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A EXPERIÊNCIA DO TWITTER NO RODA VIVA

July 22nd, 2008  |  Published in JORNALISMO, MULTIMIDIA, CONVERGÊNCIA  |  8 Comments

Estive nesta segunda-feira (21) no programa Roda Viva, da TV Cultura, na bancada dos “twitters”, junto com Elisangela Roxo e Marcelo Soares. Disseram que a presença de pessoas usando o Twitter durante o programa será permanente, mas sem a possibilidade de enviar perguntas, e sem nenhuma previsão de integrar com a transmissão da TV os comentários feitos pelo twitter. Só para explicar, qualquer um pode escrever sobre o programa no seu twitter. Colocando a tag #rodaviva, seu comentário é capturado e publicado junto com todos os que usam essa tag. Existem alguns programas para isso, eu uso o Twemes. Veja aqui os posts #rodaviva agregados.

Mas por que usar o Twitter durante o Roda Viva?

A idéia do Pedro Markun, que levou a idéia pra lá, é gerar uma nova camada de informação. A questão então passa a ser: qual valor essa camada nova de informação agrega ao programa?

Duas semanas antes, convidei, como gestor da comunicação da CPFL Cultura, Pedro Markun e Tiago Doria para virem twittar durante a gravação do programa de TV Café Filosófico, em Campinas. Ele escreveu a respeito. Fizemos a transmissão online, via streaming.

Nas duas experiências (Café Filosófico e Roda Viva) o que houve foi mais ou menos o equivalente a uma conversa no fundão da sala de aula. Marcelo Soares ficou com a mesma impressão.

O que estávamos fazendo - jogar um pouco dos bastidores do programa para a galera - foi acompanhado ativamente (com interação) por uns 10 espectadores, se tanto. Eles muitas vezes levantavam questões importantes sobre o que estava sendo dito na entrevista, mas isso ficava lá no twitter. Não chega exatamente a ser uma experiência de jornalismo interativo, convenhamos. Mas pode melhorar.

Dessa vez, no Roda Viva, teve um componente interessante de “termômetro” do debate. O pessoal reclamava da mediadora, apoiava um entrevistador, dizia que estava chato, etc. Talvez, com uma participação grande, possa realmente ser um medidor eficaz - inclusive se tiver alguma integração com a própria entrevista.

Outra experiência que levei adiante na gravação do Café Filosófico foi o uso integrado do Cover it Live com Ustream. Tudo feito a partir de um laptop, custo quase zero. Com a webcam, fazia a transmissão do evento, enquanto o Cover it Live integrava o vídeo num chat. Achei mais dinâmico que usar o Twitter. Há também a opção do Mibbit, outro chat fácil de usar. No caso do chat, talvez seja interessante ter um mediador online, puxando os assuntos, animando a discussão. Inclusive, o Cover it Live permite a criação de enquetes instantâneas.

Ocorre que a internet ainda não se estabeleceu como mídia, nem como linguagem. A televisão passou décadas repetindo modelos do rádio até encontrar seu melhor uso - e até hoje se reinventa. Ninguém sabe ainda o que fazer, ou como fazer comunicação na rede mundial. O que estamos vendo é o nascimento desse novo meio, que ainda é apenas a convergência de velhas mídias, sem ter desenvolvido uma linguagem própria, sem ter ainda A nova linguagem. Essas experiências de integração de twitter e chat em programas de TV são incipientes, mas importantes para clarear a mente e tentar enxergar possibilidades de usos dessas ferramentas. Muito mais, aliás, para quem participa delas do que para quem as observa.

Ainda veremos coisas muito mais interessantes por aí. Mas é um começo.

Leia sobre outras experiências:

Tiago Doria
Ladybug Brasil
Pedro Markun

Responses

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  1. Fernando Firmino says:

    July 22nd, 2008 at 1:13 pm (#)

    André acompanhei estas duas transmissões: Roda Viva e CPFL Cultura. Acredito que estas ferramentas de fato têm um potencial para se desenvolver no jornalismo, mas ainda parece faltar algo. A iniciativa da TV Cultura é bastante pertinente e sucinta, inclusive, uma relação entre a mídia de massa e a mídia com funções pós-massivas. O uso do Cover It Live me pareceu mais dinâmico e com mais condições de desdobramentos por agregar chat, vídeos e outras aplicações. Em relação específica ao Roda Viva penso que falta uma integração com a transmissão da TV para dar sentido a este movimento pararelo das discussões do Twitter. Esta integração beneficiaria ambas as plataformas: TV e Internet. Um espaço para perguntas dos Twitters também deveria acontecer. Mas não deixa de ser uma iniciativa bastante instigante. Estas experimentações deverão desencadear em algo a ser apropriado pelo jornalismo como ferramenta de interação.

    Abraços e parabéns pelo trabalho.

  2. admin says:

    July 22nd, 2008 at 1:22 pm (#)

    Também achei melhor a experiência do chat, com o Cover it Live, Fernando. Você tem toda razão: no Roda Viva, é preciso ainda experimentar alguma interação com a TV. Creio que estamos vendo nascer algo novo daí, algum tipo de comunicação que mistura, como você disse, mídia de massa e mídia direcional. A integração entre o um-pra-todos com o todos-pra-todos. E valeu as participações!

  3. Lucia Freitas says:

    July 22nd, 2008 at 2:48 pm (#)

    Oi, André
    Também é isso, mas não só. A cada twitagem coletiva no Roda Viva eu sinto uma camada viva de conhecimento se formar. Veja, são mais de 10 pessoas - olhe no summize (summize.com e verá que são mais pessoas). Vejo o olho crítico dos internautas. Vejo aquela conversa que a gente tem em frente à TV quando está em grupo. Tudo registrado e recuperável. As fontes de feedback para a Cultura são infinitas - embora, tá, ainda não tenha surtido efeito.
    Vc mesmo, ontem, registrou algo que eu também disse: os entrevistadores não usam os recursos à sua disposição. Eu sei o quanto é difícil - fazer três coisas ao mesmo tempo, embora recomendável, é quase impossível.
    O Pedro, inclusive, sonhou, em seu post a respeito, transmitir as nossas impressões em uma faixa de texto sobre o vídeo. Eu ainda acho que esta é a melhor forma do twitter gerar impacto. Vamos ver como caminha, mas estou adorando ver este laboratório. TV Pública é para isso mesmo, não?

  4. admin says:

    July 22nd, 2008 at 2:57 pm (#)

    Oi Lucia, não tinha pensado nesse uso póstumo, como fonte de feedback. Pode ser bem útil mesmo.

    O Pedro diz que complica, no caso do Roda Viva, mandar para a tela o que se diz no Twitter pelo sincronismo - os canais têm velocidades diferentes, e o que é escrito agora vai aparecer só depois, fora de contexto, na tela. Ele sugere que num programa gravado - como é o caso do Café Filosófico - seria mais eficaz. Mas concordo que, de um jeito ou de outro, esse seria o modo mais impactante de usar o Twitter na TV. Mas… e se, em vez do Twitter, um chat? Por que, necessariamente, o twitter? Pela rede que já está lá, criada? Talvez. Para unir as redes? Bem, acho que é isso, no final, a maior vitória: colocar junto quem já gosta do Roda Viva com quem já gosta do Twitter.

    E TV Pública, sem dúvida nenhuma, é pra isso. Também!

  5. Lu Monte says:

    July 22nd, 2008 at 4:48 pm (#)

    Ôpa! Poso dar meu pitaco? Você pergunta “e se, em vez do twitter, um chat?”.

    O chat gera algumas complicações.

    Como a Lucia falou, os twitts são recuperáveis. Já um chat, só seria se alguém copiasse e colasse o conteúdo em algum site - trabalho a mais.

    Outra vantagem do twitter é a possibilidade de enviar as mensagens via celular. No meu caso, assisto à tv no quarto, e vou twittando; o computador fica na sala. Como faria o mesmo num chat? Sim, se o vídeo fosse transmitido via streaming, talvez fosse possível, mas e as quedas de transmissão, a baixa velocidade da internet, o desconforto?

    Como eu disse, só pitacos de uma usuária do twitter que acha que o serviço dá novo gás ao “Roda Viva”. :)

  6. admin says:

    July 22nd, 2008 at 5:19 pm (#)

    Oi Lu, acho que isso do celular é um grande diferencial mesmo. Quanta ao histórico, no teste que fizemos antes (http://www.andredeak.com.br/2008/07/18/cobertura-ao-vivo-zeljko-loparic/) usando o Cover it Live, ele mantém lá já tudo gravado. Mas acho que o Twitter tem sim suas vantagens.

    Acho que tem esse componente, também, pra quem é usuário do Twitter, de ter comunicação direta com quem está lá no estúdio. Bom, as possibilidades estão abertas…

  7. Lucia Malla says:

    July 22nd, 2008 at 6:07 pm (#)

    Acho a experiência do twitter no Roda Viva super-valiosa, para a TV como um todo. É o q vc comenta: experimentações de inserção da internet em um meio de comunicação mais “estabelecido”. Acrescento uma opinião “científica” da coisa toda: o fato do twitter ainda não ser um serviço popular limita muito a discussão, mas pode por outro lado permitir essas experimentações e algumas viagens preciosas e termos de estudos de comunicação. Mas na hora q uma massa maior de brasileiros tiver conta no twitter (como foi com o boom do orkut), esse tipo de experimentação jornalística vai ficar mais complicada. É bom chegar nessa fase futura com um esboço mais sólido de como inseri-lo eficientemente à TV - e em outros meios de comunicação, quem sabe.

    Para acrescentar mais lenha na fogueira, um mini-relato de alguém de fora do mundo da comunicação/informática/tecnologia: twittei o Roda Viva tbm há um tempo atrás. Quando fui chamada, escrevi email toda animada para parentes, amigos offline e um catatau de gente avisando, tentando explicar o sistema, dizendo que eles poderiam participar se tivessem uma conta lá, que dava pra seguir pelo twemes, que seria um grande chat sobre meio ambiente, etc. Ainda tentei usar uma analogia orkutiana p/ facilitar: insultei o twitter dizendo q ele era “um scrapbook comunitário”. A pergunta que predominou nas respostas: e pra q serve isso?

    Eu diria q 95% dos meus amigos offline/parentes q depois conversaram comigo sobre a experiência do Roda Viva (e q assistiram ao programa na TV) não entenderam o twitter, não souberam como participar/seguir a bagunça (mesmo com a dica do twemes!), e preferiram apenas… ver a TV. Aí acharam super-estranho eu estar lá e não dizer nada, não poder comentar, essas corujices deliciosas de amigos. Mas muitas dessas pessoas são pessoas com curso superior, q lêem bastante, que têm familiaridade com a internet (nem q seja pra ler o jornal), etc.

    Ok, incorporar novas mídias, gerar essa nova camada de informação: muito válido. Mas para a maioria das pessoas, ainda é uma “brincadeira” para a panelinha dos “nerds” (ouvi essa definição de um amigo). Incorporar essas pessoas na experiência talvez seja o maior desafio, a meu ver.

  8. Marcelo Soares says:

    July 24th, 2008 at 2:54 pm (#)

    Grande,

    Aproveitei a tradução que estava fazendo de um post no blog do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e incluí uma referência a este teu post. Veja lá.

    http://knightcenter2.communication.utexas.edu/?q=pt-br/node/1201

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