Posted on Sep 29, 2007

GRANDES ENTREVISTAS DO SÉCULO 20

O jornal britânico Guardian publicou versões em .pdf e online de grandes entrevistas do século passado. Boa leitura para o fim de semana. Destaco algumas delas, abaixo:

John Lennon interviewed by Jann S Wenner


Great interviews of the 20th century: John Lennon The Rolling Stone interview
Audio of John Lennon speaking to Jann S Wenner in this historic interview.
Hunter Davies: The great pretender
Archive: Official Beatlemania
Archive: The Beatles split
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Marlon Brando interviewed by Truman Capote


Great interviews of the 20th century: Marlon Brando ‘The more sensitive you are, the more certain you are to be brutalised’
Edited version of Truman Capote’s interview of Marlon Brando in Kyoto, Japan, 1957.
Andrew O’Hagan: Vanishing act
Archive: An actor’s journey
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Marilyn Monroe interviewed by Richard Meryman


Great interviews of the 20th century: Marilyn Monroe ‘When you’re famous you run into human nature in a raw kind of way’
Edited version of Last Talk With a Lonely Girl: Marilyn Monroe by Richard Meryman, first published in August 17 1962.
Joyce Carol Oates: All that glitters …
Archive: Marilyn is dead
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Malcolm X interviewed by Alex Haley


Great interviews of the 20th century: Malcolm X ‘The time is near when the white man will be finished’
Transcript of interview that appeared in the May 1963 edition of Playboy magazine.
Gary Younge: Scaring white America
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Adolf Hitler interviewed by George Sylvester Viereck


Great interviews of the 20th century: Adolf Hitler ‘No room for the alien, no use for the wastrel’
Edited interview of Adolf Hitler by George Sylvester Viereck that took place in 1923. It was republished in Liberty magazine in July 1932.
Ian Kershaw: A distorted report on the true Hitler
Archive: Disarm nationalism
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Margaret Thatcher interviewed by Terry Coleman


Great interviews of the 20th century: Margaret Thatcher ‘You’re getting a totally false impression of me’
Edited version of Terry Coleman’s interview with Margaret Thatcher, first published in the Guardian, November 2 1971.
Michael White: A merry dance
Archive: Crowd’s long cold wait
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Fidel Castro interviewed by Herbert Matthews


Great interviews of the 20th century: Fidel Castro ‘Before the year ended, he said, he would be a hero or a martyr’
The interview took place in the Sierra Maestra, Cuba, February 16 1957.
Tariq Ali: Notoriety and popularity
Archive: Castro still a demi-god
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Mae West interviewed by Charlotte Chandler


Great interviews of the 20th century: Mae West ‘There’s nothing better in life than diamonds’
Edited version of Charlotte Chandler‘s interview with Mae West in 1979.
Tilda Swinton: Illusion and desire
Archive: Miss West comes up
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Posted on Sep 26, 2007

JORNALISMO LIVRE DOS GOVERNOS

Eugênio Bucci, que liderou o projeto de reestruturação da Radiobrás – incluindo aí nosso trabalho na Agência Brasil – deu uma boa entrevista para o Observatório da Imprensa. Especialmente essa parte:

(…) o primeiro dever do jornalismo é ser livre. Ser explicitamente livre. Para começar, ele precisa ser livre do governo, qualquer governo. Nessa matéria, chamo atenção para um ponto sobre o qual temos falado pouco: o grande volume de verbas públicas que vão parar nos veículos comerciais como anúncios publicitários é um fator preocupante. Nos órgãos de imprensa mais vulneráveis, esse dinheiro – ou a sua ausência – pode ser uma pressão sobre a linha editorial.

Destaco trecho em que cita o que fizemos por lá, especialmente na área multimídia:

Observatório – O tempo em que esteve na Radiobrás coincidiu com o incremento da popularização, no Brasil, das tecnologias de informação e comunicação e com a maior relevância do público (leitor, ouvinte, telespectador, internauta) como personagem atuante – muitas vezes protagonista – no processo da comunicação. Como, e com que resultados, as novas mídias foram incorporadas pelo jornalismo praticado na Radiobrás?

E.B. – Essa pergunta vem a calhar, porque nesse meu texto, “A imprensa e o dever da liberdade“, que é publicado agora pelo Observatório, não trato diretamente das novas tecnologias. Nele, eu me concentro no papel do jornalista, qualquer que seja o suporte, como dizem, se papel, internet, televisão, rádio. Tento frisar o dever de ser livre. Alguns afirmam que com as chamadas “novas mídias” o lugar convencional do jornalista se dilui, e que surge uma espécie de parceria entre o profissional e o cidadão leigo na condução da reportagem, pois todos podem atuar na rede de computadores, online, ao vivo, no calor da hora. Do ponto de vista das possibilidades técnicas que alargaram os alcances da interação entre os sujeitos – as redes independentes, as manifestações na internet, os blogs e assim por diante – isso é verdadeiro. Mas, do ponto de vista do zelo que o profissional da imprensa precisa ter em relação à independência, garantindo confiabilidade para os relatos que leva a público, não houve alterações, embora na superfície tudo se mostre meio embaralhado. Ao contrário, a independência, nesse contexto, é mais crucial do que antes.

No texto, procuro falar sobre a atualidade do tema da independência. É verdade que, em matéria de novas tecnologias, a nossa experiência na Radiobrás avançou consideravelmente, apesar da escassez de recursos. Por exemplo: a Agência Brasil, sob a chefia de Rodrigo Savazoni, inaugurou, em junho de 2006, um novo projeto gráfico e uma nova plataforma, inteiramente baseada em Creative Commons, um novo regime de compartilhamento de conteúdos, criado por Larry Lessig, de Stanford. A Agência Brasil foi uma das primeiras a adotar esse protocolo no Brasil, em linha com as grandes modificações que o ambiente da comunicação vem sofrendo.

A propósito, há um bom livro, The Wealth of Networks, de Yochai Benkler, de Yale, ainda não traduzido no Brasil, que reflete com precisão e originalidade sobre esses novos cenários. O livro vem sendo debatido numa seqüência de seminários, no Instituto de Estudos Avançados da USP, que são coordenados pelo professor Imre Simon. A Agência Brasil está familiarizada e sintonizada com essas novas idéias. Abrir os conteúdos, estabelecer links horizontais com outros portais, sites e blogs são desafios que contaram, no Brasil, com o pioneirismo de equipes da Radiobrás. Rodrigo Savazoni e André Deak, um outro jornalista da Agência, já trataram disso em artigos publicados no Observatório da Imprensa [ver "Notas sobre a construção de um jornalismo livre" , "Nova prosa para novas mídias" e "O bom e velho jornalismo está morrendo"]. O resultado do trabalho que eles realizaram não poderia ter sido mais animador. A Agência conquistou alguns prêmios de jornalismo – como aconteceu com outros veículos da Radiobrás – ao mesmo tempo em que abriu a sua produção para que outros a utilizassem com mais rapidez e flexibilidade, mas sem permitir que seu noticiário fosse capturado por interesses engajados do governo ou dos movimentos sociais. Ela manteve sua autonomia. Aprofundou-a. Inovou também no plano da linguagem. Algumas coberturas contavam com infográficos animados, com vídeos, com uma integração radical entre texto, som, imagem, design. Foi uma experiência bem satisfatória.

O Eugênio está publicando uma série de textos no Observatório, vale a pena conferir.

Posted on Sep 25, 2007

VÍDEOS ONLINE NO CHANNEL 4 NEWS

Li no Journalism.co.uk uma entrevista com o editor multimídia do britânico Channel 4 News, Jon Bernstein. Falaram principalmente de vídeo na web, e comentaram uma pesquisa feita em julho pela BBC, com resultados sobre um experimento usando flash embed video (como faz o YouTube) na parte de cima da história, logo no início, em vez de colocar um link fora, ao lado, para um player que abrirá em outro lugar.

A experiênca mostrou que 40% das pessoas clicaram no vídeo quando ele estava “embedded”, dentro da história. Já quando era um link, só 2% optaram por assistir ao vídeo.

Parece meio óbvio, mas a maior parte dos sites ainda usa o segundo modelo (a CNN fez mudanças nesse sentido recentemente, mas ficou num meio termo: oferece um link para o vídeo no início do texto).

Segundo Bernstein, o YouTube educou as pessoas que vídeo só se assiste embedded – você clica o ícone play e assiste. Além da facilidade do uso, ele aponta outra vantagem: o embedded flash vídeo gera uma linha de código que pode ser facilmente exportada para outros sites, permitindo que a história se torne viral.

Há toda uma discussão sobre direito de propriedade sobre a reprodução irrestrita pela rede, mas Bernstein diz que “quanto mais você aumenta o alcance da sua marca, mais as pessoas voltam para o seu site. “Parte do nosso objetivo é aumentar o alcance, e qual a melhor maneira de fazer isso? Permitindo que as pessoas copiem nossos vídeos nos seus websites”

Segundo ele, “é arrogante esperar que todos vão digitar Channel 4 News, visitar nosso site e consumir as coisas. Essa é uma estratégia pontocom bastante anos 90. A vida não funciona assim.”

[ATUALIZAÇÃO]: Aproveito o comentário do Rodrigo (nos comments) para citar o nosso trabalho na Agência Brasil.


Nossos vídeos são os únicos produzidos por sites jornalísticos que podem ser livremente utilizados, inclusive com o recurso de embed. Assim, também é possível incluir os vídeos DENTRO das notícias – o que o G1 faz também, mas com um player da microsoft, impossibilitando que usuários de Linux – ou qualquer outro sistema que não o windows – assistam aos vídeos. O Flash também é proprietário, mas pelo menos é gratuito.

Posted on Sep 24, 2007

INFOGRAFIA NO G1

O G1 publicou um texto explicando o processo de criação das infografias que tem no site. Bem interessante. Em janeiro, eu tinha escrito para o G1 perguntando como era a equipe. Me responderam que “a equipe que produz os infográficos do G1 é composta por 4 pessoas: um designer que programa em flash, outros dois designers, também de flash e um designer/ilustrador que trabalha com animação e 3D”. Não sei se contrataram mais gente depois.

Vale ressaltar que a maioria dos infográficos deles (talvez todos) são de leitura linear: ou seja, aquele modelo “clique e vá para o próximo quadro”, sem explorar muito o que a web oferece de mais inovador em se tratando de narrativas. Para dar um exemplo, vale citar um infográfico que fizemos aqui na Agência Brasil, que não é dos mais inovadores, mas já explora a interatividade de outra maneira:

Posted on Sep 22, 2007

PANORAMAS

O site Viewat está construindo um banco de dados georeferenciado colaborativo com panoramas de várias partes do mundo, como esse acima, da Piazza Fontane Marose, em Gênova. Interessante pensar o que o fotojornalismo poderia fazer.

Apesar dos brasileiros (até onde sei) usarem pouco esse recurso, a idéia não é nada nova. Já desenvolveram, inclusive, vários tipos de câmeras para fazer fotos 360°.

Via Mirá

Posted on Sep 21, 2007

ENTREVISTA: ZACH WISE

01.jpgZachWise, 29 anos, é produtor multimídia do Las Vegas Sun. Em entrevista por e-mail, contou o que faz, como faz, e como acha que quem quer ser fotógrafo tem que fazer. O jornalismo multimídia não chega só para quem segura a caneta.

André Deak: Zach, você é produtor multimídia para o Las Vegas Sun. Como é o trabalho?
Zach Wise: Eu acabei de começar aqui, mas estou trabalhando em projetos de longo prazo (um ano ou mais). Meu trabalho diário varia muito. Alguns dias saio para fazer vídeos ou panoramas para um projeto, enquanto em outros fico editando no Final Cut Pro, ou trabalhando com Flash e Photoshop, desenhando a interface para um projeto, ou conceituando um projeto. Tenho dado alguns cursos de formação e oficinas para ensinar alguns dos outros fotógrafos como editar no Final Cut e fazer panoramas.

Deak: O site que ajudou a fazer, o Soul of Atens, foi todo feito em Flash. Você também desenvolveu uma galeria de fotos em Flash para o jornal Nashua Telegraph. Todo mundo deveria saber usar essa ferramenta? O futuro é o flash?
Wise:
Flash tem estado em alta faz um tempo, eu trabalho com ele há cerca de 10 anos. É simplesmente uma ferramenta. É o conteúdo que faz diferença. Não acho que todo mundo deva saber como usar o flash, mas tem muito garoto de 12 anos que me ensina muita coisa em actionscript. Por que não aprender um pouco? É bom conhecer essas coisas porque aí você pode ter uma visão maior e entender o contexto do meio ambiente onde você trabalha.

Sobre o futuro em flash… Ele se manteve em alta, isso já foi provado. Enquanto as pessoas assistirem vídeos na web, o flash vai estar por aí.

Como foi desenvolvido o Soul of Atens? Quanto tempo levou? Quanta gente participou?
Foi um projeto para uma turma de alunos que ensinei na Universidade de Ohio. Do começo ao fim foram três meses de trabalho e cerca de 40 pessoas envolvidas. Mas a maior parte do conteúdo e do código foi feito por um punhado de gente.

Tirando a areia fora, como foi cobrir o Burning Man? Qual equipamento levou? Quais foram os problemas?
Transmitir do deserto foi a pior parte. Dizem que conseguir uma conexão lá é mais difícil do que fazer uplink para satélite do Iraque. Levei o meu equipamento tradicional, minha câmera de vídeo (Canon XH-A1), minhas câmeras de fotos, (MKII e 5D) e carreguei um tripé algumas vezes. Também levei máscara contra a areia, óculos de proteção e alguns litros de água. O Burning Man foi ótimo, mas foi trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana.

Você é um fotógrafo, mas também um jornalista multídia. Só ir para a rua e apertar o botão não é o bastante mais? O que um fotojornalista deve saber hoje? E amanhã?
Acho que você precisa estar preparado para contar histórias, não basta apenas procurar momentos e intimidade. Tem que pensar qual é a melhor maneira de contar uma história e que ferramentas são necessárias. Algumas vezes significa vídeo, outras fotos, ou um monte de outras coisas. É inspirador imaginar que todas as possibilidades criativas estão disponíveis agora.

Os que trabalham com foto estão mais próximos de quem trabalha com vídeo? Serão a mesma pessoa?
Talvez, mas algumas pessoas sempre serão melhores em algo. Mas será esperado que elas sejam capazes de fazer tudo. Nós temos aqui um cinegrafista, mas temos fotógrafos fazendo vídeos também.

No seu site, digitalartwork.net, você escreveu “expandindo os limites do jornalismo multimídia e do storytelling”. Quais exemplos disso você aponta na rede?
Gosto de pensar que eu tento encontrar caminhos diferentes para contar histórias, usando interatividade para trazer contexto ou panoramas para trazer um senso espacial do lugar. Muitos jornalistas estão presos no pensamento de que o que eles precisam produzir precisa se encaixar na edição do jornal – o que certamente não é mais o caso.

Por exemplo:
Quando fiz “Losing Louisiana”, o programa soundslides tinha recém surgido e acho que o que fizemos foi além de apresentar uma série de slide shows e fazer a interface dar o contexto usando mapas e infografia.

Acho que os panoramas também alargam os limites do jornalismo multimídia no sentide de que eles colocam o espectador numa imersão, dentro da cena, e a imagem é mais neutra, uma vez que não há seleção de corte. Não há julgamento, está tudo lá, em volta de você.

Você mesmo desenvolveu todo o seu site?
Sim, o digitalartwork e tudo que está lá foi feito por mim.

Alguma sugestão para os estudantes brasileiros?
Avance os limites estabelecidos, e pense no que as pessoas querem ver. Pense sobre a história, não nas ferramentas. E, por fim, aprenda a fotografar em 16:9.

[A Wikipedia explica: veja a mesma imagem em proporções de captura diferentes]

4:3 (1.33:1)

 


4:3 (1.33:1)

 

 

16:9 (1.78:1)

 


16:9 (1.78:1)

Posted on Sep 20, 2007

ESTADÃO: RECONHECER O ERRO É DIFÍCIL

Recapitulando: o Estadão publica um hoax, uma brincadeira, uma notícia-falsa-pega-trouxa sobre um homem que teria operado os dedos para que ficassem menores, para poder usar o iphone. Vários blogs deram, zoaram o jornal por causa daquela campanha, coisa e tal.

Um mês depois, o jornal decide fazer um “erramos”. O Alex Primo escreveu o post que eu teria escrito, vale a pena ler.

Posted on Sep 20, 2007

DUAS DICAS

A palestra “A quem servirá a TV Digital“, no blog do Savazoni. Segue um trecho:

(…) a idéia de interesse público, do comum, associada ao mundo digital, passa necessariamente por uma afirmação da liberdade em todos os níveis: na infra-estrutura física, nos códigos e no gerenciamento de conteúdos.

Isso porque no mundo digital, o que você vê, na interface gráfica, é tão importante como o que roda no ambiente dos códigos e na base técnica. Se os códigos e as redes não forem livres, a liberdade vivenciada é apenas aparente: é a liberdade que usufrui um tigre nascido em cativeiro, que conhece tudo dentro dos limites de sua cela, mas jamais foi a uma caçada.

Não se trata de defender o software livre porque ele é uma opção economicamente mais viável. Isso é uma conseqüência, gerada pela possibilidade de produzir serviços gratuitos. Há de se defender o software livre porque só ele permite que o conhecimento circule, que a troca ocorra, que a sociedade acumule. Um software proprietário é uma receita deliciosa que o autor não permite que seja reproduzida.

Então, não há como dissociar esse debate da defesa da neutralidade de rede (a idéia é simples: uma estrada, mesmo quando construída e operada pela iniciativa privada deve permitir que todos os carros nela passem. Uma infovia também deve permitir que qualquer conteúdo trafegue, não somente aquele que interessa ao seu proprietário), sofware livre e, principalmente, da flexibilização dos direitos autorais.

Como afirma o professor de economia Ladislau Dowbor. “A batalha do século XX, centrada na propriedade dos meios de produção, evolui para a batalha da propriedade intelectual no século XXI. De certa maneira, temos aqui uma grande tensão, de uma sociedade que evolui para o conhecimento, mas regendo-se por leis da era industrial”.

Outra dica (que encontrei no PontoMedia) são os manuais de reportagem multimídia do Knight Digital Center. Estão em inglês (talvez eu traduza alguns).

Posted on Sep 19, 2007

CONHECIMENTO BÁSICO DE MULTIMÍDIA

“Todo jornalista multimídia deveria saber como criar esse tipo de pacote. Será conhecimento básico para os jovens. Você sabe fazer isso? Se não sabe, deveria aprender”, diz Hernandez, sobre o site que o Zach Wise montou ajudou a construir para a cobertura do festival Burning Man (abaixo).

[UPDATE]: A maior parte do design foi criado por Tyson Evans. Zach fez videos, fotos e slide shows. Tiffany Brown fez fotos também e dois jornalistas escreveram histórias: Kristen Peterson e Patrick Coolican.
[UPDATE 2]: Fiz uma entrevista com o Zach Wise aqui.

Posted on Sep 19, 2007

O FIM DA PIRÂMIDE INVERTIDA?

Paul Bradshaw, do Online Journalism Blog, propõe um novo modelo para as redações do século 21, que ele chama de news diamond. Segundo ele, poderia substituir a velha pirâmide invertida, criada, como reza a lenda, ao nascer do telégrafo, para passar as informações mais importantes no início do texto.

Bradshaw sugere nesse modelo como uma grande história deveria passar por uma redação integrada, com velocidade, profundidade e interatividade. Seria algo mais ou menos assim, com essas fases:

  1. Alert: Assim que a notícia chega na redação, é disparada em uma linha, ao estilo Twitter, para celulares e serviços online, para ficar claro que o veículo entrou na história rapidamente.
  2. Draft: Ainda sem muitos detalhes, é possível usar os blogs da redação para dar mais informações, linkar para outros blogs, abrir a discussão na rede. Os comentários podem ajudar inclusive na indicação de pistas para a cobertura.
  3. Article: Seleção dos melhores comentários no blog podem virar um artigo
  4. Context: Links para fora, transcrições, áudio e vídeo feito pelo celular, todos com tags específicas do assunto, podem gerar um “portal instantâneo”
  5. Analysis: Um blogueiro e um acadêmico podem fazer um debate em podcast sobre o assunto.
  6. Interactivity: requer investimento e preparo, mas pode gerar visitas ao longo do tempo, como recurso de “cauda longa”. Uma animação em flash que combine hipertexto, video, audio, animação e base de dados, que pode ser atualizada sempre. Um fórum. Chats. Uma página wiki.
  7. Customisation: a partir da criação da tag, gera-se um RSS sobre o assunto, que pode ser assinado por qualquer interessando.

Vale a pena ler com mais calma o texto todo de Bradshaw.

Encontrei a dica a partir do Ponto Media.

[ATUALIZAÇÃO]: Marcos Palácios, no GJol, fez novo post sobre o assunto, com questões importantes colocadas em comments por aí:

A propósito do oportuno comentário de Suzana Barbosa, vale a pena de fato chamar a atenção para o trabalho do Prof. João Canavilhas (Universidade da Beira Interior) que, em 2005, criou um modelo de pirâmida deitada, com muita proximidade ao proposto por Bradshaw. Igualmente digna de nota é a discussão estabelecida sobre o assunto por Luciana Mielniczuk, que no capítulo 5 de sua tese doutoral sobre o formato da notícia na escrita hipertextual (2003), fala sobre transformações possíveis do modelo de pirâmide invertida. uas contribuições que enriquecem muito o debate e fornecem mais parâmetros para avaliar-se a proposta de Bradshaw.