Posted on Sep 18, 2007

A DOUTRINA DO CHOQUE

THE SHOCK DOCTRINE

The Shock Doctrine é um excelente mini documentário de 6 minutos da ativista Naomi Klein e de Alfonso Cuarón. Um exemplo de como em pouco tempo se pode contar uma história, defender uma tese e ser tão afiado quanto um punhal.

A edição é ótima, as cenas são ótimas, e dou destaque para a animação dos grafitis em máscara das paredes (como esses acima). Indispensável.

Via Multimedia Shooter

Posted on Sep 17, 2007

ENTREVISTA: JOSÉ ANTONIO MEIRA DA ROCHA

Boas as respostas do professor de Porto Alegre à entrevista publicada no blog O Jornalismo Morreu.

Alguns trechos:

Porque Second Life serve menos do que o Google Earth ao jornalismo:

Embora o grande hype de ambientes tridimensionais hoje seja o Second Life (mais por marqueteiros que por jornalistas), vejo o Google Earth (GE) como tendo possibilidades jornalísticas muito mais consistentes. Costumo fazer uma comparação: Google Earth é o retrato retocado da realidade sócio-geográfica. Então é jornalismo. Second Life são personagens de mentira num ambiente tridimensional de mentira . Então é ficção, literatura. Vejamos um exemplo: se acontece um acidente de avião, é possível fazer um mashup (maquete) no GE com as rotas, com aerovias corretas consultadas no NASA World Wind. Pode-se inserir modelos de aviões convertidos do MS Fligh Simulator, colocar fotos, prédios, vídeos do You Tube, links para diversas fontes. Isso tudo enriquece tremendamente uma narrativa jornalística. Um site web com a notícia textual pode terminar com um link para um arquivo KML do GE com toda a maquete. Neste caso, como o Second Life (SL) poderia enriquecer a matéria?

O webjornalista ideal:

A pessoa deveria saber:
1.Ler muito, inclusive em inglês.
2.Escrever bastante.
3.Pesquisar na internet e relacionar as informações encontradas.
4.Operar planilhas e editores de texto.
5.Operar programas de email e messengers.
6.Participar de diversos fóruns e listas de discussão.
7.Fotografar, manipular as fotos em programas específicos, distribuir as fotos em fotologs.
8.Fazer e editar vídeos em celular ou câmeras domésticas, publicar e embutir estes vídeos em páginas Web.
9.Gravar entrevistas com seu MP3 player ou celular.
10.Editar áudio digital e fazer podcast.
11.Contratar e instalar serviços em hospedagem internet (CMS, blogs, sistemas de workgroup, fóruns, galerias de fotos).
12.Gerenciar um sistema gerenciador de conteúdo (CMS), blog, fórum.
13.Conhecer HTML o suficiente para fazer links ou modificar templates e skins.
14.Usar sistemas de anúncios tipo AdSense.
15.Assinar e gerenciar uma enorme lista de feeds RSS sobre sua especialidade.
16.Trocar arquivos em sistemas peer-to-peer ou de troca de grandes arquivos.
17.Fazer mashups, mapas e modelos 3D com Google Maps, Google Earth e Google SketchUp.
18.Gerenciar, com diplomacia, comunidades de leitores.
19.Resolver pepinos e abacaxis em seu computador.
20.Estar sempre antenado com as tendências das mídias digitais.
Só isso. É pedir demais? :)

Só não acho que o sujeito precise usar o AdSense.

Posted on Sep 16, 2007

ASTERPIX: FERRAMENTA DE HIPERVÍDEO

Esse é um vídeo teste que fiz com a ferramenta Asterpix, para criar seus próprios hipervídeos.

A diferença para aquele que fizemos antes, que comentei aqui,é que no Asterpix ainda não dá para fazer links de vídeo sobre vídeo. Mas já é uma grande evolução, conforme aponta o Gattune Blog.

Na linha do HiperTexto, o Asterpix monta o HiperVideo, que permite contextualizar por links dentro do vídeo informações adicionais obtidas durante a sua exibição. O serviço preparou uma barra lateral com dados sobre os vídeos e outros links. A idéia é excelente pois permite um cronograma da apresentação do vídeo. A internet se torna cada vez mais interativa e cria novos conceitos.

O que não soube fazer foi controlar a aparição do hipertexto nos vídeos: como fazê-los ficar na tela o tempo que eu quiser?

 

Posted on Sep 14, 2007

ENTREVISTA PARA O JORGE ROCHA

O Jorge Rocha, do blog Jornalismo Morreu, fez uma entrevista comigo por e-mail, que reproduzo aqui também.

Jorge Rocha: Em um artigo publicado no Observatório da Imprensa, você fala sobre a utilização de um sentido informacional hipermidiático aplicado ao jornalismo e cita, como potencial exemplo, o Second Life. Mas, seguindo o senso comum, metaversos são vistos – com mais força recentemente – como modelos hype de negócios ou ambientes de exacerbação de futilidade on-line. Você acredita mesmo numa concatenação “convergência digital + espaço público midiatizado + pensamento prático jornalístico”?

André Deak: Supondo que ambientes de metaverso como o Second Life são “espaços 3D virtuais totalmente imersivos”, como conceitua o José Murilo Junior, as possibilidades para o jornalismo são várias. A educação, há muito, tem testado a efetividade de jogos educativos interativos no computador (é verdade que na maioria chatos, pelo que me lembro do que vi nos anos 80 e início dos 90: ajude a escova a chegar no dente, essas coisas). A evolução mais recente dos jogos os torna experiências cada vez mais interessantes. Muitos já descobriram nos video-games ferramentas poderosas para contar histórias – veja o caso do Hezbollah, ue desenvolveu um jogo de guerra em primeira pessoa (ao estilo Counter Strike) para mostrar como foram as batalhas contra Israel, do ponto de vista deles. O jornalismo poderia, portanto, se apropriar da interatividade desenvolvida nas últimas duas décadas pelos video-games para contar histórias, especialmente aquelas que possam envolver algum tipo de imersão. Como funciona o lobby no Congresso? Você poderia entrar num ambiente virtual do Congresso e verificar o lobby sendo feito. Por que não entrar nos gabinetes virtuais e conversar com os avatares de deputados e senadores reais? E quem sabe ter a resposta dos próprios parlamentares, aliás. Mas não só isso: visitas a museus, a batalhas históricas, a cenários dos mais diversos. As possibilidades são infinitas. Claro, isso não será para hoje nem para amanhã – apesar de algumas experiências dessas no campo do jornalismo já existirem. Mas poderá ser desenvolvido à medida em que as ferramentas de criação de ambientes virtuais se tornem mais acessíveis.

O bom e velho jornalismo está morrendo. Você é muito gentil com carcaças nauseabundas. Na verdade, o jornalismo morreu. Forma, prática, credibilidade, trato com a informação … a lista é grande. Ou você acha possível algo como um zombie journalism?

Taí. Eu chamaria muito do que existe hoje de zombie journalism. Noventa por cento dos que saem das faculdades de jornalismo são zumbis, que se encontram depois com os outros zumbis que infestam as redações. Fazem o que sempre fizeram, sem questionar o modelo, sem sequer entendê-lo. Mesmo o conceito mercadológico que move o jornalismo comercial não é compreendido pelos repórteres que entram lá e apertam parafusos todos os dias. Há um livro ótimo, O Jornalista e o Assassino, de Janet Malcom, que vale citar: “Todo jornalista que não é muito estúpido ou cheio de si para perceber o que acontece no mundo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável”. O contexto não é bem esse que estamos falando – é um livro sobre ética -, mas a frase é boa. Com uma forma antiga, uma prática deteriorada (quando não desonesta mesmo), credibilidade próxima à dos políticos e dos advogados, vivemos de fato tempos de zombie journalism. Quando digo que o bom e velho jornalismo está morrendo, é uma provocação, especialmente aos praticantes do velho jornalismo. Por velho, entendo o jornalismo mono-mídia, que não dialoga com o leitor/telespectador/usuário, não-aberto às novas formas de comunicação. Mas podemos nos questionar: As novas tecnologias irão matar o jornalismo? Os velhos oligopólios já mataram? Esses sem dúvida são golpes que modificam a profissão e introduzem novos atores, mas, como já se disse, o jornalismo não se define por uma técnica, mas por uma ética. Sou otimista. Creio que veremos algo bom surgir. Trabalhamos para isso, aliás: terminar de matar o velho e fazer nascer logo o novo.

Entre 2002 e 2003, você fez parte do EmCrise, grupo que trabalhava produção jornalística coletiva, primando por uma tônica profissional incisiva nas reportagens. O que falta para um webjornalista hoje, agora, nesse exato momento, entender como aplicar as potencialidades do meio de comunicação digital na apuração, produção e publicação de reportagens?

Além do que sempre faltou – conteúdo e crítica -, falta a pílula vermelha. Enxergar que é possível contar histórias não mais apenas a partir de uma narrativa linear, na plataforma que melhor servir aos interesses da história. Entender que, como bem disse Dan Gillmor, “meus leitores sabem mais do que eu”. Perceber que os leitores não são adversários que só entram em contato para reclamar, mas colegas, que podem muito bem guiar e participar da pauta, da apuração, da produção e até da edição, pelo que estamos vendo por aí. Uma pesquisa recente do grupo colombiano El Tiempo, feita com 70 redações online da América Latina, perguntou aos editores o que mais faltava no treinamento dos jornalistas da web. O que 70% respondeu foi que falta entendimento de produção multimídia. As redações são organizadas em guetos, os próprios jornalistas se apresentam como “de texto”, “de vídeo”, “de rádio”. Claro que sempre haverá quem é melhor em certa plataforma, mas ninguém mais poderá ignorar como se produz em todas elas. Como disse o argentino Julian Gallo num artigo finalista do prêmio FNPI de jornalismo multimídia: um adolescente hoje já sabe mais, em se tratando da utilização de diversas mídias para contar histórias, do que muitos jornalistas…

“Imprimir suas notícias em guardanapos. Os guardanapos nunca sairão de moda; Inventar novas e melhores promoções, como ‘assine nosso jornal e ganhe automaticamente um porsche’; Contratar a Gisele Bundchen e o Rodrigo Santoro para vender assinaturas de porta em porta”. Com essas sugestões você ganhou o livro “Os jornais podem desaparecer ?”, do Philipe Meyer, numa promoção do Jornalistas da Web. Já pensou em se candidatar a um cargo de futurista?

Creio que as sugestões que dei para evitar o desaparecimento dos jornais não será adotada, apesar de achar que funcionariam bem. De qualquer forma, não vejo muito futuro para futuristas – veja o caso da Mãe Dinah, relegada agora ao passado. O Michael Rogers, futurista do NYT, faz um trabalho interessante, de viajar o mundo para perceber as tendências tecnológicas, preparando a redação para entregar a informação “na hora, no lugar e no formato desejado pelos leitores”. Várias empresas, especialmente as de moda, têm “cool hunters”, o caçador de tendências, para lançar produtos antenados com o hype do momento – antes, aliás, de virar hype mesmo, ajudando a virar hype. William Gibson, o futurista que imaginou o universo ciberpunk, conta uma boa história sobre essa profissão no livro Pattern Recognition. O que o Rogers faz é basicamente descobrir quais as tendências de comunicação nos próximos cinco anos – imaginar o que substituirá o Iphone, por exemplo. Agora, se quisessem me contratar para viajar o mundo descobrindo tendências tecnológicas para o jornalismo eu não ia achar ruim não.

Posted on Sep 13, 2007

ESPECIAIS MULTIMÍDIA FINALISTAS

O Cyberjournalist divulgou uma lista com 70 finalistas, entre mais de 700, em diversas categorias de jornalismo online dos prêmios da Online News Association e a USC Annenberg School for Communication.

Abaixo, links para os especiais multimídia dos grandes e pequenos veículos:

Outstanding Use of Digital Media (Large)

Detroit Free Press, 40 years of RESPECT

Discovery Channel, Everest Beyond the Limit

Honolulu Advertiser, Wonderful World

Los Angeles Times, Altered Oceans

New York Times, Frugal Traveler: American Road Trip

Star Tribune A People Torn: Liberians in Minnesota

Washington Post, OnBeing

Outstanding Use of Digital Media (Small)

Bakersfield.com, The Trial of the Vincent Brothers

Florida Today, Orphans and Angels

Roanoke.com, Off the Scale

Wisconsin State Journal, Hip Hop 101

Veja a lista toda aqui.

Posted on Sep 11, 2007

JORNALISMO LIVRE NA AGÊNCIA BRASIL

O Rodrigo Savazoni acaba de publicar um texto no Observatório da Imprensa contando um pouco mais sobre o que andamos fazendo nos últimos três anos.

“O que a Radiobrás está fazendo agora é extremamente importante para o movimento internacional do Creative Commons, porque é uma instituição de credibilidade que está reconhecendo que o verdadeiro valor de sua contribuição para a cultura é dar ao povo acesso a conteúdos nos quais ele possa aprender e utilizar no próprio trabalho criativo. Acho que o Brasil está, mais uma vez, ensinando ao resto do mundo algo importante sobre o que a criatividade pode significar nesse meio”

Lawrence Lessig, autor de Free Culture (Cultura Livre – Como a Grande Mídia Usa a Tecnologia e a Lei Para Bloquear a Cultura e Controlar a Criatividade) e criador das licenças Creative Commons, em entrevista a Roberto Romano Taddei, um dos co-autores do projeto de reformulação editorial da Agência Brasil, durante o ISummit.”

Essa é a abertura do texto. Leia tudo aqui.

PS: Por falar em Observatório, estou publicando na seção Vida e Obra algumas coisas minhas que saíram lá e em outros lugares. Quem quiser, dê um pulo lá.

[Atualização 12/09]: Bom debate nos comentários.

Posted on Sep 10, 2007

PIRAÍ – REDE WIRELESS PÚBLICA

Piraí é uma cidade no estado do Rio de Janeiro com 22 mil habitantes. Todos eles têm acesso gratuito à conexão pública de banda larga sem fio.

O ministro Gilberto Gil, da Cultura, vai lá hoje.

Leia a reportagem e ouça o podcast (no link, ou abaixo) que o Rodrigo Savazoni, da Agência Brasil, fez sobre isso em entrevista com o coordenador de Políticas Digitais do Ministério da Cultura, Cláudio Prado, que “vem organizando e desorganizando a cultura brasileira há algumas décadas”.

 
icon for podpress  Claudio Prado e a diversidade cultural: Play Now | Play in Popup | Download

José Murilo tem um ótimo post sobre redes municipais sem fio: o hype, a bolha, o futuro.

Posted on Sep 3, 2007

INFOGRAFIA: NOVAS REDAÇÕES

Peguei do blog Expresso 2222. É uma infografia sobre as redaçõe concêntricas – ao estilo Daily Telegraph, sempre tomada como exemplo de integração da produção multimídia.

Clique para ampliar: