mnmlist: CURSO DE JORNALISMO E INTERATIVIDADE

Entre os dia 22 e 26 de abril, estive em Belo Horizonte dando um curso para 33 jornalistas, parte de um extenso treinamento sobre jornalismo multimídia do grupo Diários Associados (Estado de Minas, TV Alterosa, Portal Uai e Rádio Guarani). Coloco, abaixo, links para diversos sites utilizados no programa. Alguns dos links foram organizados primeiro por Rodrigo Savazoni, para um curso similar no Acre.

O HIPERVÍDEO E AS NOVAS LINGUAGENS DO JORNALISMO

Aula 1: O vídeo na internet
Apresentação do vídeo Bon Bagay Haiti e discussão sobre a utilização da fotografia mixada com vídeos, além da linguagem do documentário aplicada à reportagem. Vídeos, áudios e textos como conteúdos complementares, não repetindo em cada mídia a mesma informação que está na outra. Demonstração do sistema P2P e as novas formas de assistir TV na rede, inclusive baixando softwares especiais para isso. TVs colaborativas como Current e FizTV.
Falamos sobre a experiência da Radiobrás com a integração das redações: acertos e falhas do processo, onde avançamos e onde não conseguimos ir. Como está avançando o processo de integração de redações pelo mundo.

Repórter multimídia: foram feitas em experiências de reportagens para todas as mídias ao mesmo tempo, pelo mesmo repórter, e isso já se mostrou bastante ruim. Não se tornará o modelo. No entanto, o jornalista deverá conhecer todas as mídias e usar ferramentas da rede. Em muitos casos, os jornalistas sabem operar diversas plataformas, mas utilizam apenas uma de cada vez (sabem filmar e fazer reportagem para internet, por exemplo).

Usos da linguagem – vídeo e fotografia podem, diversas vezes, ser integrados numa reportagem ou documentário. A rede convenciona, por enquanto, que os vídeos não ultrapassem 7 minutos (Current TV). Portanto vale demonstrar, como exemplo de concisão, o vídeo da Naomi Klein, Doutrina do Choque.

Exemplos:

Bon Bagay Haiti, da Agência Brasil
Efeito time-lapse: Air Sick, The Star (Quick Time)
Doutrina do Choque
– Naomi Klein e Alfonso Cuaron, com legenda
On Being – Washington Post

Sites de vídeos colaborativos:

http://www.youtube.com.br
http://video.google.com/
http://www.dotsub.com/
http://www.revver.com

TVs online:

Joost – http://www.joost.com
Miro – http://www.getmiro.com
Apple TV – http://www.apple.com/br/appletv/
BBC IPlayer http://www.bbc.co.uk/iplayer
Current TV – www.current.com
FIZ TV – www.fiztv.com.br
Texto sobre a Current http://www.savazoni.com.br/?p=85
Ustream – www.ustream.tv – é uma programadora onde qualquer um pode ter uma emissora 24 horas no ar pela internet.

Aula 2: Ferramentas básicas da rede / Soma ou Fusão das linguagens / Hipervídeo e interatividade
A internet chega permitindo a soma das linguagens, mas propondo mais que isso: sua fusão. Como se dá, atualmente, a soma e a fusão das linguagens?

Exemplos de hipervídeo:

Consumo Consciente, na Agência Brasil
(Foi a primeira experiência de hipervídeo que fizemos na ABr, baseado em uma campanha de marketing viral francesa, da Shai. Aqui está o making of.)

Nação Palmares, na Agência Brasil
a experiência anterior levada ao extremo, com 12 vídeos paralelos, além de outros arquivos e textos em narrativas secundárias e terciárias. Aqui também tem um making of.)

Ferramentas da web (de organização, compartilhamento):
Desktop virtual: www.netvibes.com
RSS: www.google.com/reader
Arquivos: RapidShare

Ferramentas da web (de publicação, compartilhamento):
Para criar blogs: WordPress / MovableType
Microtexto: www.twitter.com
Fotos: www.flickr.com
Vídeos: YouTube e dezenas de outros

Ferramentas da web (de edição, compartilhamento):
Foto: Photoshop Express, Picnik (este, integrado com Flickr, Picasa e outros agregadores de fotos), Pixenate, Phixr, Fotoflexer e Flauntr, todos similares. Splashup, mais avançado, similar ao Photoshop
Redução de imagens: http://reduzfoto.com.br/
Vídeo: Jumpcut, Eyespot, Photobucket, outros
Texto: Google.com/docs
Slideshows: http://www.slideroll.com/, http://www.slideshare.net/
Criação de vídeo interativo: Asterpix

Remix de vídeo: http://www.opensourcecinema.org/

Ferramentas de Software Livre: Estudio Livre

Para entender a web 2.0:
A Máquina somos nós
– web 2.0 (legendado)

Redações integradas:
Cinco dicas para modernizar uma redação de um jeito fácil e – melhor – de graça:

1. Utilize o Google Docs (ou ferramentas similares) para dividir trabalho na redação. É um jeito muito mais fácil de compartilhar documentos entre as mesas e acessar de qualquer parte.

2. Faça uma conta de algun instant messenger para todo repórter e editor na redação e peça para deixarem ligado o tempo todo. Se eles estão na redação, é como deveriam estar compartilhando links e fontes, documentos e referências. Se estão na rua, com um laptop, é o jeito mais fácil de falar com eles. [Nota do T.: aqui no Brasil não é muito comum levar laptop pra rua… Mas a dica 5 resolve isso]

3. Faça um arquivo OPML dos blogs locais, fontes e pesquisas em jornais, inclusive pesquisas com o nome do próprio veículo. Se seus repórteres e editores ainda não estão usando Google Reader, Bloglines, ou outro leitor de RSS, importe o arquivo OPML para uma conta coletiva.

4. Abra uma conta coletiva do Flickr para toda a redação e faça com que todos saibam fazer upload de fotos. Mais do que colocar as fotos que irão para o jornal, isso é para colocar fotos das festas da redação, conferências e eventos. Torne a redação mais humana; faça com que os leitores sintam que podem pegar o telefone e ligar pra você.

5. Dê para cada repórter um telefone celular com câmera. OK, isso custa dinheiro, mas se você leva a sério o negócio e pretende continuar nele, precisa ser capaz de publicar a notícia quando ela acontece, não horas ou dias depois. Um repórter com uma câmera pode mandar fotos da rua para a redação, ou mesmo direto para a web. Isso pode ser um investimento tremendo. Compre primeiro uns dois para as editorias de polícia, cidade e geral, depois compra mais conforme necessário.

Texto: Novas redações para novas mídias

Aula 3: Hamlet no Holodeck – jornalismo videogame – interfaces
Regras de Janet Murray (Hamlet no Holodeck, ed. Itau Cultural):

– Ambientes digitais devem ser procedimentais Com isso, ela quer dizer que devem ser baseados em regras, processos. “O computador deve ser um atraente veículo para contar histórias (…) se as regras puderem ser criadas de uma maneira tão acessível quanto as anotações musicais o são para um compositor”. Ou seja: é preciso pensar em todas as possibilidades de navegação, para que não gere nenhum erro durante a navegação. Imaginar todos os passos e possíveis clicks do usuário, por exemplo. E pensar num roteiro que possa seguir a lógica de uma programação.
– Ambientes digitais devem ser participativos Ação e reação intuitiva. Não é um filme, nem um livro. Quando se clica em alguma parte, há reação. Quando se escreve, quando se organiza uma comunidade virtual. Quanto mais participação, melhor.

– Ambientes digitais devem ser espaciais A representação de espaços navegáveis, seja pelo modelo Second Life (que não existia quando ela escreveu o livro), video-games, ou mesmo o conceito de navegação por hiperlinks, melhora qualquer ambiente virtual

– Ambientes virtuais são enciclopédicos Esse é o meio de maior capacidade de armazenamento jamais inventado. Produzir conteúdo o suficiente para qualquer narrativa, de maneira que seja quase impossível explorar todas as possibilidades, é um grande desafio.

Um exemplo:
Liberia, do Star Tribune

Infografias
Possibilidades de narrativas multi-lineares e não-lineares. Infográficos enciclopédicos e específicos, e independentes e complementares.

Quando um infográfico explica melhor que um texto?
Exemplo: Peça cónica ou cilíndrica, estriada em hélice, que se embute, fazendo-a girar sobre seu eixo longitudinal, seja noutra peça (chamada porca), atarraxada em sentido contrário, seja num meio resistente, por efeito combinado de rotação e pressão. Leia isso ou clique aqui

Dicas básicas de infografia:
1. O infográfico é bom se consegue transmitir em segundos o que um texto levaria minutos.
2. Deve ser completo, mas não profuso. Simples, claro e, sobretudo, unívoco.
3. Um bom infográfico não precisa de muito texto. O excesso de informação dispersa o interesse do leitor.
4. No primeiro lugar está a idéia clara do que se quer dizer; no segundo, a beleza. Se alguma falta, o leitor vai notar.
5. O titulo deve ser direito, sintético e expressar o conteúdo.
6. O subtítulo deve ser sucinto e oferecer a explicação necessária para entender o quadro.
7. O espaço deve estar estruturado, com uma ordem de leitura clara e que revele as informações essenciais.
8. Não deve ter elementos gráficos nem termos técnicos desnecessários.
9. A fonte de informação tem que estar sempre presente, em um lugar que não distraia a atenção.
10. Fazer uma prova: caso alguém demorar mais do que uns poucos segundos para entender tudo, o melhor e jogar fora e repensar.

Lista de infográficos interessantes:
A tentativa de agregar conteúdo, mas apenas somando as linguagens sem fundi-las. O velho modelo “ouça o áudio, veja as fotos, assista ao video, leia o texto”, como nesse exemplo do IG:

Especial do IG sobre acidentes aéreos no Brasil

El Pais, sobre o acidente da TAM.

Infografias REALMENTE interativas:

Que se pode fazer com 25 metros quadrados? (El Mundo)

É melhor alugar ou comprar? (NYT)

O jogo do candidato (USA Today)

Sistema de transporte (Metrô de Madrid)

Eleições nos EUA – as primárias (NYT)

Aluguar onde? (Housing Maps)

Visita a um museu (NYT)

Faces of Dead in Iraq (NYT)

Segurança nos aeroportos (MSNBC)
BitchMap (o brasileiro é um povo criativo)

Jornalismo Video Game (artigo no Observatório da Imprensa)

Tiago Doria fala sobre newsgames

Aula 4: TV digital
O que é, o que muda. HDTV, vídeos para celular. Middleware Ginga. A interatividade “quintal com cerca” da TV digital, o modelo escolhido para impedir a democratização da comunicação, a divisão dos canais digitais, o chamado “canal de retorno” e seus problemas.

Vídeo feito no Forum Internacional Software Livre (com uma webcam plugada num laptop) mostra o Ginga em ação.

Aula 5: Planejamento de cobertura multimídia
Apresentação e comentários sobre os dois projetos de cobertura multimídia desenvolvidos durante a semana: eleições municipais e olimpíadas de Pequim.

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