lei assim que puderem.

Na quinta-feira (02) o Digital Age continua. Não sei se vou conseguir estar lá, mas o convite que fizeram a vários blogueiros está rendendo uma boa cobertura pela web. E o IDG Now, realizador do evento, mantém um blog com bastante informação.