Posted on Feb 29, 2008

ASHES AND SNOW

Se algum dia precisar de exemplos sobre o uso excepcional de fotografia, luz e pós-produção num documentário, mostre Ashes and Snow.


Trata-se de um filme do fotógrafo Gregory Colbert lançado em 2005 e exibido agora no México. São basicamente cenas do homem na natureza, explorando a interação entre humanos e animais. São de uma beleza indescritível.

Coloco um trecho aqui – mas a baixa definição do YouTube reduz bastante o resultado.

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(Links encontrados no PostBlogger)

Posted on Feb 23, 2008

DIÁRIOS DE HAVANA – RADIOBEMBA

Radiobemba é como os cubanos chamam a rádio-corredor, o que o povo anda falando. O povo anda falando que no domingo Raul Castro será presidente, e Carlos Lage vice. Me parece bastante plausível.

As ruas de Havana sempre tiveram muros pintados com frases da revolução. De uns tempos pra cá, apareceram frases de Raul. A propaganda faz sua parte e é um indicativo interessante, mas me parece que ninguém, em Cuba, avalia que ele assumirá porque é irmão de Fidel. Raul, afirmam, está onde está por merecimento. É o segundo de Fidel faz muito tempo. É honesto. Contam que Fidel tem um outro irmão, que não lutou na revolução. Quando assumiram o governo, esse irmão teria se auto-graduado como tenente, ou comandante, ou algo assim. Fidel e Raul, quando souberam, mandaram ele tirar as graduações do uniforme e mandaram ele – literalmente – plantar batatas. Como ele era agricultor, disseram para ele ajudar na agricultura. É o que contam.

O que poderia contar contra Raul é a idade: 75 anos. Eleito, deve governar por cinco. Será que agüenta? Com Lage como vice-presidente, assumindo o governo aos poucos, isso pareceria resolvido – e daqui cinco anos Lage assumiria de forma bastante tranquila, sem sobressaltos. Me parece que essa é a estratégia.

Algumas mudanças devem acontecer, mas creio que nenhuma delas tem a ver com o que diz a imprensa por aí. Não existirá “transição ao capitalismo”, ou “transição à democracia”. Cuba me parece bastante democrática em alguns aspectos, e uma ditadura em outros – como na maior parte do mundo, aliás. Um país governado por duas famílias durante as últimas décadas não me parece democrático, tampouco (Bush – Clinton – Clinton – Bush – Bush – e talvez Clinton agora).

Um exemplo: houve recentemente uma pesquisa nacional, com discussões locais e regionais, onde uns 2 milhões de cubanos falaram tudo o que pensavam sobre todos os problemas do país. Isso, num país de menos de 12 milhões, é bastante. Tudo foi recolhido e está sendo processado pelo governo. É esse documento que deve gerar a base para algumas mudanças que devem chegar.

Ninguém quer o capitalismo em Cuba, especialmente porque sabem o custo disso. Todo cubano tem orgulho de viver em um país onde ninguém passa fome, onde não morrem crianças por doenças evitáveis. Querem algumas liberdades que não existem, como a possibilidade de viajar para fora do país, a criação definitiva da propriedade privada (hoje as pessoas têm título de propriedade, mas não podem vender ou alugar), o fim da duplicidade monetária (Cuba tem duas moedas, é uma longa história). Serão avanços, mas não em direção ao capitalismo, nem ao que anda fazendo a China, um socialismo de mercado. Em direção, sim, ao socialismo de Cuba.

Ao contrário do que muitos pensam, a história não chegou ao fim. Cuba está criando algo novo, dentro de suas possibilidades, com muitos problemas, com um império ao lado numa guerra contra eles há 50 anos. Mesmo assim, conseguiram saúde e educação gratuita e universal. Não é pouco.

Posted on Feb 23, 2008

TROQUE SEU ORKUT POR UM BLOG

Em Salvador, final do ano passado, um grupo de recém-formados me perguntou numa mesa de bar o que eu achava sobre a situação atual do mercado de trabalho e o futuro deles. Eu, que já tinha tomado algumas, fui bastante sincero. Agora posso escolher melhor as palavras.

Me parece que a situação para quem sai da faculdade é difícil. Nunca foi fácil, é verdade, mas o mercado, hoje, paga pior do que pagava há uns 5, 6 anos. Além disso, conta com um rebanho de jornalistas experientes, bons e desempregados – ou free-lancers, o que dá quase no mesmo. O recém-formado não concorre apenas contra si mesmo e sua falta de experiência, mas contra gente muito boa que ficou de fora nos últimos “remanejamentos” de redações. Além da tropa que se forma anualmente, infinitamente mais do que o mercado pode recolher.

Mas a coisa não é totalmente ruim. Os jovens têm uma vantagem bastante, mas bastante grande nesse momento, se bem aproveitada. O domínio das novas tecnologias.

Em cinco anos a internet não será mais o que é hoje, assim como não era há cinco anos. É bem provável que as mídias se amontoem, num primeiro momento, mas se fundam no instante seguinte. Contar histórias aproveitando conceitos como interatividade e a capacidade de armazenamento enciclopédica, por exemplo, pode ser uma revolução no jornalismo. Acredito que muito em breve estarão buscando quem queira e saiba fazer isso.

Já neste momento, busca-se quem tenha pelo menos cultural digital. Heavy users de internet, que colocam fotos e vídeos em sites, participam de listas de discussões, conhecem ferramentas de edição online, usam RSS, Twitter, têm blog, o diabo. Sempre sugiro que estudantes de jornalismo (e jornalistas, aliás) criem blogs. Não, obviamente, um blog “Minha Vida” – a não ser que você seja a Bruna Surfistinha. Um blog temático, sobre o tema que te interessa mais. Imagine que qualquer estudante, hoje, pode começar a trabalhar na área que mais gosta, sem chefe. Gosta de automobilismo? Faz um blog. Gosta de jornalismo internacional? Faz um blog. Culinária? Blog.

Isso serve não apenas para começar a entender e praticar as novas mídias. Se levado a sério, pode muito bem vir a ser o próximo emprego – remunerado, inclusive. Ou ajudar a conseguir um emprego. Sendo dono de um veículo de comunicação, fazendo clipping diário, utilizando áudio, vídeo, foto e texto, e edição de tudo isso, é muito mais fácil convencer alguém a contratá-lo do que dizer “eu aprendo rápido” ou “meu único defeito é ser perfeccionista”. Um blog será o seu melhor cartão de visita.

PS: O título vem de uma campanha do Roberto Taddei.

Esse texto faz parte da segunda edição da Ciranda de Textos. Essa rodada está sendo hospedada no MeioDigital.

Posted on Feb 23, 2008

DIÁRIOS DE HAVANA – TURISTAS

Estive esses últimos dias em Cuba num bar de jazz chamado Zorra y Cuervo, bastante conhecido, perto do hotel Havana Libre e da sorveteria Coppelia. Custa como 10 dólares para entrar – metade do que ganha um cubano comum no mês. Só tem turistas.

Como estava cheio, sentou-se na mesa onde eu estava um músico canadense. Assim que soube que eu era jornalista, começou a falar de política.

- As pessoas aqui me parecem apáticas, não? Acho que ninguém gosta de falar de política.
- Olha, não estou bem certo disso…, respondi, polidamente.

Acrescentei que de todos os lugares em que estive (mais de dez países da Europa, toda a América do Sul, México, Estados Unidos e China), me parece que em Cuba é onde as pessoas mais falam de política. Com fervor, inclusive.

Ponderei que talvez, como ele não falasse espanhol, as pessoas não se sentiam à vontade para conversar com ele. Mas ele me garantiu que não, porque o Canadá apoiou a revolução. Uhm. Ok, então.

Num dado momento ele vira e me pergunta:

- Tell me something. What do you think: is he alive?

Não deu pra segurar: comecei a rir, a rir muito. Ele achou que eu não tinha entendido:

- Fidel. Fidel Castro. Você acha que ele está vivo? Porque só o Chávez encontra ele, e essas gravações podem ser de arquivo…

Dá para entender porque muitos cubanos têm raiva dos turistas. Vêm pra cá, não entendem nada, não querem entender nada, acham que podem comprar tudo com dinheiro e voltam para os seus países falando mal de Cuba – tão anti-higiênica, tão demodé, as casas caindo aos pedaços, um horror.

Entendo o turismo em Cuba como uma prostituição forçada. O bloqueio dos EUA e o período especial, quando chegou ao fim a URSS, levou o país a dificuldades tremendas. A saída encontrada foi abrir a ilha para o turismo, e com isso estão conseguindo se reerguer. Mas os turistas, viejos verdes (como chamam aqueles velhos asquerosos), jovens ricos, fazem mal à ilha. Talvez tanto quanto os seus dólares ajudaram a ilha a se reerguer…

Posted on Feb 21, 2008

DIÁRIOS DE HAVANA – FIDEL

Foi só no dia seguinte ao anúncio de Fidel de que não pretendia mais assumir nenhum cargo no governo que percebi o impacto que isso causou no mundo. Até porque, em Cuba, o impacto foi mínimo. Isso já era mais do que esperado.

Eu e outro amigo jornalista ficamos discutindo se seria o caso de chamar isso de momento histórico ou não. É assim que os jornais pelo mundo estão construindo o imaginário coletivo e a própria história. Mas nos parece, afinal, apenas mais um elemento de um processo histórico, e não algo capaz de afetar a vida de um cubano comum, nem um giro na política nacional. Não se trata da queda do muro de Berlim nem a Perestroika. O socialismo de Cuba, por mais que muitos gostariam que isso fosse verdade, não depende de Fidel.

É interessante, por exemplo, ver a construção semântica da imprensa. Reli o texto de Fidel e li os jornais do dia seguinte, a procurar se havia a palavra renúncia. Não. Fidel já não estava no poder (o que não quer dizer que não tinha poder, mas já não participava, certamente, de muitas decisões do governo). Ao utilizar a palavra renúncia, a impressão que se cria é a de que ele estava na cadeira de presidente – formal ou informalmente – e abandonou o cargo. Nada mais falso.

Tenho a impressão de que os jornais haviam preparado um extenso material especial para a morte de Fidel. Isso é prática comum nas redações – alguém famoso anuncia que está doente e já montam galerias de fotos, biografia, separam telefones de gente que possa dar entrevistas. Só que o Fidel, que sobreviveu a mais de 600 tentativas de assassinato, não é fácil. Atrapalhou os planos dos jornalistas. Com esse material preparado, os jornais aproveitaram o primeiro factóide – a “renúncia” – para soltar esses especiais, dando ao fato um tamanho desproporcional ao seu significado.

Daqui de dentro, a mensagem me pareceu uma estratégia astuta de Fidel – e apenas isso. Ele sai de cena de uma maneira suave, sem crise, sem mágoa, sem drama. Deixa praticamente livre o espaço para Raul Castro ser eleito no dia 24, sem nenhum constrangimento de que ele não seja reconduzido. Também prepara, psicologicamente, o povo cubano para o que está por vir – aí sim, um momento impactante para a vida do cidadão. Cidadão que, nem sempre se identifica como comunista, mas se sente fidelista.

Fidel é cativante, mesmo para aqueles que não gostam dele. Me disseram que o povo cubano ficou comovido por três vezes a respeito de Fidel: quando passou mal num discurso e desmaiou (não tinha comido nem dormido, e depois voltou para terminar o discurso); quando quebrou a perna; e quando se soube de sua doença. Fidel é um ser mitológico. Sua morte não será a queda do muro de Berlim, nem o fim do socialismo em Cuba. E agora será menos simbólica e causará menos impacto político do que se ele estivesse no cenário do poder. E ele sabe disso.

Posted on Feb 15, 2008

HIPERDOCUMENTÁRIO

“Num hiperseriado bem concebido, todos os personagens menores seriam protagonistas potenciais de suas próprias histórias, proporcionando, assim, tramas alternativas dentro da malha maior da história”, diz Janet Murray, em Hamlet no Holodeck.

Ao ler isso, acho que encontrei o formato do próximo projeto de grande porte de jornalismo multimídia. Talvez devesse guardar a idéia, mas prefiro compartilhar.

Murray fala sobre o futuro da narrativa literária no ciberespaço, e eu li esse livro sob uma ótica do jornalismo. Na frase que destaquei, ela sugere que uma trama poderia contar a história do personagem principal dessa trama, mas não apenas. Cada coadjuvante poderia ser protagonista de outra história.

Tomemos o exemplo do Nação Palmares, que chamamos de documentário interativo. Se hoje eu fosse refazê-lo em condições ideais (que não existem, mas servem para exemplos hipotéticos), mudaria bastante coisa. tanto no roteiro principal quanto no formato. Poderia muito bem continuar sendo a história da luta dos quilombolas pela terra. Mas poderia ser a história de uma família, ou de algumas famílias, e cada vez que aparecesse uma pessoa, essa pessoa seria protagonista de um minidocumentário sobre sua própria vida e seus problemas, especialmente os problemas relacionados ao conflito principal – a luta pela terra.

Assim, a história do agricultor que não quer que suas terras cultiváveis sejam retomadas e devolvidas para os quilombolas poderia ser, para alguns, até mais interessante do que a história principal. E a compreensão do problema seria muito mais completa quando algumas histórias fossem vistas e contrapostas: o agricultor, a quilombola mãe de familía, o menino quilombola, o deputado.

Não é fácil. Pero tampoco es difícil.

Posted on Feb 15, 2008

DIÁRIOS DE HAVANA IX – NOTÍCIAS DE CUBA

Na noite do dia 14 de fevereiro de 2008, a escalada do jornal da noite foi assim:

Presidente Raul Castro inaugura Feira do Livro
Unesco reconhece avanços de Cuba na educação superior
Venezuela denuncia campanha mentirosa dos Estados Unidos

Mas o jornal não trouxe só isso.

Irã fecha acordo de cooperação sobre ciência e tecnologia com Cuba

Esportes

Insatisfação com o departamento de Tesouraría de Santa Clara (uma matéria negativa, dizendo que a burocracia é grande em Santa Clara, falta informatização e pagamentos demoram pra sair)

Previsão do tempo

Embaixador dos EUA na Bolívia é acusado de espionagem

Putin critica hipocrisia do Ocidente em debate sobre Kosovo

O potencial da energia eólica em Cuba

Cultura (mais uma matéria sobre a feira de livros, outra sobre um festival de jazz)

Qualidade sofrível, edição ruim, os apresentadores lendo teleprompter, falando com um tom monótono que causava sono. Posso até compreender a escolha dos temas, mas não entendo porque a qualidade é péssima assim. Tenho certeza de que Cuba tem gente que sabe fazer melhor que isso.

Resta-me assistir Mujeres Apasionadas.

Posted on Feb 15, 2008

DIÁRIOS DE HAVANA VIII – SOFTWARE LIVRE E PIRATARIA EM CUBA

Um dos efeitos do bloqueio econômico dos EUA contra Cuba – nenhuma empresa pode fazer negócios com a ilha – foi estimular a “quebra de patentes” de programas de computador. Talvez nem mesmo se encaixe na definição de pirataria, já que eles dizem que até querem pagar pelos royaties, mas os EUA não podem receber.

Estive hoje na Universidade de Ciências de Informática, uma espécie de USP, mas de um curso só: lá estudam 10 mil engenheiros de informática em 270 hectares. Seria mais ou menos ter uma universidade de jornalismo do tamanho da UFBA, com vários prédios, todos cheios de estudantes de jornalismo. Mas não é esse o caso: Cuba está formando talvez os mais hábeis hackers do século 21.

Um dos vários prédios da universidade funciona totalmente em software livre. Me pareceu, entretanto, que não é uma das prioridades do governo – e digo isso mais como impressão do que como apuração.

Por falar em pirataria: a TV cubana transmite seriados norte-americanos como Seinfeld, Friends e Heroes. Rouba o sinal do satélite e transmite. Há uma piada corrente de que o único efeito negativo do fim do bloqueio seria o fim da transmissão desses seriados.

Posted on Feb 13, 2008

DIÁRIO DE HAVANA VII – MEETINGS DE REPÚDIO

Tive um encontro com o conselho editorial da Revista Consenso (a internet aqui é bem ruim, não consigo colocar links, mas sugiro a busca e a leitura). Yoani Sanchez, um dos membros do conselho, mantém um blog em espanhol que é traduzido para o inglês e para o alemão. Fala sobre o dia a dia dela, e nos contou algumas coisas bastante interessantes sobre como se reuniram para começar a revista, que só existe na internet.

Segundo eles, é probida a venda de impressoras aos cubanos, mesmo as de computadores. E eles acham que se rodassem a revista em papel seriam enquadrados na abrangente lei que define como crime qualquer manifestação anti-revolucionária. Por isso decidiram pelo site.

Perguntei se isso realmente ocorria, se poderiam sofrer alguma represália, e me contaram sobre os meetings de repúdio, ou mítin de repúdio. São manifestações populares – dizem eles que são organizadas pelo governo ou pelo partido comunista – que teriam começado quando a ilha abriu as portas para quem quisesse sair, década de 80, quando foram embora 125 mil cubanos.

Para poder embarcar para os EUA, um cubano precisava de um documento de baixa de seu emprego, para que se tivesse algum tipo de controle. Quando o sujeito ia buscar o documento, os colegas de trabalho vaiavam. Depois contaram que ficou mais violento e houve brigas, jogavam paus e pedras, gente até morreu. Faziam vigílias na casa da pessoa. Isso ficou conhecido como meeting de repúdio.

Depois da saída em massa, os meetings continuaram, dizem, dessa vez contra os dissidentes. O pessoal da revista conta que em 2005 organizaram contra a secretária do grupo um desses encontros. Ela, alvo da manifestação, diz que durante quatro dias várias pessoas fizeram uma vigília no prédio onde mora. “Guardas ficaram na porta impedindo qualquer pessoa de subir. Bateram no meu marido. Me marido perdeu o emprego. A denúncia não foi aceita na polícia”, contou. Tudo isso porque ficaram sabendo da revista, e pensavam que eram da CIA, recebiam dinheiro dos EUA, publicavam mentiras, eram contra-revolucionários.

Me considero bastante cético, e não sei se inventaram isso. Eram sete pessoas, todas corroboraram a mesma história. Não sei se recebem dinheiro da CIA, se são dissidentes profissionais, e acho difícil descobrir isso. Mas vou fazer mais perguntas por aí. A senhora que me contou isso tinha idade para ser minha avó, e seu marido me mostrou uma cicatriz na cabeça.

Eles acham que isso não ocorreria nos dias de hoje que o governo está diferente. Me parece que a simples existência deles e do site deles é uma prova de que há mais tolerância hoje do que houve em outros tempos.

Mesmo assim, se for verdade essa história, é um absurdo injustificável.

CORREÇÃO: Creio ter interpretado de maneira errada o plano norte-americano que me contaram. Com a morte de Fidel, os EUA enviariam barcos com crianças, mas não necessariamente agentes infiltrados. As crianças seriam os netos de cubanos, nascidos nos EUA, e mostrariam ao mundo – e, principalmente, aos cubanos – a diferença entre a vida “numa democracia” e num “regime ditatorial”. Geraria insatisfação interna, aumentando as insatisfações entre os cubanos, gerando manifestações civis. ¿Será?

Posted on Feb 11, 2008

DIÁRIO DE HAVANA VI – NOVELAS BRASILEIRAS

A cubana ria. As novelas brasileiras, em Cuba, são engraçadas onde não deveriam. O maior problema para o casal brasileiro da TV era que o filho morava com a mãe, e agora que estava namorando precisava sair de casa. O amor só poderia seguir se ele tivesse casa própria.

A cubana de quase 30 anos vive com a mãe, a irmã e a avó. Em Cuba, são raras as famílias que não vivem juntas até que surja um filho, ou dois ou três. Aliás, imagino que isso não é comum apenas em Cuba, mas em qualquer parte pobre do mundo – inclusive do Brasil.

A cubana me perguntava se todo mundo no Brasil vivia como ela via. As novelas brasileiras não retratam uma visão falsa da realidade brasileira apenas para o Brasil. Causam estrago pelo mundo.