ENTREVISTA: ZACH WISE

01.jpgZachWise, 29 anos, é produtor multimídia do Las Vegas Sun. Em entrevista por e-mail, contou o que faz, como faz, e como acha que quem quer ser fotógrafo tem que fazer. O jornalismo multimídia não chega só para quem segura a caneta.

André Deak: Zach, você é produtor multimídia para o Las Vegas Sun. Como é o trabalho?
Zach Wise: Eu acabei de começar aqui, mas estou trabalhando em projetos de longo prazo (um ano ou mais). Meu trabalho diário varia muito. Alguns dias saio para fazer vídeos ou panoramas para um projeto, enquanto em outros fico editando no Final Cut Pro, ou trabalhando com Flash e Photoshop, desenhando a interface para um projeto, ou conceituando um projeto. Tenho dado alguns cursos de formação e oficinas para ensinar alguns dos outros fotógrafos como editar no Final Cut e fazer panoramas.

Deak: O site que ajudou a fazer, o Soul of Atens, foi todo feito em Flash. Você também desenvolveu uma galeria de fotos em Flash para o jornal Nashua Telegraph. Todo mundo deveria saber usar essa ferramenta? O futuro é o flash?
Wise:
Flash tem estado em alta faz um tempo, eu trabalho com ele há cerca de 10 anos. É simplesmente uma ferramenta. É o conteúdo que faz diferença. Não acho que todo mundo deva saber como usar o flash, mas tem muito garoto de 12 anos que me ensina muita coisa em actionscript. Por que não aprender um pouco? É bom conhecer essas coisas porque aí você pode ter uma visão maior e entender o contexto do meio ambiente onde você trabalha.

Sobre o futuro em flash… Ele se manteve em alta, isso já foi provado. Enquanto as pessoas assistirem vídeos na web, o flash vai estar por aí.

Como foi desenvolvido o Soul of Atens? Quanto tempo levou? Quanta gente participou?
Foi um projeto para uma turma de alunos que ensinei na Universidade de Ohio. Do começo ao fim foram três meses de trabalho e cerca de 40 pessoas envolvidas. Mas a maior parte do conteúdo e do código foi feito por um punhado de gente.

Tirando a areia fora, como foi cobrir o Burning Man? Qual equipamento levou? Quais foram os problemas?
Transmitir do deserto foi a pior parte. Dizem que conseguir uma conexão lá é mais difícil do que fazer uplink para satélite do Iraque. Levei o meu equipamento tradicional, minha câmera de vídeo (Canon XH-A1), minhas câmeras de fotos, (MKII e 5D) e carreguei um tripé algumas vezes. Também levei máscara contra a areia, óculos de proteção e alguns litros de água. O Burning Man foi ótimo, mas foi trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana.

Você é um fotógrafo, mas também um jornalista multídia. Só ir para a rua e apertar o botão não é o bastante mais? O que um fotojornalista deve saber hoje? E amanhã?
Acho que você precisa estar preparado para contar histórias, não basta apenas procurar momentos e intimidade. Tem que pensar qual é a melhor maneira de contar uma história e que ferramentas são necessárias. Algumas vezes significa vídeo, outras fotos, ou um monte de outras coisas. É inspirador imaginar que todas as possibilidades criativas estão disponíveis agora.

Os que trabalham com foto estão mais próximos de quem trabalha com vídeo? Serão a mesma pessoa?
Talvez, mas algumas pessoas sempre serão melhores em algo. Mas será esperado que elas sejam capazes de fazer tudo. Nós temos aqui um cinegrafista, mas temos fotógrafos fazendo vídeos também.

No seu site, digitalartwork.net, você escreveu “expandindo os limites do jornalismo multimídia e do storytelling”. Quais exemplos disso você aponta na rede?
Gosto de pensar que eu tento encontrar caminhos diferentes para contar histórias, usando interatividade para trazer contexto ou panoramas para trazer um senso espacial do lugar. Muitos jornalistas estão presos no pensamento de que o que eles precisam produzir precisa se encaixar na edição do jornal – o que certamente não é mais o caso.

Por exemplo:
Quando fiz “Losing Louisiana”, o programa soundslides tinha recém surgido e acho que o que fizemos foi além de apresentar uma série de slide shows e fazer a interface dar o contexto usando mapas e infografia.

Acho que os panoramas também alargam os limites do jornalismo multimídia no sentide de que eles colocam o espectador numa imersão, dentro da cena, e a imagem é mais neutra, uma vez que não há seleção de corte. Não há julgamento, está tudo lá, em volta de você.

Você mesmo desenvolveu todo o seu site?
Sim, o digitalartwork e tudo que está lá foi feito por mim.

Alguma sugestão para os estudantes brasileiros?
Avance os limites estabelecidos, e pense no que as pessoas querem ver. Pense sobre a história, não nas ferramentas. E, por fim, aprenda a fotografar em 16:9.

[A Wikipedia explica: veja a mesma imagem em proporções de captura diferentes]

4:3 (1.33:1)

 


4:3 (1.33:1)

 

 

16:9 (1.78:1)

 


16:9 (1.78:1)

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This entry was posted on Friday, September 21st, 2007 and is filed under ENTREVISTAS, JORNALISMO, MULTIMIDIA. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

3 Responses to “ENTREVISTA: ZACH WISE”

  1. Aloisio Milani on September 21st, 2007 at 14:33

    Desafio vocês. O trabalho do cara em http://digitalartwork.net/wp/category/panorama/ é tão legal que não dá para saber onde as fotos se juntam, onde fica o corte das fotos.

  2. yaso on September 24th, 2007 at 23:34

    É legal mesmo. São as maravilhas do photoshop, kkkk

  3. Wellington Costa on September 26th, 2007 at 12:05

    Existem alguns tripés que vem com um sistema que evita o paralaxe. É uma bolinha que a gente movimenta e ela trava no momento da junção o que facilita bastante achar posição de junção. É um excelente trabalho do Zach

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