INTEGRAÇÃO NO CORREIO DA BAHIA
// August 4th, 2008 // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Essa é a foto da mais recente redação integrada brasileira, no Correio da Bahia. A foto foi copileftiada do blog da Innovation, a empresa internacional que está ajudando no processo. Eles já transformaram mais de 30 redações “mono-mídia”, com aquelas baias, em espaços abertos multimídia e convergentes.
Na Bahia, o gerente do projeto é Eduardo Tessler (leia entrevista com ele feita no ano passado). Ele contou a Fernando Firmino que:
“o Correio da Bahia passará por mudanças significativas se tornando um dos mais inovadores do país. O jornal passará a circular em formato berliner (um tamanho menor que o standard e próximo ao tablóid, adotado principalmente na Europa. O Jornal do Brasil há mais de três anos circula neste formato no Rio de Janeiro.”
Abaixo, a velha redação, em contraposição à nova, na foto de cima.

Além de modificar o modelo de produção, a nova redação tem uma missão pesada pela frente: desvincular o jornalismo produzido ali das pressões políticas ACM, já que a família é dona do jornal. É preciso, ali, tanto demolir algumas paredes, mas também construir outras, para impedir que interesses alheios ao bom jornalismo cheguem ao editoral. Com a palavra, os jornalistas. (Aliás, o site do jornal precisa ser demolido com urgência…)





Nossa, o site deles precisa realmente ser demolido com urgência. Mas de qualquer forma é um avanço.
Hum. Só me pergunto onde estão os programadores. Se estão aí no meio, coitados… (Ou redação não é lugar pra programador ?!?)
Cara, pode me chamar de ignorante, desinformado, leigo (só não xinga a minha mãe). Mas ainda estou para ser convencido que integração de redação não é eufemismo para demissão em massa de jornalistas. Foi isso o que na prática aconteceu no Daily Telegraph. Colocar o mesmo cara para tirar foto, filmar, fazer reportagem, edição, blog e o diabo, pode ser bonito e moderno aos olhos dos publishers, mas para a nossa sofrida classe jornaleira é exploração. Sem mais, deixo aqui minha polêmica (enquanto saio de fininho pela porta dos fundos).
Yaso, redação é lugar de programador sim – vide como montamos a nossa! Programador e editor de arte vão ter que aprender a trabalhar no caos de uma redação (no more salinhas fechadas).
Alê, integração de redação não é eufemismo pra demissão em massa (mas pode até ser, em alguns casos). Li e ouvi gente que esteve no Daily Telegraph, e não foi isso o que aconteceu. Lá houve uma troca grande (54 jornalistas saíram) da redação, principalmente do core group (50%), o núcleo duro dos editores. As saídas ocorreram por dois motivos: a. pedidos de demissões pelo desconforto com as novas mídias; b. pedidos de demissões porque a mudança de endereço da redação tornou inviável pra muita gente trabalhar lá. Todos os jornais que começaram processos de integração repetem que não é possível filmar, tirar foto e fazer reportagem texto ao mesmo tempo. A qualidade cai, fica um lixo. É óbvio. O que eles exigem é que o sujeito ENTENDA todos os processos. E tem quem não quer nem entender. Assim como tinha – e tem até hoje – gente que se recusa a mexer em computador. Fora o Robert Fisk, não tem muita gente que ainda faz jornalismo com arquivo de papel… Você acha que jornalista que sabe mexer em computador também é explorado? E quem sabe mexer em celular que tira foto? Só pra jogar lenha: daqui a pouco você vai dizer que precisa de diploma pra ser jornalista…
Entrando na discussão….
A primeira questão a ser compreendida é que convergência é um processo em andamento. Há multiplicação de plataformas para produção e disponibilização de conteúdo como os dispositivos móveis. Isto é uma realidade. A integração das redações ou dos processos é uma necessidade até de sobrevivência para as empresas jornalísticas. Se não integra ou busca alternativas para lidar com o novo fluxo informacional perderá espaço. Por que é que praticamente todas as empresas de comunicação foram para a Internet? Sobrevivência. Mesmo muitas empresas ainda não tendo um modelo de negócio adequado que aproveite o potencial do jornalismo digital, mas foi inevitável este processo. E não escute ou leio empresas dizendo que vão abandonar as operações online para se dedicar somente à mídia impressa ou eletrônica. Então não acredito em eufemismo. Mas também tenho claro que algumas empresas menos profissionais possam usar o modelo para demissão. Mas fariam isto com ou sem integração. A questão da convergência ou da integração ainda é complexa e não está clara como fazer, quando fazer, mas uma coisa está claro: a necessidade de se fazer. A digitalização de todos os processos jornalísticos força a isto.
É uma boa discussão……ainda em aberto.
Há tempos acredito que é preciso que um único elemento entenda todo o processo dentro de uma redação. Trabalhei algum tempo com TV e acho complexo e ilógico o número de pessoas que mexem em uma notícia em diferentes fases da produção. Uma pessoa integrada em todos os meios não causaria demissão em massa, mas exigiria mais conhecimento de um mesmo número de funcionários. Deixamos de possuir 3 pauteiros, 3 jornalistas e 3 editores para ter 9 pessoas completas. Buscando informação mais rápida e de forma mais acessível. Acredito que seja um desperdício de tecnologia não abusarmos dos celulares que conseguem blogar a notícia aonde quer que ela aconteça!