POSTS PAGOS, POSTS PUBLICITÁRIOS E OUTROS NOMES DA BESTA
Diz que no ano passado a publicidade online registrou um crescimento de 25%. Em espécie, o montante aplicado por anunciantes em sites foi de US$ 21,1 bilhões. Tudo isso divido, certamente, entre banners, mala direta (spam ou não), sites promocionais, clicks, espaços publicitários diversos e uma nova (nova?) arma: o post pago.
Eu não imaginava o quanto esse método andava disseminado por aí até ler O Marketing Viral e a Nike, do blog Futebol, Política e Cachaça. Conta o Glauco que a equipe do site recebeu um e-mail convidando a escrever um post que incentivasse a participação dos seus leitores no site que a Nike fez pela recuperação do Ronaldo. Vale copiar uns trechos do e-mail que a empresa de marketing viral mandou pra ele:
O post consiste em redigir um breve texto falando do fenômeno Ronaldo, suas conquistas no Brasil e no Exterior. O texto deve ser focado no enobrecimento do jogador, que adquiriu, através de suas conquistas, status de “fenômeno”. Dentro deste texto, ou ao final dele, deve ser inserido o link que dará acesso ao site http://nikefutebol.com/ronaldo. Procure motivar as pessoas a transmitir força ao jogador, convidando-os a criar um vídeo de comemoração de um gol, fazendo uso da marca registrada de Ronaldo, que é o dedo indicador direito erguido [há exemplos no site]. Procure também, enfatizar a opção de enviar mensagens diretamente no portal da Nike ou via SMS. O texto deve motivar as pessoas a dar este apoio de uma forma espontânea, fazendo referência à paixão pelo futebol e ao grande jogador Ronaldo.
Caso vocês aceitem escrever sobre o Ronaldo e o resultado no blog, comentários e etc, for positivo, em uma outra oportunidade podemos, quem sabe, firmar alguma espécie de parceria, ok? Este post que estamos sugerindo, seria uma espécie de Post Piloto. Dando resultados dessa vez, surgindo novas campanhas pertinentes ao seu blog, poderemos conversar novamente, ok?
Se tiverem alguma dúvida, entrem em contato o mais breve possível, ok?
Ps.: Caso aceitem, precisamos que o texto seja escrito e postado até amanhã (dia 27) pela noite, ok? Qualquer dúvida, entrem em contato comigo.
Já tinha acontecido algo parecido comigo, e foi nessa ocasião em que tive a certeza de que meu blog não valia nada:
Nós gostaríamos de lhe oferecer duas alternativas do nosso cliente da área de entretenimento (pôquer e cassino on-line):
1. Escreva um post (com link) sobre o site do nosso cliente.
2. Nós lhe enviamos um pequeno texto, de uma a duas frases, com links (no máximo 3) a ser publicado em seu site
Para isso, nós pagaremos um total de 60 US$ via Paypal ou Neteller. Assim, no primeiro mês nós enviamos 10 US$ e depois da publicação ou da redação do post pagamos a cada 3 meses 12,5 dólares.
No meu caso, além de não fazer o mínimo sentido eu publicar um post sobre a alegria de jogar em cassinos online, receber em dólar, hoje em dia, vale menos que receber em ticket-refeição.
Já no caso do Glauco, ele conta que fez uma simples pesquisa por “Ronaldo, recuperação, Nike” no Google e no Google Search Blogs e encontrou dezenas de textos, até literais, em blogs e sites noticiosos, com a recomendação que ele havia recebido. “A contribuição dos blogues para a democratização da comunicação no Brasil e no mundo vem sendo decisiva. Mas esse tipo de ação marqueteira, quando encontra eco na blogosfera, causa desânimo”, diz ele. Mais que desânimo: causa raiva.
Essa oferta gerou uma boa discussão em vários blogs esportivos que se recusaram a aceitar – e até responder – o “convite”. “Os blogs podem ter poucos acessos e page views, mas seus leitores levam muito a sério o conteúdo. Toda essa relação de confiança entre dono do espaço e leitor abriu os olhos do mercado publicitário. E assim surgiu… o merchandising de blog, o post ‘publicitário’”, publicou o Balípodo.
Não é de hoje que existem as chamadas matérias-jabá, que se vende a credibilidade do veículo para fazer o leitor acreditar em um produto ou numa idéia. E nem sempre vem dinheiro o pagamento, mas em favores a políticos, amigos e chefes, como bem detalha o Nassif mostrando o que se passa na redação da Veja. Mas a Veja não é a única, como bem sabe qualquer jornalista que não seja cego, surdo e mudo.
Ver o fenômeno do jabá chegar aos blogs não é surpresa, mas tampouco é agradável. Enquanto houver gente se vendendo, haverá quem compre. Como sempre, o melhor remédio é o desconfiômetro.










Fakes da Riot osso duro de roer
Pagam post, fazem flame
e o cliente vai se fu**
BIS