Postado em Mar 5, 2008

JUMPCUT – EDIÇÃO DE VÍDEO ONLINE

Fiz um teste aqui com um editor de vídeo online, o Jumpcut. Importei minhas fotos do Flickr e abri um programinha de edição em flash, que lembra o Windows Movie Maker pela simplicidade. Tem uns probleminhas, umas falhas aqui e acolá, mas dá pra brincar bastante. Veja abaixo o resultado:

O maior problema que encontrei: não consigo tirar esse vídeo do Jumpcut, para colocar num ipod, por exemplo. Tentei os programas que tiram vídeo do YouTube e até um downloader online que parece impressionante, mas no fim nada funcionou. Se alguém souber como faço isso, por favor.

Postado em Mar 5, 2008

GEOPOLÍTICA DO CERCO

Esse foi o nome da primeira reportagem especial com infográfico que fizemos na Agência Brasil, janeiro de 2006. Graficamente, hoje, parece bem tosco, coisa de um passado distante. Mas a mensagem continua valendo, especialmente agora. Clique no Equador.

A maior base norte-americana na América Latina, a base de Manta, fica no país governado por Rafael Correa. Presidente que publicamente é contra a política dos EUA para a região, e disse que não renovará o acordo para manter essa base.

“A partir de 2002, Colin Powell garantiu uma verba adicional de 731 milhões de dólares para financiar a participação do Equador, Bolívia e Peru no Plano Colômbia. O papel do Equador era central, principalmente porque os Estados Unidos utilizavam a estrutura da Base de Manta, com capacidade de controlar o espaço aéreo da região Amazônica, do Canal do Panamá e da América Central. A eleição do presidente Rafael Correa interrompeu o apoio do Equador ao Plano Colômbia, já que uma de suas principais medidas foi anunciar que não renovaria o acordo com os Estados Unidos para o controle da Base de Manta”, conta Maria Luisa Mendonça.

Os EUA farão todo o possível para desestabilizar o governo de Rafael Correa, usando a Colômbia para isso. Se isso servir para causar problemas à Venezuela, tanto melhor.

Outra leitura interessante vem do Beto Almeida, no texto Colômbia: Israel sul-americano?: o assassinato de “Raul Reyes, conhecido por sua característica de exímio negociador político, também deve ser entendido como um alerta ao governo de Sarkosy para que não se meta em negociações que contrariem a linha estadunidense de militarização da região amazônica.”

O momento não pode ser lido apenas pelo que contam os jornais. A primeira vítima desse conflito, como em todos, é a verdade.

 

Postado em Mar 5, 2008

POSTS PAGOS, POSTS PUBLICITÁRIOS E OUTROS NOMES DA BESTA

Diz que no ano passado a publicidade online registrou um crescimento de 25%. Em espécie, o montante aplicado por anunciantes em sites foi de US$ 21,1 bilhões. Tudo isso divido, certamente, entre banners, mala direta (spam ou não), sites promocionais, clicks, espaços publicitários diversos e uma nova (nova?) arma: o post pago.

Eu não imaginava o quanto esse método andava disseminado por aí até ler O Marketing Viral e a Nike, do blog Futebol, Política e Cachaça. Conta o Glauco que a equipe do site recebeu um e-mail convidando a escrever um post que incentivasse a participação dos seus leitores no site que a Nike fez pela recuperação do Ronaldo. Vale copiar uns trechos do e-mail que a empresa de marketing viral mandou pra ele:

O post consiste em redigir um breve texto falando do fenômeno Ronaldo, suas conquistas no Brasil e no Exterior. O texto deve ser focado no enobrecimento do jogador, que adquiriu, através de suas conquistas, status de “fenômeno”. Dentro deste texto, ou ao final dele, deve ser inserido o link que dará acesso ao site http://nikefutebol.com/ronaldo. Procure motivar as pessoas a transmitir força ao jogador, convidando-os a criar um vídeo de comemoração de um gol, fazendo uso da marca registrada de Ronaldo, que é o dedo indicador direito erguido [há exemplos no site]. Procure também, enfatizar a opção de enviar mensagens diretamente no portal da Nike ou via SMS. O texto deve motivar as pessoas a dar este apoio de uma forma espontânea, fazendo referência à paixão pelo futebol e ao grande jogador Ronaldo.

Caso vocês aceitem escrever sobre o Ronaldo e o resultado no blog, comentários e etc, for positivo, em uma outra oportunidade podemos, quem sabe, firmar alguma espécie de parceria, ok? Este post que estamos sugerindo, seria uma espécie de Post Piloto. Dando resultados dessa vez, surgindo novas campanhas pertinentes ao seu blog, poderemos conversar novamente, ok?

Se tiverem alguma dúvida, entrem em contato o mais breve possível, ok?

Ps.: Caso aceitem, precisamos que o texto seja escrito e postado até amanhã (dia 27) pela noite, ok? Qualquer dúvida, entrem em contato comigo.

Já tinha acontecido algo parecido comigo, e foi nessa ocasião em que tive a certeza de que meu blog não valia nada:

Nós gostaríamos de lhe oferecer duas alternativas do nosso cliente da área de entretenimento (pôquer e cassino on-line):

1. Escreva um post (com link) sobre o site do nosso cliente.

2. Nós lhe enviamos um pequeno texto, de uma a duas frases, com links (no máximo 3) a ser publicado em seu site

Para isso, nós pagaremos um total de 60 US$ via Paypal ou Neteller. Assim, no primeiro mês nós enviamos 10 US$ e depois da publicação ou da redação do post pagamos a cada 3 meses 12,5 dólares.

No meu caso, além de não fazer o mínimo sentido eu publicar um post sobre a alegria de jogar em cassinos online, receber em dólar, hoje em dia, vale menos que receber em ticket-refeição.

Já no caso do Glauco, ele conta que fez uma simples pesquisa por “Ronaldo, recuperação, Nike” no Google e no Google Search Blogs e encontrou dezenas de textos, até literais, em blogs e sites noticiosos, com a recomendação que ele havia recebido. “A contribuição dos blogues para a democratização da comunicação no Brasil e no mundo vem sendo decisiva. Mas esse tipo de ação marqueteira, quando encontra eco na blogosfera, causa desânimo”, diz ele. Mais que desânimo: causa raiva.

Essa oferta gerou uma boa discussão em vários blogs esportivos que se recusaram a aceitar – e até responder – o “convite”. “Os blogs podem ter poucos acessos e page views, mas seus leitores levam muito a sério o conteúdo. Toda essa relação de confiança entre dono do espaço e leitor abriu os olhos do mercado publicitário. E assim surgiu… o merchandising de blog, o post ‘publicitário’”, publicou o Balípodo.

Não é de hoje que existem as chamadas matérias-jabá, que se vende a credibilidade do veículo para fazer o leitor acreditar em um produto ou numa idéia. E nem sempre vem dinheiro o pagamento, mas em favores a políticos, amigos e chefes, como bem detalha o Nassif mostrando o que se passa na redação da Veja. Mas a Veja não é a única, como bem sabe qualquer jornalista que não seja cego, surdo e mudo.

Ver o fenômeno do jabá chegar aos blogs não é surpresa, mas tampouco é agradável. Enquanto houver gente se vendendo, haverá quem compre. Como sempre, o melhor remédio é o desconfiômetro.

Postado em Mar 4, 2008

CUBA NO FLICKR

Coloquei umas 40 fotos de Cuba, tiradas agora, em fevereiro, no Flickr. Estão todas em Creative Commons, para quem quiser usar (com fins não comerciais).

Aproveito para sugerir umas leituras interessantes, em meio a esse mar de Veja, digo, de lama, que é o nosso jornalismo:

Artigo de José Luis Fiori, no Le Monde

Um perfil de Fidel, na Caros Amigos

Postado em Mar 3, 2008

ELIZA, CHATTERBOTS E A ENTREVISTA INFINITA

É de 1966 o primeiro chatterbot – um robô capaz de manter uma conversa escrita com um ser humano. Naquela época, “Joseph Weizenbaum, um professor de ciência da computação do MIT, criou um programa de computador chamado ELIZA capaz de manter uma conversação respondendo, com palavras impressas, a sentenças digitadas. (…) A persona resultante, Eliza, parecia-se com um terapeuta que devolve as inquietações do paciente como um eco, sem interpretá-las”.

Quem fala sobre Eliza é Janet Murray, no livro Hamlet no Holodeck, para explicar as possibilidades narrativas do computador ao criar personagens virtuais. Eliza existe hoje na internet e qualquer um pode conversar com ela, apesar de não ser muito agradável – ela foi a primeira; é bastante limitada e sem graça.

Existem hoje, entretanto, dezenas de outros chatterbots na rede, alguns bastante impressionantes – para não dizer assustadores –, como Jabberwacky ou George, uma variação de Jabberwacky que aprendeu respostas conversando com usuários da internet. São experiências incríveis de inteligência artificial, ainda que nenhuma delas tenha passado no teste Touring. É um teste onde humanos conversam com humanos e máquinas, sem saber qual é qual, e devem apontar quem é humano e quem é o computador. Se errarem, o programa vence: é uma inteligência artificial capaz de enganar um humano.

Independente de estarmos perto ou longe de criarmos um programa que passe no teste Touring, já existem empresas que vendem inclusive a criação de “personalidades artificiais”. Você poderia, por exemplo, passar horas e horas, durante dias, semanas ou meses, conversando com um programa, que “aprenderia” com suas respostas. Depois desse tempo a sua própria personalidade está cadastrada nesse banco de dados. Quando alguém entrar nesse chat, seria como se estivesse conversando com você, quando na verdade está conversando com um banco de dados. Isso não é o futuro – isso já existe.

Imaginemos, portanto. Qual seria o uso possível para o jornalismo? Estava lendo a entrevista de Ignácio Ramonet com Fidel Castro, publicada em livro. Essa é apenas uma entre infinitas entrevistas possíveis. Mais que isso: quantas vezes uma entrevista não toma um rumo que você não esperava, no mau sentido? Por que o jornalista não continuou naquele assunto?

Uma figura como Fidel Castro, por exemplo, talvez fosse um ótimo exemplo, já que escreveu e falou tanto, sobre tantos assuntos, e construiu uma personalidade pública bastante conhecida, até. Colocássemos uma equipe cadastrando todas as respostas que Fidel já deu em entrevistas, sobre todos os assuntos – inclusive assuntos pessoais –, teríamos muito provavelmente uma ótima versão de Fidel em chatterbot.

Em vez de oferecer uma entrevista – e nada impede que essa entrevista não esteja lá –, cada um poderia fazer as perguntas que quisesse ao cubano. As repostas seriam respostas reais. Não se trata, aliás, de equipar uma máquina com um conjunto de frases. O psicanalista Kenneth Colby aperfeiçoou Eliza e criou PARRY, um cyberindivíduo que não apenas tinha respostas prontas, mas um modelo de vida interior. Ou seja, como diz Janet Murray: “Colby deu a sua criatura um sistema de crenças (…) e um modelo de estado de espírito incluindo raiva, medo e desconfiança. Ele instruiu Parry a construir um modelo de seu entrevistador, com base em cada uma das questões feitas, e a decidir se a intenção de seu interlocutor era malevolente, benevolente ou neutra.”

Acho que muita gente adoraria conversar com Fidel e com centenas de outros personagens históricos, mesmo que eles fossem apenas uma representação deles. Aliás, filosoficamente pensando: qual é o entrevistado que não é apenas uma representação de si mesmo?