mnmlist: DEIXO A AGÊNCIA BRASIL

No meu primeiro dia longe da redação da Agência Brasil, essa é minha trilha sonora. Como ainda estou finalizando um projeto pra lá, não vai dar ainda para desaparecer em alguma praia. Mas já dá para ir para as piscinas do Água Mineral.

Copio abaixo a carta que enviei à turma da Radiobrás.

Caros amigos e colegas,

Depois de mais de três anos numa mesma empresa – um recorde para mim –, deixo vocês. Sentimento de missão cumprida, fim de uma etapa na minha vida e na dessa empreitada em direção à comunicação pública. Ficam aqui novos e velhos amigos, conquistas realizadas e outras a realizarem-se. Levo comigo a experiência de ter participado de um momento histórico da construção de um jornalismo feito na esfera pública. Aqui foi possível realizar um jornalismo honesto, apaixonado, livre, verdadeiro, inovador. Coisa rara. Aqui vai meu muito obrigado aos que se dispuseram a realizá-lo conosco, dos estagiários aos presidentes da Radiobrás.

Essa passagem por aqui foi capaz de me reanimar o sentimento de que é possível fazer jornalismo ético, sem nenhum tipo de concessão senão ao interesse público. Foi esse o trabalho com o qual estive envolvido, junto com alguns de vocês, e pelo qual, hoje, somos amplamente reconhecidos.

Costumo lembrar uma história que, creio, serve como mais um elemento para ter noção do que alcançamos. Trabalhei nos primórdios do Último Segundo. Era um dos encarregados por receber todo o material das agências noticiosas, verificar se era material repetido, formatar segundo o “manual de redação e estilo” do IG e publicar (algo como encaixar aquelas peças de madeira coloridas e com formas diferentes nos buracos correspondentes, mas chamavam de estágio).

O caso era que eu recebia a newsletter da Agência Brasil, com aquele logo verde e amarelo, a agência oficial. A ordem dos editores era olhar, mas jamais publicar. Caso alguma coisa interessante surgisse – no meio daqueles “presidente inaugura…” –, a regra era simples: atenção para ver se a Reuters dava, para publicar o da Reuters.

Hoje, veja só, a Agência Brasil faz parte do planejamento estratégico da Reuters, que teme o crescimento da empresa. Por que pagar a Reuters se se pode ter de graça na ABr?

Além do reconhecimento pelo trabalho bem feito, a agência também foi capaz de avançar tecnologicamente, multimidiaticamente, virando inclusive referência. As experiências de jornalismo em múltiplas plataformas são enormes, maiores do que qualquer coisa já feita nesse país em veículos jornalísticos, e comparáveis a bons trabalhos feitos no exterior. Não é pouco.

Isso é especialmente incrível se pensarmos que foi feito dentro de uma empresa pública. Recebi uma mensagem certa vez nos parabenizando pelos avanços tecnológicos, pela inovação multimídia. O sujeito dizia que éramos mais ou menos um mamute com um blog. Ou seja: uma estrutura enorme, velha, utilizando o que há de mais novo nas tecnologias de comunicação. Ele nos elogiava porque, além de estarmos na ponta, estamos na ponta dentro de uma empresa pública. E cada um aqui sabe como é difícil avançar dentro dessas estruturas.

Parabéns para todos aos que estão dispostos a realizar o século 21 com um novo pensamento. E – por que não? – um novo jornalismo.

Aos que quiserem porventura entrar em contato, pelos próximos dias pretendo estar numa praia qualquer. Talvez pelos próximos meses. Ou anos.

Grande 4bs
André Deak

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