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REDAÇÕES INTEGRADAS: NÃO BASTA ARRASTAR OS MÓVEIS

October 3rd, 2007  |  Published in JORNALISMO, MULTIMIDIA  |  2 Comments

Via GJol, segui a trilha do texto Transforming the Architecture, sobre a integração das redações jornalísticas. O jornalista Carl Sessions Stepp descreve como é o novo modelo de trabalho nas redações integradas de vários diários americanos, como o Atlanta Journal-Constitution, San Jose Mercury News, Des Moines Register, o el washingtoniano Político. Ainda não tive tempo de ler - e esse post servirá como um lembrete pra mim mesmo -, mas já achei interessante o resumo que li no Blog Jornalismo e Comunicação. Copio aqui um trecho, depois mais tarde faço uma atualização com meus comentários.

Algumas das mais recentes construções sobre a redacção do futuro elaboram-se em torno do redesenho dos espaços. Há até imagens que se tornaram já uma espécie de ‘marcos’ da revolução que parece (precisa de) estar em curso, como a do open space organizado de forma radial (cujo primeiro grande exemplo foi o Daily Telegraph).

Esta reorganização dos espaços é, porém, algumas vezes apresentada como uma solução quase mágica para os actuais problemas do jornalismo, conseguindo a proeza única de aumentar a eficácia empresarial, melhorar a qualidade dos produtos e reactivar a ligação aos respectivos públicos. Naturalmente, a não adesão ao novo conceito predominante do ‘novo’ implica uma imediata colagem ao novo conceito do ‘velho’, que traz atado a si muitas outras palavras carregadas de negatividade como ‘atraso’, ‘conservadorismo’, ‘medo’, ou ‘desactualizado’.

Responses

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  1. Aloisio Milani says:

    October 4th, 2007 at 12:25 am (#)

    André,

    Li essa notícia no Observatório da Imprensa. E achei estranha. Depois leia e acompanhe. Um processo que vale a pena ver por conta do corte no orçamento da BBC, o que afeta também a sua política de convergência.

    ——

    TELETIPO
    BBC integra redações para reduzir custos

    em 2/10/2007

    A BBC News irá integrar suas redações de rádio, TV e internet para contribuir com a meta da organização britânica de reduzir o orçamento anual em 5% nos próximos cinco anos. O diretor de jornalismo da emissora, Peter Horrocks, irá assumir o novo departamento integrado. A reorganização segue a tendência de muitos grupos de mídia. Com as redações integradas, o número de jornalistas que a BBC recrutará para cobrir matérias para diferentes mídias será menor e os custos, mais baixos. Informações de Leigh Holmwood [The Guardian, 24/9/07].

  2. Alexandre Praca says:

    October 4th, 2007 at 6:51 pm (#)

    O Daily Telegraph foi um dos pioneiros na tal redação integrada. Mas os irmãos Barclay (os gêmeos excêntricos, donos do jornal e, diga-se de passagem, de um dos maiores bancos britânicos, o Barclay’s) tinham segundas intenções com as mudanças. Longe de pensar adiante, no falado futuro tecnológico, a idéia sempre foi o corte de gastos. O jornal andava mal das pernas há anos. Eu disse corte de gastos? Perdão, na lingua comum e corrente o jargão quer dizer “demissão em massa”. E pronto. Nada como uma boa desculpa para mandar uma cambada pro olho da rua. Dessa vez a justificativa foi a tecnológica redação integrada, 20 anos antes havia sido as modernas impressoras e o fim do linotipo (busque pela batalha dos typesetters contra Murdoch e a mudança para Wapping na década de 80).

    Só mais uma notinha de rodapé: a redação penetrada, quer dizer, integrada do Telegraph já foi comparada com o Panoptikon. Um experimento do século 18 de uma cela circular que provocava nos prisioneiros a impressão de que alguem os estava observando permanentemente. A idéia era deixar os detentos tão paranóicos que não havia chance de que eles pudessem se rebelar. Não que os direitistas ultra-conservadores do Telegraph precisem desse tipo de remédio. Mas, nunca se sabe. Um editor-chefe prevenido vale por dois.

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