O BRASIL NO MALOFIEJ E AS DICAS DE ALBERTO CAIRO
// March 19th, 2008 // No Comments » // INFOGRAFIA, JORNALISMO
Lendo o Nupejoc (Núcleo de Pesquisa em Linguagens do Jornalismo Científico) achei várias coisas interessantes sobre o Malofiej, prêmio internacional para infografias.
Primeiro, li lá que “se continuamos com algum destaque entre os impressos, no online o panorama é outro. Nesta edição só ganhamos uma medalha, de bronze, com o Infográfico “Um ano de crise aérea no Brasil”, produzido pela equipe do Último Segundo.”
Fui lá olhar o info do Último Segundo e faço aqui minha avaliação: visualmente bastante interessante, mas segue o modelo de juntar num só lugar tudo o que foi produzido pelo veículo durante um período de tempo. Aquele tipo de estrutura que oferece linha do tempo, áudios, vídeos, fotos, frases interessantes, dicionário de termos da aviação e infográficos. Esses últimos dá para ver que deram trabalho para ser realizados, mas não se destacam pela qualidade ou pelo entendimento. Nada como aquele do El País que ficou famoso porque era melhor que todos os brasileiros…
Agora, o mais interessante é um texto do Alberto Cairo publicado no novo livro do Malofiej, “Interatividade, a nova fronteira da visualização da informação na imprensa” (em .pdf).
Cairo cita um gráfico do New York Times publicado em abril de 2007 sobre o mercado imobiliário. É melhor alugar ou comprar? é a proposta do infográfico, e o usuário preenche os dados para descobrir sua própria resposta. Isso é interatividade.
Outro exemplo que ele cita é o do El Mundo (acima). Quando o governo disse que iria construir apartamentos de 25 metros quadrados para jovens casais, a oposição disse que ninguém poderia viver em espaços tão apertados. O jornal fez um infográfico onde você podia mobiliar um apartamento desse tamanho da maneira que quisesse. Isso é interatividade.
“A curta história da visualização da informação na imprensa online é a história da oportunidade perdida. Ou, para sermos justos, da oportunidade nunca perseguida a sério até agora. Hoje, os gráficos jornalísticos online ainda são lineares, estáticos, devedores em excesso da forma de narrar da TV e do impresso. A breve história da infografia digital é a história de como não aproveitar um leque de possibilidades”, diz Cairo, um dos maiores especialistas do mundo.
Ele cita depois algumas iniciativas exemplares, como o ChicagoCrime.org, de Adrian Holovaty, onde qualquer pessoa pode escolher uma área da cidade e descobrir quantos crimes houve ali, por tipo de crime, e ter um mapa das estatísticas. Ou a página do metrô de Madri, onde o usuário escolhe estação de partida e chegada e o site, em flash, mostra qual o melhor trajeto e em quanto tempo deverá ser feito.
Cairo vai chegando exatamente no ponto em que acho mais interessante:
“Acrescentar interatividade, mesmo que em pequenas quantidades, implica assumir um novo paradigma: compreender os gráficos online como ferramentas de software, e não como apresentações estáticas; o leitor se transforma em usuário e a infografia em aplicação. Esta pequena mudança de esquema mental ajuda a entender melhor por onde avançar. Em um mundo onde o software está cada vez mais sofisticado e fácil de usar ao mesmo tempo, as espectativas de qualidade e de capacidade de controlar os programas do leitor/usuário aumentam. Como jornalistas, devemos satisfazer essas exigências”.
Eis que ele diz exatamente aquilo que eu gostaria de ter dito (bem, na verdade, eu já disse):
“Se existem portanto poucos exemplos de infografia realmente interativa em jornais e revistas, onde encontrar inspiração para o desenho de interfaces? Por que não nos videogames?
(…) Os jogos são ferramentas de aprendizagem muito poderosas. Goste ou não, os videogames como forma de cultura popular impregnaram outras formas de narrar (cinema, comics e literatura). Também têm influído positivamente – não apenas no estético – na forma em que certos gráficos se constróem.”
Acho que ele disse tudo.



A matéria do Marcos Chagas explica bem, ao fim e ao cabo, 




