Posted on Feb 15, 2008

HIPERDOCUMENTÁRIO

“Num hiperseriado bem concebido, todos os personagens menores seriam protagonistas potenciais de suas próprias histórias, proporcionando, assim, tramas alternativas dentro da malha maior da história”, diz Janet Murray, em Hamlet no Holodeck.

Ao ler isso, acho que encontrei o formato do próximo projeto de grande porte de jornalismo multimídia. Talvez devesse guardar a idéia, mas prefiro compartilhar.

Murray fala sobre o futuro da narrativa literária no ciberespaço, e eu li esse livro sob uma ótica do jornalismo. Na frase que destaquei, ela sugere que uma trama poderia contar a história do personagem principal dessa trama, mas não apenas. Cada coadjuvante poderia ser protagonista de outra história.

Tomemos o exemplo do Nação Palmares, que chamamos de documentário interativo. Se hoje eu fosse refazê-lo em condições ideais (que não existem, mas servem para exemplos hipotéticos), mudaria bastante coisa. tanto no roteiro principal quanto no formato. Poderia muito bem continuar sendo a história da luta dos quilombolas pela terra. Mas poderia ser a história de uma família, ou de algumas famílias, e cada vez que aparecesse uma pessoa, essa pessoa seria protagonista de um minidocumentário sobre sua própria vida e seus problemas, especialmente os problemas relacionados ao conflito principal – a luta pela terra.

Assim, a história do agricultor que não quer que suas terras cultiváveis sejam retomadas e devolvidas para os quilombolas poderia ser, para alguns, até mais interessante do que a história principal. E a compreensão do problema seria muito mais completa quando algumas histórias fossem vistas e contrapostas: o agricultor, a quilombola mãe de familía, o menino quilombola, o deputado.

Não é fácil. Pero tampoco es difícil.

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4 Comments

  • yaso says:

    Poxa, André. Isso se parece com Heroes, não? Parece estrutura de novela, mas, se eu entendi bem o post, vc fala da possibilidade de escolha de cada narrativa. Como se eu quisesse ver só o Hiro ou o Sylar como protagonistas. Mas e se as histórias se entrelaçam, como no RPG, como fazer pra separar?

    Vai virar professor quando voltar, hehe

  • spensy says:

    Putz, o Fidel anunciou a retirada! Você ainda está em Havana???

  • Spensy, o cara é o maior cagado do mundo. kkkkkk. Em Havana quando o Fidel deixa o cargo. E domingo deve ter o novo mandatário. Fica aí, André! Não perca!

  • Gigue says:

    Tinha um documentário que eu assistia na rede Manchete, sobre os índios do Xingu – putz… agora revelando idades, mas enfim que tinha esse documentário lá -

    Demorou vários dias e passava de vez em quando e todo mundo assistia. As cenas ficaram pra sempre guardadas na cabeça.

    Começava muito inocente, com a história de uma índia, na beira do rio.

    Essa índia saía e ia se “consultar” com o pajé.

    Daí, no outro dia, era a história do Pajé… que ia falar com o Chefe por causa de uma ziquizira qualquer que tinha a ver com aquela índia lááá da beira do rio…

    E assim várias semanas de documentário se passaram.

    Ia ser lindo uma onda dessas histórias pra todo mundo ver sempre! Melhor que novela!!!

    P.S.: (Era impossível não passar por aqui hoje para ver os movimentos… que confusão essa aí?!)