Archive for December, 2007

INFOGRAFIAS PORTUGUESAS COMENTADAS POR MÁRIO CAMEIRA

// December 10th, 2007 // No Comments » // INFOGRAFIA, JORNALISMO

Mário Cameira, designer, infográfico, webdesigner, ilustrador, artista plástico que faz bonequinhos de massinha, mantém o blog Infografando, com um ótimo acompanhamento do assunto em Portugal.

Foi lá que vi esses infos abaixo, e achei especialmente interessante esse sobre alterações climáticas:


Uma outra definição bem boa que Mário coloca no site, para explicar por que uma infografia pode muitas vezes ser mil vezes melhor que um texto:

Definição de parafuso: s.m. Peça cónica ou cilíndrica, estriada em hélice, que se embute, fazendo-a girar sobre seu eixo longitudinal, seja noutra peça (chamada porca), atarraxada em sentido contrário, seja num meio resistente, por efeito combinado de rotação e pressão.

Ou:

ÍNTEGRA DO COLÓQUIO BRASIL-ESPANHA SOBRE CIBERMEIOS

// December 8th, 2007 // No Comments » // JORNALISMO

Está no ar todo o colóquio realizado na UFBA pelo grupo GJOL que apresentou o estado da arte nos estudos de jornalismo digital no Brasil e na Espanha, que terminou ontem (7). As áreas abordadas: Profissão e rotinas produtivas; Base de dados; arquitetura da informação; design e infografia; leituras e usos de informação na web; jornalismo participativo; narratividade; fluxo de conteúdos; gêneros do ciberjornalismo; catalogação dos meios; convergência; e ensino do jornalismo.

Cada um desses temas tem áudios relacionados, publicados neste blog nos dias anteriores. Para facilitar o modo de encontrar esses áudios, vou publicá-los depois na área Aulas e Seminários do Wiki (www.andredeak.com.br/wiki), um repositório de conteúdo sobre jornalismo digital que estou organizando de forma coletiva.

Vídeos do colóquio estão no blog do Fernando Milanni, Jornalismo Móvel.

ENSINO DE JORNALISMO DIGITAL

// December 8th, 2007 // No Comments » // JORNALISMO

O professor Elias Machado foi o útimo a apresentar suas conclusões, na palestra sobre os estudos sobre jornalismo digital. Levantou o processo pelo qual foi passando o ensino de jornalismo digita nas faculdades, sempre em descompasso com as novas demandas. Num primeiro momento, quando as redacões já estavam aplicando, surge nas universidades como disciplina optativa, para só depois se tornar obrigatória.

Ainda assim, não há nenhum sistematização – cada professor ensina o que lhe parece adequado. O ensino de jornalismo é pouco estudado, diz Machado. Se os jornalistas não gostam de ser alvo de reportagens, os professores de jornalismo não gostam de ser alvo de teses.

Infelizmente não peguei o áudio da apresentação do professor Xosé Pereira (Santiago de Compostela) sobre o tema. Ele contou o caso da universidade, que oferece estudos de Periodismo Eletronico, Sistemas e Inovações Tecnológicas, Linguagem multimídia e Produtos na Rede. E fez uma proposta para o estudo do ensino de jornalismo:

Observação das matérias
Grupos de discussão
Entrevistas em profundidade estratégicas
Análise crítica dos conteúdos dos cursos

Vale destacar um dado que Marcos Palácios levantou ao final: na Inglaterra, 43% dos jornalistas dizem ter recebido cursos de treinamento para o multimídia em suas empresas, e 30% disseram que já tiveram, por isso, suas rotinas alteradas.

Beth Saad e Palácios, no entanto, lembram o importante: a parte humanística, cultural, intelectual, ainda é o que o mercado procura. Habilidades digitais se aprendem rapidamente.

icon for podpress  Elias Machado - Estudos sobre ensino de jornalismo digital [31:51m]: Download

CONVERGÊNCIA

// December 8th, 2007 // No Comments » // CONVERGÊNCIA, JORNALISMO, MULTIMIDIA

Beth Saad (USP) e Charo Sádaba (Navarra) apresentaram a situação dos estudos sobre convergência no jornalismo. Convergência significa na prática, quase sempre, diz Saad, a integração de redações. Mas o próprio conceito de convergência ainda é bastante discutido e está em evolução.

“Dizer que convergência reduz custos é falso. É um reposicionamento da empresa, com custos até elevados num primeiro momento”, diz. Ela explica que houve, no cenário internacional, uma primeira onda de convergência antes de 2005, pouco publicizada. Em 2006 a integração das redações começou a ser publicizada – não que fosse a única convergência que as empresas jornalísticas estivessem realizando, mas foi a mais comentada. A mais comum, aliás, é a redação formato estrela, modelo Daily Telegraph. A maioria das empresas, também, usou uma consultoria.

No Brasil, diz, o ambiente é conservador e reativo a invoções. Publishers e editores que deveriam liderar os processos de convergência não fazem isso. Ela aponta apenas iniciativas tímidas: G1, que iniciou construções narrativas integradas, e o grupo RBS, que anunciou uma reforma física – apenas – da redação do jornal Zero Hora.

icon for podpress  Beth Saad - Convergência dos meios jornalísticos [32:20m]: Download
icon for podpress  Charo Sádaba - Metodologia para o estudo de convergência [17:30m]: Download

GÊNEROS JORNALÍSTICOS NO CIBERESPAÇO

// December 7th, 2007 // 1 Comment » // JORNALISMO, PODCAST

Lia Seixas diz que, normalmente, os gêneros no jornalismo são divididos por mídia (eletrônicos ou digitais, televisivos, radiofônicos), mas também como gêneros jornalísticos, o que dificulta os estudos, uma vez que se pode fazer o seguinte questionamento: existe algum gênero que se repita em todas as mídias? Ou melhor: todos os gêneros podem ser replicados em todas as mídias?

Talvez quando de fala em gêneros jornalísticos sim, mas talvez não em outras casos. A telenovela, por exemplo, é um gênero televisivo, apenas. A rádio-novela seria o seu paralelo no rádio? E a foto-novela no impresso? Todos os elementos são comuns?

Javier Díaz Noci apresentou, pelo lado espanhol, uma proposta provisória de tipologia dos gêneros digitais do jornalismo, que passa por notícia, reportagem, crônica, entrevista, debate, enquete, chat, infografia.

icon for podpress  Lia Seixas - Gêneros no ciberjornalismo [25:21m]: Download
icon for podpress  Javier Díaz Noci - Tipologia de gêneros [19:11m]: Download
icon for podpress  Guillermo López e Koldo Meso - Catalogação de meios [33:44m]: Download

NARRATIVIDADE

// December 7th, 2007 // No Comments » // JORNALISMO, PODCAST

Seguindo as postagens das íntegras do Colóquio Brasil-Espanha sobre Cibermeios, as apresentações sobre narratividade. Javier Noci recolheu conceitos interessantes, como, por exemplo, o de que “a não-linearidade contribui para a objetividade”.

Pelo Brasil, que apresentou os estudos sobre narratividade foi Luciana Mielniczuk, mostrando tipos de hipertexto existentes (lineares ou rizomáticos, por exemplo), e contando que os estudos do hipertexto na literatura são antigos.

Mas os dois disseram muito mais que isso. Ouça só.

PS: Acabo de acrescentar também o áudio do José Afonso Junior, bem interessante. “Narrativa fluida, quando ela pode ser construída pelo receptor”

icon for podpress  Javier Díaz Noci - Narratividade [19:33m]: Download
icon for podpress  Luciana Mielniczuk - Narratividade [14:21m]: Download
icon for podpress  José Afonso Junior - Fluxo de conteúdos [16:40m]: Download

AOS PROFESSORES DE JORNALISMO DIGITAL

// December 7th, 2007 // No Comments » // JORNALISMO

Só hoje é que fui ver com mais calma – depois que comprei – o Manual de Laboratório de Jornalismo na Internet, de Marcos Palácios e Beatriz Ribas. Essencial para quem dá aulas de jornalismo digital.

É uma série de exercícios, já testados em sala de aula, sobre vários aspectos do jornalismo na internet.  Conforme explica o próprio Palacios:

“Os exercícios têm caráter básico e introdutório e estão divididos em três tipos. Os exercícios incluídos na Parte I têm objetivos claramente instrumentais: gerar ou aperfeiçoar habilidades no uso de ferramentas e utilitários, geralmente on-line, que são essenciais para tarefas jornalísticas em geral e para a realização de exercícios mais avançados de observação, crítica e reflexão (Partes II e III). Parte II é constituída por exercícios que exploram as características básicas do Jornalismo na Internet: Hipertextualidade, Multimidialidade, Interatividade, Personalização, Atualização Contínua, Memória. Os exercícios na Parte III foram elaborados em torno de diversas práticas e recursos jornalísticos existentes na web.”

COLÓQUIO BRASIL-ESPANHA DE CIBERPERIODISMO

// December 7th, 2007 // No Comments » // JORNALISMO

Aviso: como os arquivos de áudio são grandes, devo conseguir colocar tudo no blog apenas na semana que vem. Até lá, dá para acompanhar alguma coisa pelos vídeos do Fernando.

BLOGS E MARMOTAS

// December 7th, 2007 // No Comments » // JORNALISMO, MULTIMIDIA

Andre Rosa de Oliveira, do blog Marmota, tinha respondido algumas questões para a tese da Pollyana Ferrari, e resumiu bastante bem um assunto complexo. Vale reproduzir:

Há quem ainda ache que blog funciona como “querido diário adolescente”. Outros grandes portais, que já descobriram a ferramenta, simplesmente puseram seus colunistas para reproduzir opiniões, mas ainda não entenderam como funciona esse negócio de “conversar com os outros”. Além disso, como disse antes, as pessoas não diferenciam o link de um blog qualquer para o de um portal ou até outros sites quando ele aparece no resultado de buscas do Google, por exemplo. Pessoalmente, ainda acho que só quem mantém um blog sabe o que é. Talvez as pessoas que sequer saibam o que é um blog hoje, ou para que ele serve, diminuam com o passar do tempo, a medida em que alguns nomes ou mesmo comunidades de blogs tomem corpo e se tornem mais relevantes.

Esse processo também será lento, afinal nem todos os blogueiros estão realmente interessados em adotar essa postura colaborativa. Alguns partem do pressuposto que é muito fácil monetizar seus sites através de redes de anúncios relacionados, como o Google AdSense, e quando ultrapassam a barreira do “preciso de conteúdo relevante”, adotam uma postura individualista – como o do ouvinte daquela rádio especializada em trânsito na capital, que ao invés de informar o trajeto que fez e as condições atuais, liga apenas para perguntar como está o caminho que interessa só a ele.

O contrário também existe. Oferecer conteúdo na rede pode ser uma atividade descompromissada, sem uma “obrigação financeira ou jornalística” embutida. Aqui a analogia das redes é feita com uma “grande conversa de bar”. Tal qual fora da rede: se no dia-a-dia a maioria prefere jogar conversa fora no boteco ou na frente do portão e deixar o barco correr, quem é que vai querer perder tempo bancando o jornalista? É uma questão cultural muito forte, concebida bem longe do “mundo virtual”.

Por fim, essa mesma cultura faz com que a maioria dos potenciais “jornalistas-cidadãos” ainda se relacionem com a informação da mesma maneira que fazem há dezenas de anos: a partir das empresas de comunicação de sempre. Talvez no futuro, qualquer um pode abrir seu celular (ou um smartphone, ou um genérico) e perceber o quanto é simples participar de uma incrível via de mão dupla das comunicações a partir de uma rede pública sem fio, sendo capaz de distribuir informação como qualquer um e ter sua voz garantida, podendo ganhar força e dar a tão sonhada independência à informação. Mas sinceramente, não saberia dizer quando isso pode acontecer, nem mesmo qual o papel de quem ainda monopoliza o poder da imprensa nesse cenário – sejam elas as “familiares” de sempre, capitaneadas por marinhos ou mesquitas, ou as que estão tomando lugar delas – as empresas de telecomunicações.

CORONELISMO ELETRÔNICO NO RS

// December 7th, 2007 // No Comments » // JORNALISMO

Saiu agora na internet a reportagem que fizemos para o Extra Classe, capa da edição de novembro.  Faço aqui um post igual ao do Aloisio, acrescentando um link para reportagem similar que fizemos para a Rolling Stone. Depois de ter lido lá é que o Extra Classe nos convidou para fazer uma versão gaúcha do texto.

Alguns trechos:

O Artigo 54 da Constituição afirma que deputados e senadores, a partir do momento em que tomam posse, não podem “firmar ou manter contrato” ou “aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado” em empresa concessionária de serviço público. Rádios e televisões são justamente isso: estruturas jurídicas que recebem concessão de uso de uma faixa do espectro eletromagnético por onde transmitem sua programação. Espectro esse que é público, finito e, por isso, regulado pelo Estado. A primeira linha do artigo seguinte da Constituição, de número 55, diz o seguinte: “Perderá o mandato o deputado ou senador que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior”. Nunca aconteceu.

No Rio Grande do Sul, o deputado Nelson Proença, que atualmente está licenciado, trabalhando como secretário de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais da governadora Yeda Crusius, consta da lista de donos de rádio e televisão divulgada pelo Ministério das Comunicações. O deputado Ruy Pauletti (PSDB), ex-reitor da Universidade de Caxias do Sul, também está na primeira lista do Ministério das Comunicações, mas sua assessoria informou que ele deixou todas as “atividades acadêmicas”, e que inclusive saiu da direção da rádio. Na mesma lista está o deputado estadual Adroaldo Loureiro (PDT), sócio de uma rádio em Santo Ângelo.

Outro caso, de acordo com levantamento feito em 2004 pelo pesquisador Venício de Lima, é o do senador gaúcho Sérgio Zambiasi (PTB). Foi funcionário da Rádio Farroupilha, do grupo RBS, até 2004. Zambiasi também foi o relator do ato que renovou a permissão de uma rádio de outro político, o colega senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). A rádio de Garibaldi tem o sugestivo nome de Trampolim da Vitória Ltda. O próprio Garibaldi era o relator do ato que renovaria a concessão de sua própria rádio, mas foi substituído por Zambiasi. Eleito em 2002, o senador gaúcho diz em seu site que “é impossível separar o pai de família, o político e o radialista”.