BLOGS E MARMOTAS
Andre Rosa de Oliveira, do blog Marmota, tinha respondido algumas questões para a tese da Pollyana Ferrari, e resumiu bastante bem um assunto complexo. Vale reproduzir:
Há quem ainda ache que blog funciona como “querido diário adolescente”. Outros grandes portais, que já descobriram a ferramenta, simplesmente puseram seus colunistas para reproduzir opiniões, mas ainda não entenderam como funciona esse negócio de “conversar com os outros”. Além disso, como disse antes, as pessoas não diferenciam o link de um blog qualquer para o de um portal ou até outros sites quando ele aparece no resultado de buscas do Google, por exemplo. Pessoalmente, ainda acho que só quem mantém um blog sabe o que é. Talvez as pessoas que sequer saibam o que é um blog hoje, ou para que ele serve, diminuam com o passar do tempo, a medida em que alguns nomes ou mesmo comunidades de blogs tomem corpo e se tornem mais relevantes.
Esse processo também será lento, afinal nem todos os blogueiros estão realmente interessados em adotar essa postura colaborativa. Alguns partem do pressuposto que é muito fácil monetizar seus sites através de redes de anúncios relacionados, como o Google AdSense, e quando ultrapassam a barreira do “preciso de conteúdo relevante”, adotam uma postura individualista – como o do ouvinte daquela rádio especializada em trânsito na capital, que ao invés de informar o trajeto que fez e as condições atuais, liga apenas para perguntar como está o caminho que interessa só a ele.
O contrário também existe. Oferecer conteúdo na rede pode ser uma atividade descompromissada, sem uma “obrigação financeira ou jornalística” embutida. Aqui a analogia das redes é feita com uma “grande conversa de bar”. Tal qual fora da rede: se no dia-a-dia a maioria prefere jogar conversa fora no boteco ou na frente do portão e deixar o barco correr, quem é que vai querer perder tempo bancando o jornalista? É uma questão cultural muito forte, concebida bem longe do “mundo virtual”.
Por fim, essa mesma cultura faz com que a maioria dos potenciais “jornalistas-cidadãos” ainda se relacionem com a informação da mesma maneira que fazem há dezenas de anos: a partir das empresas de comunicação de sempre. Talvez no futuro, qualquer um pode abrir seu celular (ou um smartphone, ou um genérico) e perceber o quanto é simples participar de uma incrível via de mão dupla das comunicações a partir de uma rede pública sem fio, sendo capaz de distribuir informação como qualquer um e ter sua voz garantida, podendo ganhar força e dar a tão sonhada independência à informação. Mas sinceramente, não saberia dizer quando isso pode acontecer, nem mesmo qual o papel de quem ainda monopoliza o poder da imprensa nesse cenário – sejam elas as “familiares” de sempre, capitaneadas por marinhos ou mesquitas, ou as que estão tomando lugar delas – as empresas de telecomunicações.










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