O Rodrigo Savazoni acaba de publicar um texto no Observatório da Imprensa contando um pouco mais sobre o que andamos fazendo nos últimos três anos.
“O que a Radiobrás está fazendo agora é extremamente importante para o movimento internacional do Creative Commons, porque é uma instituição de credibilidade que está reconhecendo que o verdadeiro valor de sua contribuição para a cultura é dar ao povo acesso a conteúdos nos quais ele possa aprender e utilizar no próprio trabalho criativo. Acho que o Brasil está, mais uma vez, ensinando ao resto do mundo algo importante sobre o que a criatividade pode significar nesse meio”
Lawrence Lessig, autor de Free Culture (Cultura Livre – Como a Grande Mídia Usa a Tecnologia e a Lei Para Bloquear a Cultura e Controlar a Criatividade) e criador das licenças Creative Commons, em entrevista a Roberto Romano Taddei, um dos co-autores do projeto de reformulação editorial da Agência Brasil, durante o ISummit.”
Essa é a abertura do texto. Leia tudo aqui.
PS: Por falar em Observatório, estou publicando na seção Vida e Obra algumas coisas minhas que saíram lá e em outros lugares. Quem quiser, dê um pulo lá.
[Atualização 12/09]: Bom debate nos comentários.
André, repara nessa frase do texto que indicastes:
“Nesse jornalismo, o cidadão e a cidadã são protagonistas”
Ok, só faltou dizer que quem conta a história são só eles, só os “open sources”.
Eu admiro demais a iniciativa da Agência Brasil em adotar software livre e disponibilizar todo o conteúdo lá publicado em Creative Commons. Mas daí a dizer que o “cidadão é protagonista”? Protagonista do quê? Onde está o espaço “envie sua notícia”? “Opine”? Só faltou chamar isso de jornalismo cidadão… pfffff!
Por mais que eles assumam essa característica altamente verticalizada de produzir e veicular a informação, dizem que abrir o site para notícias do público está nos planos mas… “(se não diretamente, no desenvolvimento de uma parceria produtiva cidadão-jornalista).”
Que medo eles têm do público a ponto de cogitar, já agora, que eles não vão falar DIRETAMENTE pelo site da Agência Brasil… tsc, tsc…
Preferiram, primeiro, entrar numa rede MUNDIAL de colaboração editorial do que dar espaço pro Zé do Lado contar a história dele.
Oi Ana,
Tudo bem? Nós realmente não trabalhamos com o pseudo-jornalismo colaborativo participativo que é marca dos principais portais de internet no país. Não nos propusemos a isso. Caminhamos no sentido da colaboração e da participação, por outros meios, em outras veredas.
Veja só: neste exato momento, estamos trabalhando, sob coordenação do Adriano de Angelis, na criação de um núcleo especializado na produção participativa e colaborativa. Participação e colaboração de fato, para todas as mídias digitais, inclusive para a TV aberta.
Pretendemos trabalhar nos moldes do que fizemos no processo dos Fóruns Sociais Mundiais (na Ciranda da Informação Independente, por exemplo). Isso quando a idéia de usar a web com essa finalidade não era o hype que é hoje. Não sei se você conhece a experiência. Muitos que dela participaram hoje fazem parte da equipe da ABr (www.ciranda.net)
Mas mesmo assim, mesmo com essa limitação, hoje, na primeira página da Agência Brasil, você pode encontrar cartilhas sobre jornalismo colaborativo, que pretendem estimular o usuário a criar a sua própria página na internet – é uma forma de auxiliar com informações precisas sobre o tema.
Nesse sentido, criamos o blog-se, que se interrelaciona com as páginas já existentes, à medida em que há trocas de conteúdo entre nós e eles (trackbacks) – o que não é nada demais, mas estranhamente não é algo que ganhou força no país – em experiência ÃO que têm comentários, opiniões, votinhos e tal mas não se relacionam com a WEB.
E se você reparar, vai poder ver algumas experiências-piloto, como o blog Papo Pan (http://www.agenciabrasil.gov.br/blogs/2007/07/11/blog-do-pan), no qual 50 jovens de comunidades pobres do Rio de Janeiro puderam expor o “seu olhar” sobre o PanAmericano.
Ou mesmo os vídeos produzidos pelos Pontos de Cultura durante o Encontro Sul-Americano de Culturas Populares, publicados diretamente por eles nas nossas páginas: http://www.agenciabrasil.gov.br/coberturas-tematicas/2006/09/12/cobertura_tematica.2006-09-12.4232008033/view
São algumas experiências, Ana. Nós, de fato, não temos o Eu Agência Brasil, ou a Minha Agência Brasil, mas não porque a gente não poderia ter.
Até poderia, mas entendemos que as dinâmicas de participação na rede devem caminhar por outras vias que não essas construídas pelo mercado de mídia (apropriando-se das reais experiências transformadoras que a web vem construindo).
Para a Agência Brasil, interessa participar dessa conversa global, contribuindo de forma específica, buscando modelos de relacionamento diferenciados – que respeitem sua característica de veículo público e segmentado, voltado para informar sobre os direitos que todos nós temos ao nascer no Brasil.
É nesse sentido que estamos trabalhando. Podemos estar errados, é uma tentativa, mas acho que a sua crítica – extremamente qualificada e importante – deveria levar em consideração esses elementos também.
Ana, só acrescento uma coisa à resposta do Rodrigo:
Quando se diz que o cidadão passa a ser o protagonista da notícia, não se trata de dizer que é ele (o cidadão) quem faz a notícia. É sim uma oposição ao protagonismo da ação ter sido, durante muito tempo, apenas o governo, num jornalismo chapa-branca.
Ou seja: cada vez que se publica uma notícia como “aposentados reclamam…”, “movimentos sociais reivindicam…”, “idosos protestam…”, o sujeito da ação é o cidadão. Isso, para o jornalismo que era praticado na Agência Brasil – e para muitos jornalismos comerciais – é novidade. No caso da Radiobrás, é uma grande novidade, uma vez que o protagonismo era sempre do governo (“Presidente inaugura…”, “Governo promove…” e “Ministério anuncia…”)
abs
Oi Rodrigo, também reproduzo aqui a resposta ao teu comentário no meu blog.
Rodrigo, a Agência Brasil tem autonomia para adotar o modelo que quiser; não há certo ou errado. Mas vejo que o modelo que vocês adotaram não modifica, em essência, o fluxo comunicacional da grande mídia (ou dos veículos offline). Porque tu há de convires comigo que o Papo Pan não tem um quinto do grau de reconhecimento do site da Agência Brasil.
O que aponto é que o esquema de colaboração “por outras veredas” que vocês optaram tem muito do espaço “carta do leitor” dos jornais impressos, porque vocês fazem referências a esse conteúdo produzido pelo público.
E veja só: isso é a essência da rede! Linkar vários sites, usar trackbacks, permitir que a blogosfera converse… Vocês não estão fazendo nada além do que o default da web.
Enfim, a mudança é nítida, claro. Mas ainda creio que vocês estejam subaproveitando o potencial realmente colaborativo da web NO SITE DE VOCÊS. Estimular uma conversa global é óbvio demais e isso já acontece, independentemente da Agência Brasil.
A respeito dos Eu-notícia, Você-repórter e afins, tenho seríssimas críticas e acho que eles estão muito distantes de um modelo ideal de jornalismo colaborativo. Mas isso é outra história.
Sobre a iniciativa do Fórum, em Porto Alegre, acompanhei, sim. Inclusive eu fui barrada na porta por não ter crachá (ué? não é livre?) e quase tive minha câmera apreendida por não ser permitido tirar fotos daquele lugar. Até hoje me pergunto o por quê disso…
Enfim, vejo que vocês já deram um grande passo e esse pode ser apenas o começo de um site colaborativo de verdade!
Oi André, entendi a tua definição para “cidadão protagonista”. Entendi também que isso é uma evolução dentro da tradição “chapa branca” do conteúdo da Agência Brasil. Mas tu há de concordares comigo que ouvir o cidadão é o mínimo que um jornalismo decente pode apresentar.
Infelizmente ainda há muitos veículos que ficam nas fontes oficiais e acho que, nesses casos, o jornalismo colaborativo (tipo o OhmyNews) é uma resposta poderosa.
Talvez agora, ouvindo pessoas e não apenas instituições, a Agência Brasil esteja começando a fazer jornalismo de verdade. Desejo sucesso.