Archive for August, 2008

POEMAS AOS DOMINGOS

// August 31st, 2008 // No Comments » // Off Topic

by D.H.Lawrence

- What is he?
- A man, of course.
- Yes, but what does he do?
- He lives and is a man.
- But he must work. He must have a job of some sort.
- Why?
- Because he is obviously not one of the leisured classes.
- I don’t know. He has lots of leisure and he makes quite beautiful Chairs.
- There you are, then! He’s a cabinet maker.
- No, he is not.
- Anyhow, he is a carpenter and joiner.
- Not at all.
- But you said so!
- What did I say?
- That he made chairs and was a joiner and carpenter.
- I said he made chairs but I did not say he was a carpenter.
- All right then, he’s just an amateur.
- Perhaps! Would you say a thrush is a professional flautist or just an amateur?
- I’d say it was just a bird.
- And I say he is just a man.

INFOGRAFIA COM FOCO NO CIDADÃO 2

// August 28th, 2008 // 1 Comment » // CONVERGÊNCIA, INFOGRAFIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Eis que algumas boas idéias de fora vão sendo copiadas no Brasil em termos de infografias. Explico: há quase um ano publiquei um post sobre o newsgame do USA Today, Candidate Match Game.

Em vez de mostrar o que pensam todos os pré-candidatos às eleições dos EUA sobre diversos assuntos, como aquecimento global, impostos, casamento homossexual, guerra no Iraque e saúde, o infográfico faz perguntas ao usuário sobre o que ELE acha desses assuntos. Aí, monta uma tabela mostrando quais candidatos têm opiniões mais próximas com as do usuário. Você pode depois observar cada opinião separadamente, e dar maior peso a um assunto ou a outro. Deve ter dado um bom trabalho, mas é infinitamente melhor do que fazer um tabelão com as opiniões de cada um.

Era esse aqui:

Mostrei isso no curso que dei em Belo Horizonte para o pessoal dos Diários Associados, e eles acharam tão legal que resolveram fazer também. O resultado foi esse:

Troquei uns emails com Benny Cohen, o jornalista que tocou o projeto multimídia lá nos Diários Associados. Leia o que ele conta:

Quando vc nos mostrou o game, durante o curso, fiquei remoendo, “temos de fazer, temos de fazer”. E não é que deu certo?

Bom, foram envolvidas várias pessoas. Da área técnica, 5: um webdesigner, dois programadores e dois produtores. Do Jornalismo, envolvemos 4 pessoas: além de mim, mais 3 jornalistas do Portal. E várias outras também contribuiram. Por exemplo, pedi a vários jornalistas da TV Alterosa, do Portal Uai e do Estado de Minas que mandassem sugestões de perguntas. Fiquei com mais de 50 na mão, fiz uma seleção, cheguei a 16 e, no fim, a turma fechou nas 11 finais.

Aí, pegamos as perguntas e mandamos pros candidatos, com as opções de resposta e a recomendação de que mandassem as justificativas para as respostas em até 500 toques. Não dava pra fazer a mesma pesquisa de arquivo que o USA Today fez pq não teríamos estrutura par isso, aí repassamos a obrigação do posicionamento diante das questões pros próprios candidatos e deu tudo certo.

O tempo foi até curto, eu imaginei que iria levar bem mais, no fim, consumiu 4 semanas. Agora, queremos fazer pro segundo turno, pq acho que aqui vai rolar.

Juliana Nunes, amiga jornalista, questionou um ponto importante: a escolha das questões não pode gerar um direcionamento para algum candidato?

A resposta é que sim, pode. Assim como uma reportagem em texto pode, um vídeo pode. Uma infografia enfrenta os mesmos problemas de objetividade que todo o jornalismo enfrenta. Mas poderia ser diferente?

Leia outros posts sobre isso:

Tiago Dória: Newsgame nas eleições municipais do Brasil

Game nas eleições gera debate em blog

COISA DO PASSADO

// August 27th, 2008 // 5 Comments » // CONVERGÊNCIA

Ainda está quente o debate sobre repórter multimídia: terá que receber ele também um salário multimídia?

Já são duas as histórias de um passado nem tão distante que escutei e que acho bastante apropriadas. Dessa vez, a época era de greves no ABC paulista. Dentro do jornal O Globo surgiu uma idéia inovadora: e se os repórteres ficassem com pagers (não existia celular – céus, quando foi isso?). Pra quem nasceu recentemente, pager era um aparelhinho que surgiu antes do celular. No começo, você deixava uma mensagem numa central, o fulano recebia um alerta, ligava pra central e pegava o recado. Depois começou a funcionar com transmissão de texto, tipo um SMS de celular – mas isso já era o começo dos anos 90, se não me engano.

A idéia era que os repórteres ficassem sempre com um pager, para receber alertas da redação, ou algo assim. Nunca aconteceu: os sindicatos alegaram que se o repórter tivesse um beeper, teria que receber horas extras, porque estaria trabalhando 24 horas.

A outra história é parecida. Eduardo Tessler conta: “Trabalhei no primeiro jornal computadorizado do Brasil, o Diário Catarinense, e lá existia essa mesma discussão: para usar o computador tenho que ganhar mais. O sindicato dizia que o cara era jornalista, e não analista de sistemas. Se fosse para aprender a usar o computador, teria que ganhar mais. Mas esse debate passa.”

Tirar foto pelo celular, gravar uma entrevista, editar uma foto online, fazer um vídeo no celular, editar e colocar na internet, montar um blog, um site, usar recursos de web colaborativa e social serão tarefas tão simples daqui a alguns poucos anos que o debate sobre o jornalista multimídia será ou obsoleto ou muito mais qualificado. Ou não?

INFOGRÁFICO: REGISTROS DE UM TORNADO

// August 24th, 2008 // No Comments » // CONVERGÊNCIA, INFOGRAFIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

printscreen of image

Interessante isso: um mapa com fotos e vídeos georeferenciados feitos pelas pessoas que estavam na área: câmeras de segurança, celulares, tudo. Ao mesmo tempo, você vê a foto antes de depois do tornado, e outros layers liga/desliga (áreas mais devastadas, etc).

Nada demais, né? Nenhuma grande aventura inovadora em termos tecnológicos, mas um infográfico multimídia bem competente. Dá para ter noção exata do que pode causar um tornado.

Peguei a dica pelo twitter, via @agranado

VEREADOR DIGITAL

// August 21st, 2008 // No Comments » // A REDE, CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

É que o povo não ama essa cidade de verdade [São Paulo]. Senão tirava eles [os vereadores atuais] na porrada. Ou na bala.

A frase é de Ivan, o Terrível, candidato a vereador de São Paulo (abaixo tem um vídeo dele), cujo político favorito é Osama Bin Laden. O Estado de S. Paulo colocou todos eles no estúdio da redação do jornal e fez um vídeo de 3 minutos com cada um. Nem todos os vídeos estão no ar ainda, mas logo teremos online o maior acervo de vereadores já feito.

A coleção dos depoimentos dos vereadores é um documento do nosso tempo – como dizia Marcos Faerman, fazer jornalismo é produzir justamente isso. É um retrato da qualidade dos nossos candidatos. Pode ser até engraçado vê-los falando por 5 ou 10 segundos, mas é triste, e às vezes assustador vê-los numa entrevista, dizendo o realmente pensam, sem ler o teleprompter.

O Estadão inova também ao licenciar tudo em Creative Commons, permitindo a livre reprodução do material. E faz algo ainda mais ousado nesses tempos em que fazer jornalismo ou expressar opiniões na internet é proibido: ao oferecer o código embedd, permitindo colar nos sites o vídeo de cada vereador, permite que as pessoas façam campanha para seus candidatos – como já aconteceu, aqui, no blog NaRua. Isso poderia ser chamado de incitação ao crime? Certamente algum juiz poderia entender assim…

Vale a pena assistir até o final:

HACKERS NO MINISTÉRIO DA CULTURA – ENTREVISTA: JOSÉ MURILO JUNIOR

// August 21st, 2008 // No Comments » // A REDE, ENTREVISTAS

Não, não se trata de uma invasão da página do ministério – até porque, quando o caso é vandalismo, o nome não é hacker.

A palavra hacker, em sua tradução literal significa cortador. Esta tradução pode adquirir sentido se pensarmos em algo como cortar ou derrubar barreiras. Porém, o uso e entendimento mais comum (e, portanto, leigo) desta palavra traduzem uma associação entre hacker e pirata digital, vândalo, invasor e etc. De acordo com Pedro Rezende, professor de informática da Universidade de Brasília, hackear é esmiuçar, o que não pressupõe condição para piratear, vandalizar ou vender serviços criminosos.

Para tal conduta existem termos estritamente apropriados, como lamer ou cracker. Ainda de acordo com Rezende, hackers não podem ser considerados coletivamente como criminosos, já que muitos deles trabalham em colaboração com desenvolvedores de software, em uma ação que visa eliminar possíveis falhas de segurança nestas ferramentas. Os hackers são considerados também os principais responsáveis pelo desenvolvimento da internet e dos softwares livres (o Linux é uma criação hacker!).

Os hackers a quem me refiro trabalham no Ministério da Cultura. São os que desenvolveram um template de Wordpress que transforma blog em portal – usado no site do MinC, inclusive. Chama-se Xemelê (porque é baseado em XML). Mas fizeram também o ChatCast, um chat que pode ser usado em conjunto com transmissão de vídeo ao vivo. E o Estúdio Livre, referência para programas livres de edição de áudio e vídeo.

Quem está no meio disso tudo é José Murilo, do blog Ecologia Digital. Ele acaba de publicar uma análise sobre Gilberto Gil como ministro – uma das melhores que já li – para o site OpenDemocracy, e a publicou na íntegra em seu Eco-Rama, outro blog que mantém (em inglês).

Me respondeu hoje umas perguntas por email, abaixo:

Vocês foram escolhidos como os 10 Mais pela revista WebDesign. Como foi isso, o que representa?
Nós aqui da GIE (Gerência de Informações Estratégicas DGE-SE / MinC) ficamos envaidecidos com este destaque entre as principais ‘agências web’ do país. Principalmente pelo fato de não sermos uma agência web… rsrs. A questão é: porque fomos escolhidos?

Gosto de mencionar sempre os princípios que fundamentam a nossa estratégia de implementação:

(1) a apropriação da tecnologia de publicação (open source) pela instituição, evitando que a comunicação institucional na web torne-se dependente (refém) de contratos de terceirização para sua implementação e constante evolução;
(2) simplificação do processo de publicação, visando ampla descentralização e autonomia no processo editorial web;
e (3) fomento ao uso da rede como ferramenta de comunicação interativa direta com usuários (através de comentários, formulários de feedback, blogs, chats, etc.), facilitando a emergência da cultura ‘read-write’ típica da web 2.0 nas instituições.

Por outro lado, o serviço público nos coloca em posição ideal para exercitar os conceitos ‘open source’ em escala total, o que deve surgir como o diferencial em relação às outras ‘agências web’. O lançamento da comunidade Xemelê no Portal do Software Público representa um maior engajamento do MinC no esforço conjunto do governo em impulsionar o mercado de software livre no país. Vejo este movimento também como uma contribuição da reflexão sobre Cultura Digital da gestão Gilberto Gil no sentido de sensibilizar as instituições públicas para o potencial da comunicação interativa na web, e sobre a oportunidade de inovação (revolução?) no relacionamento entre os serviços públicos e seus usuários — os cidadãos.

Acredito que o resultado deste mix de ‘conceitos web 2.0 + implementação open source’ realizado com alguma competência aparecendo dentro do governo é o que tem chamado a atenção da mídia espcializada.

Em algumas comunidades específicas o MinC obteve reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, mas a mídia em geral tratou apenas do ministro-artista, num movimento mais de cobertura da personalidade do que do homem político. A que se deve isso?
Na minha visão, o bloqueio do ‘mainstream media’ em relação ao MinC teve origem no episódio da Ancinav, como ilustrei no artigo.

A Cultura Hacker trazida por Gil está impregnada no MinC ou vai embora com ele?
Temos uma grande batalha pela frente, que é a institucionalização desta contribuição realizada pelo Gil ao Ministério da Cultura. De onde enxergo o Xemelê é um ação neste sentido, assim como o próximo edital para jogos eletrônicos, os projetos de digitalização de acervos em curso…

O objetivo maior é a institucionalização de um setor para a Cultura Digital no âmbito da Secretaria de Políticas Culturais, que após muito debate parece que finalmente vai acontecer (o MPOG não ia aceitar um setor de ‘Cultura Hacker’!) O plano é a realização de um grande debate nacional sobre a Cultura Digital, algo que chamamos agora de Fórum Brasil Digital. Como estamos em plena transição, fase de naturais rearranjos internos, espero poder falar sobre o tema de forma mais concreta em breve.

Qual deve ser o principal desafio da gestão Juca Ferreira?
Realizar concretamente as expectativas criadas pelo discurso hacker do ministro. Em uma palavra: implementação. Vamos lá!

DE QUE ME SERVEM AS NOTÍCIAS DE ONTEM?

// August 13th, 2008 // 3 Comments » // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO

A Folha de S. Paulo impressa trazia essa manchete, enquanto a online trazia outra, totalmente ao contrário:

Estive recentemente num congresso de jornalistas de jornais do interior do Rio Grande do Sul e causei espanto ao dizer que os jornais não deviam mais publicar as notícias de ontem. Eugênio Esber melhorou a sugestão, dizendo que deveria ocorrer um “arrevistamento” dos jornais (veja aqui o que ele disse). Ou seja: mais análise, menos factual, já que o quente está na internet mesmo.

Fiquei pensando o quanto não seria mais interessante ter, no jornal, uma explicação decente sobre o caso. O Fidel é a favor da Rússia, os EUA são contra, defendem a Geórgia. Quais são os interesses reais por trás disso tudo?

Como seria uma manchete interessante para o jornal? “Independência da Geórgia é estratégica para interesses dos EUA”? Algum palpite?

[ALIÁS] Só hoje vi um texto razoável para entender mais ou menos o que se passa: um da BBC, republicado pela Folha, e uma linha do tempo interativa do Guardian

Este tem sido um conflito muito difícil para determinar os fatos. Os russos não conseguiram comprovar suas alegações de que as tropas georgianas teriam cometidos atrocidades e não permitiram que repórteres nem observadores internacionais verificassem as afirmações. O governo da Geórgia também fez várias alegações que não foram comprovadas, como a afirmação de que os russos teriam tomado a cidade de Gori, o que não ocorreu. Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido optaram por considerar a Rússia como o país agressor. Foi a Geórgia, porém, que realizou seus ataques com uma chuva de foguetes que, por natureza, atingem alvos de forma indiscriminada. (FSP)

EM DEFESA DAS UTOPIAS

// August 7th, 2008 // No Comments » // A REDE, CONVERGÊNCIA

É totalmente descabido o artigo do juiz Ricardo Hermann, “Nós aqui e Obama lá”, em resposta ao texto do jornalista Rodrigo Savazoni “Obama lá e nós aqui”, publicados ambos pelo Terra Magazine.

Savazoni diz que um candidato como Obama jamais existiria aqui por causa da lei brasileira. “Em fevereiro, quando a campanha arrecadou 55 milhões de dólares (45 milhões via Internet), 94% das doações apresentaram valores menores que 200 dólares. São números sem precedentes na história humana. Para efeito de comparação, a planilha de doações do presidente Lula na última eleição, incluindo pessoas físicas, jurídicas, comitês regionais, entre outros itens, tem 1.599 itens. No processo, o Partido dos Trabalhadores (PT) arrecadou R$ 81 milhões.”

O juiz argumenta que as proibições que já tiraram do ar apoios (mesmo não pagos) a vários candidatos seriam para garantir que o tratamento dos meios de comunicação fosse o mesmo para todos. Alega ele: “No Brasil, há fixação de limites na Internet para garantir a isonomia de tratamento entre os candidatos e para evitar o abuso do Poder Econômico, situações que não se constituem em preocupações centrais nas campanhas eleitorais norte-americanas.”

E continua: “A Lei Eleitoral Brasileira (Lei 9.504/1997), concebida pelo Congresso Nacional e não pelo Tribunal Superior Eleitoral, estabeleceu em seu art. 45, § 3º, que se aplicam às páginas mantidas pelas empresas de comunicação social na Internet e demais redes destinadas à prestação de serviços de telecomunicações de valor adicionado restrições à divulgação de propaganda eleitoral semelhantes às impostas a rádios e televisões. Em suma, permitem-se iniciativas como debates, entrevistas e encontros, mas não propaganda paga.”

O primeiro erro da argumentação é que rádios e televisões são concessões públicas, portanto, espaços públicos que são cedidos para grupos de comunicação. Sendo um espaço público, não pode ser usado para beneficiar candidato A ou B, obviamente. Mesmo assim, ninguém se lembra da Justiça entrar em ação na famosa edição do debate entre Lula e Collor, na rede Globo.

A limitação do espaço foi ampliada para os jornais, veículos de comunicação privados, de empresas privadas, que por vezes anunciam claramente a intenção de voto dos donos – o que é bastante salutar, diga-se. É possível entender que o Estado sinta-se obrigado a controlar o que dizem veículos de comunicação privados pela histórica importância do jornal impresso, pelo peso político que eles carregam, pela dificuldade de pessoas comuns em lançarem seus próprios veículos impressos com alcance nacional apoiando seus candidatos.

O que não faz nenhum sentido é ampliar para a internet essa limitação. A internet não é uma concessão pública. Todas as pessoas podem, gratuitamente, lançarem veículos de alcance mundial. O argumento de que o poder econômico levaria a desvantagens entre candidatos é equivocado, aliás, é justamente o contrário: candidatos com baixo poder econômico, com apoio da população, poderiam ter até maior exposição do que os que comprassem espaço na rede. Isso porque é provado que, pelo menos na internet, há disposição para manifestações se espalharem como fogo em rastilho de pólvora. Vide que já são mais de 100 mil assinaturas na rede contra o projeto de lei do senador Azeredo.

Mesmo assim, diz o juiz: “impedir que um único candidato crie inúmeras páginas, valendo-se de maiores recursos financeiros e de dispendiosas empresas de propaganda, desequilibrando a utilização de tal meio de comunicação, pois é utópica a idéia de que campanhas eleitorais, mesmo na Internet, valham-se apenas de ferramentas gratuitas e conteúdos amadoristicamente produzidos”.

Conteúdos amadoristicamente produzidos em ferramentas gratuitas foi o que levou, por exemplo, o YouTube a ser vendido por US$ 1,65 bilhão no ano passado. O YouTube é resultado direto de uma utopia em que conteúdos são amadoristicamente produzidos em ferramentas gratuitas. Mas não só: assim é o Orkut, o Facebook, o MySpace, o Twitter e qualquer outros das centenas (ou já serão milhares) de sites gratuitos que promovem a produção social.

O juiz termina com mais um argumento equivocado: “A propalada possibilidade de auto-regulamentação da Internet não parece ser consensual, pois assim como serve de meio para a interação e salutar troca de idéias entre internautas, constitui-se também em mecanismo de diversos atos ilícitos (pedofilia, tráfico de entorpecentes, crimes financeiros etc.).”

Os automóveis são também um meio salutar para locomoção em longas distâncias, mas também pode constituir-se de um mecanismo para atos ilícios (o atropelamento, os assaltos a banco, as ultrapassagens pela esquerda). Deveríamos proibir as ferramentas pelo uso que é feito delas? Proíbam-se, então, os martelos, as canetas bic, os garfos e as facas.

Este artigo é parte de uma resposta coletiva que o Rodrigo Savazoni está organizando em seu blog. Todos podem responder através deste post.

INTEGRAÇÃO NO CORREIO DA BAHIA

// August 4th, 2008 // 6 Comments » // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Essa é a foto da mais recente redação integrada brasileira, no Correio da Bahia. A foto foi copileftiada do blog da Innovation,  a empresa internacional que está ajudando no processo. Eles já transformaram mais de 30 redações “mono-mídia”, com aquelas baias, em espaços abertos multimídia e convergentes.

Na Bahia, o gerente do projeto é Eduardo Tessler (leia entrevista com ele feita no ano passado). Ele contou a Fernando Firmino que:

“o Correio da Bahia passará por mudanças significativas se tornando um dos mais inovadores do país. O jornal passará a circular em formato berliner (um tamanho menor que o standard e próximo ao tablóid, adotado principalmente na Europa. O Jornal do Brasil há mais de três anos circula neste formato no Rio de Janeiro.”

Abaixo,  a velha redação, em contraposição à nova, na foto de cima.

Além de modificar o modelo de produção, a nova redação tem uma missão pesada pela frente: desvincular o jornalismo produzido ali das pressões políticas ACM, já que a família é dona do jornal. É preciso, ali, tanto demolir algumas paredes, mas também construir outras, para impedir que interesses alheios ao bom jornalismo cheguem ao editoral. Com a palavra, os jornalistas. (Aliás, o site do jornal precisa ser demolido com urgência…)

TEMPOS DIFÍCEIS PARA OS DEFENSORES DO COPYRIGHT

// August 3rd, 2008 // No Comments » // A REDE

Depois de 800 posts nos últimos 4 anos, o advogado defensor do copyright William Patry decidiu parar de blogar. Ele, que é conselheiro do Google para o assunto, explicou que parou por dois motivos: 1. confundirem sempre sua opinião com a do Google, o que é prejudicial para ambos; 2. “o estado atual das leis de copyright são deprimentes”, e ele não agüenta mais defender um sistema que aplica o copyright não em “doses saudáveis”, mas “em doses que há muito deixaram de fazer bem para fazer mal”.

Vale ler seus motivos:

I regard myself as a centrist. I believe very much that in proper doses copyright is essential for certain classes of works, especially commercial movies, commercial sound recordings, and commercial books, the core copyright industries. I accept that the level of proper doses will vary from person to person and that my recommended dose may be lower (or higher) than others. But in my view, and that of my cherished brother Sir Hugh Laddie, we are well past the healthy dose stage and into the serious illness stage. Much like the U.S. economy, things are getting worse, not better. Copyright law has abandoned its reason for being: to encourage learning and the creation of new works. Instead, its principal functions now are to preserve existing failed business models, to suppress new business models and technologies, and to obtain, if possible, enormous windfall profits from activity that not only causes no harm, but which is beneficial to copyright owners. Like Humpty-Dumpty, the copyright law we used to know can never be put back together again: multilateral and trade agreements have ensured that, and quite deliberately.

It is profoundly depressing, after 26 years full-time in a field I love, to be a constant voice of dissent. I have tried various ways to leaven this state of affairs with positive postings, much like television news shows that experiment with “happy features.” I have blogged about great articles others have written, or highlighted scholars who have not gotten the attention they deserve; I tried to find cases, even inconsequential ones, that I can fawn over. But after awhile, this wore thin, because the most important stories are too often ones that involve initiatives that are, in my opinion, seriously harmful to the public interest. I cannot continue to be so negative, so often. Being so negative, while deserved on the merits, gives a distorted perspective of my centrist views, and is emotionally a downer.

So between the inability or refusal of some people to accept the blog for what it is — a personal blog — and my inability to continue to be Cassandra, I decided it was time to pull the plug. I thank profusely all those who have accepted the blog for what it is, and who have contributed so much to it and to my learning over the years. I intend to spend my free time figuring out a constructive way to talk about the difficult issues we face and how to advance toward their solution.