Posted on Dec 6, 2007

JORNALISMO PARTICIPATIVO

No terceiro dia do Colóquio Brasil-Espanha sobre Cibermeios, a primeira parte da manhã tratou de jornalismo participativo. Pela Espanha, Koldo Meso, do País Basco, e Bella Palomo, de Málaga, apresentaram seus estudos. A brasileira Claudia Quadros, depois, falou sobre jornalismo participativo no Brasil.

Koldo mostrou um estudo interessante feito em sua universidade: 95% dos professores não têm blogs e, pior, a maior parte deles nem sabe o que é isso.

Bella Palomo causou polêmica quando mostrou suas conclusões de apenas 645 jornalistas ibero-americanos têm blogs. No Brasil, disse que encontrou apenas 50 – e aí é houve questionamentos sobre a metodologia, porque sabe-se que há muito mais que isso. Ela explicou depois que considerou apenas blogs cujos jornalistas se identificam como jornalistas. Ou seja, muitos jornalistas têm blogs mas não dizem em nenhum lugar do blog que são jornalistas (aliás, é o meu caso). Assim, a pesquisa ficou bastante diferente da realidade.

Ainda assim, trouxe coisas interessantes, como os motivos apontados pelos jornalistas para ter um blog. Nessa ordem:

1. Para começar uma conversa com o leitor (7 de cada 10 disseram isso)
2. Para poder ter um estilo livre de redação
3. Liberdade editorial
4. Ganhar popularidade
5. Aprender a usar novos meios
6. Escrever sobre asssuntos que não poderia no veículo onde trabalha
7. Ganhar dinheiro
8. Poder publicar rumores e coisas em off.

Abaixo, os áudios na íntegra:

icon for podpress  Koldo Meso e Bella Palomo - Blogs e jornalistas [26:19m]: Download
icon for podpress  Claudia Quadros - Jornalismo participativo no Brasil [28:55m]: Download

Posted on Dec 6, 2007

LIVRO SOBRE INFOGRAFIA

Alberto Cairo, infografista espanhol que agora vive nos EUA, está produzindo um livro sobre o assunto. Como o material existente é escasso e ele é um dos melhores profissionais do mundo, deverá se tornar uma referência.

A boa nova é que ele está colocando algumas páginas que já estão escritas na web, em .pdf (em inglês)

Posted on Dec 5, 2007

ENTREVISTA: POLLYANA FERRARI

 Pollyana Ferrari é autora do livro Jornalimo Digital (2004), que se tornou referência em muitas faculdades. Depois de ter passado por várias redações, hoje tem uma empresa de consultoria Web, a polipress, é professora da PUC-SP, tanto na graduação como na pós-graduação e pesquisadora em hipermídia.

Pergunta: Em 1998, quase 10 anos atrás, você estava na Época quando houve o primeiro crossover de mídias no Brasil, com a capa “Leia e Ouça”. Dez anos depois, como o crossover evoluiu? O que poderia ser feito hoje nessa área para melhorar o jornalismo?

Resp: Tudo. Quando lembro do “Leia e Ouça”, um marco da Web no Brasil, fico pensando como o Jornalismo Online de revista, por exemplo, regrediu. É a falta total de conhecimento do meio, do ciberespaço, o que faz com que esses veículos ainda possuam os mesmos questionamentos de 98. Se olharmos apenas para o mercado brasileiro, perceberemos alguns movimentos como o da Globo.com, que vem digitalizando todo seu acervo e oferecendo conteúdo hipermidiático no G1. Mas, de modo geral ainda é modesto. As redes sociais explodindo no planeta e nós ainda  oferecemos a mesma notícia da Reuters em praticamente todos os portais. O leitor percebe e em dois cliques muda de endereço, pois na Internet ninguém é fiel a um endereço apenas.

Pergunta: Você publicou em 2004 o livro Jornalismo Digital. O que considera que, de lá pra cá, ficou desatualizado no livro? Há algo que existe hoje que precisaria necessariamente estar lá?

Resp: Fico muito feliz que Jornalismo Digital tenha virado referência e tenha sido adotado em todos os cursos  de jornalismo do país. Já participei de mais de 100 monografias e teses sobre Jornalismo. É muito gratificante para uma jornalista/pesquisadora como eu ver que posso ajudar a mudar o conceito de Jornalismo digital neste país. Puxa, diria que a Web amadureceu, a blogosfera explodiu — isso não tínhamos em 2004. As redes sociais — tema do meu doutorado — praticamente estavam nascendo com o crescimento do Google e Orkut.

Pergunta: A Reuters fará uma experiência de cobertura com um repórter munido de um celular N95 (que faz vídeos com qualidade de DVD e fotos em 5MgPixels), microfone e carregador de bateria movido a energia solar. A BBC já fez experiências similares, com o chamado “backpacking reporter”, o repórter multimídia. Quais os ganhos e quais as perdas nessa situação?

Resp: No quesito ganhos, o leitor cada vez mais pode se sentir imerso na reportagem, participando dela, opinando. Não vejo perdas, mas sim trabalho dobrado para o repórter, cada vez mais cobrado por habilidades que sequer eram pensadas no dia-a-dia jornalístico há 5 anos.

Pergunta: Jornalista multimídia tem que ter salário multimídia?

Resp: Deveria, mas ainda o que vemos são desbravadores do digital que trabalham por  vontade de conhecer o novo. Que se apaixonam pela Web [quase picados por um vírus] e nunca mais largam. Mas economicamente ainda não são valorizados como deveriam.

Pergunta: Hoje em dia, ter um blog é uma experiência importante para um jornalista?

Resp: Acho uma experiência fundamental. Não só para treinar a linguagem, mas para criar o hábito diário de se reciclar, navegar. Pois o primeiro passo para entender a blogosfera é navegar muito. Blogueiro realmente incorpora o bordão 24×7. Sete dias por semana, 24 horas ligado.

Pergunta: Você diz em seu livro que o caminho para jornalistas que saem das faculdades é longo se quiserem encontrar trabalho nas mídias digitais. Cita a necessidade de saber contextualizar e hierarquizar a notícia, ser um heavy user. Que tipo de programas deveria saber usar um jornalista?

Resp:  A lista é enorme: do velho HTML ainda fundamental e básico, conceitos de flash, saber o que significa chuva de tags, RSS, redes sociais, pontão de cultura, blogosfera, XML, PHP, Linux; saber a diferença entre usar o firefox e todas suas maravilhosas abas, e o velho Explorer, perceber que o Orkut mudou radicalmente em matéria de arquitetura da informação. Usar RSS no dia-a-dia, participar de listas de discussão entendendo o código de conduta de uma lista. Enfim, mudar a chave mental, ser não-linear. Não basta ir fazer um curso de design web no Senac e achar que aprendeu tudo. Não tenha medo do novo, mudar dói, mas faz um bem incrível. Adorei a frase de Michael Lent, da 10´minutos, na revista Pix deste mês, quando ele diz: “Re- start [...] que recomeço é sempre uma oportunidade bacana pra gente perceber que está vivo e experimentar coisas novas. Seja lá onde isso for dar”.

Pergunta: As redações já estão exigindo jornalistas multimídia? Em quais operações?

Resp: Redações online, todas. Um repórter do G1 que escreve, insere foto, links e edita a matéria com o notebook no colo do taxi, voltando da entrevista, precisa ser multimídia [e não enjoar em carros, hehe].

Pergunta: Conteúdo produzido pelo cidadão: onde começa e onde termina o jornalismo? Como o jornalismo pode se apropriar das facilidades de produção de conteúdo?

Resp: Gosto muito de citar um termo da Ana Brambilla, “cidadão repórter”, onde ela comenta que é superimportante que o cidadão repórter tenha sua atividade profissional, até mesmo para ter propriedade para abordar um assunto de seu pleno domínio em uma reportagem. É aquela história de médicos escrevendo sobre um novo tratamento para o câncer, professores falando de educação, arquitetos comentando questões de urbanismo… além, é claro, de todos transformando seu cotidiano em notícia. Não vejo problema nisso, mas o papel do Jornalista, o editor da notícia, continua o mesmo e vai continuar. Não vejo esta ameaça, que apavora centenas de colegas.
 

Posted on Dec 5, 2007

TV DIGITAL: NOVOS VELHOS PROBLEMAS

Dois textos para se entender porque a entrada na era digital não é tudo isso o que o governo vem dizendo.

Um trecho do que escreveu Sérgio Amadeu: “A TV digital aprovada pelo Lula é menos interativa do que de alta definição. É menos democrática do que protetora dos radiodifusores diante do ataque mundial das operadoras de telefonia. Uma pena que seja também uma TV que deixará de ser gratuita. Por que? Simplesmente pelo fato da interatividade da TV digital brasileira usar um canal de retorno que será pago. O download dos conteúdos será gratuito, mas o uopload será pelos canais controlados pelas operadoras de telecom. Dúvido que seja de graça. Será que o presidente irá exigir que os fluxos da TV aberta brasileira sejam gratuitos? Os brasileiros mais pobres não utilizam a telefonia fixa, não pagam banda larga, pelo alto custo desses serviços e pela extrema pobreza da maioria de nossa população. Então, quando comprarem o setup box e souberem que terão que usar a telefonia fixa para ;parar uma cena, pedir um produto ou ver uma outra parte da novela, eles simplesmente deixarão a interatividade de lado… Interatividade será para os incluídos sociais… Lamentável.”

E outro, do texto da Lia Ribeiro Dias: “Há muitos outros equívocos no modelo de televisão digital definido para o Brasil. Como o fato de ter privilegiado a alta definição no lugar da multiprogramação, o que limitou o número de emissoras praticamente às existentes – só houve espaço para a criação de quatro novos canais públicos. Também as anunciadas contrapartidas do governo e empresas japonesas à adesão ao seu padrão deixaram muito a desejar. Da hipotética fábrica de difusão de semicondutores ao centro de de desenvolvimento de design de chip, passando pela garantia de mercado a produtos fabricados aqui. Ao final das negociações, a montanha pariu um rato.”

Posted on Dec 4, 2007

NAÇÃO PALMARES: MAIS HISTÓRIAS POR TRÁS DA HISTÓRIA

Rodrigo Savazoni publicou hoje o post A Genealogia do Nação Palmares, contando bastante do trabalho interno que levou até a publicação desse documentário interativo.

Um trecho: “O sonho que compartilhávamos, no entanto, era explorar com radicalidade novas linguagens a fim de modificar o padrão de reportagens texto-e-foto da Agência Brasil. (…) Um dos temas da pauta foi justamente explorar a idéia de várias camadas interativas para contar uma história tendo no vídeo a plataforma principal. Não sabíamos como, mas queríamos fazer o Nação Palmares. Antes, a gente pastaria bastante.”

Posted on Dec 4, 2007

INFOGRAFIA – ESCASSEZ DE PESQUISA

Tenho especial interesse pelas duas apresentações sobre infografia que ocorreram hoje no colóquio Brasil-Espanha sobre cibermedios. Tattiana Teixeira, pelo Brasil, e Bella Palomo, da Espanha, ressaltaram que existem poucas pesquisas sobre o assunto. No Brasil, aliás, não há nenhum livro sobre infografias – e não que seja um campo novo: mesmo sobre infografia impressa, que existe há décadas e onde o Brasil é premiado internacionalmente (Superinteressante, por exemplo), não há nada.

Há dificuldade inclusive na nomenclatura: o que é uma infografia multimídia? O que é um infográfico animado? Qual a diferença entre cada coisa? Mais que isso: por que não se usa? Quando se deveria usar?

Tattiana propõe um ótimo trabalho de tipologia, chamando de “protoinfográfico” muito do que existe na rede hoje: a simples transposição para a web de uma infografia impressa. Divide as infografias entre Enciclopédica (temas “frios”) e Jornalística (hardnews). E cada uma dessas entre Independente (se não depende nem acompanha um texto) e complementar. A infografia independente ainda teria uma variação: a reportagem infográfica. Ou seja: toda a narrativa da notícia está construída dentro da infografia.

Parece interessante? Então ouça.

(Peço paciência com o download. Alguns arquivos ficaram grandes, já que são a íntegra das palestras. Demora, mas vai)

icon for podpress  Tattiana Teixeira - Infografia e design [18:31m]: Download
icon for podpress  Bella Palomo - O desenho dos cibermedios [22:46m]: Download

Posted on Dec 4, 2007

JORNALISMO DE BASE DE DADOS, CONSUMO DE INFORMAÇÕES NA WEB

Seguem as íntegras do I Colóquio Internacional Brasil-Espanha sobre Cibermeios.

Como não estão usando microfones, e muitos dos palestrantes falam ao estilo “professor” – caminhando pela sala -, fiz o que pude para melhorar a qualidade dos áudios. Espero que esteja razoável.

 
icon for podpress  Beatriz Ribas - Bases de Dados [23:02m]: Play Now | Play in Popup | Download

 
icon for podpress  Xosé Pereira - Arquitetura da informação [15:44m]: Play Now | Play in Popup | Download

 
icon for podpress  Carla Schwingel - Arquitetura da Informação [27:43m]: Play Now | Play in Popup | Download

 
icon for podpress  Graciela Nathanson - Consumo de informação na web [30:52m]: Play Now | Play in Popup | Download

Posted on Dec 3, 2007

JORNALISMO DIGITAL NO BRASIL E NA ESPANHA: O ESTADO DA QUESTÃO

Aqui em Salvador estou acompanhando as atividades do I Colóquio Internacional Brasil-Espanha sobre Cibermeios, no Auditório da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Participam oito pesquisadores de Universidades espanholas e 12 pesquisadores brasileiros. Serão apresentados, segundo o organizador Marcos Palacios, 22 trabalhos, que colocarão em dimensão comparativa Brasil-Espanha os estudos acadêmicos sobre Jornalismo Digital em redes de alta velocidade. O blog Jornalismo Móvel publica alguns vídeos e cobertura do evento. Aqui, os podcasts completos com as palestras de cada dia.

 
icon for podpress  Marcos Palacios - Jornalismo digital no Brasil: o estado da questão [34:10m]: Play Now | Play in Popup | Download

 
icon for podpress  Pere Masip - Jornalismo digital na Espanha: o estado da questão [38:10m]: Play Now | Play in Popup | Download

 
icon for podpress  Thais Mendonça Jorge - Rotinas e identidades do jornalismo online [18:40m]: Play Now | Play in Popup | Download

 
icon for podpress  Pere Masip - Profissão e rotinas produtivas [18:20m]: Play Now | Play in Popup | Download