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ENTREVISTA: MARÍLIA BERGAMO

May 15th, 2008  |  Published in A REDE, MULTIMIDIA, ENTREVISTAS, CONVERGÊNCIA

Durante a Mostra de Design Gráfico de Belo Horizonte, Marília Bergamo apresentou seu projeto de interface interativa hipermídia: uma mesa touchscreen, como aquela da Microsoft, mas que ela está fazendo em casa. A foto acima é dela. Marília é graduada em Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual (UNB, 2003), graduada em Ciência da Computação (PUC- Brasília, 2000), Master In Design / Digital Media (University of Western Sydney, 2004). Mestranda em Artes Visuais (UFMG) com pesquisa em arte computacional interativa. Atualmente, é professora do Centro Universitário UNA e freelancer da Cúmplice Comunicação e Design.

Como foi o processo de decidir construir em casa a mesa interativa?
Bom eu começei a me interessar por design de interação na Austrália durante o mestrado, onde presenciei algumas aulas sobre instalações de arte com uso do computador. Voltei para o Brasil decidida a fazer outro mestrado e construir uma instalação dentro desse conceito, mas que tivesse conexão com  pesquisa em Design. Começei estudando um conceito chamado Physical Computing de Tom Igoe e Dan O’Sullivan sobre como expandir o computador para entender melhor o resto do nosso corpo. Durante o tempo que estava estudando isso, eu recebi um e-mail de um colega comentando uma invenção revolucionária da microsof: Surface. Eu já tinha ouvido falar do mesmo conceito no livro de Tom Igoe e Dan O’Sullivan. Na mesma época tive acesso ao artigo do Jeff Han e descobri que tinham várias pessoas tentando refazer a mesa multi-toque. Percebi que era mais simples do que eu pensava, e achei que seria uma ótima opção para minha instalação.

Há quanto tempo você vem trabalhando nisso?
Um ano exatamente, quando peguei o artigo de Jeff Han foi em Abril de 2007.

E em quanto tempo fez funcionar o primeiro protótipo?
Dois meses, mas sem retroprojeção, usei um artigo da internet. Com retroprojeção levou 6 meses, porque eu conheci o Nuigroup uma comunidade mundial onde várias pessoas estão montando suas próprias mesas e dividindo experiências para aprimorar o processo. Resolvi modificar a tela e aumentar a superfície, antes de testar retroprojeção.

Dá pra contar alguns detalhes do processo? Onde achou equipamento, dificuldades, orçamento…
Bom, o link que eu coloquei na questão anterior dá umas dicas. Mas a verdade é que é bem trabalhoso montar, porque é um processo super artesanal. Logicamente, se você tiver alguém de eletrônica para trabalhar em parceria fica bem mais fácil do que aprender a montar o circuito sozinha. O mais importante são os detalhes. Por exemplo, o Infravermelho deve ficar dentro da tela, portanto se você colocar o led em um angulo específico (+/- 35 graus) mais raios ficam presos e mais sensível fica a tela. Outra solução é usar lixa mecânica na borda do acrílico para que o raio entre no acrílico mais fácil, e usar fita refletora para não permitir que o raio saia do acrílico. Um outro detalhe é a câmera, cameras muito baratinhas são problemáticas porque não capturam em uma velocidade de feedback razoável. O problema é que você tem que modificar a câmera, destruindo o seu filtro contra IR, e perde a garantia. Mas mesmo assim, eu resolvi comprar uma camera melhor e foi o que tornou a tela realmente viável. Todo o material pode ser comprado no Brasil, mas infelizmente nossos fornecedores não recebem materiais de melhor qualidade, então leds, cameras e filtros IR importados podem aprimorar a sensibilidade da tela.

No Brasil e no mundo há muita gente tentando montar essa interface?
No Brasil eu achei essa página na internet. Achei também essa reportagem no Terra. E fora do país tem o grupo NuiGroup, que tem gente do mundo inteiro fazendo.

Você disse na Mostra de Design de Belo Horizonte que uma grande diferença dessa interface é que ela é coletiva, não mais individual. Isso muda muito?Muda porque o processo de criar interfaces comerciais com computadores (não se inclui aqui instalações de arte) até hoje tem se baseado na idéia de uma única pessoa no controle das ações. Se você observar aquele vídeo Demo da Microsoft que mostra a mesa em uso, novamente o demostrador está apresentando uma única pessoa no comando. Não sei se as pessoas já perceberam em termos comerciais a mudança do paradigma. Em instalações esse conceito de coletivo não tem tanto impacto, porque já são obras de interação coletiva. Mas para o desenvolvimento de aplicativos tem um impacto enorme para quem desenvolve interface gráfica. Usabilidade, por exemplo, vai precisar rever uma série de heurísticas.

Como serão as interfaces do futuro?
Eu acredito que cada vez mais essas interfaces tendem a expandir a captação da interação humana de forma coletiva e também individual, não se limitando somente em capturar cliques, ou comandos básicos de som, mas gestos, presença, proximidade e etc.

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