“Num hiperseriado bem concebido, todos os personagens menores seriam protagonistas potenciais de suas próprias histórias, proporcionando, assim, tramas alternativas dentro da malha maior da história”, diz Janet Murray, em Hamlet no Holodeck.
Ao ler isso, acho que encontrei o formato do próximo projeto de grande porte de jornalismo multimídia. Talvez devesse guardar a idéia, mas prefiro compartilhar.
Murray fala sobre o futuro da narrativa literária no ciberespaço, e eu li esse livro sob uma ótica do jornalismo. Na frase que destaquei, ela sugere que uma trama poderia contar a história do personagem principal dessa trama, mas não apenas. Cada coadjuvante poderia ser protagonista de outra história.
Tomemos o exemplo do Nação Palmares, que chamamos de documentário interativo. Se hoje eu fosse refazê-lo em condições ideais (que não existem, mas servem para exemplos hipotéticos), mudaria bastante coisa. tanto no roteiro principal quanto no formato. Poderia muito bem continuar sendo a história da luta dos quilombolas pela terra. Mas poderia ser a história de uma família, ou de algumas famílias, e cada vez que aparecesse uma pessoa, essa pessoa seria protagonista de um minidocumentário sobre sua própria vida e seus problemas, especialmente os problemas relacionados ao conflito principal – a luta pela terra.
Assim, a história do agricultor que não quer que suas terras cultiváveis sejam retomadas e devolvidas para os quilombolas poderia ser, para alguns, até mais interessante do que a história principal. E a compreensão do problema seria muito mais completa quando algumas histórias fossem vistas e contrapostas: o agricultor, a quilombola mãe de familía, o menino quilombola, o deputado.
Não é fácil. Pero tampoco es difícil.

















