Archive for May, 2008

LEITORES DO FUTURO

// May 28th, 2008 // No Comments » // A REDE, JORNALISMO

Só para compartilhar um post da Mindy McAdams, meet the news audience of tomorrow.

Ela conta a história de Melissa Worden, que adora notícias, mas não lê mais jornais impressos.

Eu assino notícias no Twitter accounts. Posts da CNN no breaking news tweets, e eu amo que eles não me atolam de updates. Quando chega um tweet deles, eu presto atenção. Também gosto do “On Deadline” tweets, do USATODAY.com Eles me dão uma visão do que acontece no país naquele dia. Outros jornais têm contas no Twitter, mas nenhum com notícias locais de onde moro.

Me abasteço de links compartilhados via Facebook.

E também da minha rede del.icio.us.

McAdams conclui que redes sociais são “mais do que criar uma comunidade no seu site (o que é um passo importante, diz ela). É criar uma comunidade em volta das notícias que você produz, fora do seu site…”

LINKS PARA UM FERIADO PREGUIÇA

// May 24th, 2008 // No Comments » // INFOGRAFIA, JORNALISMO

Fazendo a leitura das centenas de mensagens que chegam via RSS, links postados no twitter e e-mails, encontro várias coisas que quero dar uma olhada com mais calma. Compartilho:

Esses posts, do Intermezzo, são pra quem ainda não se convenceu (ou entendeu) o Twitter:
Pra que serve o Twitter, Parte I e Parte II

Instruções para tirar fotos de uma tela de TV

Notícia: o DailyTelegraph assume a liderança dos sites noticiosos na Inglaterra, e atribui, entre outras coisas, aos vídeos online.

Mais um livro online que parece interessante: Reclaiming the Media

Vídeos sobre por que os infográficos são legais

Não é só o Google Docs que existe para compartilhar documentos online. Aqui tem uma lista

Infográfico da RBS sobre a crise mundial de alimentos

TV Jornal: um celular na mão, uma notícia na TV

RACISMO NA TURMA DA MÔNICA?

// May 21st, 2008 // 25 Comments » // Off Topic

A publicação da tira acima, no domingo (18 de maio), gerou uma discussão interessante no Blog do Rovai, se seria ou não caso de racismo. A tira motivou o envio de uma carta à redação do Estadão, pelas comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF) e de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira-SP).

Ao hierarquizar e tratar de maneira diferenciada a criança de cabelo crespo, o trabalho em questão comete um ato claro de discriminação, que afeta diretamente a auto-estima de crianças negras, identificadas com o personagem justamente pelas características do cabelo.

Essa perversa depreciação tem sido combatida arduamente por amplos setores da sociedade. Constatarmos o uso dessa abordagem num espaço de tanta influência na sociedade espanta, apesar do discurso em torno do próprio personagem em questão (conhecido por não gostar de tomar banho) ser há muito tempo objeto de questionamento do movimento social negro e de pesquisadores.

A discriminação é ampliada, no entanto, em quadrinhos como o publicado no último final de semana. Fica o nosso repúdio a essa prática e a esperança de que o jornal não prossiga respaldando tais posturas, inequivocamente perniciosas.

É imprescindível uma retratação pública da redação e do artista. Sob pena de ampliação de uma violência cruel, que atinge parcela vulnerável da população e incita práticas de discriminação no ambiente infanto-juvenil.

Vários leitores do Rovai não consideram racismo, basicamente sob o mesmo argumento. Vale reproduzir alguns:

- Não é preconceito já que o Cascão não é negro. Negro na turma da monica é só o pelezinho. Essas patrulhas de tentar enxergar subliminaridades em tudo são um saco. O cabelo do cascão é sujo, vcs ja ficaram com o cabelo sujo de poeira? Fica duro como uma pedra.

- O Cascão é um personagem conhecido por não tomar banhos. A referência nessa tira é a sujeira encrustada no seu cabelo. Não há menção ao fato de ele ser de origem negra.De fato, no gibi, o Jeremias é negro. Se fosse o Jeremias aí sim, seria racismo.

- Não há que se falar em racismo num caso com esse. No mínimo, um exagero, beirando a histeria.

Rovai comenta em seu post que mostrou a tira na redação e houve polêmica. Mas lembra que editou um livro sobre “preconceito na infância das crianças negras. E em especial no caso das meninas, que sofrem por demais por viverem numa sociedade branca onde o escovar o cabelo é algo tão especial”.

Outro comentários:

- Sou Dr. em Sociologia. Professor da UFRB e realizo uma pesquisa sobre as representações sociais da criança negra em mídias direcionadas ao público infanto-juvenil. Em nossa pesquisa, com mais de 250 tiras eletrônicas e 200 revistas impressas do personagem percebemos uma forte associação entre cascão e estigma: Estes rótulos negativos não se referem só à sujeira, mas , também à inferiorização em comparação com animais (…):
em uma tira, a da famosa cegonha, Mônica recém nascida é levada ao lar por uma cegonha, cebolinha idem, e cascão, por um urubú ou uma cegonha com pegador no nariz, o que sugere uma sujeira inata. (…) Se o cabelo de Cascão empedrou em decorrência da sujeira, por que o do seu pai, que toma banho todo dia, é similar ao do Cascão?

- Cascão só seria considerado negro se tivesse a pele preta? A população negra é formada por pretos e pardos, pela população afrodescendente, que em geral tem cabelo crespo, como o Cascão. Cabelo liso também fica sujo, oleoso e duro. No entanto, é cortado com tesoura. Já o do Cascão é com marreta. As crianças afro que se identificam com ele, como ficam? Imagina uma tirinha rodando na sala de aula… Já altamente discriminadas, as crianças negras teriam que enfrentar outro estigma. Cabelos cortados a marretadas. Isso é, no mínimo, uma violência. Também considero racismo, uma vez que racismo é uma prática de hierarquização das pessoas. E esse é um caso exemplar. Uma pena mesmo, dada às qualidades da Turma da Mônica, gibi que sempre gostei. Mas, ao mesmo tempo, não poderia me omitir diante de tamanha violência, principalmente sendo negra, de cabelo crespo, e sabendo o quanto isso me rendeu brincadeiras e violências a vida toda.

Update: O Estadão publicou uma resposta, na sequencia da discussão:

Esclarecemos que a resistência do cabeleireiro nada tem a ver com cabelos crespos. Dada a evidência de que se trata de personagem com notória aversão a higiene, não há motivo para enxergar depreciação. Ao contrário: Cascão é tratado de forma diferenciada porque seus cabelos são cascudos, sujos, enfim. Se há alguma mensagem na seqüência, ela apenas endossa a importância de se cuidar da higiene.

OS REPÓRTERES DO FUTURO

// May 17th, 2008 // No Comments » // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Jovens jornalistas do projeto Repórter do Futuro, da Oboré, fazem uma cobertura multimídia do 1º Fórum Nossa São Paulo, que discute os principais problemas da cidade e aponta algumas soluções. Estou por aqui dando uma ajuda na gravação dos vídeos e orientação em alguns textos.

Vários textos são bem interessantes, como por exemplo a história dos Caçadores de Prefeitos, que cassaram o mandato de cinco prefeitos nos últimos anos. A cidade é Januária, norte de Minas, com 65 mil habitantes.

A propósito: eles estão fazendo um trabalho totalmente multimídia. Vídeos, textos e fotos estão indo ao ar diariamente. A foto acima é uma das tantas que os estudantes estão publicando no Flickr, tanto dos participantes quanto dos cidadãos da Vila Mariana, onde acontece o fórum.

ENTREVISTA: MARÍLIA BERGAMO

// May 15th, 2008 // 1 Comment » // A REDE, CONVERGÊNCIA, ENTREVISTAS, MULTIMIDIA

Durante a Mostra de Design Gráfico de Belo Horizonte, Marília Bergamo apresentou seu projeto de interface interativa hipermídia: uma mesa touchscreen, como aquela da Microsoft, mas que ela está fazendo em casa. A foto acima é dela. Marília é graduada em Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual (UNB, 2003), graduada em Ciência da Computação (PUC- Brasília, 2000), Master In Design / Digital Media (University of Western Sydney, 2004). Mestranda em Artes Visuais (UFMG) com pesquisa em arte computacional interativa. Atualmente, é professora do Centro Universitário UNA e freelancer da Cúmplice Comunicação e Design.

Como foi o processo de decidir construir em casa a mesa interativa?
Bom eu começei a me interessar por design de interação na Austrália durante o mestrado, onde presenciei algumas aulas sobre instalações de arte com uso do computador. Voltei para o Brasil decidida a fazer outro mestrado e construir uma instalação dentro desse conceito, mas que tivesse conexão com  pesquisa em Design. Começei estudando um conceito chamado Physical Computing de Tom Igoe e Dan O’Sullivan sobre como expandir o computador para entender melhor o resto do nosso corpo. Durante o tempo que estava estudando isso, eu recebi um e-mail de um colega comentando uma invenção revolucionária da microsof: Surface. Eu já tinha ouvido falar do mesmo conceito no livro de Tom Igoe e Dan O’Sullivan. Na mesma época tive acesso ao artigo do Jeff Han e descobri que tinham várias pessoas tentando refazer a mesa multi-toque. Percebi que era mais simples do que eu pensava, e achei que seria uma ótima opção para minha instalação.

Há quanto tempo você vem trabalhando nisso?
Um ano exatamente, quando peguei o artigo de Jeff Han foi em Abril de 2007.

E em quanto tempo fez funcionar o primeiro protótipo?
Dois meses, mas sem retroprojeção, usei um artigo da internet. Com retroprojeção levou 6 meses, porque eu conheci o Nuigroup uma comunidade mundial onde várias pessoas estão montando suas próprias mesas e dividindo experiências para aprimorar o processo. Resolvi modificar a tela e aumentar a superfície, antes de testar retroprojeção.

Dá pra contar alguns detalhes do processo? Onde achou equipamento, dificuldades, orçamento…
Bom, o link que eu coloquei na questão anterior dá umas dicas. Mas a verdade é que é bem trabalhoso montar, porque é um processo super artesanal. Logicamente, se você tiver alguém de eletrônica para trabalhar em parceria fica bem mais fácil do que aprender a montar o circuito sozinha. O mais importante são os detalhes. Por exemplo, o Infravermelho deve ficar dentro da tela, portanto se você colocar o led em um angulo específico (+/- 35 graus) mais raios ficam presos e mais sensível fica a tela. Outra solução é usar lixa mecânica na borda do acrílico para que o raio entre no acrílico mais fácil, e usar fita refletora para não permitir que o raio saia do acrílico. Um outro detalhe é a câmera, cameras muito baratinhas são problemáticas porque não capturam em uma velocidade de feedback razoável. O problema é que você tem que modificar a câmera, destruindo o seu filtro contra IR, e perde a garantia. Mas mesmo assim, eu resolvi comprar uma camera melhor e foi o que tornou a tela realmente viável. Todo o material pode ser comprado no Brasil, mas infelizmente nossos fornecedores não recebem materiais de melhor qualidade, então leds, cameras e filtros IR importados podem aprimorar a sensibilidade da tela.

No Brasil e no mundo há muita gente tentando montar essa interface?
No Brasil eu achei essa página na internet. Achei também essa reportagem no Terra. E fora do país tem o grupo NuiGroup, que tem gente do mundo inteiro fazendo.

Você disse na Mostra de Design de Belo Horizonte que uma grande diferença dessa interface é que ela é coletiva, não mais individual. Isso muda muito?Muda porque o processo de criar interfaces comerciais com computadores (não se inclui aqui instalações de arte) até hoje tem se baseado na idéia de uma única pessoa no controle das ações. Se você observar aquele vídeo Demo da Microsoft que mostra a mesa em uso, novamente o demostrador está apresentando uma única pessoa no comando. Não sei se as pessoas já perceberam em termos comerciais a mudança do paradigma. Em instalações esse conceito de coletivo não tem tanto impacto, porque já são obras de interação coletiva. Mas para o desenvolvimento de aplicativos tem um impacto enorme para quem desenvolve interface gráfica. Usabilidade, por exemplo, vai precisar rever uma série de heurísticas.

Como serão as interfaces do futuro?
Eu acredito que cada vez mais essas interfaces tendem a expandir a captação da interação humana de forma coletiva e também individual, não se limitando somente em capturar cliques, ou comandos básicos de som, mas gestos, presença, proximidade e etc.

PUBLICIDADE HIPERMÍDIA

// May 13th, 2008 // No Comments » // CONVERGÊNCIA, MULTIMIDIA

Tempos depois da marca francesa de roupas Shäi ter feito uma experiência de hipermídia, para a campanha publicitária na internet, o Ikea faz outra experiência interessante. Novamente, são vídeos em que se pode clicar nos produtos, e você é levado diretamente para o site de compras.

É um belo exemplo do que poderá ser feito na publicidade para a TV digital. E é, sem dúvida, instigante para pensar o que poderá ser feito no jornalismo a partir desse tipo de interatividade.

Confesso que depois de analisar com calma o hipervídeo que produzimos no Nação Palmares, acho que não funciona como linguagem jornalísitica. São mais de dez hiperlinks no vídeo principal, e alguns deles levam a outros links. A fragmentação da linguagem do vídeo num hiperlink – o hipervídeo -, quebra a mensagem no meio. Quando se trata de um texto – o hipertexto -, ao voltar para o texto original, é possível ler algumas linhas anteriores ao hiperlink e não recuperar o sentido da frase. No caso do vídeo é mais complicado.

Esse exemplo do Ikea é interessante porque é quase uma fotografia animada, não um vídeo. Não há sentido a ser perdido quando se navega pelos hiperlinks da foto. Como usar isso no jornalismo pode ser um desafio interessante.

INFOGRAFIA DE COLETA SELETIVA

// May 11th, 2008 // No Comments » // INFOGRAFIA

Apesar de ser totalmente linear, o Globo OnLine fez uma infografia interessante sobre coleta seletiva – melhor do que as normalmente feitas pelo G1, o que não deixa de ser curioso.

Vale a pena dar uma olhada.

LINKS PARA JORNALISMO DIGITAL

// May 9th, 2008 // No Comments » // JORNALISMO

Várias coisas que andei vendo, que valem uma passada e um registro.

O ECuaderno, de José Luis Orihuela, tem uma seleção de blogs em espanhol, português e inglês que vale a pena gastar um tempo conhecendo.

No site da Mindy McAdams há uma lista de links de um treinamento multimídia para o Orlando Sentinel, com coisas bem básicas como “blogging for journalists” e “advanced blogging for journalists” e uns links que ensinam “audio for repórters”. Pode ser bem útil para usar em aulas e palestras.

O Paul Bradshaw publicou uma ferramenta que compara o nível de interatividade entre vários jornais europeus. É bem interessante, e pode muito bem ser usada para comparar jornais brasileiros (não essa em si, mas outra, a partir de um projeto de estudo compartivo).

O MediaShift publicou um texto de um jornalista-programador, o que inclusive uma discussão interessante sobre o papel do jornalista nesses novos tempos.

AS 1001 UTILIDADES DO TWITTER

// May 8th, 2008 // 4 Comments » // A REDE, CONVERGÊNCIA, JORNALISMO

Desde que li o post do Paul Bradshaw sobre os usos jornalísticos do twitter, comecei a prestar mais atenção nas dezenas de twitter tools, mashups e serviços que apareceram. O site FranticIndustries faz uma lista atualizada com “todos as ferramentas relacionadas ao twitter”.

Só pra ter uma idéia, separo algumas que estão circulando por aí:

TwitterSnooze: você “congela” durante alguns dias o recebimento de mensagens de alguém que fala muito

TwitterLocal: para saber quem diz o que perto de você

TwittWheel: faz um mapa relacionando seguidos e seguidores, para descobrir contatos em comum

Twitter Pack Project: usuários notáveis em suas áreas

Twuble e Who Should I Follow:  para descobrir quem você quer seguir

TwitterBuzz e Twitt(URL)ly: quais links são muito repetidos

Esses são só os que eu acessei. Para uma lista mais completa, sugiro:

Twitter Tools Collection

All Twitter Tools and Mashups in one Place

Destaco as que achei mais úteis:

TweetScan: digite uma palavra e veja quem está falando sobre isso agora

TwitDir: Top 100 seguidos, Top 100 seguidores, Top 100 updaters, etc

Quotably: para acompanhar uma conversa

TwitsLikeMe: para encontrar gente com os mesmos interesses, baseado no que escrevem no Twitter

Aliás, a quem interessar possa, meu endereço lá é esse: http://twitter.com/andredeak