Posted on Jan 30, 2008

BAJO LAS CAPUCHAS

AVISO* Esse é o primeiro post de uma série que irei escrever durante o tempo que passerei aqui em Havana, até o final de fevereiro. Existe internet aqui na Escola Internacional de Cine e TV, mas funciona no sistema click-and-coffee. Clica, vai tomar café. Volta, clica de novo, vai almoçar. Nada fácil. Será um tempo de textos sem muitos hiperlinks…

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Assisti aqui a premiére mundial do documentário Bajo las Capuchas, de Patricio Hernandez, um chileno que trabalha para a TV pública do Canadá. Foi a primeira exibição, e segundo ele nem mesmo a distribuidora sabia disso – e nem deveria, porque certamente não aprovaria. Mas ele mostrou seu trabalho com orgulho, especialmente por ser na EICT de Cuba.

O documentário mostra o uso da tortura, especialmente aquela praticada e coordenada pelos EUA. Mostra depoimentos de gente comum torturada pelos americanos em Guantánamo e no Iraque. Fala de como a Escola das Américas ensinou as ditaduras latinas a torturar, e mostra depoimentos de torturados na Argentina e na Guatemala.

Depois do documentário, houve uma discussão com o diretor. Ele disse algo que, imagino, ocorre com todos os documentaristas: que ele tem a impressão de que se poderia fazer pelo menos mais uns dez filmes com o mesmo material, fazendo outra edição.

A questão é que, agora, se pode fazer isso. Melhor que isso, até. Por que não jogar na rede todo o material bruto e deixar as pessoas editarem como quiserem? Por que não permitir até que acrescentem suas impressões, novas imagens e depoimentos?

O mais recente boletim do Paulo Fehlaer do NaRua.org, fala de um site que faz mais ou menos isso. Vale a pena conferir (fico devendo o hiperlink, que no está facil).

Posted on Jan 25, 2008

SIN PERDER LA TERNURA

Fico uns dias fora do ar – bem, na verdade, totalmente no ar: num avião que fará Brasília-São Paulo-Panamá-Havana.

Chegando lá, tentarei restabelecer a conexão e seguir publicando. Volto fines de febrero.

Já marquei uma entrevista com a blogueira cubana Yoani Sanches, que recomendo a leitura.

Posted on Jan 24, 2008

BLOG CARNIVAL BRASILEIRO: SUCESSO DE PARTICIPAÇÃO

Ainda estou fazendo uma garimpagem nos trackbacks para ver se ninguém ficou de fora, mas já dá pra dizer: sucesso de participação no primeiro blog carnival de jornalismo online no Brasil!

Mais de dez blogueiros publicaram textos sobre jornalismo na rede, e organizei aqui, neste blog, o primeiro guia de leitura da turma. A idéia, jogada na lista de discussão do Jornalistas da Web, era repetir o modelo do blogs carnivals: vários blogueiros se juntam e publicam textos sobre um determinado tema no mesmo dia. Um deles publica uma coleção com os links de quem escreveu, e assim por diante, mudando apenas o blog que hospeda o guia de leitura.

De cara a idéia teve a adesão de muita gente. Dezenas de mensagens trocadas, decidimos dois dias antes que seria realmente no dia 23 a primeira rodada da Ciranda de Textos sobre jornalismo online – o nome abrasileirado que dei pra coisa.

Durante o dia, fui recebendo e-mails de quem ia publicando os textos em seu blog e atualizando o guia de leitura. Alguns publicaram um pouco antes, na noite do dia 22, outros um pouco depois, na madrugada do dia 24 – sem problema, o que importa é a participação e as regras aqui servem à formação da rede, não para atrapalhar a participação de ninguém.

O saldo é mais que positivo. Mando aqui um obrigado a todo mundo que participou, e um convite à segunda rodada da Ciranda – ainda sem blog definido para hospedar o guia de leituras, mas já com sugestão de data: dia 23 de fevereiro. Vamos à organização colaborativa!

Posted on Jan 23, 2008

1ª RODADA DA CIRANDA DE TEXTOS


Vários blogs irão publicar textos sobre jornalismo online nesta quarta-feira na primeira rodada da Ciranda e, a cada mês, um deles fará uma espécie de guia de leitura: um resumo de cada texto e um link para o endereço onde ele se encontra. É o modelo dos Blogs Carnivals, que por aqui estamos chamando de Ciranda de Textos.

Hoje o guia de leituras está aqui e será atualizado conforme os blogs forem publicando suas colunas sobre o tema. Boa leitura!
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Meio Digital
Pedro Penido
inaugurou a ciranda e publicou ontem mesmo um texto onde parte dessa idéia para falar de web 2.0. Ótimo começo, porque conta como surgiu a Ciranda – numa lista de e-mails, de maneira totalmente colaborativa e no melhor estilo do it yorself da rede – para então falar sobre a navegação na rede. “Não há porque tentar aprisionar a audiência. A grande jogada é abrir o conteúdo, oferecer caminhos e tentar se estabelecer como um vendedor de mapas, de linhas de leitura, de possibilidades de narrativas, ou, ao menos, mostrar os pontos-chave e deixar que cada um faça o caminho que quiser”. Exatamente o que faz esse guia de leitura dos Blogs Carnivals.

Mil idéias e ideais de todos
Flavia Garcia Reis, jornalista especializada em web e saúde, diz que “não dá pra fazer jornalismo online sem pensar em web 2.0, del.icio.us, technorati, via6, podcast, seo… Não que você precise usar todas essas ‘novidades’, mas é necessário saber que existem e para que servem. Além disso, é preciso exercitar o seu espírito marketeiro. Quem não se divulga não tem destaque”. Ela conta como começou no online (em 2001), e quanta coisa mudou desde então.

Freelancer – O profissional que rala
Ceila Santos fala sobre a participação dos leitores – ou melhor, como ela mesmo diz: colaboradores. “O papel do jornalista digital é se orientar pelos interlocutores que o rodeiam. E, para isso, é necessário, no mínimo, conhecer quem são seus interlocutores. Quem linka a sua notícia é um potencial colaborador para sua próxima reportagem. É ele quem lhe fortalece e também quem poderá lhe orientar para sua próxima pauta”.

Butuca Ligada
Raphael Perret trata da diferença entre blogs e veículos tradicionais do jornalismo, contando de onde vieram e de que forma estão se encontrando. “A pergunta atual não é como os jornais podem sobreviver diante do avanço dos blogs, mas como ambos poderão coexistir. Não vejo antagonismo entre as duas abordagens, mas sim intercâmbio e complementaridade”.

Libellus
Ana Brambilla dá quatro importantes dicas para a sobrevivência do jornalismo. Levar a informação até onde está o leitor é o mínimo que qualquer veículo precisa fazer. (Faço aqui uma comentário, lembrando aquele mantra: levar a notícia onde ele estiver, na hora em que quiser, na plataforma em que preferir). Domínio do texto, produção multimídia e a tão temida integração das redações também estão lá.

ius communicatio
Gabriela Zago discute o que é mais importante em termos de jornalismo online: ser o primeiro a falar sobre um assunto, ou tratar o assunto de forma diferente dos demais? Ela faz uma boa análise sobre o que poderia ser feito na rede e o que de fato se realiza nas coberturas em geral. Ela faz uma análise da cobertura da morte do ator australiano Heath Ledger, ocorrida ontem (22), e oferece uma grande coleção de links para sites brasileiros e internacionais que noticiaram o assunto de diferentes modos. Muitos optaram pelo mais simples, enquanto outros se preocuparam em utilizar recursos multimídia, apuração detalhada e infografias. Um breve exemplo do que poderia ser feito por aqui, se houvesse disposição.

Gêneros Jornalísticos
Lia Seixas faz uma ótima análise do caso Rue89. Quatro jornalistas franceses saídos do Libéracion e outros cinco colegas juntaram 20 mil euros para lançar o site Rue89 – “que ainda não fez um ano, mas já tem 1 milhão de visitantes únicos por mês”. Talvez pelo modo inovador como trabalha a informação, não separando cada formato em um bloco (leia o texto, veja o vídeo, ouça o áudio, como fazem os jornalões), mas publicando tudo junto, conforme a história “pede”.

Jornalismo & Internet
Marcos Palacios dá uma grande contribuição à Ciranda: reuniu num post a discussão feita por Mindy McAdams e Erik Ulken sobre a qualificação de um jornalista profissional. Ambos apontam para um profissional multimídia. Palacios diz que as universidades ainda pensam e agem com base em “modelos ‘feudais’, com o jornalismo ainda concebido fundamentalmente em termos de ‘suportes’ (jornalismo impresso, radiofônico, televisivo, empresarial, etc) solenemente ignorando os fenômenos de convergência, que saltam à vista”. A partir daí, conta o que está sendo feito para mudar isso e aponta alguns caminhos.

Jornalismo & Web 2.0 – Singular-idade
Emersom Satomi comenta que o design do New York Times pode estar virando padrão para sites de notícias. E faz um belo recolhido do que houve com o jornal nos últimos meses, apontando para um futuro hipotético… O Google compraria o NYT?!

NovasM, NMídias
Carlos d’Andréa, de Belo Horizonte, fala sobre Hiperlocalismo – e aproveita para criar, porque não existia, o artigo na wikipedia. Eu mesmo tinha dedicado pouca atenção ao tema, como ele mesmo diz, muito pouco discutido ou aplicado. E é especialmente interessante a análise que ele faz considerando o prefixo “hiper” como sinônimo de “expandido”. Aplicado ao jornalismo local, seria então “um localismo expandido, isto é, que não está preso aos limites da localidade. A discussão pública de interesse local poderia assim ultrapassar os limites geográficos, com um ex-morador de uma cidade, por exemplo, mostrando-se mais ativo nas discussões locais que um atual morador. Esta efetiva apropriação das discussões locais mediadas não eram possíveis na transmissão broadcast de rádio e TV.”

O Jornalismo Morreu
Jorge Rocha, aos 47 do segundo tempo, manda o post dele para a Ciranda. Critica o pensamento Pequenos Blogs, Grandes Negócios, e defende a formação de redes que esses novos meios facilitam. E cita o ótimo caso do Urgente!, convocando leitores e blogueiros do Norte Fluminense a participar do Dia do Abandono. Ótimo exemplo pra nós todos.

A vida como a vida quer
Samantha Shiraishi fala sobre fazer jornalismo online sem culpa ou preconceito – “uma metamorfose constante, um desafio diário. Tudo muda todo dia, a atualização que se exige é imensa e somos levados por uma cyberchase sem fim, com widgets, redes sociais, tags e novos modelos surgindo diariamente.”

Impressões://
Liliana Ribeiro diz que ainda há muito recurso a ser explorado pelo jornalismo digital. E que o bom, entre outras coisas, é que sendo uma experimentação de baixo custo, permite que comunicadores comuns encontrem quem lhes deseje apreciar.

Posted on Jan 22, 2008

CIRANDA DE TEXTOS SOBRE JORNALISMO ONLINE

Começa amanhã a versão brasileira do Carnival of Journalism. Vários blogs irão publicar textos sobre jornalismo online e, a cada mês, um deles fará uma espécie de guia de leitura: um resumo de cada texto e um link para o endereço onde ele se encontra. É o modelo dos Blogs Carnivals, que por aqui estou chamando de Ciranda de textos.

Amanhã, na primeira rodada da Ciranda, esse guia de leitura será hospedado aqui.

Até agora, são esses os blogueiros que devem participar (alguns ainda não informaram o endereço do blog):

André Deak – www.andredeak.com.br
Libellus – http://www.anabrambilla.com/blog – Ana Maria Brambilla
O Jornalismo Morreu – http://www.verbeat.org/blogs/exu – Jorge Rocha aka JR
Pedro Penido – www.meiodigital.wordpress.com
Bruno Rodrigues – http://bruno-rodrigues.blog.uol.com.br
ius communicatio – http://www.verbeat.org/blogs/gabrielazago – Gabriela Zago
Anderson Costa – www.andersoncosta.org/blog | www.velocidade.org
Carlos d’Andréa – novasm.blogspot.com
F5 em vc – www.raquelcamargo.blogspot.com – Raquel Camargo
Flavia Garcia – http://ideiasdetodos.blogspot.com/
Lia Seixas http://generos-jornalisticos.blogspot.com
Ceila Santos – http://ceilasantos.blogspot.com
Alexandre Carvalho – http://linguadetrapo.blogspot.com
Raphael Perret – http://butuca.blogspot.com

PS: Continua aberto a participações.

[UPDATE] essa era a lista dos participantes previstos. Para ver quais blogs realmente escreveram na primeira rodada, clique aqui.

Posted on Jan 21, 2008

IRA GLASS: DICAS PARA BOAS HISTÓRIAS

De fato, vale a pena assistir esses quatro breves vídeos que estão no YouTube (em inglês) sobre como contar boas histórias. Ira Glass trabalhou décadas da rádio pública dos EUA e produz This American Life, um programa jornalístico de rádio vencedor de vários prêmios, para rádio e TV (e podcast).

Abaixo, publiquei um dos quatro vídeos que estão no YouTube, mas vale ver todos.

Posted on Jan 19, 2008

AS IDÉIAS LIBERTADAS

The Future os Ideas, livro de Laurence Lessig publicado em 2001, está finalmente licenciado em Creative Commons e pode ser baixado na íntegra, de graça.

Lessig publicou quatro livros, e todos agora são livres. Ele, que é o próprio criador do Creative Commons, ainda não tinha conseguido liberar suas obras. Hoje em dia, não basta o autor decidir – ele tem que convencer a editora.

O Blog do André Lemos, onde vi a notícia, conta mais sobre o livro.

Posted on Jan 19, 2008

ENTRE A FOTO E O VÍDEO: MULTIMÍDIA

Vinte dias. Vinte mil fotos. Uma só mensagem. O fotógrafo Lucas Oleniuk, do jornal Toronto Star, fala sobre aquecimento global num vídeo criado inteiramente com fotografias.

Impressionante (é bem pesado o arquivo, mas vale a pena esperar)

UPDATE: Só agora fui perceber que o arquivo tem 63.8Mb! É quase um insulto. Talvez funcione para os EUA, mas é maluquice querer atingir um público amplo hoje em dia com vídeos pesados assim. Podiam ter, pelo menos, feito numa tela menor. Está em 960×540, maior até do que os 720×540 da televisão normal. Um acinte.

Via MultimediaShooter

Posted on Jan 17, 2008

MULTIMIDIA DO LAS VEGAS SUN

Zach Wise, que deu entrevista para este blog há uns meses, reformulou a página do Las Vegas Sun. Vale a pena conferir, especialmente a página multimídia.

Posted on Jan 16, 2008

PÓLOS PARA ESTUDO DE CYBERJORNALISMO

O Brasil tem hoje sete pólos para o estudo dos cibermeios e do jornalismo digital, segundo o professor Marcos Palacios*. São eles:

ECA, da Universidade de São Paulo (USP)

Universidade de Brasília (UnB)

Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Universidade Tuiuti do Paraná

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Das 62 teses e dissertações apresentadas no Brasil entre 1998 e 2007, 31 vieram desses centros, segundo Palacios.

*Estou revisando meu bloco de notas de quando estive no encontro em Salvador sobre Cibermeios, em dezembro. Alguns posts – como esse – devem surgir daí.