Posted on Nov 30, 2007

KIT MULTIMIDIA DA REUTERS

 A Reuters está fazendo experiências com um kit multimídia para repórteres. O mais interessante é que se trata de um celular Nokia N95 – que faz vídeos com qualidade de DVD e fotos de 5 megapixels -, um teclado sem fio para o N95, um tripé, um carregador de bateria solar e um microfone da Sony. A Nokia fez um adaptador Sony-N95 apenas para o projeto da Reuters. (Veja aqui detalhes sobre o kit)

Não será, já se disse, algo que irá se tornar comum no dia a dia do repórter do dia para a noite. Mas “será uma ferramenta incrivelmente importante para a maneira de contar histórias. Injeta um tipo de dinamismo que temos visto este ano principalmente nas redes sociais”, diz o correspondente europeu de mídia e tecnologia da Reuters Matt Cowan .

[Via Jornalistas da Web, há alguns dias, mas só hoje vi com mais detalhes. ]

Posted on Nov 30, 2007

Posted on Nov 29, 2007

DESIGN PARA BLOGS

Vale a pena passar a vista nesses 45 excelentes designs de blogs. Quase completando um ano de existência, estou seriamente pensando em dar uma revitalizada nesse espaço aqui…

Via Ponto Media.

Posted on Nov 29, 2007

PRESOS INJUSTAMENTE – 137 ENTREVISTAS APRESENTADAS EM FLASH

No final de semana passado o New York Times publicou um especial multimídia e deu destaque a ele na home page por 40 horas (de um modo bem diferente, usando um banner em flash num espaço bem nobre, que inclusive tinha um player que funcionava sem entrar no especial).

A reportagem é sobre os presos que, depois de anos encarcerados (alguns deles por mais de duas décadas), foram libertados por conta do teste de DNA. Desde 1989, mais de 200 foram libertados nos EUA. O Times entrevistou 137 deles, gravou o áudio e mostrou suas histórias. Impressiona. Todos eles, vítimas de erros da Justiça, tiveram as vidas despedaçadas.

No Brasil, o caso da garota presa na cela de homens vem se mostrando não uma excessão, mas regra. Com um pouco de boa vontade, sem dúvida seria possível produzir aqui algo na linha do que o Times fez por lá.

Posted on Nov 29, 2007

QUALIFICAÇÕES PARA O JORNALISTA MULTIMÍDIA

Vale a pena traduzir esse trecho das respostas de Fiona Spruill, chefe de redação do New York Times – agora com redações integradas. Várias perguntas foram feitas a ela numa conversa com a redação, disponível na rede.

Que conselhos você daria a um jovem repórter que pretende trabalhar num grande jornal online? Como você começou?

“Eu acabei nesta indústria por acidente. Estudei políticas públicas e adorava minhas aulas relacionadas a mídia e jornalismo. Nas férias, trabalhei como redatora e produtora num website para o campeonato de tênis de Wimbledon, onde aprendi basicamente como se monta um site.

“Estamos procurando pessoas que possam atuar bem nos dois mundos [impresso e web] e que possam se encaixar em várias trabalhos no Times. Entre outras coisas, produtores capazes de empacotar as notícias e gerar material multimídia original. Como resultado, precisam ter uma base jornalística sólida e fortes habilidades técnicas.

“Sobre técnica, queremos pessoas que entrem com proficiência em Photoshop, HTML e ferramentas de blogs. E um entendimento geral de sistemas de publicação na rede. Experiencia na produção multimídia – incluindo o uso de editores de áudio e vídeo – é bastante considerado. Para posições multimídia mais especializadas, esperamos alto conhecimento de Flash e compreensão sobre como integrar bases de dados em apresentações multimídia.”

Posted on Nov 26, 2007

JORNALISMO DIGITAL WIKI

Acabei hoje a primeira etapa de atualização do site wiki de jornalismo digital. É aquele mesmo de alguns posts atrás:

www.andredeak.com.br/wiki

A diferença é que agora já coloquei lá um conteúdo razoável, já serve como guia inicial para leitura sobre o assunto. Criei as áreas Artigos e Papers; Aulas; Entrevistas; Estudos; Pesquisas e Teses; Livros; e Vídeos. Como explico lá, “é uma breve sugestão de leitura sobre o universo digital, com foco no trabalho jornalístico. Mas não apenas: reúne sugestões de leituras e de links para obras, textos, papers ou qualquer material que possa ajudar na compreensão do virtual. Os textos estão divididos em categorias centrais, subdivididas entre online e offline. Ou seja, aqueles que estão na íntegra disponíveis na rede ou podem ser encontrados apenas em livrarias”.

O espaço está aberto, é só ir lá e usar.

Posted on Nov 26, 2007

A REDAÇÃO DO NEW YORK TIMES

Copio aqui o link que o Marcos Palacios colocou no GJol e só fui ver hoje:
Uma infografia sobre a nova redação integrada do NYT.

Com direito até à fotografia panorâmica da área do cafezinho. Na verdade, uma cafeteria.

[ATUALIZAÇÃO 27/11] O Tiago Doria fez uma boa compilação das mudanças pelas quais passou o jornal. Segue um trecho:

Talvez esse seja o último capítulo neste ano do reposicionamento do The New York Times, um dos mais importantes jornais do mundo. Um reposicionamento que começou com:

1) União das redações do site e impresso em um mesmo prédio. Tudo multimídia.
2) Contratação de profissionais que fizeram nome nas novas mídias [Brian Stelter, do blog TV Newser].
3) Uso de ferramentas de código aberto [WordPress nos blogs da casa].
4) Abertura de blogs do jornal. Até a equipe de TI tem um blog, onde troca informações com desenvolvedores externos ao jornal.
5) Testes com novos formatos – inclusive newsgaming.
6) Otimização do conteúdo em mecanismos de buscas e o acesso gratuito a todas as seções do site do jornal.
7) “Terceirização” do conteúdo, linkando para blogs e sites externos.

E, por fim, a redação passará a adotar uma nova política de atualização dos arquivos. Por exemplo, se uma notícia diz que fulano foi acusado de um crime, e, dois meses depois, essa pessoa é considerada inocente, as notícias que estão no arquivo sobre ela devem ser atualizadas com a informação de sua inocência.

Posted on Nov 26, 2007

ESPECIAL AMAZÔNIA

É preciso dar o braço a torcer. Faço aqui um link para o Estadão, que fez um grande trabalho com este especial multimídia publicado no domingo. Não é nada espetacular, nem tampouco inovador, mas tem um conteúdo bastante significativo.

Faço aqui uma breve análise:

Pontos fortes
Sem dúvida o conteúdo, pela extensão. Não li com calma, mas muito provavelmente não bate nem dá nome das madeireiras, dos latifundiários, dos criminosos que derrubam a floresta em nome da soja e do “progresso”. Mesmo assim, é um material de referência. Além da reunião de mídias tradicionais, como texto, vídeo e foto, traz infografias que, nota-se, deram trabalho para ser feitas.

Destaque para o georeferenciamento das reportagens com o google maps. Ali dá para ter a exata noção do trabalho da reportagem. Deveria ter sido, talvez, a página de apresentação.

As fotos estão realmente muito boas.

Pontos fracos
Apesar de limpa, a apresentação confunde. Navegação confusa, não dá para saber o que é link do especial e o que é link do site. Às vezes, navegando, você cai fora do especial. Mas confunde especialmente algumas palavras do menu: “Livros” dá a impressão que é uma extensa bibliografia indicada, mas é uma reportagem que resenha quatro livros apenas. “Interesses externos” dá a impressão que são links externos, quando na verdade fala daquela história da Amazônia como “um bem público mundial”.

O vídeo Pedro Mulato, apresentado como mini documentário, é demorado e chato, visivelmente feito com pressa, como “conteúdo auxiliar”. Não é um documentário. Ainda não vi os outros vídeos, mas se este foi colocado em destaque, deve ser o melhor (segundo eles).

A falta de links externos, bibliografia, essas coisas para ir além do que está na página.

E a falta dos créditos – que, eu sei, servem só para nós jornalistas e nossas mães, mas deviam estar lá.

Posted on Nov 25, 2007

MAKING OF NAÇÃO PALMARES

Como foi pensado, produzido e publicado o documentário interativo Nação Palmares.


Esses retratos foram tirados pelo fotógrafo Wilson Dias, da Agência Brasil, no dia em que os quilombolas estiveram no Congresso. O uso das imagens é livre, desde que citada a fonte (Wilson Dias/ABr). [Essas imagens não foram usadas no especial]

1. A concepção
Eu e Rodrigo Savazoni queríamos há algum tempo explorar melhor a experiência com o hipervídeo que tínhamos realizado com a reportagem Consumo Consciente. Naquela ocasião, apesar do bom trabalho de programação e arte da nossa equipe (Mário Marco e Yasodara Córdova), o conteúdo ficou prejudicado pela falta de uma coordenação multimídia sobre todo o projeto. Os vídeos, por exemplo, ficaram a cargo da TV Nacional, o que prejudicou uma linguagem unificada e complementar para a narrativa. Ou seja: tínhamos uma bela embalagem para reportagens medianas e confusas. Quando surgiu a oportunidade do editor especial Spensy Pimentel ir ao Espírito Santo para a comunidade quilombola de Linharinho, imaginamos que poderia ser uma nova chance para fazer melhor. Ainda mais porque não iria apenas ele, mas toda uma equipe multimídia: ele como repórter, Valter Campanato como fotógrafo e Robson Moura como cinegrafista.

Ao mesmo tempo, dois outros projetos corriam paralelos, também sobre quilombolas. A Radiobrás conseguiu contratar uma cooperativa do Rio Grande do Sul, o Coletivo Catarse, para fazer uma reportagem sobre a primeira comunidade quilombola urbana a ter o título de suas terras reconhecido. Poderíamos usar o material no especial (o que acabou ocorrendo). Também o Núcleo de Documentários da Radiobrás faria um trabalho sobre o tema (que, por ter sido finalizado em cima do fechamento do especial, acabou ficando de fora. Usamos apenas duas imagens para cobrir um off).

Munidos com microfone de lapela e direcional, Spensy e cinegrafista foram a campo pegar os depoimentos. Como já planejávamos um vídeo central, com muitos outros vídeos em uma narrativa secundária, pediram a todos os entrevistados que, ao final, fizessem uma breve apresentação e um resumo do que falaram. Algo como “Meu nome é Tal, sou quilombola/fazendeiro/, defendo tal coisa”. Assim, usaríamos no vídeo principal cerca de 30 segundos de sonoras e poderíamos abrir um hipervídeo com a “íntegra” do depoimento, para quem se interessasse pelos detalhes do que dizia a pessoa.




2. O roteiro
Com base no que foi registrado lá em Linharinho, Spensy fez um primeiro esboço de roteiro para organizarmos a edição. Enquanto isso, digitalizamos todas as 12 fitas das câmeras mini DV (cerca de 6 horas).

A editora Juliana Nunes fez uma primeira avaliação do roteiro, sugerindo algumas alterações, com menos foco no caso do Espírito Santo e mais na situação nacional dos quilombolas. O roteiro foi então reescrito algumas vezes, e finalmente chegamos àquele que foi editado.

Fizemos um esboço do roteiro do especial na rede – para a arte e a programação poderem começar o trabalho. Dois problemas centrais: sem a arte aplicada à edição final do vídeo, a “embalagem” do especial na rede não poderia ter nenhuma arte, sob o risco de contrastar com aquela do vídeo. Também a programação precisava da versão final editada do vídeo para poder inserir os links de hipervídeos. Ou seja: o roteiro precisava conter o tempo de entrada e saída de cada hiperlink, mas isso só seria feito no final da edição (por exemplo: aos 2’16” aparece na tela o ícone indicando que pode haver interação, e desaparece aos 2’28”).

3. A edição
Passei duas tardes na TV Brasil – Canal Integración, onde amigos me ensinaram as noções básicas para realizar a edição no Premiere. Confesso que tentei instalar o Cinelerra (software livre de edição de vídeo), mas os programadores não conseguiram.

Começamos a corrida para ter o vídeo principal finalizado, para entregar para a arte e a programação. Comecei a editar tudo no meu lap-top, para poder trabalhar de madrugada em casa. Logo, minha HD estava cheia, e comecei a usar os 30 Gb do meu Ipod como segunda HD. Algumas madrugas em claro depois, havia uma primeira versão para ser vista e criticada.

No meio da edição, o Congresso realiza uma audiência pública onde comparecem centenas de quilombolas. Tudo isso poderia – deveria – estar dentro do vídeo. Pedimos retratos fechados das pessoas que estavam no Congresso naquele dia, e Wilson Dias fez um ótimo trabalho. Quase todas as fotos no vídeo são dele. Como não tínhamos uma do presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, usamos duas de arquivo. A primeira (abaixo) do chefe da fotografia, Marcello Casal Jr., e a segunda do José Cruz.


Presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo (Marcello Casal Jr./ABr)

Não conseguimos pegar a discussão no Congresso, que durou o dia todo, mas o site da Câmara oferece uma gravação em MP3 de todas as sessões que ocorrem lá dentro. Escutamos (eu e a editora Daniele Almeida) toda a sessão e destacamos os melhores trechos. Na edição, cobri as sonoras com imagens estáticas – as fotos. Em outros dois casos (além do Zulu Araújo) não tínhamos imagens de quem falava. No primeiro (Cledis Souza, quilombola), cobrimos com os retratos feitos pelo Wilson, e no segundo (o antropólogo), cobrimos com vídeos de arquivo relacionados ao que ele dizia. Como todo o arquivo da TV Nacional está em fitas Betamax, tivemos que digitalizar tudo no único computador da empresa que é capaz de fazer isso – na central de geração de imagens, uma sala 5 x 3 entupida de equipamentos e fios, de onde se administram as transmissões ao vivo do presidente, os seminários dos ministros, onde chegam via FTP as imagens internacionais e por onde passam todas as imagens que vão ao ar na TV Nacional. Essa é a TV pública.

Spensy providenciou as músicas que escolhemos para os BGs. (sons de fundo, chamados de background). Fizemos ainda três experiências com narração, uma do próprio repórter, para garantir. Mas queríamos vozes negras na narração, então pedimos a dois locutores da TV Nacional, uma mulher e um homem. Acabamos usando a do Fausto José, que nos pareceu a mais “contadora de histórias”, sem traços marcantes da narrativa comum do jornalismo, aquele estilão “Jornal Nacional”.

4. Finalização e publicação
No final do processo, nós três – eu, Rodrigo e Spensy – nos desligamos da Agência Brasil. Pouco antes, eu e Rodrigo deixamos algumas sugestões sobre como realizar a arte final e ajustes finais da programação. De fora, avaliando o produto final, ainda fizemos algumas observações, e a história foi ao ar. Foi preciso criar um novo template para abrigar um especial em flash naquelas dimensões, até então não usadas. O Francisco, que desenvolveu quase todo o site da Agência Brasil em software livre, fez essas alterações necessárias nos acréscimos do segundo tempo.

Foram cerca de três semanas trabalhando direto nesse projeto, mais de oito horas por dia (alguns dias muito mais), e isso só depois do material todo de vídeo ter sido recebido. Trabalho para fins de semana inclusive. A contar desde que a idéia surgiu, talvez foram uns dois meses de trabalho contínuo, três meses intermitentes, sempre tocando projetos paralelos na redação, como infografias mais simples, edições de texto e pepinos em geral.

Se eu não estiver enganado, é a primeira experiência no mundo de web-documentário interativo com hipervídeo, ou seja: um documentário o qual se pode interagir clicando na tela, durante a transmissão, e ter acesso a outros conteúdos, todos eles relacionados. Mas todos, também, ofertados sob demanda, caso o usuário prefira assistir somente trechos. Pode não ter ficado uma obra-prima, mas é uma colaboração nossa para as novas formas de narrar no jornalismo. Afinal, explorar novas linguagens também é um dos papéis de uma empresa pública, certo?

Abaixo, o documentário, sem interatividade, publicado no Google Video.

Posted on Nov 21, 2007

SAIU O NAÇÃO PALMARES: DOCUMENTÁRIO INTERATIVO

Depois de muitas semanas (meses?) e muito suor, foi publicado o documentário interativo Nação Palmares. É o último trabalho que fizemos na Agência Brasil.

Segue trecho da matéria publicada na agência:

“A coordenação-geral multimídia foi do ex-editor executivo dessa área na Agência Brasil André Deak. A realização contou com a participação de diversos profissionais de comunicação. É possível conferir os nomes dos participantes clicando no botão “equipe” do especial. ”

“Em relação ao formato, o documentário é uma evolução do conceito de hipervídeo que já fora utilizado antes pela Agência, com a reportagem Consumo consciente. Organizamos vídeos, textos e fotos que, em conjunto, contam uma história. Ícones surgirão durante a apresentação dos vídeos. Ao clicar neles, outros vídeos e textos aparecerão. Caso queira acessar um conteúdo específico, pode-se acionar os vídeos e textos sob demanda. “

Em breve, um post mais demorado sobre isso.